(Álvaro de Campos, Poesia, 162, p. 460)
17 janeiro 2012
70 anos do nascimento de Cassius Clay, futuro Muhammad Ali (1942)
Ah, parte a cara à vida!
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16 janeiro 2012
15 janeiro 2012
Onde se lê «Sr. José Cabral», leia-se «Ministra Paula Teixeira da Cruz»
[...] Creio não errar ao presumir que o Sr. José Cabral supõe que a Maçonaria é uma associação secreta. Não é. A Maçonaria é uma Ordem secreta, ou, com plena propriedade, uma Ordem iniciática. O Sr. José Cabral não sabe, provavelmente, em que consiste a diferença. Pois o mal é esse — não sabe. Nesse ponto, se não sabe, terá que continuar a não saber. De mim, pelo menos, não receberá a luz. Forneço-lhe, em todo o caso, uma espécie de meia luz, qualquer coisa como a «treva visível» de certo grande ritual. Vou insinuar-lhe o que é essa diferença por o que em linguagem maçónica se chama «termos de substituição».
A Ordem Maçónica é secreta por uma razão indirecta e derivada a mesma razão por que eram secretos os Mistérios antigos, incluindo os dos cristãos, que se reuniam em segredo, para louvar a Deus, em o que hoje se chamariam Lojas ou Capítulos, e que, para se distinguir dos profanos, tinham fórmulas de reconhecimento — toques, ou palavras de passe, ou o que quer que fosse. Por esse motivo os romanos lhes chamavam ateus, inimigos da sociedade e inimigos do Império — precisamente os mesmos termos com que hoje os maçons são brindados pelos sequazes da Igreja Romana, filha, talvez ilegítima, daquela maçonaria remota.
A Ordem Maçónica é secreta por uma razão indirecta e derivada a mesma razão por que eram secretos os Mistérios antigos, incluindo os dos cristãos, que se reuniam em segredo, para louvar a Deus, em o que hoje se chamariam Lojas ou Capítulos, e que, para se distinguir dos profanos, tinham fórmulas de reconhecimento — toques, ou palavras de passe, ou o que quer que fosse. Por esse motivo os romanos lhes chamavam ateus, inimigos da sociedade e inimigos do Império — precisamente os mesmos termos com que hoje os maçons são brindados pelos sequazes da Igreja Romana, filha, talvez ilegítima, daquela maçonaria remota.
(Fernando Pessoa, “Associações Secretas”, Da República (1910–1935), 132, pp. 394–395)
14 janeiro 2012
O eterno retorno da polémica anti-Maçonaria
Estreou-se a Assembleia Nacional, do ponto de vista legislativo, com a apresentação, por um deputado, de um projecto de lei sobre «associações secretas». De tal ordem é o projecto, tanto em natureza como em conteúdo, que não há que felicitar o actual Parlamento por lhe ter sido dada essa estreia. Antes que dizer-lhe Absit omen!, ou seja, em português, Longe vá o agouro!
Apresentou o projecto o Sr. José Cabral, que, se não é dominicano, deveria sê-lo, de tal modo o seu trabalho se integra, em natureza, como em conteúdo, nas melhores tradições dos Inquisidores. O projecto, que todos terão lido nos jornais, estabelece várias e fortes sanções (com excepção da pena de morte) para todos quantos pertençam ao que o seu autor chama «associações secretas, sejam quais forem os seus fins e organização».
Dada a latitude desta definição, e considerando que por «associação» se entende um agrupamento de homens, ligados por um fim comum, e que por «secreto» se entende o que, pelo menos parcialmente, se não faz à vista do público, ou, feito, se não torna inteiramente público, posso, desde já, denunciar ao Sr. José Cabral uma associação secreta — o Conselho de ministros. De resto, tudo quanto de sério ou de importante se faz em reunião neste mundo, faz-se secretamente. Se não reúnem em público os Conselhos de ministros, também não o fazem as direcções dos partidos políticos, as tenebrosas figuras que orientam os clubes desportivos ou os sinistros comunistas que tornam os conselhos de administração das companhias comerciais e industriais.
Apresentou o projecto o Sr. José Cabral, que, se não é dominicano, deveria sê-lo, de tal modo o seu trabalho se integra, em natureza, como em conteúdo, nas melhores tradições dos Inquisidores. O projecto, que todos terão lido nos jornais, estabelece várias e fortes sanções (com excepção da pena de morte) para todos quantos pertençam ao que o seu autor chama «associações secretas, sejam quais forem os seus fins e organização».
Dada a latitude desta definição, e considerando que por «associação» se entende um agrupamento de homens, ligados por um fim comum, e que por «secreto» se entende o que, pelo menos parcialmente, se não faz à vista do público, ou, feito, se não torna inteiramente público, posso, desde já, denunciar ao Sr. José Cabral uma associação secreta — o Conselho de ministros. De resto, tudo quanto de sério ou de importante se faz em reunião neste mundo, faz-se secretamente. Se não reúnem em público os Conselhos de ministros, também não o fazem as direcções dos partidos políticos, as tenebrosas figuras que orientam os clubes desportivos ou os sinistros comunistas que tornam os conselhos de administração das companhias comerciais e industriais.
(Fernando Pessoa, “Associações Secretas”, Da República (1910–1935), 132, pp. 391–392)
13 janeiro 2012
71 anos da morte de James Joyce (1941)
A arte de James Joyce, como a de Mallarmé, é a arte fixada no processo de fabrico, no caminho. A mesma sensualidade de Ulysses é um sintoma de intermédio. É o delírio onírico, dos psiquiatras, exposto como fim.
(Fernando Pessoa, Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português, p. 369)
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10 janeiro 2012
08 janeiro 2012
370 anos da morte de Galileu Galilei (1642)
Venceste, Galileu. Mas nada prova
Da verdade de ti teres vencido.
Da verdade de ti teres vencido.
(Fernando Pessoa, “Juliano em Antioquia”, Poesia (1918–1930), p. 52)
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Religião
07 janeiro 2012
657 anos do assassinato de Inês de Castro (1355)
D. Pedro:
(como que prostrado) Oh, frias, frias!
Estas mãos que eu beijei como estão frias!
Como mais frias do que o pensamento
Se as julgasse frias. Oh dor, oh dor!
Estes lábios [] onde moravam
Os meus no meu ausente pensamento:
De que palidez são pálidos!
Oh horror de te olhar!
Pára-me a alma; sinto-a esfriar-me
O coração morto contigo.
Inês, Inês, Inês...
Não sei como te pensava morta
Que não te pensava assim...
Assim, assim... Teus olhos, eu lembrava-os
No meu coração. Nem ouso vê-los,
Não ouso ver o lugar onde fostes
A vida que era a minha!
(como que prostrado) Oh, frias, frias!
Estas mãos que eu beijei como estão frias!
Como mais frias do que o pensamento
Se as julgasse frias. Oh dor, oh dor!
Estes lábios [] onde moravam
Os meus no meu ausente pensamento:
De que palidez são pálidos!
Oh horror de te olhar!
Pára-me a alma; sinto-a esfriar-me
O coração morto contigo.
Inês, Inês, Inês...
Não sei como te pensava morta
Que não te pensava assim...
Assim, assim... Teus olhos, eu lembrava-os
No meu coração. Nem ouso vê-los,
Não ouso ver o lugar onde fostes
A vida que era a minha!
(David Merrick, “Inês de Castro”, Pessoa por Conhecer, vol. II, 134, pp. 178–179)
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Amor,
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História de Portugal
06 janeiro 2012
05 janeiro 2012
Continua a não me lembrar nada nem ninguém...
[...] louvores [...] néscios
São-lhe a mesma distância
De todos os seus dias...
São-lhe a mesma distância
De todos os seus dias...
(Ricardo Reis, Poesia, Anexo B, XVa, p. 173)
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04 janeiro 2012
Dia Mundial do Braille
— Cegar! Cegar! exclamou Caeiro com um berro esquecido de toda a alternativa.
— Você prefere...
— Tudo menos cegar, gritou Caeiro.
— Você prefere...
— Tudo menos cegar, gritou Caeiro.
(Álvaro de Campos, “Notas para a Recordação do Meu Mestre Caeiro”, 25,
Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 174)
Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 174)
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Deficiência,
Heterónimos e afins
02 janeiro 2012
Uma vez mais, não me lembra nada nem ninguém (ano novo, tudo como dantes...)
Ora porra!
[...]
Então é esta merda que temos
de beber com os olhos?
Filhos da puta! Não, que nem
há puta que os parisse.
[...]
Então é esta merda que temos
de beber com os olhos?
Filhos da puta! Não, que nem
há puta que os parisse.
(Álvaro de Campos, Poesia, 22, p. 146)
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Estado de espírito,
Estupidez,
Heterónimos e afins,
Hierarquia
01 janeiro 2012
29 dezembro 2011
52 anos da inauguração do Metropolitano de Lisboa (1959)
Ó tramways, funiculares, metropolitanos,
Roçai-vos por mim até ao espasmo!
Hilla! hilla! hilla-hô!
Roçai-vos por mim até ao espasmo!
Hilla! hilla! hilla-hô!
(Álvaro de Campos, “Ode Triunfal”, Poesia, 8, p. 86)
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Transportes
28 dezembro 2011
Também não me lembra nada nem ninguém...
[...] passai por baixo do meu Desprezo! [...]
[...]
Passai, frouxos que tendes a necessidade de serdes os istas de qualquer ismo!
Passai, radicais do Pouco, incultos do Avanço, que tendes a ignorância por coluna da audácia, que tendes a impotência por esteio das neo-teorias!
Passai, gigantes de formigueiro, [...]
Passai, esterco epileptóide sem grandezas, histerialixo dos espectáculos, [...]
Passai, bolor do Novo, mercadoria em mau estado desde o cérebro de origem!
Passai à esquerda do meu Desdém virado à direita, [...]
[...]
Passai, «finas sensibilidades» pela falta de espinha dorsal; [...]
[...]
Eu, ao menos, sou uma grande Ânsia, do tamanho exacto do Possível!
Eu, ao menos sou da estatura da Ambição Imperfeita, mas da Ambição para Senhores, não para escravos!
Ergo-me, ante o sol que desce, e a sombra do meu Desprezo anoitece em vós!
[...]
Passai, frouxos que tendes a necessidade de serdes os istas de qualquer ismo!
Passai, radicais do Pouco, incultos do Avanço, que tendes a ignorância por coluna da audácia, que tendes a impotência por esteio das neo-teorias!
Passai, gigantes de formigueiro, [...]
Passai, esterco epileptóide sem grandezas, histerialixo dos espectáculos, [...]
Passai, bolor do Novo, mercadoria em mau estado desde o cérebro de origem!
Passai à esquerda do meu Desdém virado à direita, [...]
[...]
Passai, «finas sensibilidades» pela falta de espinha dorsal; [...]
[...]
Eu, ao menos, sou uma grande Ânsia, do tamanho exacto do Possível!
Eu, ao menos sou da estatura da Ambição Imperfeita, mas da Ambição para Senhores, não para escravos!
Ergo-me, ante o sol que desce, e a sombra do meu Desprezo anoitece em vós!
(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, pp. 282, 283 e 286)
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Estado de espírito,
Estupidez,
Heterónimos e afins,
Hierarquia,
Ignorância,
Ralé
27 dezembro 2011
Não me lembra nada nem ninguém...
OLIGARQUIA DAS BESTAS
Lama de portugueses, esterco de gente, sem uma ideia grande nem um sentimento generoso, [...]
(Fernando Pessoa, Da República (1910–1935), 75, p. 181)
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Estupidez,
Hierarquia,
Ignorância,
Ralé
25 dezembro 2011
23 dezembro 2011
De presentes, sim...
Quem tem as flores não precisa de Deus.
(Alberto Caeiro, Aforismos e afins, p. 68)
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Ambiente/Natureza,
Ateísmo,
Deus,
Fé,
Heterónimos e afins
20 dezembro 2011
Iconografia pessoana

Fernando Pessoa, com 16 anos, em Durban
(pormenor)
(pormenor)
(Fotobiografias do Século XX: Fernando Pessoa, p. 46)
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Fotografias,
Iconografia
18 dezembro 2011
1 ano da auto-imolação do tunisino Mohamed Bouazizi, início de uma série de protestos e revoluções pelo Médio Oriente e Norte de África (2010)
Eh-lá-hô revoluções aqui, ali, acolá,
(Álvaro de Campos, “Ode Triunfal”, Poesia, 8, p. 88)
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Democracia,
Ditadura,
Guerra,
Heterónimos e afins,
Islão,
Opressão,
Revolução/Revolta
17 dezembro 2011
108 anos da realização do primeiro voo de um dispositivo mais pesado do que o ar, pelos irmãos Orville e Wilbur Wright (1903)
Dispam-me o peso do meu corpo!
Troquem a alma por asas abstractas, ligadas a nada!
Nem asas, mas a Asa enorme de Voar!
Nem Voar mas o que fica de veloz quando cessar é voar
E não há corpo que pese na alma de ir!
Troquem a alma por asas abstractas, ligadas a nada!
Nem asas, mas a Asa enorme de Voar!
Nem Voar mas o que fica de veloz quando cessar é voar
E não há corpo que pese na alma de ir!
(Álvaro de Campos, “Saudação a Walt Whitman”, Poesia, 24p, pp. 182–183)
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Ciência,
EUA,
Heterónimos e afins,
Tecnologia
14 dezembro 2011
59 anos da morte de Teixeira de Pascoaes (1952)
[...] Quando leio Pascoaes farto-me de rir. Nunca fui capaz de ler uma coisa dele até ao fim. Um homem que descobre sentidos ocultos nas pedras, sentimentos humanos nas árvores, que faz gente dos poentes e das madrugadas [].
(Alberto Caeiro entrevistado por Alexander Search, Poemas Completos de Alberto Caeiro, pp. 213–214)
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Falecimento,
Heterónimos e afins,
Poesia,
Ridículo
11 dezembro 2011
09 dezembro 2011
Alemanha, França e Reino Unido mantêm o impasse na resolução da situação europeia
O que é preciso ter é [...] uma noção do meio internacional, de não ter a alma (ainda que obscuramente) limitada pela nacionalidade. [...] É preciso ter a alma na Europa.
(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 180, p. 314)
08 dezembro 2011
147 anos da publicação do “Syllabus Errorum” do Papa Pio IX (1864)
Partem de 4 grandes classes os erros cometidos pelos homens do séc. XIX e XX em face da ciência:
(1) Reacção contra a ciência e o espírito científico por incapacidade de a compreender e de se adaptar a ela.
[...]
(1) Certos espíritos continuaram pensando e agindo como se a ciência não existisse e não contasse, resistindo-lhe, perseguindo-a. O Syllabus do desgraçado Pio IX é o mais flagrante documento desta impotência.
(1) Reacção contra a ciência e o espírito científico por incapacidade de a compreender e de se adaptar a ela.
[...]
(1) Certos espíritos continuaram pensando e agindo como se a ciência não existisse e não contasse, resistindo-lhe, perseguindo-a. O Syllabus do desgraçado Pio IX é o mais flagrante documento desta impotência.
(Ricardo Reis, Prosa, 76, p. 245)
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Ciência,
Erro,
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Inquisição,
Religião,
Tolerância/Intolerância
06 dezembro 2011
243 anos da publicação da primeira edição da Enciclopédia Britânica (1768)
Há mais de meia hora
Que estou sentado à secretária
Com o único intuito
De olhar para ela.
(Estes versos estão fora do meu ritmo.
Eu também estou fora do meu ritmo.)
Tinteiro (grande) à frente.
Canetas com aparos novos à frente.
Mais para cá papel muito limpo.
Ao lado esquerdo um volume da Enciclopédia Britânica.
Ao lado direito —
Ah, ao lado direito! —
A faca de papel com que ontem
Não tive paciência para abrir completamente
O livro que me interessava e não lerei.
Quem pudesse sintonizar tudo isto!
Que estou sentado à secretária
Com o único intuito
De olhar para ela.
(Estes versos estão fora do meu ritmo.
Eu também estou fora do meu ritmo.)
Tinteiro (grande) à frente.
Canetas com aparos novos à frente.
Mais para cá papel muito limpo.
Ao lado esquerdo um volume da Enciclopédia Britânica.
Ao lado direito —
Ah, ao lado direito! —
A faca de papel com que ontem
Não tive paciência para abrir completamente
O livro que me interessava e não lerei.
Quem pudesse sintonizar tudo isto!
(Álvaro de Campos, Poesia, 214, p. 534)
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Inglaterra/Reino Unido,
Livros
05 dezembro 2011
Petição «Find the Trunk»
Petição para que a mítica Arca de Fernando Pessoa (vendida em leilão em 2008...) seja encontrada e, se possível, recuperada pelo Estado português.
www.findthetrunk.com
www.findthetrunk.com03 dezembro 2011
Dia Internacional da Pessoa com Deficiência
Happy the maimed, the halt, the mad, the blind —
All who, stamped separate by curtailing birth,
Owe no duty’s allegiance to mankind
Nor stand a valuing in their scheme of worth!
[ Feliz o cego, o louco, o mutilado —
Todo o que, por um nascer diferente,
Aos homens nada deve, por marcado,
Nem à lei do valor obediente! ]
All who, stamped separate by curtailing birth,
Owe no duty’s allegiance to mankind
Nor stand a valuing in their scheme of worth!
(Fernando Pessoa, “35 Sonnets, XXXIV”, Poesia Inglesa I, I, 1, p. 76)
[ Feliz o cego, o louco, o mutilado —
Todo o que, por um nascer diferente,
Aos homens nada deve, por marcado,
Nem à lei do valor obediente! ]
(p. 77; trad. Luísa Freire)
01 dezembro 2011
371 anos da Restauração da Independência (1640)
[...] Portugal não quer ser espanhol, nem de uma forma, nem de outra. Dos ódios que a história semeia, o ódio do português ao espanhol imperialista é o único que ficou, porque o contra os franceses que nos invadiram sob Napoleão, e o contra os ingleses que nos lançaram o Ultimatum célebre, já passaram ambos e se desradicaram de nós.
(Fernando Pessoa, “Problema Ibérico”, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 17, p. 181)
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29 novembro 2011
137 anos do nascimento de António Egas Moniz, Prémio Nobel da Medicina (1874)
Desfeito o meu cérebro,
Em coisa abstracta, impessoal, sem forma,
Já não sente o eu que eu tenho,
Já não pensa com o meu cérebro os pensamentos que eu sinto meus,
Já não move pela minha vontade as minhas mãos que eu movo.
Em coisa abstracta, impessoal, sem forma,
Já não sente o eu que eu tenho,
Já não pensa com o meu cérebro os pensamentos que eu sinto meus,
Já não move pela minha vontade as minhas mãos que eu movo.
(Alberto Caeiro, “Poemas Inconjuntos”, 14, Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 120)
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27 novembro 2011
25 novembro 2011
36 anos do golpe militar que pôs fim ao PREC, Processo Revolucionário em Curso (1975)
Todo o grande partido político de oposição, ou seja, todo o partido de oposição que adquire vulto bastante para subverter um regime ou parte dele, se forma com a congregação de três elementos distintos, e não está completo, nem apto para efectuar o intuito, em torno do qual se gerou, senão quando efectivamente congrega todos esses elementos.
Esses três elementos são: um pequeno grupo de idealistas cujas ideias se infiltram abstractamente por vária gente inactiva; um grupo maior de homens de acção, atraídos pelos elementos activos e combativos do partido, e já distante psiquicamente de todo o idealismo propriamente dito; um grupo máximo de indivíduos violentos e indisciplinados, uns sinceros, outros meio sinceros, outros ainda pseudo-sinceros, que, por sua própria natureza de indisciplinados e violentos, ou desadaptados do meio, naturalmente se agregam a toda a fórmula Política que está numa oposição extrema.
Quando o regime ou fórmula, que assim formou partido, conquista o poder, desaparecem os idealistas, pelo menos na sua acção, que acabou historicamente com a realização; assumem o poder os homens práticos, os anónimos derivados dos idealistas e os mais elementos. Agregam-se, formando com estes últimos um pacto instintivo, os que querem comer do regime real. Tal é a história de todas as revoluções; por alto que seja o ideal de onde se despenharam, vêm sempre ter ao mesmo vale da sordidez humana.
Forma-se uma ditadura de inferiores. Um período revolucionário é sempre uma ditadura de inferiores.
Esses três elementos são: um pequeno grupo de idealistas cujas ideias se infiltram abstractamente por vária gente inactiva; um grupo maior de homens de acção, atraídos pelos elementos activos e combativos do partido, e já distante psiquicamente de todo o idealismo propriamente dito; um grupo máximo de indivíduos violentos e indisciplinados, uns sinceros, outros meio sinceros, outros ainda pseudo-sinceros, que, por sua própria natureza de indisciplinados e violentos, ou desadaptados do meio, naturalmente se agregam a toda a fórmula Política que está numa oposição extrema.
Quando o regime ou fórmula, que assim formou partido, conquista o poder, desaparecem os idealistas, pelo menos na sua acção, que acabou historicamente com a realização; assumem o poder os homens práticos, os anónimos derivados dos idealistas e os mais elementos. Agregam-se, formando com estes últimos um pacto instintivo, os que querem comer do regime real. Tal é a história de todas as revoluções; por alto que seja o ideal de onde se despenharam, vêm sempre ter ao mesmo vale da sordidez humana.
Forma-se uma ditadura de inferiores. Um período revolucionário é sempre uma ditadura de inferiores.
(Fernando Pessoa, “Interregno”, Da República (1910–1935), 128, p. 383)
24 novembro 2011
22 novembro 2011
Piada
God is God’s best joke.
[ Deus é a melhor piada de Deus. ]
[ Deus é a melhor piada de Deus. ]
(Fernando Pessoa, Aforismos e afins, p. 28; em inglês no original; a tradução é nossa)
20 novembro 2011
204 anos da entrada de Junot em Portugal, início da Primeira Invasão Francesa (1807)
[...] O «mal-francês» é o mal produzido pelos franceses, isto é, as invasões francesas. Depois delas ficou Portugal em subordinação da Inglaterra, a «leoa», em cujo poder receia o Bandarra que Portugal fique. [...]
(Fernando Pessoa, “Trovas do Bandarra”,
Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 43, p. 153)
Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 43, p. 153)
17 novembro 2011
Dia Mundial da Filosofia

«A. Caeiro»
Ilustração de Neuza Monteiro
Ilustração de Neuza Monteiro
(Alberto Caeiro, “O Guardador de Rebanhos, II”, Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 44)
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Iconografia
15 novembro 2011
97 anos da morte de Sacadura Cabral (1924)
SACADURA CABRAL
No frio mar do alheio Norte,
Morto, quedou,
Servo da Sorte infiel que a sorte
Deu e tirou.
Brilha alto a chama que se apaga.
A noite o encheu.
De estranho mar que estranha plaga,
Nosso, o acolheu?
Floriu, murchou na extrema haste;
Jóia do ousar,
Que teve por eterno engaste
O céu e o mar.
(Fernando Pessoa, Poesia (1918–1930), pp. 222–223)
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14 novembro 2011
163 anos da inauguração do Hospital de Rilhafoles, actual Hospital Miguel Bombarda (1848)
Peace! let the sane be set on that side and the mad on this side.
[ Silêncio! Que os sãos fiquem daí e os loucos deste lado. ]
(Alexander Search, Poesia, 70, p. 144; em inglês no original)
[ Silêncio! Que os sãos fiquem daí e os loucos deste lado. ]
(p. 145; trad. Luísa Freire)
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Saúde
11 novembro 2011
93 anos do fim da I Guerra Mundial (1918)
[...] o conflito entre a Brutalidade, representada pelos Alemães, e a Estupidez, que os Aliados encarnavam. [...]
(Fernando Pessoa, “Cinco Diálogos”, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 65, p. 317)
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Aliados,
Estupidez,
Guerra
09 novembro 2011
07 novembro 2011
94 anos da Revolução Bolchevique (1917)*
Tu, escravatura russa, Europa de malaios, libertação de mola desoprimida porque se partiu!
* 25 de Outubro, no Calendário Juliano, então em uso na Rússia.
(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 281)
* 25 de Outubro, no Calendário Juliano, então em uso na Rússia.
05 novembro 2011
Desemprego
[...] Os governos têm sido de uma notável incapacidade na solução dos principais problemas com que têm sido confrontados — o problema industrial propriamente dito, o problema do desemprego, o próprio problema do alojamento. [...]
(Álvaro de Campos, Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, 415)
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Heterónimos e afins
02 novembro 2011
Dia dos “Fiéis Defuntos”
Os mortos! Que prodigiosamente
E com que horrível reminiscência
Vivem na nossa recordação deles!
E com que horrível reminiscência
Vivem na nossa recordação deles!
(Álvaro de Campos, Poesia, 14, p. 102)
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Heterónimos e afins,
Igreja Católica,
Morte
01 novembro 2011
31 outubro 2011
494 anos da afixação das “95 Teses” de Martinho Lutero na porta da igreja do castelo de Wittenberg (1517)
Desde que se separou, na Renascença e depois da Reforma, do cristianismo católico, o espírito cristão tem caminhado lentamente num determinado sentido. Esse sentido é o de afastar cada vez mais o dogma, a «letra», como diz o Evangelho, e de se dedicar cada vez mais ao «espírito». O protestantismo mais não é do que a subordinação do dogma à doutrina, a substituição gradual da autoridade pela consciência no cristianismo.
(Fernando Pessoa, “Alemanha e a Guerra”, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 40, p. 234)
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Cristianismo,
Dogma,
Igreja Católica,
Protestantismo
29 outubro 2011
28 outubro 2011
307 anos da morte de John Locke (1704)
[...] Deu-se o caso em Inglaterra, no conflito, em grande parte nacional e especial, entre a monarquia dos Stuarts, conscientemente «de direito divino», e a oposição a ela, que assumiu episodicamente, e em contrário do sentimento da maioria, a forma republicana. Nasceu por fim, depois de pesados anos de perturbações, o chamado constitucionalismo, fórmula de equilíbrio espontâneo, provinda de antigas tradições nacionais em que o fermento de todas as doutrinas anti-monárquicas diversamente se infiltrava. O principal teorista do sistema, tal qual finalmente veio a aparecer, foi Locke, em seu Ensaio sobre o Governo Civil.
(Fernando Pessoa, “O Interregno — Defesa e justificação da ditadura militar em Portugal, III”,
Crítica, pp. 382–383)
Crítica, pp. 382–383)
25 outubro 2011
93 anos da morte de Amadeo de Souza-Cardoso (1918)
Orpheu 3 trará, também, quatro hors-textes do mais célebre pintor avançado português — Amadeu de Sousa Cardoso.
A revista deve sair por fins do mês presente. Para a mala que vem já lhe poderei dar notícias mais detalhadas.
Nota: Na fonte usada consta a grafia «Amadeu de Sousa Cardoso», sendo talvez uma actualização feita pela organizadora do volume. No título deste post optou-se pela grafia «Amadeo de Souza-Cardoso» por ser a mais consagrada, sendo inclusivamente a do museu que lhe é dedicado em Amarante, embora nada justifique que não se tenha actualizado a grafia do nome deste autor, tal como, de resto, aconteceu a Luís de Camões, Eça de Queirós ou o próprio Fernando Pessoa.
A revista deve sair por fins do mês presente. Para a mala que vem já lhe poderei dar notícias mais detalhadas.
(Fernando Pessoa, Correspondência (1905–1922), 93, pp. 220–221)
Nota: Na fonte usada consta a grafia «Amadeu de Sousa Cardoso», sendo talvez uma actualização feita pela organizadora do volume. No título deste post optou-se pela grafia «Amadeo de Souza-Cardoso» por ser a mais consagrada, sendo inclusivamente a do museu que lhe é dedicado em Amarante, embora nada justifique que não se tenha actualizado a grafia do nome deste autor, tal como, de resto, aconteceu a Luís de Camões, Eça de Queirós ou o próprio Fernando Pessoa.
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22 outubro 2011
19 outubro 2011
266 anos da morte de Jonathan Swift (1745)
É na incapacidade de ironia que reside o traço mais fundo do provincianismo mental. Por ironia entende-se, não o dizer piadas, como se crê nos cafés e nas redacções, mas o dizer uma coisa para dizer o contrário. A essência da ironia consiste em não se poder descobrir o segundo sentido do texto por nenhuma palavra dele, deduzindo-se porém esse segundo sentido do facto de ser impossível dever o texto dizer aquilo que diz. Assim, o maior de todos os ironistas, Swift, redigiu, durante uma das fomes na Irlanda, e como sátira brutal à Inglaterra, um breve escrito propondo uma solução para essa fome. Propõe que os irlandeses comam os próprios filhos. Examina com grande seriedade o problema, e expõe com clareza e ciência a utilidade das crianças de menos de sete anos como bom alimento. Nenhuma palavra nessas páginas assombrosas quebra a absoluta gravidade da exposição; ninguém poderia concluir, do texto, que a proposta não fosse feita com absoluta seriedade, se não fosse a circunstância, exterior ao texto, de que uma proposta dessas não poderia ser feita a sério.
(Fernando Pessoa, “O Provincianismo Português”, Crítica, pp. 372–373)
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16 outubro 2011
Dia Mundial da Luta Contra a Fome
[...] Alegria!
Hoje o almoço é amanhã.
Hoje o almoço é amanhã.
(Fernando Pessoa, Poesia (1931–1935 e não datada), p. 412)
15 outubro 2011
15 de outubro de 1890: data alternativa* para o “nascimento” de Álvaro de Campos

Rua Álvaro de Campos (Tavira)
(Fernando Pessoa, Correspondência (1923–1935), 162, pp. 344–345)
* Outra data possível é 13 de outubro.
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13 outubro 2011
121 anos do “nascimento” de Álvaro de Campos (1890)

«O Poeta Álvaro de Campos»
Fotogravura de Bartolomeu Cid dos Santos (1984)
Fotogravura de Bartolomeu Cid dos Santos (1984)
Nota: Um horóscopo de Álvaro de Campos, manuscrito pelo próprio Fernando Pessoa, coloca o “nascimento” do heterónimo à 1h17 da tarde de 13 de Outubro de 1890. Em carta a Adolfo Casais Monteiro, datada de 13 de Janeiro de 1935, Fernando Pessoa apresenta uma cronologia ligeiramente diferente: Álvaro de Campos teria nascido à 1h30 da tarde do dia 15 de Outubro. (Fernando Pessoa, Correspondência (1923–1935), 162, pp. 344–345)
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10 outubro 2011
Dia Mundial da Saúde Mental
When I consider how real and how true the things of his madness are to the madman, I cannot but agree with the essence of Protagoras’ statement that “man is the measure of all things”.
[ Quando reflicto sobre quão reais e verdadeiras são para o louco as coisas da sua loucura, não posso deixar de concordar com a essência da declaração de Protágoras de que «o homem é a medida de todas as coisas». ]
[ Quando reflicto sobre quão reais e verdadeiras são para o louco as coisas da sua loucura, não posso deixar de concordar com a essência da declaração de Protágoras de que «o homem é a medida de todas as coisas». ]
(Fernando Pessoa, Aforismos e afins, p. 11; em inglês no original)
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07 outubro 2011
Conhece-se o Artífice pelas suas Obras
GOD’S WORK
«God’s work — how great his power!» said he
As we gazed out upon the sea
Beating the beach tumultuously
Round the land-head.
The vessel then strikes with a crash;
Over her deck the waters rash
Make horror deep in rent and gash.
«God’s work», I said.
(Alexander Search, Poesia, 40, p. 92; em inglês no original)
[ OBRA DE DEUS
«Obra de Deus — grande o seu poder!»Disse ele contemplando o mar
Batendo a costa em tumulto,
Mesmo em torno do pontão.
O barco embate com estrondo,
A água inunda o convés
Abrindo fendas medonhas.
«Obra de Deus», digo então. ]
(p. 93; trad. Luísa Freire)
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04 outubro 2011
02 outubro 2011
Dia Internacional da Não-Violência
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possibilidade do soco;
Para fora da possibilidade do soco;
(Álvaro de Campos, “Poema em linha recta”, Poesia, 41, p. 262)
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01 outubro 2011
Dia Internacional do Idoso
Cada vez estou mais só, mais abandonado. Pouco a pouco quebram-se-me todos os laços. Em breve ficarei sozinho.
(Fernando Pessoa, Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão Pessoal, p. 143)
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29 setembro 2011
Confidências
1. Make as few confidences as possible. Better make none, but, if you make any, make fake or indistinct ones.
[ 1. Faz o menor número de confidências possível. É melhor não fazeres nenhuma, mas se fizeres algumas, fá-las falsas e imprecisas. ]
(Fernando Pessoa, “Rule of Life”, Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão Pessoal, p. 348;
em inglês no original)
em inglês no original)
[ 1. Faz o menor número de confidências possível. É melhor não fazeres nenhuma, mas se fizeres algumas, fá-las falsas e imprecisas. ]
(“Regra de Vida”, p. 349; trad. Manuela Rocha)
27 setembro 2011
Dia Mundial do Turismo
Sou forasteiro, tourist, transeunte.
E claro: é isso que sou.
Até em mim, meu Deus, até em mim.
E claro: é isso que sou.
Até em mim, meu Deus, até em mim.
(Álvaro de Campos, “Notas sobre Tavira”, Poesia, 157, p. 453)
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25 setembro 2011
Dia Mundial do Coração
Aquele peso em mim — meu coração.
(Fernando Pessoa, Poesia (1931–1935 e não datada), p. 95)
23 setembro 2011
72 anos da morte de Sigmund Freud (1939)
A liberdade, sim, a liberdade!
A verdadeira liberdade!
Pensar sem desejos nem convicções.
Ser dono de si mesmo sem influência de romances!
Existir sem Freud nem aeroplanos,
Sem cabarets, nem na alma, sem velocidades, nem no cansaço!
A verdadeira liberdade!
Pensar sem desejos nem convicções.
Ser dono de si mesmo sem influência de romances!
Existir sem Freud nem aeroplanos,
Sem cabarets, nem na alma, sem velocidades, nem no cansaço!
(Álvaro de Campos, Poesia, 139, p. 425)
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21 setembro 2011
Dia Mundial da Doença de Alzheimer
Ser alheio até a si mesmo!
[...]
Ser esquecido de que se existe!
[...]
Ser esquecido de que se existe!
(Álvaro de Campos, Poesia, 218, p. 539)
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17 setembro 2011
72 anos da anexação soviética do leste da Polónia (1939)
Caiam cidades, sofram povos, cesse
A liberdade e a vida,
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(Ricardo Reis, “Os jogadores de xadrez”, Poesia, II, 31, p. 62)
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15 setembro 2011
Dia Internacional da Democracia
Contra a democracia invoca-se, em primeiro lugar, o argumento da ignorância das classes cujo voto predomina, porque seja maior o seu número. Mas como os sábios divergem tanto como essas classes, não parece haver vantagens na ciência para elucidação dos problemas. Onde há, sem dúvida, vantagens para a ciência é na escolha dos homens que devem governar; ora é precisamente isso que o voto escolhe. O povo não é apto a saber qual a direcção que a política pátria deve tomar em tal período; mas os homens cultos também não o sabem, pois que divergem em tal ponto. Mas o que os homens cultos sabem, e o povo não sabe, é avaliar de competências para certos cargos. Propriamente, só financeiros é que sabem avaliar qual o indivíduo que melhor geriria as finanças de um povo; só militares, qual o melhor indivíduo para ministro da Guerra.
(Fernando Pessoa, “A Democracia”, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 22, pp. 126–127)
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14 setembro 2011
144 anos da publicação do volume I de O Capital, de Karl Marx (1867)
[...] Uma pedra não tem na ponta da língua (que aliás não possui) tudo o que afinal Karl Marx nunca disse ou quis dizer.
(Fernando Pessoa, Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão Pessoal, p. 373)
13 setembro 2011
11 setembro 2011
120 anos do suicídio de Antero de Quental (1891)
O conflito que nos queima a alma, deu-o Antero mais que outro poeta, porque tinha a igual altura do sentimento e da inteligência. É o conflito entre a necessidade emotiva da crença e a impossibilidade intelectual de crer.
(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 32)
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10 setembro 2011
Dia Mundial para a Prevenção do Suicídio
A vida é um mal digno de ser gozado.
(Pantaleão, Pessoa por Conhecer, vol. II, 156, p. 208)
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09 setembro 2011
573 anos da morte de D. Duarte (1438)
D. DUARTE, REI DE PORTUGAL
Meu dever fez-me, como Deus ao mundo.
A regra de ser Rei almou meu ser,
Em dia e letra escrupuloso e fundo.
Firme em minha tristeza, tal vivi.
Cumpri contra o Destino o meu dever.
Inutilmente? Não, porque o cumpri.
(Fernando Pessoa, Mensagem, Primeira Parte, III, p. 101)
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07 setembro 2011
05 setembro 2011
106 anos do fim da Guerra Russo-Japonesa de 1904–1905
(When English journalists joked at Russian’s disasters)
Our enemies are fallen; other hands
Than ours have struck them, and our joy is great
To know that now at length our fears abate
From hint and menace on great Eastern lands.
Bardling, scribbler and artist, servile bands,
From covert sneer outsigh their trembling hate,
Laughing at misery, and woe, and fallen state,
Armies of men whole-crushed on desolate strands.
The fallen lion every ass can kick,
That in his life, shamed to unmotioned fright,
His every move with eyes askance did trace.
(Alexander Search, “To England, II”, Poesia, 24, pp. 52/54; em inglês no original)
[ (Quando jornalistas ingleses troçaram dos desastres russos)
Os nossos inimigos estão caídos; outras mãos
Que não as nossas os atingiram, e a nossa alegria é grande
Por saber que agora, finalmente, sossegaram os nossos medos
Das ameaças nas grandes terras do Oriente.
Poetelhos, escrevinhadores e artistas, bandos servis,
Exprimem o ódio intenso antes contido,
Rindo da miséria, da angústia, do estado caído,
Exércitos inteiros esmagados em costas desoladas.
Qualquer burro consegue escoucear o leão caído
Que, em vida, o paralisava vergonhosamente de medo,
Todos os seus movimentos seguidos de soslaio. ]
(“À Inglaterra, II”; tradução nossa)
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03 setembro 2011
Hoje acordei assim...
Raios partam a vida e quem lá ande!...
(Álvaro de Campos, “Três Sonetos”, Poesia, 4.III, p. 58)
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01 setembro 2011
29 agosto 2011
De volta ao Norte...
ALENTEJO SEEN FROM THE TRAIN
Nothing with nothing around it
And a few trees in between
None of which very clearly green,
Where no river or flower pays a visit.
If there be a hell, I’ve found it,
For if ain’t here, where the Devil is it?
(Fernando Pessoa, Poesia Inglesa II, 2, p. 12)
[ ALENTEJO VISTO DO COMBOIO
Nada com nada à voltaE umas poucas árvores pelo meio,
Nenhuma delas claramente verde,
Onde nenhum rio ou flor dão o ar da sua graça.
Se por acaso existe um inferno, encontrei-o,
Pois, se não aqui, onde Diabo estará? ]
(tradução nossa)
28 agosto 2011
Amanhã regresso de férias...
Tenho que arrumar a mala de ser.
(Álvaro de Campos, Poesia, 140, p. 428)
27 agosto 2011
25 agosto 2011
111 anos da morte de Friedrich Nietzsche (1900)
— Deus, Deus, Deus? disse o anarquista. Há séculos que Deus morreu; mas tem levado tanto tempo a fazer-lhe o caixão que já infesta o ar de seu apodrecimento.
(Fernando Pessoa, Aforismos e afins, p. 68)
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23 agosto 2011
Dia Europeu de Recordação da Vítimas dos Regimes Totalitários e Autoritários
Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé,
E ninguém sabe porquê.
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé,
E ninguém sabe porquê.
(Fernando Pessoa, Poesia (1931–1935 e não datada), p. 380)
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20 agosto 2011
Iconografia pessoana

«Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou»*
Pintura de Norberto Nunes
Pintura de Norberto Nunes
* (Álvaro de Campos, Poesia, 149, p. 441)
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17 agosto 2011
108 anos da criação dos Prémios Pulitzer (1903)
[...] O contrário foi uma mixórdia da nossa desqualificada imprensa periódica [...]
(Fernando Pessoa, “O Sentido do Sidonismo”, Da República (1910–1935), 103, p. 252)
14 agosto 2011
578 anos da morte de D. João I (1433)
D. JOÃO, O PRIMEIRO
O homem e a hora são um só
Quando Deus faz e a história é feita.
O mais é carne, cujo pó
A terra espreita.
Mestre, sem o saber, do Templo
Que Portugal foi feito ser,
Que houveste a glória e deste o exemplo
De o defender.
Teu nome, eleito em sua fama,
É, na ara da nossa alma interna,
A que repele, eterna chama,
A sombra eterna.
(Fernando Pessoa, Mensagem, Primeira Parte, II, p. 95)
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12 agosto 2011
184 anos da morte de William Blake (1827)
Ah, abram-me outra realidade!
Quero ter, como Blake, a contiguidade dos anjos
E ter visões por almoço.
Quero ter, como Blake, a contiguidade dos anjos
E ter visões por almoço.
(Álvaro de Campos, Poesia, 101, p. 367)
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Poesia
09 agosto 2011
07 agosto 2011
217 anos do último auto-de-fé em Lisboa (1794)
O que hoje prepondera em todo o mundo é o ódio à Inteligência.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego (Presença), vol. I, p. 230)
05 agosto 2011
1 ano do acidente na mina de Copiapó, Chile (2010)
Eh-lá desabamentos de galerias de minas!
(Álvaro de Campos, “Ode Triunfal”, Poesia, 8, p. 88)
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03 agosto 2011
Panaceias e ilusões
O catolicismo é uma religião da panaceia, como o ateísmo ou o livre pensamento é uma ilusão da farmácia.
(Fernando Pessoa, Aforismos e afins, p. 30)
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01 agosto 2011
28 julho 2011
97 anos do início da I Guerra Mundial (1914)
Ave guerra, som da luz e do fogo
Ave, ave, ave pelos teus arsenais e pelas tuas esquadras,
Ave, ave, ave, pelos teus barcos e pelas tuas fábricas,
Ave por toda a tua civilização de metal em obra,
Ave por todo o teu aço!
Ave por todo o teu alumínio!
Ave por todas as tuas máquinas, ave!
Ave, ave, ave, por toda a força motriz que tu és!
Ave, ave, ave pelos teus arsenais e pelas tuas esquadras,
Ave, ave, ave, pelos teus barcos e pelas tuas fábricas,
Ave por toda a tua civilização de metal em obra,
Ave por todo o teu aço!
Ave por todo o teu alumínio!
Ave por todas as tuas máquinas, ave!
Ave, ave, ave, por toda a força motriz que tu és!
(Álvaro de Campos, “Ode Marcial”, Poesia, 226a, p. 557)
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25 julho 2011
21 julho 2011
2366 anos da destruição do Templo de Ártemis em Éfeso (356 AC)
Não quero a fama, que comigo a têm
Heróstrato e o pretor
Heróstrato e o pretor
(Ricardo Reis, Poesia, II, 50, p. 80)
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19 julho 2011
125 anos da morte de Cesário Verde (1886)
[...] Quando Cesário Verde fez dizer ao médico que era, não o Sr. Verde empregado no comércio, mas o poeta Cesário Verde, usou de um daqueles verbalismos do orgulho inútil que suam o cheiro da vaidade. O que ele foi sempre, coitado, foi o Sr. Verde empregado no comércio. O poeta nasceu depois de ele morrer, porque foi depois de ele morrer que nasceu a apreciação do poeta.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 106, p. 133)
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Poesia
16 julho 2011
A pontuação da vida
A vida é a hesitação entre uma exclamação e uma interrogação. Na dúvida, há um ponto final.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 375, p. 340)
13 julho 2011
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