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21 março 2013

Dia Mundial da Poesia

A inspiração poética é um delírio equilibrado (mas sempre um delírio).

(Alexander Search, Aforismos e afins, p. 60)




É preciso acabar com o mito do poeta inspirado.

(Álvaro de Campos, Aforismos e afins, p. 61)

14 novembro 2012

164 anos da inauguração do Hospital de Rilhafoles, actual Hospital Miguel Bombarda (1848)

FRAGMENT OF DELIRIUM


I know not whether my mind is broken
Nor do I know if my mind is ill;
I know not if love is but the last token
Of God to me, or a word unspoken
In a chaos of will.

My thoughts are such as the mad must have
And dead things know my soul
Grotesque and odd are the shapes that roll
In my brain as worm in a grave...


(Alexander Search, Poesia, 38, p. 90; em inglês no original)


[ FRAGMENTO DE DELÍRIO
Não sei se em mim a mente se quebrou
Nem se a razão me foi adoecer;
Não sei se o amor é só o último sinal
De Deus em mim, ou a voz que se calou
No caos do querer.

Meu pensar deve ser o da loucura
E minha alma é por fantasmas habitada —
Formas grotescas e estranhas a rolar
E minha mente, quais vermes em sepultura... ]


(p. 91; trad. Luísa Freire)

10 outubro 2012

Dia Mundial da Saúde Mental

[...] Partiu-se a corda do automóvel velho que trago na cabeça, e o meu juízo, que já não existia, fez tr-tr-r-r-...

(Fernando Pessoa, Correspondência (1923–1935), 86, p. 172)




And Madness like my breath is within me.

(Alexander Search, “Soul-Symbols”, Poesia, 36, p. 88; em inglês no original)


[ E a Loucura, como o sopro, está em mim. ]

(“A Alma em Símbolos”, p. 89; trad. Luísa Freire)

10 maio 2012

79 anos do Bücherverbrennung, queima pública de livros «pouco alemães» pelo regime nazi (1933)

«Burn the book well, hangman,
Burn it to the last leaf,
[...]

«His works, his books, his poems
To fire’s oblivion fling;
Let ashes remain of all this.
Remains there anything?»


(Alexander Search, “Priest and Hangman”, Poesia, 88, pp. 192/194; em inglês no original)




[ «Queima esse livro, carrasco,
Queima-o até à última folha,
[...]

«Seus livros, obras, poemas,
Lança ao fogo, ao esquecimento!
Que deles só fiquem cinzas.
Algo sobra de momento? ]


(“O Padre e o Carrasco”, pp. 193/195; trad. Luísa Freire, com alterações)

08 março 2012

98 anos do «dia triunfal» da vida de Fernando Pessoa (1914)

Começo pela parte psiquiátrica. A origem dos meus heterónimos é o fundo traço de histeria que existe em mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histero-neurasténico. Tendo para esta segunda hipótese, porque há em mim fenómenos de abulia que a histeria, propriamente dita, não enquadra no registo dos seus sintomas. Seja como for, a origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação. [...]

[...]

Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. (Não sei, bem entendido, se realmente não existiram, ou se sou eu que não existo. Nestas coisas, como em todas, não devemos ser dogmáticos). Desde que me conheço como sendo aquilo a que chamo eu, me lembro de precisar mentalmente, em figura, movimentos, carácter e história, várias figuras irreais que eram para mim tão visíveis e minhas como as coisas daquilo a que chamamos, porventura abusivamente, a vida real. Esta tendência, que me vem desde que me lembro de ser um eu, tem-me acompanhado sempre, mudando um pouco o tipo de música com que me encanta, mas não alterando nunca a sua maneira de encantar.

(Fernando Pessoa, Correspondência (1923–1935), 162, pp. 340–341)



Diversos heterónimos e personagens pessoanas
Cartoon de Rui Pimentel (1988)


Notas:
  1. Teresa Rita Lopes (Pessoa por Conhecer, vol. I, pp. 167–169) lista 72 dramatis personae pessoanas, isto é, personagens do «romance-drama-em-gente» criado por aquele «que brincava a ser muitos». Dois dos nomes (truncados) apresentados por Rui Pimentel não constam dessa lista: “César Augusto” e “Hermínia”, este último com muitas reservas da nossa parte, pois as letras são pouco mais do que vestigiais (sendo esta a única possibilidade que nos ocorre como compatível com o pouco que se lê).

  2. Teresa Rita Lopes (op. cit., p. 172) refere o facto de 72 ser o número de discípulos de Cristo (Lucas 10:1; algumas versões referem 70 e não 72, indefinição numérica habitual na mística judaica); a autora faz ainda inúmeras referências (por ex., pp. 83, 160, 163) à aspiração de Pessoa a ser «toda a gente» e à relação disto com Deus («Deus é toda a gente»), no fundo, a aspiração a ser Deus («Quanto mais personalidades eu tiver [...] Mais análogo serei a Deus»). No entanto, parece escapar a esta autora um facto importante: na tradição cabalística, 72 são precisamente os Nomes de Deus.

  3. A lista de Teresa Rita Lopes inclui personagens correspondentes a diferentes níveis de despersonalização: os heterónimos aceites por Pessoa como rigorosamente tal (Caeiro, Reis e Campos) e semi-heterónimos (Soares, Mora); tradutores e divulgadores estrangeiros da cultura portuguesa em geral e da obra de heterónimos pessoanos em particular (Search, Crosse); autores diversos (ensaístas, críticos literários, poetas, contistas, jornalistas...), de quem existe alguma obra, ainda que fragmentária; colaboradores dos “jornais” da infância e juventude; autores fictícios referidos nesses jornais; poetas revelados em comunicações mediúnicas... Teresa Rita Lopes não incluiu na lista Fernando Pessoa ortónimo nem «conhecidos inexistentes» como, por exemplo, o capitão Thibeaut ou o Chevalier de Pas, adoptando o critério de apenas listar aqueles em que «o brincar a ser muitos atingiu o nível da escrita» (p. 173). No entanto, alguns autores fictícios do tempo dos jornais de infância apenas são referidos enquanto tal (incluindo título das supostas obras), não havendo provas de que Pessoa chegou de facto a escrever em nome deles; por outro lado, Pessoa afirma ter escrito cartas a si mesmo em nome de Chevalier de Pas (ainda que essas alegadas cartas não sejam conhecidas).

10 janeiro 2012

Iconografia pessoana

Alexander Search. LISBON. Rua da Bella Vista (Lapa), 17, 1.º
Cartão de visita de Alexander Search

14 dezembro 2011

59 anos da morte de Teixeira de Pascoaes (1952)

[...] Quando leio Pascoaes farto-me de rir. Nunca fui capaz de ler uma coisa dele até ao fim. Um homem que descobre sentidos ocultos nas pedras, sentimentos humanos nas árvores, que faz gente dos poentes e das madrugadas [].

(Alberto Caeiro entrevistado por Alexander Search, Poemas Completos de Alberto Caeiro, pp. 213–214)

14 novembro 2011

163 anos da inauguração do Hospital de Rilhafoles, actual Hospital Miguel Bombarda (1848)

Peace! let the sane be set on that side and the mad on this side.

(Alexander Search, Poesia, 70, p. 144; em inglês no original)




[ Silêncio! Que os sãos fiquem daí e os loucos deste lado. ]

(p. 145; trad. Luísa Freire)

07 outubro 2011

Conhece-se o Artífice pelas suas Obras

GOD’S WORK


«God’s work — how great his power!» said he
As we gazed out upon the sea
Beating the beach tumultuously
Round the land-head.

The vessel then strikes with a crash;
Over her deck the waters rash
Make horror deep in rent and gash.
«God’s work», I said.


(Alexander Search, Poesia, 40, p. 92; em inglês no original)


[ OBRA DE DEUS
«Obra de Deus — grande o seu poder!»
Disse ele contemplando o mar
Batendo a costa em tumulto,
Mesmo em torno do pontão.

O barco embate com estrondo,
A água inunda o convés
Abrindo fendas medonhas.
«Obra de Deus», digo então. ]


(p. 93; trad. Luísa Freire)

05 setembro 2011

106 anos do fim da Guerra Russo-Japonesa de 1904–1905

(When English journalists joked at Russian’s disasters)

Our enemies are fallen; other hands
Than ours have struck them, and our joy is great
To know that now at length our fears abate
From hint and menace on great Eastern lands.

Bardling, scribbler and artist, servile bands,
From covert sneer outsigh their trembling hate,
Laughing at misery, and woe, and fallen state,
Armies of men whole-crushed on desolate strands.

The fallen lion every ass can kick,
That in his life, shamed to unmotioned fright,
His every move with eyes askance did trace.


(Alexander Search, “To England, II”, Poesia, 24, pp. 52/54; em inglês no original)




[ (Quando jornalistas ingleses troçaram dos desastres russos)

Os nossos inimigos estão caídos; outras mãos
Que não as nossas os atingiram, e a nossa alegria é grande
Por saber que agora, finalmente, sossegaram os nossos medos
Das ameaças nas grandes terras do Oriente.

Poetelhos, escrevinhadores e artistas, bandos servis,
Exprimem o ódio intenso antes contido,
Rindo da miséria, da angústia, do estado caído,
Exércitos inteiros esmagados em costas desoladas.

Qualquer burro consegue escoucear o leão caído
Que, em vida, o paralisava vergonhosamente de medo,
Todos os seus movimentos seguidos de soslaio. ]


(“À Inglaterra, II”; tradução nossa)

07 julho 2011

88 anos da morte de Guerra Junqueiro (1923)

[...] O Junqueiro não é um poeta. É um amigo de frases. Tudo nele é ritmo e métrica. A sua religiosidade é uma léria. A sua admiração da natureza é outra léria. [...]

(Alberto Caeiro entrevistado por Alexander Search, Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 214)

31 maio 2011

109 anos do fim da Segunda Guerra Boer (1902)

Ill scorn beseems us, men of war and trick,
Whose groaning nation poured her fullest might
To take the freedom of a farmer race.


(Alexander Search, “To England, II”, Poesia, 24, p. 54; em inglês no original)


[ O desdém fica-nos mal, homens da guerra e do embuste,
Cuja queixosa nação pôs todo o seu poder
Para tirar a liberdade de uma raça de agricultores. ]


(“À Inglaterra, II”; tradução nossa)

16 abril 2011

122 anos do “nascimento” de Alberto Caeiro (1889)

Não pretendo ser mais que o maior poeta do mundo. [...]

(Alberto Caeiro entrevistado por Alexander Search, Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 214)



[...] No fundo sou o mesmo que Deus.

(Alberto Caeiro, “Anarquismo”, Pessoa por Conhecer, vol. II, 325, p. 360)



Nota: Como muitas datas na cronologia do universos pessoano, também a data de “nascimento” de Alberto Caeiro não é consensual: Abril de 1889 surge mais frequentemente, mas Thomas Crosse, o ficcionado inglês divulgador da obra de Caeiro, aponta-lhe o nascimento para Agosto de 1887 e a morte para Junho de 1915. (Thomas Crosse, Pessoa por Conhecer, vol. II, 388, pp. 439–440)

30 janeiro 2011

Dia Mundial da Lepra

Poor leper who is a man,
Poor leper who is alive,
Under his being’s ban,
Whose torture’s chain unearned
No pity comes to rive.

A Hand of Might created
The newt, the toad, the viper,
But gave them not its worst;
Kept them from loneliness,
Gave them their kindred’s bliss.
But that hand made the leper
And it made the leper leper:
And that Hand Almighty is
Of all things the most curst.


(Alexander Search, “Song of the Leper”, Poesia, 72, p. 152; em inglês no original)


[ Pobre leproso que é homem,
Pobre dele em seu viver
Sem culpa, numa ansiedade,
À proscrição deste ser
Não chega o bem da piedade.

Mão Poderosa criou
O sapo, a cobra, o tritão
Mas não lhes deu o pior;
Dando-lhes uma sorte igual,
Livrou-os da solidão.
Mas essa mão fez leproso
Ser leproso, por desdita:
E essa Mão Poderosa
É de tudo a mais maldita. ]


(“A Canção do Leproso”, p. 153; trad. Luísa Freire)