30 março 2010

(I)moralidade

O que você acrescenta sobre os deveres morais podia tornar-se extensivo aos deveres imorais. Chegámos a um ponto da civilização em que há tais exigências de imoralidade que de aqui a pouco toda a gente é decente por falta de espírito de sacrifício.

(Fernando Pessoa, Textos Filosóficos, vol. I, IV, 46, p. 136)

27 março 2010

Dia Mundial do Teatro

Chamo teatro estático àquele cujo enredo dramático não constitui acção — isto é, onde as figuras não só não agem, porque nem se deslocam nem dialogam sobre deslocarem-se, mas nem sequer têm sentidos capazes de produzir uma acção; onde não há conflito nem perfeito enredo. Dir-se-á que isto não é teatro. Creio que o é porque creio que o teatro tende a teatro meramente lírico e que o enredo do teatro é, não a acção nem a progressão e consequência da acção — mas, mais abrangentemente, a revelação das almas através das palavras trocadas e a criação de situações [...] Pode haver revelação de almas sem acção, e pode haver criação de situações de inércia, momentos de alma sem janelas ou portas para a realidade.

(Fernando Pessoa, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, V, 5, p. 112)

25 março 2010

Anunciação de Fernando Pessoa

'Pessoa-Anjo'
José João Brito (1983–1990)
sem título, objecto (madeira)

23 março 2010

Religião

A religião é uma metafísica recreativa.

(Ricardo Reis, Prosa, 81, p. 253)

Ateísmo

Não haver deuses é um deus também.

(Fernando Pessoa, Aforismos e afins, p. 12)

Conselho aos ateus militantes

Não se deve ir abalar a crença a um ignorante. Deve-se instruí-lo. A instrução lhe abalará a crença. E se não lha abalar é que ela está ainda arreigada de mais para poder ser abalada. Fica para outra geração.

É mesmo duvidoso se se deva proibir o ensino religioso. Deve criar-se uma atmosfera de cultura científica que o vá lentamente fazer caducar.

(Ricardo Reis, Prosa, 81, p. 253)

21 março 2010

Dia Mundial da Árvore

«O Guardador de Rebanhos»
Pintura de Gaudenzio Nazario (1994)

20 março 2010

7 anos do início da invasão americana do Iraque (2003)

Si vis bellum, para pacem.

[Se queres a guerra, prepara-te para a paz.]

(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 267, p. 423; original em latim)

19 março 2010

77 anos do “plebiscito” à Constituição de 1933 (Estado Novo)

Mais valia publicar um decreto-lei que rezasse assim:
Art. 1. António de Oliveira Salazar é Deus.
Art. 2. Fica revogado tudo em contrário e nomeadamente a Bíblia.

Ficava assim legalmente instituído o sistema que deveras nos governa, o autêntico Estado Novo — a Teocracia pessoal.

[...]

Miserrimam servitutem pacem appelant.*


(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 223, p. 367)


* Pedem uma paz misérrima de servidão.

18 março 2010

696 anos da execução de Jacques de Molay, Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros Templários (1314)

[...] Ter sempre na memória o mártir Jacques de Molay, Grão-Mestre dos Templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassinos — a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania.

(Fernando Pessoa, “Nota Biográfica”, Prosa Íntima e de Autoconhecimento, p. 135)

16 março 2010

Iconografia pessoana

«Atenção Obras» (1985)
Pintura de José João Brito (1983–1990)

14 março 2010

518 anos da ordem de expulsão dos judeus e muçulmanos de Espanha (1492)

[...] A única inquisição que há hoje é a estupidez...

(Fernando Pessoa, “5 Diálogos”, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 75, p. 331)

11 março 2010

6 anos dos ataques terroristas islâmicos em Madrid (2004)

[...] não quebrem meu ser, não partam meu corpo,
Não me arremessem, como uma bomba [...] que estoira
Em sangue e carne e alma [...]

(Álvaro de Campos, Poesia, 34, p. 253)

08 março 2010

Dia Internacional da Mulher

[...] place aux femmes! [...]

(Fernando Pessoa, “Fátima”, Fernando Pessoa: O Guardador de Papéis, p. 277)

8 de Março de 1914: «o dia triunfal da minha vida» (F. Pessoa)

Aí por 1912, salvo erro (que nunca pode ser grande), veio-me à ideia escrever uns poemas de índole pagã. Esbocei umas coisas em verso irregular (não no estilo Álvaro de Campos, mas num estilo de meia regularidade), e abandonei o caso. Esboçara-se-me, contudo, numa penumbra mal urdida, um vago retrato da pessoa que estava a fazer aquilo. (Tinha nascido, sem que eu soubesse, o Ricardo Reis.)

Ano e meio, ou dois anos, depois lembrei-me um dia de fazer uma partida ao Sá-Carneiro — de inventar um poeta bucólico, de espécie complicada, e apresentar-lho, já me não lembro como, em qualquer espécie de realidade. Levei uns dias a elaborar o poeta, mas nada consegui. Num dia em que finalmente desistira — foi em 8 de Março de 1914 —, acerquei-me de uma cómoda alta, e, tomando um papel, comecei a escrever, de pé, como escrevo sempre que posso. E escrevi trinta e tantos poemas a fio, numa espécie de êxtase cuja natureza não conseguirei definir. Foi o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim. Abri com um título, «O Guardador de Rebanhos». E o que se seguiu foi o aparecimento de alguém em mim, a quem dei desde logo o nome de Alberto Caeiro. Desculpe-me o absurdo da frase: aparecera em mim o meu mestre. Foi essa a sensação imediata que tive. E tanto assim que, escritos que foram esses trinta e tantos poemas, imediatamente peguei noutro papel e escrevi, a fio também, os seis poemas que constituem a «Chuva Oblíqua», de Fernando Pessoa. Imediatamente e totalmente... Foi o regresso de Fernando Pessoa Alberto Caeiro a Fernando Pessoa ele só. Ou melhor, foi a reacção de Fernando Pessoa contra a sua inexistência como Alberto Caeiro.

Aparecido Alberto Caeiro, tratei logo de lhe descobrir — instintiva e subconscientemente — uns discípulos. Arranquei do seu falso paganismo o Ricardo Reis latente, descobri-lhe o nome, e ajustei-o a si mesmo, porque nessa altura já o via. E, de repente, e em derivação oposta à de Ricardo Reis, surgiu-me impetuosamente um novo indivíduo. Num jacto, e à máquina de escrever, sem interrupção nem emenda, surgiu a «Ode Triunfal» de Álvaro de Campos — a Ode com esse nome e o homem com o nome que tem.

Criei, então, uma coterie inexistente. Fixei aquilo tudo em moldes de realidade. Graduei as influências, conheci as amizades, ouvi, dentro de mim, as discussões e as divergências de critérios, e em tudo isto me parece que fui eu, criador de tudo, o menos que ali houve. Parece que tudo se passou independentemente de mim. E parece que assim ainda se passa. Se algum dia eu puder publicar a discussão estética entre Ricardo Reis e Álvaro de Campos, verá como eles são diferentes, e como eu não sou nada na matéria.

(Fernando Pessoa, Correspondência (1923–1935), 162, pp. 342–344)


Nota: Num outro documento, Fernando Pessoa apresenta uma cronologia ligeiramente diferente: Alberto Caeiro ter-se-ia manifestado pela primeira vez a 13 de Março de 1914.

Iconografia pessoana

Os três heterónimos:
Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos
(Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; pormenor)
Painel gravado de José de Almada Negreiros (1961)

06 março 2010

89 anos do Partido Comunista Português (1921)

O bolchevismo (entendendo por bolchevismo o sindicalismo revolucionário e o comunismo, e não só este último) é um fenómeno reaccionário e religioso. Nada tem de propriamente social, nem podia ter, porque, se o tivesse, não o poderiam adoptar as plebes, incapazes de outra coisa que não de religião.
E fácil provar o carácter reaccionário do bolchevismo, como é fácil provar o seu carácter religioso — mais fácil ainda.

(Fernando Pessoa, Pessoa por Conhecer, vol. II, 62, p. 85)

04 março 2010

Dia Mundial da Matemática

O que é preciso é cada um multiplicar-se por si próprio.

(Fernando Pessoa, Aforismos e afins, p. 15)

616 anos do nascimento do Infante D. Henrique (1394)

O INFANTE


Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

(Fernando Pessoa, Mensagem, Segunda Parte, I, p. 127)

02 março 2010

O tédio e as certezas

O tédio... Quem tem Deuses nunca tem tédio. O tédio é a falta de uma mitologia. [...] Sim, o tédio é isso: a perda, pela alma, da sua capacidade de se iludir, a falta, no pensamento, da escada inexistente por onde ele sobe sólido à verdade.

(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 263, p. 260)

01 março 2010

Pessoa, sempre — todos os dias: Março de 2010

Calendário pessoano: Março de 2010
Os ícones de cada dia foram adaptados dos do Labirinto do site MultiPessoa.

27 fevereiro 2010

Arte e patriotismo

Em arte tudo é lícito, desde que seja superior. Não é permitido ao homem vulgar ser antipatriota, porque não tem mentalidade acima da espécie, e a não pode ter pois acima da espécie imediata, que é a nação a que pertence. Ao génio é permitido. Sucede, por ironia, que os grandes génios são em geral conformes com os sentimentos normais: Shakespeare era intensamente, até excessivamente, patriota.

Um génio antipatriota é um fenómeno, não direi vulgar, mas aceitável. Um operário antipatriota é simplesmente uma besta.

(Fernando Pessoa, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, VI, 11, p. 130)

24 fevereiro 2010

Incompetência e Corrupção

E todos os chefes de estado, incompetentes ao léu, barris de lixo virados p’ra baixo à porta da Insuficiência da Época!
Tirem isso tudo da minha frente!
Arranjem feixes de palha e ponham-nos a fingir gente que seja outra!
Tudo daqui para fora! Tudo daqui para fora!
Ultimatum a eles todos, e a todos os outros que sejam como eles todos!
Se não querem sair, fiquem e lavem-se!

(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 280)

21 fevereiro 2010

Dia Internacional da Língua Materna

Minha pátria é a língua portuguesa.

(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 259, p. 255)

85 anos da publicação do primeiro número da revista The New Yorker (1925)

livros: Flaubert, Pessoa, Mann, Prévert, García Lorca, E. A. Poe
Ilustração de Benoît van Innis
para a revista The New Yorker

162 anos do Manifesto do Partido Comunista (1848)

Ao contrário do catolicismo, o comunismo não tem uma doutrina. Enganam-se os que supõem que ele a tem. O catolicismo é um sistema dogmático perfeitamente definido e compreensível, quer teologicamente, quer sociologicamente. O comunismo não é um sistema: é um dogmatismo sem sistema — o dogmatismo informe da brutalidade e da dissolução. Se o que há de lixo moral e mental em todos os cérebros pudesse ser varrido e reunido, e com ele se formar uma figura gigantesca, tal seria a figura do comunismo, inimigo supremo da liberdade e da humanidade, como o é tudo quanto dorme nos baixos instintos que se escondem em cada um de nós.

O comunismo não é uma doutrina porque é uma anti-doutrina, ou uma contra-doutrina. Tudo quanto o homem tem conquistado, até hoje, de espiritualidade moral e mental — isto é de civilização e de cultura —, tudo isso ele inverte para formar a doutrina que não tem.

(Fernando Pessoa, Textos Filosóficos, vol. I, IV, 50, pp. 141–142)

18 fevereiro 2010

464 anos da morte de Martinho Lutero (1546)

A mais nítida obra civilizacional alemã do passado foi a Reforma. [...]

(Fernando Pessoa, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 29, p. 202)

16 fevereiro 2010

Carnaval

Escultura de António

14 fevereiro 2010

Dia dos Namorados

[...] decidi abdicar do amor como de um problema insolúvel.

(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 22)


Pessoa com coração no colarinho
Aguarela de Hermenegildo Sábat
(Fonte: Público)

Amor

Love is a mortal sample of immortality.

[ O amor é uma amostra mortal da imortalidade. ]

(Fernando Pessoa, Aforismos e afins, p. 45
Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão Pessoal,
comunicação mediúnica n.º 74, p. 326; em inglês no original)


Aimer c’est s’y méprendre.

[ Amar é equivocar-se. ]

(Fernando Pessoa, Aforismos e afins, p. 46; em francês no original)

Amor à dobrada

Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?

(Álvaro de Campos, “Dobrada à moda do Porto”, Poesia, 198, p. 510)

11 fevereiro 2010

152 anos da primeira “aparição” de Lourdes (1858)

O deplorável facto de que uma menina chamada Bernadette Soubirous se antecipara [...] a esta notável visão do celestial terrestrizado, despe-nos um pouco o manto, e um pouco nos entorta a coroa, da novidade. Enfim sempre era mesmo de uma Nossa Senhora geograficamente (e cronologicamente) diferente. Já o Chevalier de Cailly perguntava, no século [dezoito], dado que sempre que escrevia qualquer coisa, descobria que a Antiguidade a já havia dito, por que não teria essa tal Antiguidade vindo depois dele, pois então teria ele escrito primeiro.

(Fernando Pessoa, “Fátima”, Fernando Pessoa: O Guardador de Papéis, p. 275)

09 fevereiro 2010

Ensinamentos das religiões

Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.

(Álvaro de Campos, “Tabacaria”, Poesia, 75, p. 323)

07 fevereiro 2010

532 anos do nascimento de Thomas More (1478)

Que tragédia não acreditar na perfectibilidade humana!...
— E que tragédia acreditar nela!

(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 288, p. 276)

Iconografia pessoana

Fachada da Embaixada Portuguesa
em Sófia (Bulgária)

06 fevereiro 2010

402 anos do nascimento de Padre António Vieira (1608)

Imperador da língua portuguesa,

(Fernando Pessoa, “António Vieira”, Mensagem, Terceira Parte, II, p. 175)

03 fevereiro 2010

522 anos do desembarque de Bartolomeu Dias na Aguada de São Brás (Mossel Bay) após dobrar o Cabo das Tormentas, ou da Boa Esperança (1488)

O MOSTRENGO


O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse, «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-Rei D. João Segundo!»

«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»

Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»

(Fernando Pessoa, Mensagem, Segunda Parte, IV, pp. 133–135)

01 fevereiro 2010

102 anos do Regicídio de D. Carlos (1908)

A maravilhosa beleza das corrupções políticas,
Deliciosos escândalos financeiros e diplomáticos,
Agressões políticas nas ruas,
E de vez em quando o cometa dum regicídio
Que ilumina de Prodígio e Fanfarra os céus
Usuais e lúcidos da Civilização quotidiana!

(Álvaro de Campos, “Ode Triunfal”, Poesia, 8, pp. 83–84)



O Regicídio, e, depois, a Revolução, foram os dois fenómenos que chamaram sobre nós, embora imperfeitamente, a atenção do estrangeiro. Quer dizer: em vez de desconhecidos, passámos a ser mal conhecidos. Antes, nada se sabia de nós; passaram a saber-se de nós coisas inteiramente falsas. O conhecimento que o estrangeiro tem de nós oscila entre o nada e o erro.

(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 175, p. 309)

Pessoa, sempre — todos os dias: Fevereiro de 2010

Calendário pessoano: Fevereiro de 2010
Os ícones de cada dia foram adaptados dos do Labirinto do site MultiPessoa.

30 janeiro 2010

Educação: «competências», não «competência»

[...] assim como passou a haver «liberdades» em vez de «liberdade», assim também passou a haver crenças em vez de crença, fés em vez de fé, e vários outros plurais ainda mais singulares.

(Fernando Pessoa, “Fátima”, Fernando Pessoa: O Guardador de Papéis, p. 275)

28 janeiro 2010

96 anos da criação de Ricardo Reis (1914)

O Dr. Ricardo Reis nasceu dentro da minha alma no dia 28* de Janeiro de 1914, pelas 11 horas da noite. Eu estivera ouvindo no dia anterior uma discussão extensa sobre os excessos, especialmente de realização, da arte moderna. Segundo o meu processo de sentir as coisas sem as sentir, fui-me deixando ir na onda dessa reacção momentânea. Quando reparei em que estava pensando, vi que tinha erguido uma teoria neoclássica, e que a ia desenvolvendo. Achei-a bela e calculei interessante se a desenvolvesse segundo princípios que não adopto nem aceito. [...]

(Fernando Pessoa, “Ricardo Reis — Vida e Obra” in Ricardo Reis, Prosa, 94, p. 278)


* Pessoa hesita entre os dias 28 e 29.


foto
Ricardo Reis (Faculdade de Letras
da Universidade de Lisboa; pormenor)
Painel gravado de José de Almada Negreiros (1961)

27 janeiro 2010

1 ano!

Este blogue faz precisamente hoje um ano.

Bem, isto não é exactamente verdade — mas, como diria Bernardo Soares, seria mórbido emprestar a isto uma realidade muito verdadeira.

(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 209, p. 215)


foto
Fernando Pessoa com cerca de 1 ano de idade


(Fotobiografias do Século XX: Fernando Pessoa, p. 17)

25 janeiro 2010

Religiosidade

No fundo, o homem religioso é um hedonista. O instinto religioso das massas é um instinto de prazer, de ter tudo resolvido na vida. Deter-se só perante a Verdade é doloroso para o homem. A Realidade é muda e fria.

(Fernando Pessoa, Aforismos e afins, p. 50)

23 janeiro 2010

O sentido do mundo

Despedi-vos do erro infantil de perguntar o sentido às coisas e às palavras. Nada tem um sentido.

(Bernardo Soares, “Viagem nunca Feita”, Livro do Desassossego, p. 481)

20 janeiro 2010

68 anos da adopção da “Solução Final para o Problema Judaico” (1942)

E se houver outros que faltem, procurem-nos aí p’ra um canto!

(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 280)

17 janeiro 2010

17 Jan 1945: O Exército Vermelho “liberta” Varsóvia do domínio Nazi

E ficou tudo na mesma, tendo a mais só os alemães a menos...

(Álvaro de Campos, Poesia, 20, p. 144)

15 janeiro 2010

Ciência e Fé

Se a ciência não pode consolar,
Não busquemos consolo.

Não peçamos à fé que seja certa
Mas só que seja nossa.

(Fernando Pessoa, Poesia (1931–1935 e não datada), p. 509)

14 janeiro 2010

Iconografia pessoana

José de Guimarães
série Pessoas em papel

12 janeiro 2010

579 anos do início do julgamento de Joana d’Arc por bruxaria (1431)

Não uma santa estética, como Santa Teresa,
Não uma santa dos dogmas,
Não uma santa.
Mas uma santa humana, maluca e divina,
Materna, agressivamente materna,
Odiosa, como todas as santas,
Persistente, com a loucura da santidade.
Odeio-a e estou de cabeça descoberta
E dou-lhe vivas sem saber porquê!
[...]
Bruxa de boa intenção...

[...]

Minha Joana de Arc sem pátria!
[...]
Estúpida como todas as santas
E militante como a alma que quer vencer o mundo!

(Álvaro de Campos, “Carry Nation”, Poesia, 123, pp. 399–400)

07 janeiro 2010

685 anos da morte de D. Dinis (1325)

D. DINIS


Na noite escreve um seu Cantar de Amigo
O plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio múrmuro consigo:
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver.

Arroio, esse cantar, jovem e puro,
Busca o oceano por achar;
E a fala dos pinhais, marulho obscuro,
É o som presente desse mar futuro,
É a voz da terra ansiando pelo mar.

(Fernando Pessoa, Mensagem, Primeira Parte, II, p. 93)

01 janeiro 2010

Ano Novo

Ficção de que começa alguma coisa!

(Fernando Pessoa, “Ano Novo”, Poesia (1918–1930), p. 187)

Pessoa, sempre — todos os dias: Janeiro de 2010

Calendário pessoano: Janeiro de 2010
Os ícones de cada dia foram adaptados dos do Labirinto do site MultiPessoa.


Legenda:


Dias úteis
(Fernando Pessoa)

Sábados normais
(Álvaro de Campos)

Domingos normais
(Alberto Caeiro)

Feriados civis
(Bernardo Soares)

Feriados religiosos
(Ricardo Reis)

Aniversário de Fernando Pessoa* (busto)
Ano novo
(Fernando Pessoa com chapéu de festa)
Carnaval
(Fernando Pessoa com chapéu de festa)

* Coincide com o Dia de Santo António, feriado municipal em Lisboa e Vila Real (a nossa cidade), entre outros concelhos.

30 dezembro 2009

144 anos do nascimento de Rudyard Kipling (1865)

Fora tu, mercadoria Kipling, homem-prático do verso, imperialista das sucatas, épico para Majuba e Colenso, Empire-Day do calão das fardas, tramp-steamer da baixa imortalidade!

(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 279)

25 dezembro 2009

Natal

Nasce um deus. Outros morrem. A Verdade
Nem veio nem se foi: o Erro mudou.

(Fernando Pessoa, “Natal”, Poesia (1918–1930), p. 184)

24 dezembro 2009

485 anos da morte de Vasco da Gama (1524)

ASCENSÃO DE VASCO DA GAMA


Os Deuses da tormenta e os gigantes da terra
Suspendem de repente o ódio da sua guerra
E pasmam. Pelo vale onde se ascende aos céus
Surge um silêncio, e vai, da névoa ondeando os véus,
Primeiro um movimento e depois um assombro.
Ladeiam-no, ao durar, os medos, ombro a ombro,
E ao longe o rastro ruge em nuvens e clarões.

Em baixo, onde a terra é, o pastor gela, e a flauta
Cai-lhe, e em êxtase vê, à luz de mil trovões,
O céu abrir o abismo à alma do Argonauta.

(Fernando Pessoa, Mensagem, Segunda Parte, IX, p. 145)

20 dezembro 2009

10 anos do regresso de Macau à soberania chinesa (1999)

Somos hoje um pingo de tinta seca da mão que escreveu Império da esquerda à direita da geografia.

(Fernando Pessoa, “Ecolalia interior”, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 3, p. 79)

18 dezembro 2009

15 dezembro 2009

“Second Life”? Como assim, “second”?

Avatar de Fernando Pessoa no Second Life
Avatar de Fernando Pessoa no Second Life
Criado por Clara Ferreira a.k.a. Latynina

13 dezembro 2009

464 anos do início do Concílio de Trento (1545)

Deus é um conceito económico. À sua sombra fazem a sua burocracia metafísica os padres das religiões todas.

(Álvaro de Campos, Aforismos e afins, p. 29)

12 dezembro 2009

101 anos do nascimento de Manoel de Oliveira (1908)

Terá Manoel de Oliveira filmado Fernando Pessoa?

Citando o blogue Um Fernando Pessoa:
São apenas cerca de 20 segundos, mas estas são, supostamente, as únicas imagens em filme de Fernando Pessoa, filmadas circa 1926 pelo cineasta Manoel de Oliveira, no Porto. Pessoa estaria em companhia de José Régio.

Aqui no Pessoa para todas as ocasiões somos da opinião de que o sujeito em causa não é Fernando Pessoa.


É um heterónimo.

11 dezembro 2009

Votação do Orçamento de Estado Rectificativo

Eh-lá-hô [...]
Parlamentos, políticas, relatores de orçamentos,
Orçamentos falsificados!
(Um orçamento é tão natural como uma árvore
E um parlamento tão belo como uma borboleta).

(Álvaro de Campos, “Ode Triunfal”, Poesia, 8, p. 85)

09 dezembro 2009

Sexo?

O tamanho, a duração não têm importância nenhuma...
São apenas tamanho e duração...

(Alberto Caeiro, “Poemas Inconjuntos”, 25, Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 128)

06 dezembro 2009

824 anos da morte do primeiro Rei de Portugal (1185)

D. AFONSO HENRIQUES


Pai, foste cavaleiro.
Hoje a vigília é nossa.
Dá-nos o exemplo inteiro
E a tua inteira força!

Dá, contra a hora em que, errada,
Novos infiéis vençam,
A bênção como espada,
A espada como bênção!

(Fernando Pessoa, Mensagem, Primeira Parte, II, p. 91)

05 dezembro 2009

513 anos do decreto de expulsão dos “hereges” de Portugal (1496)

Que abjecção esta regularidade!

(Álvaro de Campos, “Dactilografia”, Poesia, 181, p. 485)

03 dezembro 2009

Eugenia

Eugenics is the great enemy of will-power.

[ A eugenia é o grande inimigo da força de vontade. ]

(Fernando Pessoa, Prosa Íntima e de Autoconhecimento, p. 415; em inglês no original)

01 dezembro 2009

369 anos da Restauração da Independência (1640)

A restauração de 1640 fez-se por uma revolução aristocrática, que o povo apoiou, mas em que não colaborou activamente.

(Fernando Pessoa, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 11, p. 112)

30 novembro 2009

74 anos da morte de Fernando Pessoa (1935)

Em mim acaba
Mudo, profundo
Como ruína que desaba
Tudo o que vive e sente o mundo.

(Fernando Pessoa, Fausto — Tragédia Subjectiva, p. 163)


foto
Última foto de Fernando Pessoa (1935)


(Fotobiografias do Século XX: Fernando Pessoa, p. 171)

29 novembro 2009

Astrologia

Placa evocativa das últimas palavras de Fernando Pessoa
I know not what tomorrow will bring.

[ Não sei o que o amanhã trará. ]

(últimas palavras escritas por Fernando Pessoa, na véspera da sua morte,
Fernando Pessoa – Fotobiografia, p. 161; em inglês no original)

26 novembro 2009

Bom Povo

O português é capaz de tudo, logo que não lhe exijam que o seja. Somos um grande povo de heróis adiados. Partimos a cara a todos os ausentes, conquistamos de graça todas as mulheres sonhadas, e acordamos alegres, de manhã tarde, com a recordação colorida dos grandes feitos por cumprir.

(Fernando Pessoa, “Ecolalia interior”,
Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 3, p. 79)

24 novembro 2009

Dia Nacional da Cultura Científica*

Quantas gerações não serão precisas para a libertação, pela ciência, de um povo! Se ainda não foi possível a libertação, pela ciência, dos homens da ciência, e da gente culta!

(Ricardo Reis, Prosa, 81, p. 253)



* Nascimento de Rómulo de Carvalho (1906).

21 novembro 2009

Dia Mundial da Televisão

Não ensines nada, pois ainda tens tudo que aprender.

(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 42)

19 novembro 2009

Dia Mundial da Filosofia

Contra a maioria das doutrinas filosóficas tenho a queixa de que são simples; o facto de quererem explicar é prova bastante de tal, pois explicar é simplificar.

(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 33)



Para cada filósofo, Deus é da sua opinião.

(Bernardo Soares, Aforismos e afins, p. 67)

16 novembro 2009

Dia Internacional para a Tolerância

Toda a sinceridade é uma intolerância.

(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 276, p. 267)

14 novembro 2009

Dia Mundial da Diabetes

Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
[...]
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!

(Álvaro de Campos, “Tabacaria”, Poesia, 75, p. 323)

11 novembro 2009

91 anos do fim da I Guerra Mundial (1918)

Por aqueles, minha mãe, que morreram, que caíram na batalha...
Dlôn — ôn — ôn — ôn...
Por aqueles, minha mãe, que ficaram mutilados no combate
Dlôn — ôn — ôn — ôn...
Por aqueles cuja noiva esperará sempre em vão...
Dlôn — ôn — ôn — ôn...
Sete vezes sete vezes murcharão as flores no jardim
Dlôn — ôn — ôn — ôn...
E os seus cadáveres serão do pó universal e anónimo
Dlôn — ôn — on — on...
E eles, quem sabe, minha mãe, sempre vivos [.], com esperança...
Loucos, minha mãe, loucos, porque os corpos morrem e a dor não morre...
Dlôn — dlôn — dlôn — dlôn — dlôn — dlôn...
Que é feito daquele que foi a criança que tiveste ao peito?
Dlôn...
Quem sabe qual dos desconhecidos mortos aí é o teu filho
Dlôn...
Ainda tens na gaveta da cómoda os seus bibes de criança...
Ainda há nos caixotes da dispensa os seus brinquedos velhos...
Ele hoje pertence a uma podridão órfã somewhere in France.
Ele que foi tanto para ti, tudo, tudo, tudo...
Olha, ele não é nada no geral holocausto da história
Dlôn — dlôn...
Dlôn — dlôn — dlôn — dlôn...
Dlôn — dlôn — dlôn — dlôn...
Dlôn — dlôn — dlôn — dlôn — dlôn — dlôn...

(Álvaro de Campos, “Ode Marcial”, Poesia, 23i, pp. 158–159)

Dia de “São” Martinho

Aguarela de Hermenegildo Sábat
(Fonte: Público)

09 novembro 2009

09 Nov 1989: O Comunismo caía de podre

Tudo isso nós perdemos, de todas essas consolações nascemos órfãos.

(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 306, p. 289)

07 novembro 2009

92 anos da Revolução Bolchevique

Visando a liberdade, a libertação dos operários e dos fracos, o bolchevismo oprimiu outros fracos e não aos que disse servir desoprimiu.

(Fernando Pessoa, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 48, p. 258)

07 Nov 1917*: Nascia a Ditadura do Proletariado

Não me capem com ideais!

(Álvaro de Campos, Poesia, 138, p. 423)



* 25 de Outubro, segundo o calendário juliano.

«Nas terras altas o vento soprará forte a muito forte (45 a 60 km/h), de noroeste com rajadas da ordem dos 90 km/h» (Instituto de Meteorologia)

Pessoa levado pelo vento
Desenho de Jorge Colombo

04 novembro 2009

Bondade

Não somos bondosos nem caritativos — não porque sejamos o contrário, mas porque não somos nem uma coisa, nem a outra. A bondade é a delicadeza das almas grosseiras.

(Bernardo Soares, “Declaração de Diferença”, Livro do Desassossego, p. 428)

01 novembro 2009

Dia de Todos os “Santos”

O cristismo apresenta-se-nos composto de três elementos — o sentimento cristista propriamente tal, o elemento pagão contido na presença daqueles santos que todos hoje sabemos serem apenas sucessores deformados dos deuses, e aquele elemento propriamente religioso que todas as religiões contêm.

(António Mora, Obra em Prosa, p. 181)



Uma diferença idêntica separa o politeísmo grego do politeísmo da Igreja Católica, representado por os seus santos, que, para a maioria das populações nas nações católicas, têm, na devoção e no culto, um lugar acima de Deus.

(Ricardo Reis, Prosa, 15, pp. 83–84)

31 outubro 2009

Dia Mundial da Poupança

O dinheiro é belo, porque é uma libertação.

(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 295, p. 281)

29 outubro 2009

Iconografia pessoana

Fernando Pessoa no “Martinho da Arcada”, com Costa Brochado


(Fotobiografias do Século XX: Fernando Pessoa, pp. 6–7)

28 outubro 2009

87 anos da “Marcha sobre Roma” do Partido Nacional Fascista de Benito Mussolini (1922)

O problema apresentado pelo fascismo é muito simples, e, na sua essência, não nos é, a nós portugueses, desconhecido. O povo italiano — que é de supor que o seja, e não fascista nem comunista — recebeu há anos, do lado direito da cara, a bofetada do comunismo. O fascismo, para o endireitar, deu-lhe uma bofetada, um pouco mais forte, do lado esquerdo. Não sabemos, nem temos meio de saber, se o povo italiano aprecia mais o ter ficado direito, ou neo-torto, ou as desvantagens faciais do processo empregado. E resta sempre saber, nesta matéria — como cada nova bofetada é sempre mais forte que a anterior, para poder endireitar —, em que altura é que pára a terapêutica equilibradora, e em que estado fica o equilibrado quando o Destino, por fim, se cansa do tratamento.

(Fernando Pessoa, Da República (1910–1935), 114, pp. 357–358)

26 outubro 2009

Governo

A encenação dos incompetentes é a mais cruel das ironias dos deuses.

(Fernando Pessoa, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 50, p. 263)

23 outubro 2009

23 Out 4004 AC, 9 da manhã em ponto: instante preciso da criação do Mundo por Deus, segundo James Ussher (1581–1656)

Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou —
«Se é ele que as criou, do que duvido» —.

(Alberto Caeiro, “O Guardador de Rebanhos, VIII”,
Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 55)

20 outubro 2009

Razão e Fé

Os místicos, os esotéricos, e outra gente assim, têm sido sempre, notavelmente, falhos de lucidez, de grandeza intelectual e de espírito compreensivo e claro. [...]
O Raciocínio é anti-divino por natureza. Por isso devemos amar e cultivar o Raciocínio.

(Alberto Caeiro, Pessoa por Conhecer, vol. II, 326, p. 363)

19 outubro 2009

Iconografia pessoana

Estátua de Fernando Pessoa no Parque dos Poetas (Oeiras)
Fotografia de Paulo Azevedo

18 outubro 2009

Movimento Perpétuo Associativo

Tantos nobres ideais caídos entre o estrume, tantas ânsias verdadeiras extraviadas entre o enxurro!

(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 273, p. 265)

15 outubro 2009

Assembleia da República

[...] estalagem onde riem os parvos felizes [...]

(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 200, p. 206)

13 outubro 2009

“Milagre do Sol”

Por que não estará essa gente toda doida, ou iludida? Por serem vários? Mas há alucinações colectivas.

(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 256, p. 252)

Fátima ou Lenine, tanto dá

O ódio à ciência, às leis naturais, é o que caracteriza a mentalidade popular. O milagre é o que o povo quer, é o que o povo compreende. Que o faça Nossa Senhora de Lourdes ou de Fátima, ou que o faça Lenine — nisso só está a diferença.

(Fernando Pessoa, Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão Pessoal, p. 375)

119 anos do “nascimento” de Álvaro de Campos (1890)

foto
Álvaro de Campos (Faculdade de Letras
da Universidade de Lisboa; pormenor)
Painel gravado de José de Almada Negreiros (1961)

12 outubro 2009

517 anos da chegada de Cristóvão Colombo às Américas (1492)

Eu, da Raça dos Descobridores, desprezo o que seja menos que descobrir um Novo Mundo!

(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 286)



OS COLOMBOS


Outros haverão de ter
O que houvermos de perder.
Outros poderão achar
O que, no nosso encontrar,
Foi achado, ou não achado,
Segundo o destino dado.

Mas o que a eles não toca
É a Magia que evoca
O Longe e faz dele história.
E por isso a sua glória
É justa auréola dada
Por uma luz emprestada.

(Fernando Pessoa, Mensagem, Segunda Parte, VI, p. 139)

10 outubro 2009

Dia Mundial da Saúde Mental

O pensamento é enterrado vivo
No mundo e ali sufoca.

(Fernando Pessoa, Fausto — Tragédia Subjectiva, p. 21)

09 outubro 2009

Iconografia pessoana

Papel timbrado da “Empresa Íbis”, de Fernando Pessoa

08 outubro 2009

Prémio Nobel da Literatura

O triunfo supremo de um artista é quando ao ler suas obras o leitor prefere tê-las e não as ler.

(Bernardo Soares, “Máximas”, Livro do Desassossego, p. 450)

07 outubro 2009

60 anos da fundação da República Democrática Alemã (1949)

As cortinas das janelas impediam ver para fora, uma porém [] dum lado mostrava ao longe o azul muito azul do céu, muito azul, muito longe, muito azul, muito de um azul liso, puro e perfeito.

(Marco Alves, Pessoa por Conhecer, vol. II, 25h, p. 43)

438 anos da Batalha de Lepanto (1571)

Eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh!
Homens do mar actual! homens do mar passado!
Comissários de bordo! escravos das galés! combatentes de Lepanto!

(Álvaro de Campos, “Ode Marítima”, Poesia, 18, p. 118)