(Álvaro de Campos, Poesia, 20, p. 144)
21 setembro 2010
Dia Internacional da Paz
E ficou tudo na mesma [...]
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19 setembro 2010
16 setembro 2010
14 setembro 2010
143 anos da publicação do volume I de O Capital, de Karl Marx (1867)
A liberdade individual não pode existir senão depois de conquistada a liberdade social, e, principalmente, a económica. [...]
Ora a liberdade económica existe pela existência do capital. É impossível universalmente; e o socialismo, em vez de ser uma libertação económica, é uma ausência completa de liberdade. O socialismo torna extensivo a toda a gente o servismo da maioria. Não são os escravos que querem libertar-se: são os escravos que querem escravizar tudo. Se eu sou corcunda, sejam todos corcundas.
Ora a liberdade económica existe pela existência do capital. É impossível universalmente; e o socialismo, em vez de ser uma libertação económica, é uma ausência completa de liberdade. O socialismo torna extensivo a toda a gente o servismo da maioria. Não são os escravos que querem libertar-se: são os escravos que querem escravizar tudo. Se eu sou corcunda, sejam todos corcundas.
(Fernando Pessoa, “Diálogos sobre a Tirania”, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 77, p. 333)
11 setembro 2010
A intolerância de todas as fés
A tolerância é impossível ao crente verdadeiro de qualquer fé [...]. Quem tem a sua religião por verdadeira, e por certa só dentro dela a salvação das almas, não pode senão considerar como um crime de tal vulto, que excede todos os crimes deste mundo, o pregar outra religião, que não essa, ou o desviar dela aqueles que só nela terão sua salvação. Nada há pois que pasmar do espírito perseguidor dos inquisidores, dos puritanos, e de todos quantos têm deveras uma fé que supõem universal. [...]
(Fernando Pessoa, “Bandarra”, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 86, p. 236)
10 setembro 2010
Dia Mundial para a Prevenção do Suicídio
Cansa tanto viver! Se houvesse outro modo de vida!...
(Fernando Pessoa, Aforismos e afins, p. 19)
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08 setembro 2010
2489 anos do início da Batalha de Termópilas (480 AC)*
Nem viúva nem filho lhe pôs na boca o óbolo, com que pagasse a Caronte. [...]
Morreu pela Pátria [...]. Deu a vida com toda a inteireza da alma: [...] por amor à Pátria, não por consciência dela. Defendeu-a como quem defende uma mãe, de quem somos filhos não por lógica, senão por nascimento. Fiel ao segredo primevo, não pensou nem quis, mas viveu a sua morte instintivamente, como havia vivido a sua vida. A sombra que usa agora se irmana com as que caíram em Termópilas, fiéis na carne ao juramento em que haviam nascido.
* Data conjectural
Morreu pela Pátria [...]. Deu a vida com toda a inteireza da alma: [...] por amor à Pátria, não por consciência dela. Defendeu-a como quem defende uma mãe, de quem somos filhos não por lógica, senão por nascimento. Fiel ao segredo primevo, não pensou nem quis, mas viveu a sua morte instintivamente, como havia vivido a sua vida. A sombra que usa agora se irmana com as que caíram em Termópilas, fiéis na carne ao juramento em que haviam nascido.
(Bernardo Soares, “Cenotáfio”, Livro do Desassossego, pp. 423–424)
* Data conjectural
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06 setembro 2010
Fé, cepticismo, religião e irreligião
Pertenço a uma geração — suponho que essa geração seja mais pessoas que eu — que perdeu por igual a fé nos deuses das religiões antigas e a fé nos deuses das irreligiões modernas.
(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 26)
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04 setembro 2010
Egocentrismo
Há qualquer coisa de sórdido, e de tanto mais sórdido quanto é ridículo, neste uso, que têm os fracos, de erigir em tragédias do universo as comédias tristes das tragédias próprias.
(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 52)
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01 setembro 2010
29 agosto 2010
185 anos do reconhecimento da independência do Brasil por Portugal (1825)
A «águia imperial», no primeiro caso é Napoleão, pois que A às avessas e com a perna do meio tirada e posta atrás dá N, inicial daquele nome. No segundo caso é D. Pedro IV, que fundou o Império do Brasil, e o A às avessas dá V, e pondo atrás a perna do meio dá IV.
(Fernando Pessoa, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 48, p. 171)
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27 agosto 2010
Liberdade e solidão
A liberdade é a possibilidade do isolamento. [...] Se te é impossível viver só, nasceste escravo.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 283, pp. 272–273)
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25 agosto 2010
110 anos da morte de Friedrich Nietzsche (1900)
São inúmeros, em todo o mundo, os discípulos de Nietzsche, havendo alguns deles que leram a obra do mestre.
(Fernando Pessoa, Textos Filosóficos, vol. I, IV, 46, p. 135)
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22 agosto 2010
Crédito malparado
[...] tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
(Álvaro de Campos, “Poema em linha recta”, Poesia, 41, p. 262)
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20 agosto 2010
18 agosto 2010
783 anos da morte de Gengis Khan (1227)
[...] uma heterogeneidade extraordinária de raças, extremamente diversas entre si, as quais não consistiam em meras hordas de meros bárbaros [...]
(Fernando Pessoa, “German War etc.”, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 35, p. 222)
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15 agosto 2010
241 anos do nascimento de Napoleão Bonaparte (1769)
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...

E não do tamanho da minha altura...
(Alberto Caeiro, “O Guardador de Rebanhos, VII”, Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 51)

Capa do livro O tamanho da minha altura (entre outras coisas)
Texto de Suzana Ramos, ilustrações de Marta Neto
(Assírio & Alvim, 2009)
Texto de Suzana Ramos, ilustrações de Marta Neto
(Assírio & Alvim, 2009)
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13 agosto 2010
49 anos do início da construção do Muro de Berlim (1961)
Mais terrível de que qualquer [outro] muro, pus grades altíssimas a demarcar o jardim do meu ser, de modo que, vendo perfeitamente os outros, perfeitissimamente eu os excluo e mantenho outros.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 120, p. 142)
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12 agosto 2010
103 anos do nascimento de Adolfo Rocha, futuro Miguel Torga (1907)
[...] Recebi, como v. me disse que receberia, o livro Rampa, de Adolfo Rocha. Passados uns dias — mais do que deveria ser — escrevi-lhe uma carta agradecendo o livro e dando, resumidamente, uma opinião. Como escrevi à pressa, para não demorar mais a resposta e o agradecimento, transferi a redacção para o sr. Eng. Álvaro de Campos, cujo talento para a concisão em muito sobreleva ao meu. O resumo da minha opinião, de cuja expressão o citado engenheiro se encarregou, é de que o livro é interessante (é, realmente, muito interessante) como sensibilidade, mas imperfeito e incompleto como uso dela; e é o uso da sensibilidade, e não a própria sensibilidade, que vale em arte. Não deixei de ser elogioso, até onde pude sê-lo; para além de onde podia sê-lo, confesso que o não fui.
Recebi, pouco depois, uma carta do Adolfo Rocha, que me deixou, durante um quarto de hora, perplexo sobre se deveria ou não responder. A carta é de alguém que se ofendeu na quarta dimensão. Não é bem áspera, nem é propriamente insolente, mas (a) intima-me a explicar a minha carta anterior, (b) diz que a minha opinião é a mais desinteressante que ele recebeu a respeito do livro dele, (c) explica, em diversos ângulos obtusos, que os intelectuais são ridículos e que a era dos Mestres já passou.
A carta não tinha, realmente, resposta necessária; achei pois melhor não responder. Que diabo responderia? Em primeiro lugar, é indecente aceitar intimações em matéria extrajudicial. Em segundo lugar, eu não pretendera entrar num concurso de opiniões interessantes. Em terceiro lugar, eu só poderia responder desdobrando em raciocínios as imagens de que, na minha pressa, o sr. Eng. Álvaro de Campos se servira em meu nome; e isso me colocaria numa situação de prosa ainda mais intelectual e ainda mais de Mestre (com maiúscula) do que a anterior. Desisti. Patere et abstine, recomendavam os Estóicos.
Recebi, pouco depois, uma carta do Adolfo Rocha, que me deixou, durante um quarto de hora, perplexo sobre se deveria ou não responder. A carta é de alguém que se ofendeu na quarta dimensão. Não é bem áspera, nem é propriamente insolente, mas (a) intima-me a explicar a minha carta anterior, (b) diz que a minha opinião é a mais desinteressante que ele recebeu a respeito do livro dele, (c) explica, em diversos ângulos obtusos, que os intelectuais são ridículos e que a era dos Mestres já passou.
A carta não tinha, realmente, resposta necessária; achei pois melhor não responder. Que diabo responderia? Em primeiro lugar, é indecente aceitar intimações em matéria extrajudicial. Em segundo lugar, eu não pretendera entrar num concurso de opiniões interessantes. Em terceiro lugar, eu só poderia responder desdobrando em raciocínios as imagens de que, na minha pressa, o sr. Eng. Álvaro de Campos se servira em meu nome; e isso me colocaria numa situação de prosa ainda mais intelectual e ainda mais de Mestre (com maiúscula) do que a anterior. Desisti. Patere et abstine, recomendavam os Estóicos.
(Fernando Pessoa, Correspondência (1923–1935), 102, pp. 212–213)
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10 agosto 2010
10 Ago. 610: Laylat al-Qadr, início da “revelação” do Corão a Maomé
Vejo que delirei.
(Fernando Pessoa, Fausto — Tragédia Subjectiva, p. 179)
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