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11 fevereiro 2013

155 anos da primeira “aparição” de Lourdes (1858)

Quais milagres de Lourdes, meu amigo!
Milagres de Rússia.
Curar paralisias!

Curar egoísmos, isso é que é milagre.
Ah Lourdes, Lourdes, quantas Lourdes há!

(Fernando Pessoa, Poesia (1918–1930), p. 198)

18 novembro 2012

Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada

If we hesitate in pitying the drug fool who saturates cocaine with himself, why should we pity the sillier doper who takes speed instead of cocaine?

(Fernando Pessoa, “Erostratus”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias,
VIII, 35, p. 207; em inglês no original)



[ Se hesitamos em ter piedade do toxicómano idiota que satura a cocaína de si próprio, por que razão haveríamos de ter pena desses toxicómanos ainda mais idiotas que tomam velocidade em vez de cocaína? ]

(idem, p. 256; trad. Jorge Rosa, com alterações)

14 novembro 2012

164 anos da inauguração do Hospital de Rilhafoles, actual Hospital Miguel Bombarda (1848)

FRAGMENT OF DELIRIUM


I know not whether my mind is broken
Nor do I know if my mind is ill;
I know not if love is but the last token
Of God to me, or a word unspoken
In a chaos of will.

My thoughts are such as the mad must have
And dead things know my soul
Grotesque and odd are the shapes that roll
In my brain as worm in a grave...


(Alexander Search, Poesia, 38, p. 90; em inglês no original)


[ FRAGMENTO DE DELÍRIO
Não sei se em mim a mente se quebrou
Nem se a razão me foi adoecer;
Não sei se o amor é só o último sinal
De Deus em mim, ou a voz que se calou
No caos do querer.

Meu pensar deve ser o da loucura
E minha alma é por fantasmas habitada —
Formas grotescas e estranhas a rolar
E minha mente, quais vermes em sepultura... ]


(p. 91; trad. Luísa Freire)

13 outubro 2012

Dia Internacional dos Cuidados Paliativos

Dói-me quem sou. [...]

(Fernando Pessoa, Poesia (1918–1930), p. 357)

10 outubro 2012

Dia Mundial da Saúde Mental

[...] Partiu-se a corda do automóvel velho que trago na cabeça, e o meu juízo, que já não existia, fez tr-tr-r-r-...

(Fernando Pessoa, Correspondência (1923–1935), 86, p. 172)




And Madness like my breath is within me.

(Alexander Search, “Soul-Symbols”, Poesia, 36, p. 88; em inglês no original)


[ E a Loucura, como o sopro, está em mim. ]

(“A Alma em Símbolos”, p. 89; trad. Luísa Freire)

21 setembro 2012

Dia Mundial da Doença de Alzheimer

Tudo que temos é esquecimento.

(Fernando Pessoa, “Primeiro Fausto”, Primeiro Tema — “O Mistério do Mundo”, VI, Ficção e Teatro, p. 170)



Nem eu mesmo me conheço,
E, se me conheço, esqueço,

(Fernando Pessoa, Poesia (1931–1935 e não datada), p. 165)

31 maio 2012

Dia Mundial sem Tabaco

A vida sabe-me a tabaco louro.
Nunca fiz mais do que fumar a vida.

(Álvaro de Campos, “Opiário”, Poesia, 5, p. 66)

12 maio 2012

Dia Internacional dos Enfermeiros

Vem, cuidadosa,
Vem, maternal,
Pé ante pé enfermeira [...]

(Álvaro de Campos, “Dois excertos de odes (fins de duas odes, naturalmente)”, Poesia, 9.I, p. 94)

07 abril 2012

Dia Mundial da Saúde

T-shirt: 'Pensar é estar doente dos olhos'
(Alberto Caeiro, “O Guardador de Rebanhos, II”, Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 44)

29 novembro 2011

137 anos do nascimento de António Egas Moniz, Prémio Nobel da Medicina (1874)

Desfeito o meu cérebro,
Em coisa abstracta, impessoal, sem forma,
Já não sente o eu que eu tenho,
Já não pensa com o meu cérebro os pensamentos que eu sinto meus,
Já não move pela minha vontade as minhas mãos que eu movo.

(Alberto Caeiro, “Poemas Inconjuntos”, 14, Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 120)

14 novembro 2011

163 anos da inauguração do Hospital de Rilhafoles, actual Hospital Miguel Bombarda (1848)

Peace! let the sane be set on that side and the mad on this side.

(Alexander Search, Poesia, 70, p. 144; em inglês no original)




[ Silêncio! Que os sãos fiquem daí e os loucos deste lado. ]

(p. 145; trad. Luísa Freire)

25 setembro 2011

Dia Mundial do Coração

Aquele peso em mim — meu coração.

(Fernando Pessoa, Poesia (1931–1935 e não datada), p. 95)

21 setembro 2011

Dia Mundial da Doença de Alzheimer

Ser alheio até a si mesmo!
[...]
Ser esquecido de que se existe!

(Álvaro de Campos, Poesia, 218, p. 539)

31 maio 2011

Dia Mundial sem Tabaco

Ilustração de André Carrilho

24 março 2011

Dia Mundial da Tuberculose

Estupores de tísicos, de neurasténicos, de linfáticos,
Sem coragem para ser gente com violência e audácia,
Com a alma como uma galinha presa por uma perna!

(Álvaro de Campos, “Ode Marítima”, Poesia, 18, p. 127)

11 fevereiro 2011

Dia Mundial do Doente

... e tudo é uma doença incurável.

A ociosidade de sentir, o desgosto de ter de não saber fazer nada, a incapacidade de agir, [...]

(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 384, p. 346)

30 janeiro 2011

Dia Mundial da Lepra

Poor leper who is a man,
Poor leper who is alive,
Under his being’s ban,
Whose torture’s chain unearned
No pity comes to rive.

A Hand of Might created
The newt, the toad, the viper,
But gave them not its worst;
Kept them from loneliness,
Gave them their kindred’s bliss.
But that hand made the leper
And it made the leper leper:
And that Hand Almighty is
Of all things the most curst.


(Alexander Search, “Song of the Leper”, Poesia, 72, p. 152; em inglês no original)


[ Pobre leproso que é homem,
Pobre dele em seu viver
Sem culpa, numa ansiedade,
À proscrição deste ser
Não chega o bem da piedade.

Mão Poderosa criou
O sapo, a cobra, o tritão
Mas não lhes deu o pior;
Dando-lhes uma sorte igual,
Livrou-os da solidão.
Mas essa mão fez leproso
Ser leproso, por desdita:
E essa Mão Poderosa
É de tudo a mais maldita. ]


(“A Canção do Leproso”, p. 153; trad. Luísa Freire)

16 janeiro 2011

91 anos da entrada em vigor da “Lei Seca” nos Estados Unidos (1920)

Chegámos ao ponto cómico desta travessia legislativa. Chegámos ao exame daquela legislação restritiva que visa a beneficiar o indivíduo, impedindo que ele faça mal à sua preciosa saúde moral e física. É este o caso de legislação restritiva que se acha tipicamente exemplificado no diploma que é o exemplo de toda a legislação restritiva, quer quanto à sua natureza quer quanto aos seus efeitos — a famosa Lei Seca dos Estados Unidos da América. Vejamos em que deu a operação dessa lei.

[...]

[...] olhemos só às consequências rigorosamente materiais da Lei Seca. Quais foram elas? Foram três.

(1) Dada a criação necessária, para o “cumprimento” da Lei, de vastas legiões de fiscais — mal pagos, como quase sempre são os funcionários do Estado, relativamente ao meio em que vivem —, a fácil corruptibilidade desses elementos, neste caso tão solicitados, tornou a Lei nula e inexistente para as pessoas de dinheiro, ou para as dispostas a gastá-lo. Assim esta lei dum país democrático é, na verdade, restritiva apenas para as classes menos abastadas e, particularmente, para os mais poupados e mais sóbrios dentro delas. Não há lei socialmente mais imoral que uma que produz estes resultados. Temos, pois, como primeira consequência da Lei Seca, o acréscimo de corruptibilidade dos funcionários do Estado, e, ao mesmo tempo, o dos privilégios dos ricos sobre os pobres, e dos que gastam facilmente sobre os que poupam.

(2) Paralelamente a esta larga corrupção dos fiscais do Estado, pagos, quando não para directamente fornecer bebidas alcoólicas pelo menos para as não ver fornecer, estabeleceu-se, adentro do Estado propriamente dito, um segundo Estado, de contrabandistas, uma organização extensíssima, coordenada e disciplinada, com serviços complexos perfeitamente distribuídos, destinada à técnica variada da violação da Lei. Ficou definitivamente criado e organizado o comércio ilegal de bebidas alcoólicas. E dá-se o caso, maravilhoso de ironia, de serem estes elementos contrabandistas que energicamente se opõem à revogação da Lei Seca, pois que é dela que vivem. Afirma-se, mesmo que, dada a poderosa influência, eleitoral e social, do Estado dos Contrabandistas, não poderá ser revogada com facilidade essa lei. Temos, pois, como segunda consequência da Lei Seca, a substituição do comércio normal e honesto por um comércio anormal e desonesto, com a agravante de este, por ter que assumir uma organização poderosa para poder exercer-se, se tornar um segundo Estado, anti-social, dentro do próprio Estado. E, como derivante desta segunda consequência, temos, é claro, o prejuízo do Estado, pois não é de supor que ele cobre impostos aos contrabandistas.

(3) Quais, foram, porém, as consequências da Lei Seca quanto aos fins que directamente visava? Já vimos que quem tem dinheiro, seja ou não alcoólico, continua a beber o que quiser. É igualmente evidente que quem tem pouco dinheiro, e é alcoólico, bebe da mesma maneira e gasta mais — isto é, prejudica-se fisicamente do mesmo modo, e financeiramente mais. Há ainda os casos, tragicamente numerosos, dos alcoólicos que, não podendo por qualquer razão obter bebidas alcoólicas normais, passaram a ingerir espantosos sucedâneos — loções de cabelo, por exemplo —, com resultados pouco moralizadores para a própria saúde. Surgiram também no mercado americano várias drogas não alcoólicas, mas ainda mais prejudiciais que o álcool; essas livremente vendidas, pois, se é certo que arruinam a saúde, arruinam contudo adentro da lei, e sem álcool. E o facto é que, segundo informação recente de fonte boa e autorizada, se bebe mais nos Estados Unidos depois da Lei Seca do que anteriormente se bebia. Conceda-se, porém, aos que votaram e defendem este magno diploma que numa secção do público ele produziu resultados benéficos — aqueles resultados que eles apontam no acréscimo de depósitos nos bancos populares e caixas económicas. Essa secção do público, composta de indivíduos trabalhadores, poupados e pouco alcoólicos, não podendo com efeito, beber qualquer coisa alcoólica sem correr vários riscos e pagar muito dinheiro, passou, visto não ser dada freneticamente ao álcool, a abster-se dele, poupando assim dinheiro. Isto, sim, conseguiram os legisladores americanos — «moralizar» quem não precisava ser moralizado. Temos, pois, como última consequência da Lei Seca, um efeito escusado e inútil sobre uma parte da população, um efeito nulo sobre outra, e um efeito daninho e prejudicial sobre uma terceira.

A Lei Seca, é certo, é um caso extremo. Mas um caso extremo é como que um caso típico visto ao microscópio: revela flagrantemente as falhas e as irregularidades dele. O caso da Lei Seca é extremo por duas razões — porque a Lei Seca é uma lei absolutamente radical, e porque, principalmente em virtude disso, o Estado se viu obrigado a esforçar-se para que ela efectivamente se cumprisse. As leis menos radicais desta ordem — como, entre nós, a que pretendeu restringir as horas de consumo das bebidas alcoólicas — naufragam na reacção surda e insistente do público, que as desdenha e despreza, e no desleixo de fiscalização do próprio Estado. Nascem mortas; e, se vivem, vivem a vida inútil e daninha da Lei Seca dos Estados Unidos.

(Fernando Pessoa, “As algemas”, Crítica, pp. 274–277)

03 dezembro 2010

Dia Internacional da Pessoa com Deficiência

Eu sou corcunda desde a nascença e sempre riram de mim. Dizem que todas as corcundas são más, mas eu nunca quis mal a ninguém. Além disso sou doente, e nunca tive alma, por causa da doença, para ter grandes raivas. Tenho dezanove anos e nunca sei para que é que cheguei a ter tanta idade, e doente, e sem ninguém que tivesse pena de mim a não ser por eu ser corcunda, que é o menos, porque é a alma que me dói, e não o corpo, pois a corcunda não faz dor.

(Maria José, Pessoa por Conhecer, vol. II, 215, p. 256)

29 novembro 2010

136 anos do nascimento de António Egas Moniz, Prémio Nobel da Medicina (1874)

[...] Se o que há de lixo moral e mental em todos os cérebros pudesse ser varrido [...]

(Fernando Pessoa, Textos Filosóficos, vol. I, IV, 50, p. 141)