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31 maio 2012

Dia Mundial sem Tabaco

A vida sabe-me a tabaco louro.
Nunca fiz mais do que fumar a vida.

(Álvaro de Campos, “Opiário”, Poesia, 5, p. 66)

26 maio 2012

Final do Festival Eurovisão da Canção 2012

Desfile das nações para o meu Desprezo!

(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 280)

20 maio 2012

514 anos da chegada de Vasco da Gama a Calecute (1498)

Enoja-me o Oriente. É uma esteira
Que a gente enrola e deixa de ser bela.

(Álvaro de Campos, “Opiário”, Poesia, 5, p. 63)

12 maio 2012

Dia Internacional dos Enfermeiros

Vem, cuidadosa,
Vem, maternal,
Pé ante pé enfermeira [...]

(Álvaro de Campos, “Dois excertos de odes (fins de duas odes, naturalmente)”, Poesia, 9.I, p. 94)

10 maio 2012

79 anos do Bücherverbrennung, queima pública de livros «pouco alemães» pelo regime nazi (1933)

«Burn the book well, hangman,
Burn it to the last leaf,
[...]

«His works, his books, his poems
To fire’s oblivion fling;
Let ashes remain of all this.
Remains there anything?»


(Alexander Search, “Priest and Hangman”, Poesia, 88, pp. 192/194; em inglês no original)




[ «Queima esse livro, carrasco,
Queima-o até à última folha,
[...]

«Seus livros, obras, poemas,
Lança ao fogo, ao esquecimento!
Que deles só fiquem cinzas.
Algo sobra de momento? ]


(“O Padre e o Carrasco”, pp. 193/195; trad. Luísa Freire, com alterações)

01 maio 2012

1 ano da beatificação de João Paulo II (2011)

O milagre é a preguiça de Deus, ou, antes, a preguiça que Lhe atribuímos, inventando o milagre.

(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 375, p. 340)

21 abril 2012

27 de abril: "Filme do Desassossego" na FCUP

'Filme do Desassossego' na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, 27 de abril, 16 horas

19 abril 2012

Tipografia pessoana

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno! / Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Tipografia de Bárbara Abraul

(Álvaro de Campos, “Ode Triunfal”, Poesia, 8, p. 81)

18 abril 2012

61 anos do Tratado de Paris (1951), embrião da União Europeia

A Europa tem sede de que se crie, tem fome de Futuro!

(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 285)

17 abril 2012

222 anos da morte de Benjamin Franklin (1790)

[...] bateu-me no olhar da alma, como um relâmpago batera no do corpo [...]

(Barão de Teive, Pessoa por Conhecer, vol. II, 200, p. 245)

16 abril 2012

123 anos do “nascimento” de Alberto Caeiro (1889)

[...] pus no Caeiro todo o meu poder de despersonalização dramática, [...]

(Fernando Pessoa, Correspondência (1923–1935), 162, p. 340)



Assinatura de Alberto Caeiro

15 abril 2012

100 anos do naufrágio do Titanic (1912)

Eh-lá naufrágios deliciosos dos grandes transatlânticos!

(Álvaro de Campos, “Ode Triunfal”, Poesia, 8, p. 88)

12 abril 2012

1 ano da chegada da Troika UE–FMI–BCE a Portugal (2011)

Pedindo esmola às portas da Alegria.

(Álvaro de Campos, “Opiário”, Poesia, 5, p. 61)

07 abril 2012

Dia Mundial da Saúde

T-shirt: 'Pensar é estar doente dos olhos'
(Alberto Caeiro, “O Guardador de Rebanhos, II”, Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 44)

28 março 2012

18 anos da morte de Eugène Ionesco (1994)

Absurdemos a vida, de leste a oeste.

(Bernardo Soares, “Apoteose do absurdo”, Livro do Desassossego, 372, p. 338)

24 março 2012

Dia do Estudante

Quando o público soube que os estudantes [...], nos intervalos de dizer obscenidades às senhoras que passam, estavam empenhados em moralizar toda a gente, teve uma exclamação de impaciência. [...]

(Álvaro de Campos, “Aviso por Causa da Moral”, Crítica, p. 200)

23 março 2012

Dia Mundial da Meteorologia
(e, já agora, estava mesmo a dar-nos jeito uns dias de chuva...)

Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é.

(Alberto Caeiro, “Poemas Inconjuntos”, 22, Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 127)

21 março 2012

Dia Mundial da Poesia

Tudo é prosa. A poesia é aquela forma de prosa em que o ritmo é artificial. Este artifício, que consiste em criar pausas especiais e anti-naturais diversas das que a pontuação define, embora às vezes coincidentes com elas, é dado pela escrita do texto em linhas separadas, chamadas versos, preferivelmente começadas por maiúscula, para indicar que são como que períodos absurdos, pronunciados separadamente. [...]

(Álvaro de Campos, Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 275)



Diz Campos que a poesia é uma prosa em que o ritmo é artificial. Considera a poesia como uma prosa que envolve música, donde o artifício. Eu, porém, antes diria que a poesia é uma música que se faz com ideias, e por isso com palavras. Considerai que será o fazerdes música com ideias, em vez de com emoções. Com emoções fareis só música. Com emoções que caminham para as ideias, ou se agregam ideias para se definir, fareis o canto. Com ideias só, contendo tão-somente o que de emoção há necessariamente em todas as ideias, fareis poesia. [...]

(Ricardo Reis, idem)

16 março 2012

53 anos da morte de António Botto (1959)

A arte do Botto é integralmente imoral. Não há célula nela que esteja decente. E isso é uma força porque é uma não hipocrisia, uma não complicação. Wilde tergiversava constantemente. Baudelaire formulou uma tese moral da imoralidade; disse que o mau era bom por ser mau, e assim lhe chamou bom. O Botto é mais forte: dá à sua imoralidade razões puramente imorais, porque não lhe dá nenhumas.

(Álvaro de Campos, Crítica, p. 188)

13 março 2012

13 de Março de 1914: data alternativa do «dia triunfal» da vida de Fernando Pessoa

[...] Sou também discípulo de Caeiro, e ainda me lembro do dia — 13 de Março de 1914 — quando, tendo «ouvido pela primeira vez» (isto é, tendo acabado de escrever, de um só hausto do espírito) grande número dos primeiros poemas do Guardador de Rebanhos, imediatamente escrevi, a fio, os seis poemas-intersecções que compõem a Chuva OblíquaOrpheu» 2), manifesto e lógico resultado da influência de Caeiro sobre o temperamento de Fernando Pessoa.

(Fernando Pessoa, Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, 101)


Nota: Em carta a Adolfo Casais Monteiro, datada de 13 de Janeiro de 1935, Fernando Pessoa apresenta uma cronologia ligeiramente diferente: Alberto Caeiro ter-se-ia manifestado pela primeira vez a 8 de Março de 1914, aquele que classifica como «o dia triunfal da minha vida».