(Fernando Pessoa, “O menino da sua mãe”, Poesia (1918–1930), pp. 252–253)
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15 março 2013
52 anos dos Massacres de Nambuangongo (Angola), início da Guerra Colonial (1961)
(Malhas que o Império tece!)
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01 março 2013
21 anos do início da Guerra da Bósnia (1992)
Of the Balkan peoples the least said the better; they have no pretension even to being civilized. Their very strength is that of uncivilized people — their qualities of combativeness, [...]
[ Dos povos Balcânicos quanto menos se disser melhor; eles não têm mesmo nenhuma pretensão a ser civilizados. A sua verdadeira força é a do povo incivilizado — as suas qualidades de combatividade; [...] ]
(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 168, p. 298; em inglês no original)
[ Dos povos Balcânicos quanto menos se disser melhor; eles não têm mesmo nenhuma pretensão a ser civilizados. A sua verdadeira força é a do povo incivilizado — as suas qualidades de combatividade; [...] ]
(idem, p. 299)
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Guerra
13 fevereiro 2013
68 anos do início do bombardeamento de Dresden (1945)
A criança loura
Jaz no meio da rua.
Tem as tripas de fora
E por uma corda sua
Um comboio que ignora.
Jaz no meio da rua.
Tem as tripas de fora
E por uma corda sua
Um comboio que ignora.
(Fernando Pessoa, Poesia (1902–1917), pp. 213–214)
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Guerra
20 janeiro 2013
71 anos da adopção da “Solução Final para o Problema Judaico” (1942)
Germany, properly speaking, is not civilized also. It has gone the wrong way, but it has gone organisedly on that wrong way.
[ A Alemanha, propriamente falando, também não é civilizada. Tomou o caminho errado, mas caminhou organizadamente nesse caminho errado. ]
(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 168, p. 298; em inglês no original)
[ A Alemanha, propriamente falando, também não é civilizada. Tomou o caminho errado, mas caminhou organizadamente nesse caminho errado. ]
(idem, p. 299)
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04 dezembro 2012
37 anos da morte de Hannah Arendt (1975)
Raiava, já antes da guerra, no horizonte o triste sinal da plebeização das elites. [...] É preciso reagir contra esta corrente.
(Fernando Pessoa, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, VII, 10, p. 158)
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21 outubro 2012
207 anos da Batalha de Trafalgar (1805)
[...] Também no terceiro período a Inglaterra nada criou de civilizacional; criou a sua própria grandeza e nada mais — visto que a hegemonia europeia tem sido mais sua do que de outra nação no século XIX, conforme o vincaram para a história Nelson, em Trafalgar, e Wellington, em Waterloo.
(Fernando Pessoa, “A Nova Poesia Portuguesa sociologicamente considerada”, Crítica, p. 11)
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09 agosto 2012
67 anos do lançamento da segunda bomba atómica, sobre Nagasaki (1945)
A fúria minuciosa [...] dos átomos
A fúria de todas as chamas, a raiva de todos os ventos,
A fúria de todas as chamas, a raiva de todos os ventos,
(Álvaro de Campos, Poesia, 34, p. 254)
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06 agosto 2012
67 anos do lançamento da primeira bomba atómica, sobre Hiroshima (1945)
O vento levantou-se... Primeiro era como a voz de um vácuo... um soprar no espaço para dentro de um buraco, uma falta no silêncio do ar. Depois ergueu-se um soluço, um soluço do fundo do mundo, e sentiu-se que tremiam vidraças e que era realmente vento. Depois soou mais alto, urro surdo, um urrar sem ser entre um nocturno ranger de coisas, um cair de bocados, um átomo de fim do mundo.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 52, p. 85)
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04 agosto 2012
434 anos Batalha de Alcácer-Quibir (1578)

«Pessoa e o Quinto Império»
Desenho de H. Mourato
Desenho de H. Mourato
O DESEJADO
Onde quer que, entre sombras e dizeres,
Jazas, remoto, sente-te sonhado,
E ergue-te do fundo de não-seres
Para teu novo fado!
Vem, Galaaz com pátria, erguer de novo,
Mas já no auge da suprema prova,
A alma penitente do teu povo
À Eucaristia Nova.
Mestre da Paz, ergue teu gládio ungido,
Excalibur do Fim, em jeito tal
Que sua Luz ao mundo dividido
Revele o Santo Graal!
(Fernando Pessoa, Mensagem, Terceira Parte, I, p. 165)
05 junho 2012
569 anos da morte do “Infante Santo” (1443)
D. FERNANDO, INFANTE DE PORTUGAL
Deu-me Deus o seu gládio, por que eu faça
A sua santa guerra.
Sagrou-me seu em honra e em desgraça,
Às horas em que um frio vento passa
Por sobre a fria terra.
Pôs-me as mãos sobre os ombros e doirou-me
A fronte com o olhar;
E esta febre de Além, que me consome,
E este querer grandeza são Seu nome
Dentro em mim a vibrar.
E eu vou, e a luz do gládio erguido dá
Em minha face calma.
Cheio de Deus, não temo o que virá,
Pois, venha o que vier, nunca será
Maior do que a minha alma.
(Fernando Pessoa, Mensagem, Primeira Parte, III, p. 103)
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09 abril 2012
94 anos da Batalha de La Lys (1918)
Puseste a crença num Deus justo e bom.
Foi esse Deus que te matou teu filho?
Foi esse Deus que te matou teu filho?
(Fernando Pessoa, Poesia (1918–1930), p. 193)
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27 janeiro 2012
39 anos dos Acordos de Paz de Paris, fim da participação americana na Guerra do Vietname (1973)
Ardiam casas, saqueadas eram
As arcas e as paredes,
Violadas, as mulheres eram postas
Contra os muros caídos,
Traspassadas [...], as crianças
Eram sangue nas ruas...
As arcas e as paredes,
Violadas, as mulheres eram postas
Contra os muros caídos,
Traspassadas [...], as crianças
Eram sangue nas ruas...
(Ricardo Reis, “Os jogadores de xadrez”, Poesia, II, 31, p. 60)
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18 dezembro 2011
1 ano da auto-imolação do tunisino Mohamed Bouazizi, início de uma série de protestos e revoluções pelo Médio Oriente e Norte de África (2010)
Eh-lá-hô revoluções aqui, ali, acolá,
(Álvaro de Campos, “Ode Triunfal”, Poesia, 8, p. 88)
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20 novembro 2011
204 anos da entrada de Junot em Portugal, início da Primeira Invasão Francesa (1807)
[...] O «mal-francês» é o mal produzido pelos franceses, isto é, as invasões francesas. Depois delas ficou Portugal em subordinação da Inglaterra, a «leoa», em cujo poder receia o Bandarra que Portugal fique. [...]
(Fernando Pessoa, “Trovas do Bandarra”,
Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 43, p. 153)
Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 43, p. 153)
11 novembro 2011
93 anos do fim da I Guerra Mundial (1918)
[...] o conflito entre a Brutalidade, representada pelos Alemães, e a Estupidez, que os Aliados encarnavam. [...]
(Fernando Pessoa, “Cinco Diálogos”, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 65, p. 317)
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17 setembro 2011
72 anos da anexação soviética do leste da Polónia (1939)
Caiam cidades, sofram povos, cesse
A liberdade e a vida,
A liberdade e a vida,
(Ricardo Reis, “Os jogadores de xadrez”, Poesia, II, 31, p. 62)
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05 setembro 2011
106 anos do fim da Guerra Russo-Japonesa de 1904–1905
(When English journalists joked at Russian’s disasters)
Our enemies are fallen; other hands
Than ours have struck them, and our joy is great
To know that now at length our fears abate
From hint and menace on great Eastern lands.
Bardling, scribbler and artist, servile bands,
From covert sneer outsigh their trembling hate,
Laughing at misery, and woe, and fallen state,
Armies of men whole-crushed on desolate strands.
The fallen lion every ass can kick,
That in his life, shamed to unmotioned fright,
His every move with eyes askance did trace.
(Alexander Search, “To England, II”, Poesia, 24, pp. 52/54; em inglês no original)
[ (Quando jornalistas ingleses troçaram dos desastres russos)
Os nossos inimigos estão caídos; outras mãos
Que não as nossas os atingiram, e a nossa alegria é grande
Por saber que agora, finalmente, sossegaram os nossos medos
Das ameaças nas grandes terras do Oriente.
Poetelhos, escrevinhadores e artistas, bandos servis,
Exprimem o ódio intenso antes contido,
Rindo da miséria, da angústia, do estado caído,
Exércitos inteiros esmagados em costas desoladas.
Qualquer burro consegue escoucear o leão caído
Que, em vida, o paralisava vergonhosamente de medo,
Todos os seus movimentos seguidos de soslaio. ]
(“À Inglaterra, II”; tradução nossa)
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28 julho 2011
97 anos do início da I Guerra Mundial (1914)
Ave guerra, som da luz e do fogo
Ave, ave, ave pelos teus arsenais e pelas tuas esquadras,
Ave, ave, ave, pelos teus barcos e pelas tuas fábricas,
Ave por toda a tua civilização de metal em obra,
Ave por todo o teu aço!
Ave por todo o teu alumínio!
Ave por todas as tuas máquinas, ave!
Ave, ave, ave, por toda a força motriz que tu és!
Ave, ave, ave pelos teus arsenais e pelas tuas esquadras,
Ave, ave, ave, pelos teus barcos e pelas tuas fábricas,
Ave por toda a tua civilização de metal em obra,
Ave por todo o teu aço!
Ave por todo o teu alumínio!
Ave por todas as tuas máquinas, ave!
Ave, ave, ave, por toda a força motriz que tu és!
(Álvaro de Campos, “Ode Marcial”, Poesia, 226a, p. 557)
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31 maio 2011
109 anos do fim da Segunda Guerra Boer (1902)
Ill scorn beseems us, men of war and trick,
Whose groaning nation poured her fullest might
To take the freedom of a farmer race.
[ O desdém fica-nos mal, homens da guerra e do embuste,
Cuja queixosa nação pôs todo o seu poder
Para tirar a liberdade de uma raça de agricultores. ]
Whose groaning nation poured her fullest might
To take the freedom of a farmer race.
(Alexander Search, “To England, II”, Poesia, 24, p. 54; em inglês no original)
[ O desdém fica-nos mal, homens da guerra e do embuste,
Cuja queixosa nação pôs todo o seu poder
Para tirar a liberdade de uma raça de agricultores. ]
(“À Inglaterra, II”; tradução nossa)
30 abril 2011
66 anos do suicídio de Adolf Hitler (1945)
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.
(Álvaro de Campos, “Lisbon Revisited” (1926), Poesia, 65, p. 300)
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