(Fernando Pessoa, “Ecolalia interior”, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 3, p. 79)
26 Novembro 2009
Bom Povo
O português é capaz de tudo, logo que não lhe exijam que o seja. Somos um grande povo de heróis adiados. Partimos a cara a todos os ausentes, conquistamos de graça todas as mulheres sonhadas, e acordamos alegres, de manhã tarde, com a recordação colorida dos grandes feitos por cumprir.
24 Novembro 2009
Dia Nacional da Cultura Científica*
Quantas gerações não serão precisas para a libertação, pela ciência, de um povo! Se ainda não foi possível a libertação, pela ciência, dos homens da ciência, e da gente culta!
* Nascimento de Rómulo de Carvalho (1906).
(Ricardo Reis, Prosa, 81, p. 253)
* Nascimento de Rómulo de Carvalho (1906).
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21 Novembro 2009
Dia Mundial da Televisão
Não ensines nada, pois ainda tens tudo que aprender.
(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 42)
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19 Novembro 2009
Dia Mundial da Filosofia
Contra a maioria das doutrinas filosóficas tenho a queixa de que são simples; o facto de quererem explicar é prova bastante de tal, pois explicar é simplificar.
Para cada filósofo, Deus é da sua opinião.
(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 33)
Para cada filósofo, Deus é da sua opinião.
(Bernardo Soares, Aforismos e afins, p. 67)
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16 Novembro 2009
Dia Internacional para a Tolerância
Toda a sinceridade é uma intolerância.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 276, p. 267)
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14 Novembro 2009
Dia Mundial da Diabetes
Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
[...]
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Come chocolates!
[...]
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
(Álvaro de Campos, “Tabacaria”, Poesia, 75, p. 323)
11 Novembro 2009
91 anos do fim da I Guerra Mundial (1918)
Por aqueles, minha mãe, que morreram, que caíram na batalha...
Dlôn — ôn — ôn — ôn...
Por aqueles, minha mãe, que ficaram mutilados no combate
Dlôn — ôn — ôn — ôn...
Por aqueles cuja noiva esperará sempre em vão...
Dlôn — ôn — ôn — ôn...
Sete vezes sete vezes murcharão as flores no jardim
Dlôn — ôn — ôn — ôn...
E os seus cadáveres serão do pó universal e anónimo
Dlôn — ôn — on — on...
E eles, quem sabe, minha mãe, sempre vivos [.], com esperança...
Loucos, minha mãe, loucos, porque os corpos morrem e a dor não morre...
Dlôn — dlôn — dlôn — dlôn — dlôn — dlôn...
Que é feito daquele que foi a criança que tiveste ao peito?
Dlôn...
Quem sabe qual dos desconhecidos mortos aí é o teu filho
Dlôn...
Ainda tens na gaveta da cómoda os seus bibes de criança...
Ainda há nos caixotes da dispensa os seus brinquedos velhos...
Ele hoje pertence a uma podridão órfã somewhere in France.
Ele que foi tanto para ti, tudo, tudo, tudo...
Olha, ele não é nada no geral holocausto da história
Dlôn — dlôn...
Dlôn — dlôn — dlôn — dlôn...
Dlôn — dlôn — dlôn — dlôn...
Dlôn — dlôn — dlôn — dlôn — dlôn — dlôn...
Dlôn — ôn — ôn — ôn...
Por aqueles, minha mãe, que ficaram mutilados no combate
Dlôn — ôn — ôn — ôn...
Por aqueles cuja noiva esperará sempre em vão...
Dlôn — ôn — ôn — ôn...
Sete vezes sete vezes murcharão as flores no jardim
Dlôn — ôn — ôn — ôn...
E os seus cadáveres serão do pó universal e anónimo
Dlôn — ôn — on — on...
E eles, quem sabe, minha mãe, sempre vivos [.], com esperança...
Loucos, minha mãe, loucos, porque os corpos morrem e a dor não morre...
Dlôn — dlôn — dlôn — dlôn — dlôn — dlôn...
Que é feito daquele que foi a criança que tiveste ao peito?
Dlôn...
Quem sabe qual dos desconhecidos mortos aí é o teu filho
Dlôn...
Ainda tens na gaveta da cómoda os seus bibes de criança...
Ainda há nos caixotes da dispensa os seus brinquedos velhos...
Ele hoje pertence a uma podridão órfã somewhere in France.
Ele que foi tanto para ti, tudo, tudo, tudo...
Olha, ele não é nada no geral holocausto da história
Dlôn — dlôn...
Dlôn — dlôn — dlôn — dlôn...
Dlôn — dlôn — dlôn — dlôn...
Dlôn — dlôn — dlôn — dlôn — dlôn — dlôn...
(Álvaro de Campos, “Ode Marcial”, Poesia, 23i, pp. 158–159)
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09 Novembro 2009
09 Nov 1989: O Comunismo caía de podre
Tudo isso nós perdemos, de todas essas consolações nascemos órfãos.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 306, p. 289)
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07 Novembro 2009
92 anos da Revolução Bolchevique
Visando a liberdade, a libertação dos operários e dos fracos, o bolchevismo oprimiu outros fracos e não aos que disse servir desoprimiu.
(Fernando Pessoa, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 48, p. 258)
07 Nov 1917*: Nascia a Ditadura do Proletariado
Não me capem com ideais!
* 25 de Outubro, segundo o calendário juliano.
(Álvaro de Campos, Poesia, 138, p. 423)
* 25 de Outubro, segundo o calendário juliano.
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«Nas terras altas o vento soprará forte a muito forte (45 a 60 km/h), de noroeste com rajadas da ordem dos 90 km/h» (Instituto de Meteorologia)
04 Novembro 2009
Bondade
Não somos bondosos nem caritativos — não porque sejamos o contrário, mas porque não somos nem uma coisa, nem a outra. A bondade é a delicadeza das almas grosseiras.
(Bernardo Soares, “Declaração de Diferença”, Livro do Desassossego, p. 428)
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01 Novembro 2009
Dia de Todos os Santos
O cristismo apresenta-se-nos composto de três elementos — o sentimento cristista propriamente tal, o elemento pagão contido na presença daqueles santos que todos hoje sabemos serem apenas sucessores deformados dos deuses, e aquele elemento propriamente religioso que todas as religiões contêm.
Uma diferença idêntica separa o politeísmo grego do politeísmo da Igreja Católica, representado por os seus santos, que, para a maioria das populações nas nações católicas, têm, na devoção e no culto, um lugar acima de Deus.
(António Mora, Obra em Prosa, p. 181)
Uma diferença idêntica separa o politeísmo grego do politeísmo da Igreja Católica, representado por os seus santos, que, para a maioria das populações nas nações católicas, têm, na devoção e no culto, um lugar acima de Deus.
(Ricardo Reis, “Prefácio”, Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 199)
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31 Outubro 2009
Dia Mundial da Poupança
O dinheiro é belo, porque é uma libertação.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 295, p. 281)
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28 Outubro 2009
87 anos da “Marcha sobre Roma” do Partido Nacional Fascista de Benito Mussolini (1922)
O problema apresentado pelo fascismo é muito simples, e, na sua essência, não nos é, a nós portugueses, desconhecido. O povo italiano — que é de supor que o seja, e não fascista nem comunista — recebeu há anos, do lado direito da cara, a bofetada do comunismo. O fascismo, para o endireitar, deu-lhe uma bofetada, um pouco mais forte, do lado esquerdo. Não sabemos, nem temos meio de saber, se o povo italiano aprecia mais o ter ficado direito, ou neo-torto, ou as desvantagens faciais do processo empregado. E resta sempre saber, nesta matéria — como cada nova bofetada é sempre mais forte que a anterior, para poder endireitar —, em que altura é que pára a terapêutica equilibradora, e em que estado fica o equilibrado quando o Destino, por fim, se cansa do tratamento.
(Fernando Pessoa, Da República (1910–1935), 114, pp. 357–358)
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26 Outubro 2009
Governo
A encenação dos incompetentes é a mais cruel das ironias dos deuses.
(Fernando Pessoa, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 50, p. 263)
23 Outubro 2009
23 Out 4004 a.C., 9 da manhã em ponto: instante preciso da criação do Mundo por Deus, segundo James Ussher (1581–1656)
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou —
«Se é ele que as criou, do que duvido» —.
Das coisas que criou —
«Se é ele que as criou, do que duvido» —.
(Alberto Caeiro, “O Guardador de Rebanhos, VIII”, Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 55)
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20 Outubro 2009
Razão e Fé
Os místicos, os esotéricos, e outra gente assim, têm sido sempre, notavelmente, falhos de lucidez, de grandeza intelectual e de espírito compreensivo e claro. [...]
O Raciocínio é anti-divino por natureza. Por isso devemos amar e cultivar o Raciocínio.
O Raciocínio é anti-divino por natureza. Por isso devemos amar e cultivar o Raciocínio.
(Alberto Caeiro, Pessoa por Conhecer, vol. II, 326, p. 363)
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18 Outubro 2009
Movimento Perpétuo Associativo
Tantos nobres ideais caídos entre o estrume, tantas ânsias verdadeiras extraviadas entre o enxurro!
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 273, p. 265)
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15 Outubro 2009
Assembleia da República
[...] estalagem onde riem os parvos felizes [...]
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 200, p. 206)
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119 anos do “nascimento” de Álvaro de Campos (1890)

Álvaro de Campos (Faculdade de Letras
da Universidade de Lisboa; pormenor)
Painel gravado de José de Almada Negreiros (1961)
da Universidade de Lisboa; pormenor)
Painel gravado de José de Almada Negreiros (1961)
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13 Outubro 2009
“Milagre do Sol”
Por que não estará essa gente toda doida, ou iludida? Por serem vários? Mas há alucinações colectivas.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 256, p. 252)
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Fátima ou Lenine, tanto dá
O ódio à ciência, às leis naturais, é o que caracteriza a mentalidade popular. O milagre é o que o povo quer, é o que o povo compreende. Que o faça Nossa Senhora de Lourdes ou de Fátima, ou que o faça Lenine — nisso só está a diferença.
(Fernando Pessoa, Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão Pessoal, p. 375)
12 Outubro 2009
517 anos da chegada de Cristóvão Colombo às Américas (1492)
Eu, da Raça dos Descobridores, desprezo o que seja menos que descobrir um Novo Mundo!
O que houvermos de perder.
Outros poderão achar
O que, no nosso encontrar,
Foi achado, ou não achado,
Segundo o destino dado.
Mas o que a eles não toca
É a Magia que evoca
O Longe e faz dele história.
E por isso a sua glória
É justa auréola dada
Por uma luz emprestada.
(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 286)
OS COLOMBOS
Outros haverão de terO que houvermos de perder.
Outros poderão achar
O que, no nosso encontrar,
Foi achado, ou não achado,
Segundo o destino dado.
Mas o que a eles não toca
É a Magia que evoca
O Longe e faz dele história.
E por isso a sua glória
É justa auréola dada
Por uma luz emprestada.
(Fernando Pessoa, Mensagem, Segunda Parte, VI, p. 139)
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10 Outubro 2009
Dia Mundial da Saúde Mental
O pensamento é enterrado vivo
No mundo e ali sufoca.
No mundo e ali sufoca.
(Fernando Pessoa, Fausto — Tragédia Subjectiva, p. 21)
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