18 junho 2010
16 junho 2010
106 anos da Odisseia de um dia de Leopold Bloom (1904)
ULISSES
O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo —
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.
Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.
Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.
(Fernando Pessoa, Mensagem, Primeira Parte, II, p. 83)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Livros,
Mitos/Mitologia
13 junho 2010
122 anos do nascimento de Fernando Pessoa (1888)
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste;
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.


Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste;
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
(Álvaro de Campos, Poesia, 67, p. 305)

Assinatura de Fernando Pessoa

Carta astral de Fernando Pessoa,
feita pelo próprio
feita pelo próprio
Fernando Pessoa, ele mesmo
Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo. Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros).
Sinto crenças que não tenho. Enlevam-me ânsias que repudio. A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me aponta traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha, nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo. Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros).
Sinto crenças que não tenho. Enlevam-me ânsias que repudio. A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me aponta traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha, nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
(Fernando Pessoa, Prosa Íntima e de Autoconhecimento, p. 101)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Heterónimos e afins,
Sinceridade
10 junho 2010
Dia de Portugal...
O POVO PORTUGUÊS
Talvez que seu coração
Dorme na passividade
De viver só na saudade
Numa saudosa ilusão.
(Fernando Pessoa, Poesia (1902–1917), p. 49)
... de Camões...
Camões é Os Lusíadas. O lírico, em que os inferiores focam a admiração que os denota inferiores, era, como em outros épicos de sensibilidade também notável, apenas a excedência inorgânica do épico.
Não ocupa Os Lusíadas um lugar entre as primeiras epopeias do mundo; só a Ilíada, a Divina Comédia e o Paraíso Perdido ganharam essa elevação. Pertencendo, porém, à segunda ordem das epopeias, como a Jerusalém Libertada, o Orlando Furioso, a Faerie Queene — e, em certo modo, a Odisseia e a Eneida, que participam das duas ordens —, distingue-se Os Lusíadas não só destas epopeias, suas pares, senão também daquelas, suas superiores, em que é directamente uma epopeia histórica.
Não ocupa Os Lusíadas um lugar entre as primeiras epopeias do mundo; só a Ilíada, a Divina Comédia e o Paraíso Perdido ganharam essa elevação. Pertencendo, porém, à segunda ordem das epopeias, como a Jerusalém Libertada, o Orlando Furioso, a Faerie Queene — e, em certo modo, a Odisseia e a Eneida, que participam das duas ordens —, distingue-se Os Lusíadas não só destas epopeias, suas pares, senão também daquelas, suas superiores, em que é directamente uma epopeia histórica.
(Fernando Pessoa, “Luís de Camões”, Crítica, p. 215)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Camões,
Literatura,
Poesia
... e das Comunidades Portuguesas

Cartoon de Ricardo Campos
(Fernando Pessoa, “Entrevista sobre a Arte e a Literatura Portuguesas”, Crítica, p. 195)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Cosmopolitismo,
Iconografia,
Portugal,
Povo
O passado mitificado
Ah, não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram!
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 92, p. 121)
Etiquetas:
* Bernardo Soares,
Heterónimos e afins,
História,
Mitos/Mitologia,
Passado,
Saudades,
Saudosismo
Pátria
Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
(Ricardo Reis, Poesia, II, 32, p. 64)
Etiquetas:
* Ricardo Reis,
Heterónimos e afins,
Pátria,
Portugal
Nevoeiro
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
[...]
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
Que é Portugal a entristecer —
[...]
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
(Fernando Pessoa, “Nevoeiro”, Mensagem, Terceira Parte, III, p. 191)
07 junho 2010
O endividamento pessoal numa só lição
[...] Dirigi-me para a repartição de João Correia de Oliveira para lhe pedir 5000 réis para devolver ao Mayer os 1500 reis para pequenas despesas. [...]
(Fernando Pessoa, Diário de 18–02–1913,
Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão Pessoal, p. 110)
Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão Pessoal, p. 110)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Dinheiro,
Economia/Finanças
04 junho 2010
4 de Junho de 1940: Fim da retirada de Dunquerque
Olhemos bem para estes inimigos. Mas há quem tenha coragem de os combater? Duvido. [...]
(Fernando Pessoa, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 38, p. 231)
01 junho 2010
29 maio 2010
510 anos da morte de Bartolomeu Dias (1500)
EPITÁFIO DE BARTOLOMEU DIAS
Jaz aqui, na pequena praia extrema,
O Capitão do Fim. Dobrado o Assombro,
O mar é o mesmo: já ninguém o tema!
Atlas, mostra alto o mundo no seu ombro.
(Fernando Pessoa, Mensagem, Segunda Parte, V, p. 137)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Descobertas,
Morte
28 maio 2010
84 anos da Revolução de 28 de Maio de 1926
Vindos [os republicanos] ao poder, e posta em prática a sua pseudo-reforma, viu logo o país que a abolição da Monarquia não tinha abolido a política monárquica, porque a imoralidade e o caciquismo continuaram. Era a adaptação dos recém-vindos ao meio governativo. Em um país imoral não se pode governar senão imoralmente. É de ordem biológica a razão. [...]
E vendo isto, o país, que é estúpido, virou-se contra os homens da República. É que o país tem a mentalidade dos idiotas e queria milagres. Supunham os portugueses que uma revolução traz benefícios; e supunham bem; mas supunham que os traz logo no dia seguinte [...]. Aquelas mentalidades ainda estavam no milagre. Incapazes de pensar cientificamente, não meditaram que o que se segue a uma revolução é a anarquia, anarquia tão profunda quanto o foi a tirania que a precedeu, e contra a qual reagiu essa revolução; e que só depois de ter passado o período anárquico da revolução é que lentamente chega o período das reformas, para o qual, afinal, a revolução foi instintivamente feita. [...]
E vendo isto, o país, que é estúpido, virou-se contra os homens da República. É que o país tem a mentalidade dos idiotas e queria milagres. Supunham os portugueses que uma revolução traz benefícios; e supunham bem; mas supunham que os traz logo no dia seguinte [...]. Aquelas mentalidades ainda estavam no milagre. Incapazes de pensar cientificamente, não meditaram que o que se segue a uma revolução é a anarquia, anarquia tão profunda quanto o foi a tirania que a precedeu, e contra a qual reagiu essa revolução; e que só depois de ter passado o período anárquico da revolução é que lentamente chega o período das reformas, para o qual, afinal, a revolução foi instintivamente feita. [...]
(Fernando Pessoa, Da República (1910–1935), 98, p. 245)
26 maio 2010
25 maio 2010
590 anos da nomeação do Infante D. Henrique (“o Navegador”) como Grão-Mestre da Ordem de Cristo (1420)
A CABEÇA DO GRIFO:
O INFANTE D. HENRIQUE
Em seu trono entre o brilho das esferas,
Com seu manto de noite e solidão,
Tem aos pés o mar novo e as mortas eras —
O único imperador que tem, deveras,
O globo mundo em sua mão.
(Fernando Pessoa, Mensagem, Primeira Parte, V, p. 117)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Descobertas,
História de Portugal
22 maio 2010
197 anos do nascimento de Richard Wagner (1813)
Os românticos tentaram juntar. Os interseccionistas procuram fundir. Wagner queria música + pintura + poesia. Nós queremos música x pintura x poesia.
(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 134, p. 260)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Estética,
Música,
Nascimento,
Poesia
20 maio 2010
1685 anos do início do I Concílio de Niceia, que adoptaria os primeiros dogmas do Cristianismo (325 DC)
Princípios absolutos, e por isso falsos; ridículos e por isso inestéticos
(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 55)
Etiquetas:
* Barão de Teive,
Cristianismo,
Dogma,
Estética,
Heterónimos e afins,
Religião,
Ridículo
Subscrever:
Mensagens (Atom)


