(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 281)
22 abril 2010
510 anos da Descoberta do Brasil (1500)
E tu, Brasil «república irmã», blague de Pedro Álvares Cabral, que nem te queria descobrir!
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20 abril 2010
126 anos da Encíclica Humanum Genus (Leão XIII), condenando a Maçonaria (1884)
A Igreja Católica ladra
E a Maçonaria passa.
E a Maçonaria passa.
(Fernando Pessoa, Poesia (1931–1935 e não datada), p. 383)
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18 abril 2010
59 anos do Tratado de Paris (1951), embrião da União Europeia
A Europa está farta de não existir ainda! [...]
A Europa quer passar de designação geográfica a pessoa civilizada!
A Europa quer passar de designação geográfica a pessoa civilizada!
(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 285)
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16 abril 2010
7 anos do Tratado de Adesão à União Europeia de 10 novos países
[...] um polaco ou checo, ou qualquer coisa sem Europa nem vogais [...]
(Fernando Pessoa, Textos Filosóficos, vol. I, IV, 46, p. 135)
121 anos do “nascimento” de Alberto Caeiro (1889)
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Alberto Caeiro (Faculdade de Letras
da Universidade de Lisboa; pormenor)
Painel gravado de José de Almada Negreiros (1961)
da Universidade de Lisboa; pormenor)
Painel gravado de José de Almada Negreiros (1961)

Carta astral de Alberto Caeiro,
manuscrita por Fernando Pessoa*
manuscrita por Fernando Pessoa*
* Como muitas datas na cronologia do universos pessoano, também a data de “nascimento” de Alberto Caeiro não é consensual: Abril de 1889 surge mais frequentemente, mas Thomas Crosse, o ficcionado inglês divulgador da obra de Caeiro, aponta-lhe o nascimento para Agosto de 1887 e a morte para Junho de 1915. (Thomas Crosse, Pessoa por Conhecer, vol. II, 388, pp. 439–440)
13 abril 2010
Decadência absoluta
Isto está tudo decadente: já nem decadentes há.
(Fernando Pessoa, Aforismos e afins, p. 24)
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12 abril 2010
806 anos do saque de Constantinopla pelos Cruzados (1204)
Decadentes, meu velho, decadentes é que nós somos...
No fundo de cada um de nós há uma Bizâncio a arder,
E nem sinto as chamas e nem sinto Bizâncio
Mas o Império finda nas nossas veias aguadas
No fundo de cada um de nós há uma Bizâncio a arder,
E nem sinto as chamas e nem sinto Bizâncio
Mas o Império finda nas nossas veias aguadas
(Álvaro de Campos, “Saudação a Walt Whitman”, Poesia, 24h, pp. 175–176)
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11 abril 2010
77 anos da entrada em vigor da Constituição de 1933 (Estado Novo)
A República pragmática
Que hoje temos já não é
A meretriz democrática.
Como deixou de ser pública
Agora é somente Ré.
Que hoje temos já não é
A meretriz democrática.
Como deixou de ser pública
Agora é somente Ré.
(Fernando Pessoa, Poesia (1931–1935 e não datada), p. 383)
09 abril 2010
92 anos da Batalha de La Lys (1918)

Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (pormenor)
Painel gravado de José de Almada Negreiros (1961)
Painel gravado de José de Almada Negreiros (1961)
07 abril 2010
Dia Mundial da Saúde
Estas quatro canções, escrevi-as estando doente.
Agora ficaram escritas e não penso mais nelas.
Gozemos, se pudermos, a nossa doença,
Mas nunca a achemos saúde,
Como os homens fazem.
O defeito dos homens não é serem doentes:
É chamarem saúde à sua doença,
E por isso não buscarem a cura
Nem realmente saberem o que é saúde e doença.
Agora ficaram escritas e não penso mais nelas.
Gozemos, se pudermos, a nossa doença,
Mas nunca a achemos saúde,
Como os homens fazem.
O defeito dos homens não é serem doentes:
É chamarem saúde à sua doença,
E por isso não buscarem a cura
Nem realmente saberem o que é saúde e doença.
(Alberto Caeiro, “O Guardador de Rebanhos”, entre XIX e XX, Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 69)
05 abril 2010
02 abril 2010
Dia Internacional do Livro Infantil
Nenhum livro para crianças deve ser escrito para crianças. Escrever de coisas simples com simplicidade é quanto se exige daquela espécie de adido à pedagogia que o Sr. Lopes Vieira quer ser. Assim, João de Deus não escreveu a Enjeitadinha senão com o escrúpulo de ser simples. E porque o assunto era também simples, as crianças compreendem-no. Se quisesse ser infantil, acontecia-lhe isto — seria infantil. O sr. Lopes Vieira quer escrever para crianças mediante intuição da alma infantil, como uma criança, escrevendo para crianças. Mesmo que se saísse bem disto, não se saía bem disto. Porque as crianças não escrevem. Escrever como uma criança, é tolerável sendo criança, porque o ser criança o torna tolerável. Mas o que uma criança escreve, ou não se publica, ou se publica para adultos, psicólogos. E que interesse tem para crianças esta baba pedagógica? [...]
(Fernando Pessoa, “Naufrágio de Bartolomeu”, Crítica, p. 78)
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01 abril 2010
Dia das Mentiras
Tenho uma pena que escreve
Aquilo que eu sempre sinta.
Se é mentira, escreve leve.
Se é verdade, não tem tinta.
Tenho escrito mais versos que verdade.
Aquilo que eu sempre sinta.
Se é mentira, escreve leve.
Se é verdade, não tem tinta.
(Fernando Pessoa, Quadras, I, 111, p. 38)
Tenho escrito mais versos que verdade.
(Álvaro de Campos, Poesia, 144, p. 434)
30 março 2010
(I)moralidade
O que você acrescenta sobre os deveres morais podia tornar-se extensivo aos deveres imorais. Chegámos a um ponto da civilização em que há tais exigências de imoralidade que de aqui a pouco toda a gente é decente por falta de espírito de sacrifício.
(Fernando Pessoa, Textos Filosóficos, vol. I, IV, 46, p. 136)
27 março 2010
Dia Mundial do Teatro
Chamo teatro estático àquele cujo enredo dramático não constitui acção — isto é, onde as figuras não só não agem, porque nem se deslocam nem dialogam sobre deslocarem-se, mas nem sequer têm sentidos capazes de produzir uma acção; onde não há conflito nem perfeito enredo. Dir-se-á que isto não é teatro. Creio que o é porque creio que o teatro tende a teatro meramente lírico e que o enredo do teatro é, não a acção nem a progressão e consequência da acção — mas, mais abrangentemente, a revelação das almas através das palavras trocadas e a criação de situações [...] Pode haver revelação de almas sem acção, e pode haver criação de situações de inércia, momentos de alma sem janelas ou portas para a realidade.
(Fernando Pessoa, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, V, 5, p. 112)
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Teatro
25 março 2010
23 março 2010
Religião
A religião é uma metafísica recreativa.
(Ricardo Reis, Prosa, 81, p. 253)
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Religião
Ateísmo
Não haver deuses é um deus também.
(Fernando Pessoa, Aforismos e afins, p. 12)
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Conselho aos ateus militantes
Não se deve ir abalar a crença a um ignorante. Deve-se instruí-lo. A instrução lhe abalará a crença. E se não lha abalar é que ela está ainda arreigada de mais para poder ser abalada. Fica para outra geração.
É mesmo duvidoso se se deva proibir o ensino religioso. Deve criar-se uma atmosfera de cultura científica que o vá lentamente fazer caducar.
É mesmo duvidoso se se deva proibir o ensino religioso. Deve criar-se uma atmosfera de cultura científica que o vá lentamente fazer caducar.
(Ricardo Reis, Prosa, 81, p. 253)
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