Mostrar mensagens com a etiqueta * Bernardo Soares. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta * Bernardo Soares. Mostrar todas as mensagens
27 março 2013
27 fevereiro 2013
Deus e a incompletude
Deus é o existirmos e isto não ser tudo.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 22, p. 60)
04 dezembro 2012
32 anos da morte de Francisco Sá Carneiro (1980)
Morreu pela Pátria, sem saber como nem porquê. [...]
[...]
[...] Não pensou que ia morrer pela Pátria; morreu por ela. [...]
O seu lugar não é ao pé dos criadores de Portugal, cuja estatura é outra, e outra a consciência. [...]
[...]
[...] Não pensou que ia morrer pela Pátria; morreu por ela. [...]
O seu lugar não é ao pé dos criadores de Portugal, cuja estatura é outra, e outra a consciência. [...]
(Bernardo Soares, “Cenotáfio”, Livro do Desassossego, pp. 424–425)
Etiquetas:
* Bernardo Soares,
Falecimento,
Heterónimos e afins,
História de Portugal
26 novembro 2012
103 anos do nascimento de Eugène Ionesco (1909)
APOTEOSE DO ABSURDO
Falo a sério e tristemente; este assunto não é para alegria, porque as alegrias do sonho são contraditórias e entristecidas e por isso aprazíveis de uma misteriosa maneira especial.
Sigo às vezes em mim, imparcialmente, essas coisas deliciosas e absurdas que eu não posso poder ver, porque são ilógicas à vista — pontes sem donde nem para onde, estradas sem princípio nem fim, paisagens invertidas [] — o absurdo, o ilógico, o contraditório, tudo quanto nos desliga e afasta do real e do seu séquito disforme de pensamentos práticos e sentimentos humanos e desejos de acção útil e profícua. O absurdo salva de chegar apesar do tédio àquele estado de alma em que começa por se sentir a doce fúria de sonhar.
E eu chego a ter não sei que misterioso modo de visionar esses absurdos — não sei explicar, mas eu vejo essas coisas inconcebíveis à visão.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 371, p. 337)
Etiquetas:
* Bernardo Soares,
Absurdo,
Heterónimos e afins,
Nascimento,
Teatro
20 agosto 2012
20 Ago. 1905: Fernando Pessoa regressava definitivamente de Durban
«Cheguei a Lisboa, mas não a uma conclusão»*
Pintura de Norberto Nunes
Pintura de Norberto Nunes
* (Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 16, p. 57)
06 agosto 2012
67 anos do lançamento da primeira bomba atómica, sobre Hiroshima (1945)
O vento levantou-se... Primeiro era como a voz de um vácuo... um soprar no espaço para dentro de um buraco, uma falta no silêncio do ar. Depois ergueu-se um soluço, um soluço do fundo do mundo, e sentiu-se que tremiam vidraças e que era realmente vento. Depois soou mais alto, urro surdo, um urrar sem ser entre um nocturno ranger de coisas, um cair de bocados, um átomo de fim do mundo.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 52, p. 85)
Etiquetas:
* Bernardo Soares,
Guerra,
Heterónimos e afins
08 junho 2012
Fernando(s) Pessoa(s) e Deus

Cartoon de Ricardo Campos
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 22, p. 60
Fernando Pessoa, Aforismos e afins, p. 12
Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 21, p. 59)
Fernando Pessoa, Aforismos e afins, p. 12
Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 21, p. 59)
03 junho 2012
Deuses
Os Deuses são a encarnação do que nunca poderemos ser.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 375, p. 340)
Etiquetas:
* Bernardo Soares,
Deus,
Heterónimos e afins,
Religião
01 maio 2012
1 ano da beatificação de João Paulo II (2011)
O milagre é a preguiça de Deus, ou, antes, a preguiça que Lhe atribuímos, inventando o milagre.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 375, p. 340)
Etiquetas:
* Bernardo Soares,
Deus,
Heterónimos e afins,
Igreja Católica,
Milagres,
Santos
21 abril 2012
28 março 2012
18 anos da morte de Eugène Ionesco (1994)
Absurdemos a vida, de leste a oeste.
(Bernardo Soares, “Apoteose do absurdo”, Livro do Desassossego, 372, p. 338)
Etiquetas:
* Bernardo Soares,
Absurdo,
Falecimento,
Heterónimos e afins,
Teatro
08 março 2012
98 anos do «dia triunfal» da vida de Fernando Pessoa (1914)
Começo pela parte psiquiátrica. A origem dos meus heterónimos é o fundo traço de histeria que existe em mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histero-neurasténico. Tendo para esta segunda hipótese, porque há em mim fenómenos de abulia que a histeria, propriamente dita, não enquadra no registo dos seus sintomas. Seja como for, a origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação. [...]
[...]
Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. (Não sei, bem entendido, se realmente não existiram, ou se sou eu que não existo. Nestas coisas, como em todas, não devemos ser dogmáticos). Desde que me conheço como sendo aquilo a que chamo eu, me lembro de precisar mentalmente, em figura, movimentos, carácter e história, várias figuras irreais que eram para mim tão visíveis e minhas como as coisas daquilo a que chamamos, porventura abusivamente, a vida real. Esta tendência, que me vem desde que me lembro de ser um eu, tem-me acompanhado sempre, mudando um pouco o tipo de música com que me encanta, mas não alterando nunca a sua maneira de encantar.

Notas:
[...]
Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. (Não sei, bem entendido, se realmente não existiram, ou se sou eu que não existo. Nestas coisas, como em todas, não devemos ser dogmáticos). Desde que me conheço como sendo aquilo a que chamo eu, me lembro de precisar mentalmente, em figura, movimentos, carácter e história, várias figuras irreais que eram para mim tão visíveis e minhas como as coisas daquilo a que chamamos, porventura abusivamente, a vida real. Esta tendência, que me vem desde que me lembro de ser um eu, tem-me acompanhado sempre, mudando um pouco o tipo de música com que me encanta, mas não alterando nunca a sua maneira de encantar.
(Fernando Pessoa, Correspondência (1923–1935), 162, pp. 340–341)

Cartoon de Rui Pimentel (1988)
Notas:
- Teresa Rita Lopes (Pessoa por Conhecer, vol. I, pp. 167–169) lista 72 dramatis personae pessoanas, isto é, personagens do «romance-drama-em-gente» criado por aquele «que brincava a ser muitos». Dois dos nomes (truncados) apresentados por Rui Pimentel não constam dessa lista: “César Augusto” e “Hermínia”, este último com muitas reservas da nossa parte, pois as letras são pouco mais do que vestigiais (sendo esta a única possibilidade que nos ocorre como compatível com o pouco que se lê).
- Teresa Rita Lopes (op. cit., p. 172) refere o facto de 72 ser o número de discípulos de Cristo (Lucas 10:1; algumas versões referem 70 e não 72, indefinição numérica habitual na mística judaica); a autora faz ainda inúmeras referências (por ex., pp. 83, 160, 163) à aspiração de Pessoa a ser «toda a gente» e à relação disto com Deus («Deus é toda a gente»), no fundo, a aspiração a ser Deus («Quanto mais personalidades eu tiver [...] Mais análogo serei a Deus»). No entanto, parece escapar a esta autora um facto importante: na tradição cabalística, 72 são precisamente os Nomes de Deus.
- A lista de Teresa Rita Lopes inclui personagens correspondentes a diferentes níveis de despersonalização: os heterónimos aceites por Pessoa como rigorosamente tal (Caeiro, Reis e Campos) e semi-heterónimos (Soares, Mora); tradutores e divulgadores estrangeiros da cultura portuguesa em geral e da obra de heterónimos pessoanos em particular (Search, Crosse); autores diversos (ensaístas, críticos literários, poetas, contistas, jornalistas...), de quem existe alguma obra, ainda que fragmentária; colaboradores dos “jornais” da infância e juventude; autores fictícios referidos nesses jornais; poetas revelados em comunicações mediúnicas... Teresa Rita Lopes não incluiu na lista Fernando Pessoa ortónimo nem «conhecidos inexistentes» como, por exemplo, o capitão Thibeaut ou o Chevalier de Pas, adoptando o critério de apenas listar aqueles em que «o brincar a ser muitos atingiu o nível da escrita» (p. 173). No entanto, alguns autores fictícios do tempo dos jornais de infância apenas são referidos enquanto tal (incluindo título das supostas obras), não havendo provas de que Pessoa chegou de facto a escrever em nome deles; por outro lado, Pessoa afirma ter escrito cartas a si mesmo em nome de Chevalier de Pas (ainda que essas alegadas cartas não sejam conhecidas).
09 novembro 2011
07 agosto 2011
217 anos do último auto-de-fé em Lisboa (1794)
O que hoje prepondera em todo o mundo é o ódio à Inteligência.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego (Presença), vol. I, p. 230)
19 julho 2011
125 anos da morte de Cesário Verde (1886)
[...] Quando Cesário Verde fez dizer ao médico que era, não o Sr. Verde empregado no comércio, mas o poeta Cesário Verde, usou de um daqueles verbalismos do orgulho inútil que suam o cheiro da vaidade. O que ele foi sempre, coitado, foi o Sr. Verde empregado no comércio. O poeta nasceu depois de ele morrer, porque foi depois de ele morrer que nasceu a apreciação do poeta.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 106, p. 133)
Etiquetas:
* Bernardo Soares,
Falecimento,
Heterónimos e afins,
Poesia
16 julho 2011
A pontuação da vida
A vida é a hesitação entre uma exclamação e uma interrogação. Na dúvida, há um ponto final.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 375, p. 340)
29 junho 2011
Heteronimia
Dar a cada emoção uma personalidade, a cada estado de alma uma alma.
O desdobramento do eu é um fenómeno em grande número de casos de masturbação.

(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 26, p. 63)
O desdobramento do eu é um fenómeno em grande número de casos de masturbação.
(Fernando Pessoa, Pessoa por Conhecer, vol. II, 421, p. 477)

«Fernando Pessoa — Heterónimo»
Pintura de Costa Pinheiro (1978)
Pintura de Costa Pinheiro (1978)
15 maio 2011
Dia Internacional das Famílias
A doçura de não ter família nem companhia, esse suave gosto como o do exílio, em que sentimos o orgulho do desterro esbater-nos em volúpia incerta a vaga inquietação de estar longe — tudo isto eu gozo a meu modo, indiferentemente. [...]
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 199, p. 205)
Etiquetas:
* Bernardo Soares,
Estado de espírito,
Família,
Heterónimos e afins,
Solidão
11 maio 2011
18 abril 2011
154 anos da publicação de O Livro dos Espíritos por Allan Kardec, fundador do Espiritismo (1857)
Tendo visto com que lucidez e coerência lógica certos loucos (delirantes sistematizados) justificam, a si próprios e aos outros, as suas ideias delirantes, perdi para sempre a segura certeza da lucidez da minha lucidez.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 430, p. 382)
Etiquetas:
* Bernardo Soares,
Heterónimos e afins,
Loucura,
Misticismo,
Religião
Subscrever:
Mensagens (Atom)




