11 abril 2012

79 anos da entrada em vigor da Constituição de 1933

[...] tenho estado velho por causa do Estado Novo. [...]

(Fernando Pessoa, Correspondência (1923–1935), 169, p. 359)

09 abril 2012

94 anos da Batalha de La Lys (1918)

Puseste a crença num Deus justo e bom.
Foi esse Deus que te matou teu filho?

(Fernando Pessoa, Poesia (1918–1930), p. 193)

08 abril 2012

Páscoa

Mr. Pickwick belongs to the sacred figures of the world’s history. Do not, please, claim that he has never existed: the same thing happens to most of the world’s sacred figures, and they have been living presences to a vast number of consoled wretches. So, if a mystic can claim a personal acquaintance and clear vision of the Christ, a human man can claim personal acquaintance and a clear vision of Mr. Pickwick.

(Fernando Pessoa, “Charles Dickens”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias,
IX, 8, pp. 307–308; em inglês no original)




[ O Sr. Pickwick pertence às figuras sagradas da história do mundo. Por favor, não me venham dizer que nunca existiu: o mesmo sucede com a maior parte das figuras sagradas do mundo que, no entanto, têm sido presenças vivas para número enorme de míseros consolados. Assim, se um místico pode reivindicar o conhecimento pessoal e uma clara visão de Cristo, um homem humano pode reivindicar o conhecimento pessoal e uma visão clara do Sr. Pickwick. ]

(idem, p. 309; trad. Jorge Rosa)

07 abril 2012

Dia Mundial da Saúde

T-shirt: 'Pensar é estar doente dos olhos'
(Alberto Caeiro, “O Guardador de Rebanhos, II”, Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 44)

04 abril 2012

83 anos da morte do ex-primeiro ministro João Franco (1929)

EPITÁFIO A JOÃO FRANCO


[] na tua campa
O epitáfio solene que mereces

«Foi melhorando, desde a vida à morte.
Pois será pó, é podridão, foi trampa.»

(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 205, p. 343)

01 abril 2012

Dia das Mentiras

EH-LÀ!


Acaba de publicar-se o terceiro número de ORPHEU.
Esta revista é, hoje, a única ponte entre Portugal e a Europa, e, mesmo, a única razão de vulto que Portugal tem para existir como nação independente.
Ler ORPHEU é o único acto civilizado que é possível praticar hoje em Portugal, excepto o suicídio com ordem de incineração no testamento.
Comprar ORPHEU é regressar de África. Compreender ORPHEU é ter voltado de lá já há muito tempo.
Comprar ORPHEU é, enfim, ajudar a salvar Portugal da vergonha de não ter tido senão a literatura portuguesa. ORPHEU é todas as literaturas.
À venda em todas as livrarias.
Preço 50 centavos
(em português: 500 réis)

(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 126, p. 254)

Pessoa, sempre — todos os dias: Abril de 2012

Calendário pessoano: Abril de 2012
Os ícones de cada dia foram adaptados dos do Labirinto do site MultiPessoa.

31 março 2012

416 anos do nascimento de René Descartes (1596)

The true method of metaphysical examination has been indicated to us by Descartes — the method of universal doubt.
[...]
We can understand what Descartes meant, but his words are badly chosen. Let us attempt to correct them.


(Fernando Pessoa, Textos Filosóficos, vol. I, p. 108; em inglês no original)




[ O verdadeiro método de análise metafísica foi-nos indicado por Descartes — o método da dúvida universal.
[...]
Podemos perceber o que Descartes queria dizer, mas as suas palavras foram mal escolhidas. Vamos tentar corrigi-las. ]


(tradução nossa)

3 anos!

Este blogue faz talvez precisamente hoje três anos. (É um blogue pessoano — as imprecisões cronológicas correm-nos no sangue.)


foto
Fernando Pessoa com quase 3 anos de idade


(Fotobiografias do Século XX: Fernando Pessoa, p. 20)

28 março 2012

18 anos da morte de Eugène Ionesco (1994)

Absurdemos a vida, de leste a oeste.

(Bernardo Soares, “Apoteose do absurdo”, Livro do Desassossego, 372, p. 338)

24 março 2012

97 anos do lançamento da revista Orpheu (1915)

Capa do n.º 1 da revista Orpheu

Dia do Estudante

Quando o público soube que os estudantes [...], nos intervalos de dizer obscenidades às senhoras que passam, estavam empenhados em moralizar toda a gente, teve uma exclamação de impaciência. [...]

(Álvaro de Campos, “Aviso por Causa da Moral”, Crítica, p. 200)

23 março 2012

Dia Mundial da Meteorologia
(e, já agora, estava mesmo a dar-nos jeito uns dias de chuva...)

Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é.

(Alberto Caeiro, “Poemas Inconjuntos”, 22, Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 127)

22 março 2012

Greve de 22/03/2012: PSP carrega no Chiado e agride dois jornalistas

Estátua de Fernando Pessoa com colete de jornalista
«± PESSOA JORNALISTA ±»
Fotografia publicada no Facebook pelo artista de intervenção
±MAISMENOS± (Miguel Januário)

21 março 2012

Dia Mundial da Poesia

Tudo é prosa. A poesia é aquela forma de prosa em que o ritmo é artificial. Este artifício, que consiste em criar pausas especiais e anti-naturais diversas das que a pontuação define, embora às vezes coincidentes com elas, é dado pela escrita do texto em linhas separadas, chamadas versos, preferivelmente começadas por maiúscula, para indicar que são como que períodos absurdos, pronunciados separadamente. [...]

(Álvaro de Campos, Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 275)



Diz Campos que a poesia é uma prosa em que o ritmo é artificial. Considera a poesia como uma prosa que envolve música, donde o artifício. Eu, porém, antes diria que a poesia é uma música que se faz com ideias, e por isso com palavras. Considerai que será o fazerdes música com ideias, em vez de com emoções. Com emoções fareis só música. Com emoções que caminham para as ideias, ou se agregam ideias para se definir, fareis o canto. Com ideias só, contendo tão-somente o que de emoção há necessariamente em todas as ideias, fareis poesia. [...]

(Ricardo Reis, idem)

19 março 2012

Dia do Pai

Fotografia de Joaquim de Seabra Pessoa (1850–1893)


(Fotobiografias do Século XX: Fernando Pessoa, p. 18)

18 março 2012

112 anos da morte de António Nobre (1900)

De António Nobre partem todas as palavras com sentido lusitano que de então para cá têm sido pronunciadas. Têm subido a um sentido mais alto e divino do que ele balbuciou. Mas ele foi o primeiro a pôr em europeu este sentimento português das almas e das coisas, que tem pena de que umas não sejam corpos, para lhes poder fazer festas, e de que outras não sejam gente, para poder falar com elas. O ingénuo panteísmo da Raça, que tem carinhos de espontânea frase para com as árvores e as pedras, desabrochou nele melancolicamente. Ele vem no Outono e pelo crepúsculo. Pobre de quem o compreende e ama!

(Fernando Pessoa, “Para a memória de António Nobre”, Crítica, p. 100)

16 março 2012

53 anos da morte de António Botto (1959)

A arte do Botto é integralmente imoral. Não há célula nela que esteja decente. E isso é uma força porque é uma não hipocrisia, uma não complicação. Wilde tergiversava constantemente. Baudelaire formulou uma tese moral da imoralidade; disse que o mau era bom por ser mau, e assim lhe chamou bom. O Botto é mais forte: dá à sua imoralidade razões puramente imorais, porque não lhe dá nenhumas.

(Álvaro de Campos, Crítica, p. 188)

13 março 2012

13 de Março de 1914: data alternativa do «dia triunfal» da vida de Fernando Pessoa

[...] Sou também discípulo de Caeiro, e ainda me lembro do dia — 13 de Março de 1914 — quando, tendo «ouvido pela primeira vez» (isto é, tendo acabado de escrever, de um só hausto do espírito) grande número dos primeiros poemas do Guardador de Rebanhos, imediatamente escrevi, a fio, os seis poemas-intersecções que compõem a Chuva OblíquaOrpheu» 2), manifesto e lógico resultado da influência de Caeiro sobre o temperamento de Fernando Pessoa.

(Fernando Pessoa, Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, 101)


Nota: Em carta a Adolfo Casais Monteiro, datada de 13 de Janeiro de 1935, Fernando Pessoa apresenta uma cronologia ligeiramente diferente: Alberto Caeiro ter-se-ia manifestado pela primeira vez a 8 de Março de 1914, aquele que classifica como «o dia triunfal da minha vida».

12 março 2012

Dia Mundial Contra a Censura

Para lembrar que nem só de entidades oficiais (Censura, com "C" maiúsculo, ou a designação politicamente correcta em voga na altura) — que nem só de entidades oficiais, dizíamos, vive a censura, apresentamos de seguida como tornar o poema VIII d'O Guardador de Rebanhos num «Poema do Menino Jesus», com os cumprimentos de Maria Bethânia...

O texto a preto (normal) é o texto original de Caeiro, mantido por Maria Bethânia (a menos das naturais e pouco importantes falhas de memória.
O texto a azul sobre fundo amarelo (assim) é texto dito por Bethânia, mas que não faz parte do original de Caeiro (uma vez mais, não assinalamos as diferenças triviais, que pensamos serem meras traições da memória).
O texto a branco sobre fundo azul (assim) é o texto que faz parte do original de Caeiro, mas que foi cortado por Maria Bethânia; nalguns casos, admitimo-lo, sem intenção — mas a maioria... Feliz Dia Mundial Contra a Censura!




O GUARDADOR DE REBANHOS — VIII
POEMA DO MENINO JESUS


Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.

Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas —
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!


Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o Sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.

Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba Colhe a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou —
«Se é que ele as criou, do que duvido.» —
«Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres.»

E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.

……………………………

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.


Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos às cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.


Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o na minha cama, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo todo humano
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.

……………………………

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

……………………………

Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?


(Alberto Caeiro, Poemas Completos de Alberto Caeiro, pp. 52–57
com uma "ajudinha" de Maria Bethânia)


Ainda sobre este poema, convirá citar o próprio Fernando Pessoa:

[...] escrevi com sobressalto e repugnância o poema oitavo do Guardador de Rebanhos com a sua blasfémia infantil e o seu anti-espiritualismo absoluto. Na minha pessoa própria, e aparentemente real, com que vivo social e objectivamente, nem uso da blasfémia, nem sou anti-espiritualista. Alberto Caeiro porém, como eu o concebi, é assim: assim tem pois ele que escrever, quer eu queira quer não, quer eu pense como ele ou não. [...]

(Fernando Pessoa, Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, 106)

10 março 2012

Jobs for the boys?

Professional improbity and inefficiency are perhaps the distinctive characteristics of our age.

(Fernando Pessoa, “Erostratus”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, VIII, 36, p. 208;
em inglês no original)




[ A improbidade e a ineficiência profissionais são talvez as características distintivas da nossa era. ]

(idem, p. 256; trad. Jorge Rosa, com alterações)

08 março 2012

98 anos do «dia triunfal» da vida de Fernando Pessoa (1914)

Começo pela parte psiquiátrica. A origem dos meus heterónimos é o fundo traço de histeria que existe em mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histero-neurasténico. Tendo para esta segunda hipótese, porque há em mim fenómenos de abulia que a histeria, propriamente dita, não enquadra no registo dos seus sintomas. Seja como for, a origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação. [...]

[...]

Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. (Não sei, bem entendido, se realmente não existiram, ou se sou eu que não existo. Nestas coisas, como em todas, não devemos ser dogmáticos). Desde que me conheço como sendo aquilo a que chamo eu, me lembro de precisar mentalmente, em figura, movimentos, carácter e história, várias figuras irreais que eram para mim tão visíveis e minhas como as coisas daquilo a que chamamos, porventura abusivamente, a vida real. Esta tendência, que me vem desde que me lembro de ser um eu, tem-me acompanhado sempre, mudando um pouco o tipo de música com que me encanta, mas não alterando nunca a sua maneira de encantar.

(Fernando Pessoa, Correspondência (1923–1935), 162, pp. 340–341)



Diversos heterónimos e personagens pessoanas
Cartoon de Rui Pimentel (1988)


Notas:
  1. Teresa Rita Lopes (Pessoa por Conhecer, vol. I, pp. 167–169) lista 72 dramatis personae pessoanas, isto é, personagens do «romance-drama-em-gente» criado por aquele «que brincava a ser muitos». Dois dos nomes (truncados) apresentados por Rui Pimentel não constam dessa lista: “César Augusto” e “Hermínia”, este último com muitas reservas da nossa parte, pois as letras são pouco mais do que vestigiais (sendo esta a única possibilidade que nos ocorre como compatível com o pouco que se lê).

  2. Teresa Rita Lopes (op. cit., p. 172) refere o facto de 72 ser o número de discípulos de Cristo (Lucas 10:1; algumas versões referem 70 e não 72, indefinição numérica habitual na mística judaica); a autora faz ainda inúmeras referências (por ex., pp. 83, 160, 163) à aspiração de Pessoa a ser «toda a gente» e à relação disto com Deus («Deus é toda a gente»), no fundo, a aspiração a ser Deus («Quanto mais personalidades eu tiver [...] Mais análogo serei a Deus»). No entanto, parece escapar a esta autora um facto importante: na tradição cabalística, 72 são precisamente os Nomes de Deus.

  3. A lista de Teresa Rita Lopes inclui personagens correspondentes a diferentes níveis de despersonalização: os heterónimos aceites por Pessoa como rigorosamente tal (Caeiro, Reis e Campos) e semi-heterónimos (Soares, Mora); tradutores e divulgadores estrangeiros da cultura portuguesa em geral e da obra de heterónimos pessoanos em particular (Search, Crosse); autores diversos (ensaístas, críticos literários, poetas, contistas, jornalistas...), de quem existe alguma obra, ainda que fragmentária; colaboradores dos “jornais” da infância e juventude; autores fictícios referidos nesses jornais; poetas revelados em comunicações mediúnicas... Teresa Rita Lopes não incluiu na lista Fernando Pessoa ortónimo nem «conhecidos inexistentes» como, por exemplo, o capitão Thibeaut ou o Chevalier de Pas, adoptando o critério de apenas listar aqueles em que «o brincar a ser muitos atingiu o nível da escrita» (p. 173). No entanto, alguns autores fictícios do tempo dos jornais de infância apenas são referidos enquanto tal (incluindo título das supostas obras), não havendo provas de que Pessoa chegou de facto a escrever em nome deles; por outro lado, Pessoa afirma ter escrito cartas a si mesmo em nome de Chevalier de Pas (ainda que essas alegadas cartas não sejam conhecidas).

07 março 2012

125 anos do nascimento de Stuart Carvalhais (1887)

Caricatura de Stuart Carvalhais para a
Ilustração Portuguesa de 1 de Agosto de 1929

04 março 2012

Dia Mundial da Matemática

A matemática é uma ciência só dentro de si própria. Não é aplicável à realidade.

(Fernando Pessoa, “Uma Teoria Materialista”, Textos Filosóficos, vol. II, p. 18)

01 março 2012

Início do período de entrega das declarações de IRS

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?

(Álvaro de Campos, “Lisbon Revisited” (1923), Poesia, 47, p. 272)

Pessoa, sempre — todos os dias: Março de 2012

Calendário pessoano: Março de 2012
Os ícones de cada dia foram adaptados dos do Labirinto do site MultiPessoa.

28 fevereiro 2012

Tipografia pessoana

Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim — à beira-rio, Pagã triste e com flores no regaço.
Tipografia de Catarina de Sousa

(Ricardo Reis, Poesia, II, 5, p. 34)

26 fevereiro 2012

84.ª Cerimónia dos Prémios da Academia (“Óscares”)

Não sei se serei eu, se o Álvaro de Campos, se ambos, quem terá opiniões sobre o cinema. Alguma receberá — pode contar com isso.

(Fernando Pessoa, Correspondência (1923–1935), 70, p. 160)

25 fevereiro 2012

157 anos do nascimento de Cesário Verde (1855)

Fernando Pessoa e Cesário Verde
Desenho de H. Mourato

23 fevereiro 2012

191 anos da morte de John Keats (1821)

Keats is a poet of a higher type than Shakespeare, yet Keats was not greater than Shakespeare. Keats was a creator; Shakespeare was only an interpreter. But Keats ranks relatively low in the ranks of the creators; whereas Shakespeare ranks very high — he ranks first, I believe — in the number of interpreters.

(Fernando Pessoa, “Impermanence”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias,
VIII, 45, p. 273; em inglês no original)




[ Keats é um poeta de tipo superior ao de Shakespeare; no entanto, não o superou. Keats era criador; Shakespeare era apenas um intérprete. Mas Keats tem um lugar relativamente baixo entre os criadores; enquanto que Shakespeare tem um lugar muito alto — o primeiro, creio, entre os intérpretes. ]

(idem, p. 274; trad. Jorge Rosa)

21 fevereiro 2012

335 anos da morte de Baruch Espinosa (1677)

[...] Spinoza said that philosophical systems are right in what they affirm and wrong in what they deny. This [is] the greatest of all pantheistic affirmations [...]

(Fernando Pessoa, Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, 204; em inglês no original)




[ [...] Espinosa disse que os sistemas filosóficos estão certos naquilo que afirmam e errados naquilo que negam. Esta [é] a maior de todas as afirmações panteístas [...] ]

(tradução nossa)

20 fevereiro 2012

Iconografia pessoana

Pintura de João Beja

19 fevereiro 2012

539 anos do nascimento de Nicolau Copérnico (1473)

[...] Nem nos vale o valermo-nos do argumento (que o não é senão para os mistificadores que inventaram a democracia) [que] daria como falsa a ideia de que a terra gira à roda do sol, quando a não tinha senão Copérnico, e a humanidade em geral tinha a contrária. [...]

(Fernando Pessoa, Textos Filosóficos, vol. II, p. 246)

17 fevereiro 2012

412 anos da execução de Giordano Bruno na fogueira da Inquisição romana (1600)

[...] poderíamos, lembrados da Inquisição e das guerras religiosas, descrever o Cristianismo como a religião da crueldade e do sangue [...]

(António Mora, Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, 292)

15 fevereiro 2012

«S&P baixa nota de sete bancos portugueses» (Público)

Reconhecendo as Sociedades Anónimas que a melhor forma de chamar o capital é a distribuição ruidosa de grandes dividendos, procuram frequentemente, por meio de lançamentos artificiais, encobrir um estado verdadeiro de pouco desafogo; publicam, para dar uma aparência de prosperidade, relatórios de prosa literária no fim dos quais os accionistas são definitivamente ludibriados pela confiança que lhe traz o inevitável “parecer” do Conselho Fiscal, com o costumado voto de louvor à Direcção, e a indicação aos accionistas que aprovem o Relatório de contas e a distribuição de dividendos que ele consigna.

Os accionistas aprovam tudo — umas vezes porque o dividendo é magnífico, outras porque simplesmente confiam na indicação que lhes é dada. E a Direcção e o Conselho Fiscal recebem os respectivos louvores. São homens hábeis, uns; são homens sérios, outros. Tudo está, pois, necessariamente certo.

Acontece, porém, que muitas vezes está errado. E é isso que os relatórios recentemente publicados põem em evidência.

(Fernando Pessoa, Páginas de Pensamento Político, vol. II, 127)

14 fevereiro 2012

Dia dos Namorados

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.

(Alberto Caeiro, “O Pastor Amoroso, IV”, Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 106)



«Ricardo Reis»
José de Guimarães (1985)

13 fevereiro 2012

Piegas... ou «Quem não chora, não mama»?

Lacrimejância inútil, pieguice humana dos nervos,

(Álvaro de Campos, Poesia, 112, p. 182)

11 fevereiro 2012

362 anos da morte de René Descartes (1650)

[...] Não podemos pensar como Descartes, pois nos arriscamos ao tédio alheio.

(Fernando Pessoa, “Ortografia”, Pessoa Inédito, 114, p. 243)

09 fevereiro 2012

131 anos da morte de Fiódor Dostoiévski (1881)

Tudo mais é estúpido como um Dostoievski ou um Gorki.

(Álvaro de Campos, Poesia, 64, p. 298)



* 28 de janeiro, segundo o calendário juliano, então em uso na Rússia.

07 fevereiro 2012

Iconografia pessoana

Fernando Pessoa com 17 anos (1905)


(Fotobiografias do Século XX: Fernando Pessoa, p. 49)

04 fevereiro 2012

Aos que teimam em queixar-se do frio...

Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se estivesse agradável,
Porque para o meu ser adequado à existência das coisas
O natural é o agradável só por ser natural.

Aceito as dificuldades da vida porque são o destino,
Como aceito o frio excessivo no alto do inverno —
Calmamente, sem me queixar, como quem meramente aceita,
E encontra uma alegria no facto de aceitar —
No facto sublimemente científico e difícil de aceitar o natural inevitável.

Que são para mim as doenças que tenho e o mal que me acontece
Senão o inverno da minha pessoa e da minha vida?
O inverno irregular, cujas leis de aparecimento desconheço,
Mas que existe para mim em virtude da mesma fatalidade sublime,
Da mesma inevitável exterioridade a mim,
Que o calor da terra no alto do verão
E o frio da terra no cimo do inverno.

Aceito por personalidade.
Nasci sujeito como os outros a erros e a defeitos,
Mas nunca ao erro de querer compreender demais,
Nunca ao erro de querer compreender só com a inteligência,
Nunca ao defeito de exigir do mundo
Que fosse qualquer coisa que não fosse o mundo.

(Alberto Caeiro, “Poemas Inconjuntos”, 49, Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 139)

03 fevereiro 2012

«Tempo frio com céu pouco nublado ou limpo. […] Acentuado arrefecimento noturno com formação de geada, que será geada negra nas regiões do interior.»

POEMA PIAL


Toda a gente que tem as mãos frias
Deve metê-las dentro das pias.

Pia número UM,
Para quem mexe as orelhas em jejum.

Pia número DOIS,
Para quem bebe bifes de bois.

Pia número TRÊS,
Para quem espirra só meia vez.

Pia número QUATRO,
Para quem manda as ventas ao teatro.

Pia número CINCO,
Para quem come a chave do trinco.

Pia número SEIS,
Para quem se penteia com bolos-reis.

Pia número SETE,
Para quem canta até que o telhado se derrete.

Pia número OITO,
Para quem parte nozes quando é afoito.

Pia número NOVE,
Para quem se parece com uma couve.

Pia número DEZ,
Para quem cola selos nas unhas dos pés.

E, como as mãos já não estão frias,
Tampa nas pias!

(Fernando Pessoa, O Melhor do Mundo São as Crianças, pp. 21–22)

Dia de “São” Brás

Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.

E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho.
Soas-me na alma distante.

A cada pancada tua
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.

(Fernando Pessoa, Poesia (1918–1930), p. 223)


(Homenagem às tradições populares vila-realenses.)

01 fevereiro 2012

104 anos do Regicídio de D. Carlos (1908)

[...] Abre-se um jornal monárquico, colhe-se uma referência à triste figura nacional que foi El-Rei D. Carlos, cujo reinado denotou o báratro da decadência, do desleixo, e da dessídia; e em que termos se referem esses jornais ao Senhor D. Carlos? Em termos que quem não visse o nome por certo julgaria destinados a referir-se a El-Rei D. João II. [...]

(Fernando Pessoa, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 9, p. 90)

Pessoa, sempre — todos os dias: Fevereiro de 2012

Calendário pessoano: Fevereiro de 2012
Os ícones de cada dia foram adaptados dos do Labirinto do site MultiPessoa.

31 janeiro 2012

30 janeiro 2012

67 anos da publicação do primeiro número do jornal desportivo A Bola (1945)

[...] Se a maioria caiu em usar estrangeirismos ou outras irregularidades verbais, assim temos que fazer: «match de football» diremos, e não «partida de bolapé». Os termos ou expressões que na linguagem escrita são justos, e até obrigatórios, tornam-se em estupidez e pedantaria, se deles fazemos uso no trato verbal. Tornam-se até em má-criação, pois o preceito fundamental da civilidade é que nos conformemos o mais possível com as maneiras, os hábitos, e a educação da pessoa com quem falamos, ainda que nisso faltemos às boas-maneiras ou a etiqueta, que são a cultura.

(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 113, pp. 242–243)

27 janeiro 2012

39 anos dos Acordos de Paz de Paris, fim da participação americana na Guerra do Vietname (1973)

Ardiam casas, saqueadas eram
As arcas e as paredes,
Violadas, as mulheres eram postas
Contra os muros caídos,
Traspassadas [...], as crianças
Eram sangue nas ruas...

(Ricardo Reis, “Os jogadores de xadrez”, Poesia, II, 31, p. 60)

24 janeiro 2012

Iconografia pessoana

Caricatura de Fernando Vicente

21 janeiro 2012

Campanhas anti-Maçonaria: em boa companhia

De resto, têm os srs. deputados a prova prática em o que tem sucedido noutros países onde se tem pretendido suprimir as Obediências maçónicas. Ponho de parte o caso da Rússia, porque não sei concretamente o que ali se passou: sei apenas que os Sovietes, corno todo o comunismo, são violentamente anti-maçónicos e que perseguiram a Maçonaria; e também sei que pouco teriam que perseguir pois na Rússia quase não havia Maçonaria. Considerarei os casos da Itália, da Espanha e da Alemanha.

Mussolini procedeu contra a Maçonaria, isto é, contra o Grande Oriente de Itália mais ou menos nos termos pagãos do projecto do Sr. José Cabral. Não sei se perseguiu muita gente, nem me importa saber. O que sei, de ciência certa, é que o Grande Oriente de Itália é um daqueles mortos que continuam de perfeita saúde. Mantém-se, concentra-se, tem-se depurado, e lá está à espera; se tem em que esperar é outro assunto. O camartelo do Duce pode destruir o edifício do comunismo italiano; não tem força para abater colunas simbólicas, vazadas num metal que procede da Alquimia.

Primo de Rivera procedeu mais brandamente, conforme a sua índole fidalga, contra a Maçonaria Espanhola. Também sei ao certo qual foi o resultado — o grande desenvolvimento, numérico como político, da Maçonaria em Espanha. Não sei se alguns fenómenos secundários, como, por exemplo, a queda da Monarquia, teriam qualquer relação com esse facto.

Hitler, depois de se ter apoiado nas três Grandes Lojas cristãs da Prússia, procedeu segundo o seu admirável costume ariano de morder a mão que lhe dera de comer. Deixou em paz as outras Grandes Lojas — as que o não tinham apoiado nem eram cristãs e, por intermédio de um tal Goering, intimou aquelas três a dissolverem-se. Elas disseram que sim — aos Goerings diz-se sempre que sim — e continuaram a existir. Por coincidência, foi depois de se tomar essa medida que começaram a surgir cisões e outras dificuldades adentro do partido nazi. A história, como o Sr. José Cabral deve saber, tem muitas destas coincidências.

(Fernando Pessoa, “Associações Secretas”, Da República (1910–1935), 132, pp. 395–396)

19 janeiro 2012

94 anos da dissolução da Assembleia Constituinte Russa, após 13 horas de existência, pelos Bolcheviques (1918)

[...] O próprio bolchevismo poderá na verdade ser interpretado pela figuras desmanchadas e reles de Lenine ou de Trotsky — esses infelizes que, em uma época científica, governam à romântica, [...]

(Fernando Pessoa, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 50, p. 262)

17 janeiro 2012

70 anos do nascimento de Cassius Clay, futuro Muhammad Ali (1942)

Ah, parte a cara à vida!

(Álvaro de Campos, Poesia, 162, p. 460)

16 janeiro 2012

Iconografia pessoana

Ilustração para o poema “Tabacaria”
Guache de Fernando de Azevedo (1952–1953)

15 janeiro 2012

Onde se lê «Sr. José Cabral», leia-se «Ministra Paula Teixeira da Cruz»

[...] Creio não errar ao presumir que o Sr. José Cabral supõe que a Maçonaria é uma associação secreta. Não é. A Maçonaria é uma Ordem secreta, ou, com plena propriedade, uma Ordem iniciática. O Sr. José Cabral não sabe, provavelmente, em que consiste a diferença. Pois o mal é esse — não sabe. Nesse ponto, se não sabe, terá que continuar a não saber. De mim, pelo menos, não receberá a luz. Forneço-lhe, em todo o caso, uma espécie de meia luz, qualquer coisa como a «treva visível» de certo grande ritual. Vou insinuar-lhe o que é essa diferença por o que em linguagem maçónica se chama «termos de substituição».

A Ordem Maçónica é secreta por uma razão indirecta e derivada a mesma razão por que eram secretos os Mistérios antigos, incluindo os dos cristãos, que se reuniam em segredo, para louvar a Deus, em o que hoje se chamariam Lojas ou Capítulos, e que, para se distinguir dos profanos, tinham fórmulas de reconhecimento — toques, ou palavras de passe, ou o que quer que fosse. Por esse motivo os romanos lhes chamavam ateus, inimigos da sociedade e inimigos do Império — precisamente os mesmos termos com que hoje os maçons são brindados pelos sequazes da Igreja Romana, filha, talvez ilegítima, daquela maçonaria remota.

(Fernando Pessoa, “Associações Secretas”, Da República (1910–1935), 132, pp. 394–395)

14 janeiro 2012

O eterno retorno da polémica anti-Maçonaria

Estreou-se a Assembleia Nacional, do ponto de vista legislativo, com a apresentação, por um deputado, de um projecto de lei sobre «associações secretas». De tal ordem é o projecto, tanto em natureza como em conteúdo, que não há que felicitar o actual Parlamento por lhe ter sido dada essa estreia. Antes que dizer-lhe Absit omen!, ou seja, em português, Longe vá o agouro!

Apresentou o projecto o Sr. José Cabral, que, se não é dominicano, deveria sê-lo, de tal modo o seu trabalho se integra, em natureza, como em conteúdo, nas melhores tradições dos Inquisidores. O projecto, que todos terão lido nos jornais, estabelece várias e fortes sanções (com excepção da pena de morte) para todos quantos pertençam ao que o seu autor chama «associações secretas, sejam quais forem os seus fins e organização».

Dada a latitude desta definição, e considerando que por «associação» se entende um agrupamento de homens, ligados por um fim comum, e que por «secreto» se entende o que, pelo menos parcialmente, se não faz à vista do público, ou, feito, se não torna inteiramente público, posso, desde já, denunciar ao Sr. José Cabral uma associação secreta — o Conselho de ministros. De resto, tudo quanto de sério ou de importante se faz em reunião neste mundo, faz-se secretamente. Se não reúnem em público os Conselhos de ministros, também não o fazem as direcções dos partidos políticos, as tenebrosas figuras que orientam os clubes desportivos ou os sinistros comunistas que tornam os conselhos de administração das companhias comerciais e industriais.

(Fernando Pessoa, “Associações Secretas”, Da República (1910–1935), 132, pp. 391–392)

13 janeiro 2012

71 anos da morte de James Joyce (1941)

A arte de James Joyce, como a de Mallarmé, é a arte fixada no processo de fabrico, no caminho. A mesma sensualidade de Ulysses é um sintoma de intermédio. É o delírio onírico, dos psiquiatras, exposto como fim.

(Fernando Pessoa, Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português, p. 369)

10 janeiro 2012

Iconografia pessoana

Alexander Search. LISBON. Rua da Bella Vista (Lapa), 17, 1.º
Cartão de visita de Alexander Search

08 janeiro 2012

370 anos da morte de Galileu Galilei (1642)

Venceste, Galileu. Mas nada prova
Da verdade de ti teres vencido.

(Fernando Pessoa, “Juliano em Antioquia”, Poesia (1918–1930), p. 52)

07 janeiro 2012

657 anos do assassinato de Inês de Castro (1355)

D. Pedro:

(como que prostrado) Oh, frias, frias!
Estas mãos que eu beijei como estão frias!
Como mais frias do que o pensamento
Se as julgasse frias. Oh dor, oh dor!
Estes lábios [] onde moravam
Os meus no meu ausente pensamento:
De que palidez são pálidos!
Oh horror de te olhar!
Pára-me a alma; sinto-a esfriar-me
O coração morto contigo.
Inês, Inês, Inês...
Não sei como te pensava morta
Que não te pensava assim...
Assim, assim... Teus olhos, eu lembrava-os
No meu coração. Nem ouso vê-los,
Não ouso ver o lugar onde fostes
A vida que era a minha!

(David Merrick, “Inês de Castro”, Pessoa por Conhecer, vol. II, 134, pp. 178–179)

06 janeiro 2012

Iconografia pessoana

«Pessoa de se lhe tirar o chapéu»
(estatueta)

05 janeiro 2012

Continua a não me lembrar nada nem ninguém...

[...] louvores [...] néscios
São-lhe a mesma distância
De todos os seus dias...

(Ricardo Reis, Poesia, Anexo B, XVa, p. 173)

04 janeiro 2012

Dia Mundial do Braille

— Cegar! Cegar! exclamou Caeiro com um berro esquecido de toda a alternativa.
— Você prefere...
— Tudo menos cegar, gritou Caeiro.

(Álvaro de Campos, “Notas para a Recordação do Meu Mestre Caeiro”, 25,
Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 174)

02 janeiro 2012

Uma vez mais, não me lembra nada nem ninguém (ano novo, tudo como dantes...)

Ora porra!
[...]
Então é esta merda que temos
de beber com os olhos?
Filhos da puta! Não, que nem
há puta que os parisse.

(Álvaro de Campos, Poesia, 22, p. 146)

01 janeiro 2012

Pessoa, sempre — todos os dias: Janeiro de 2012

Calendário pessoano: Janeiro de 2012
Os ícones de cada dia foram adaptados dos do Labirinto do site MultiPessoa.

29 dezembro 2011

52 anos da inauguração do Metropolitano de Lisboa (1959)

Ó tramways, funiculares, metropolitanos,
Roçai-vos por mim até ao espasmo!
Hilla! hilla! hilla-hô!

(Álvaro de Campos, “Ode Triunfal”, Poesia, 8, p. 86)

28 dezembro 2011

Também não me lembra nada nem ninguém...

[...] passai por baixo do meu Desprezo! [...]
[...]
Passai, frouxos que tendes a necessidade de serdes os istas de qualquer ismo!
Passai, radicais do Pouco, incultos do Avanço, que tendes a ignorância por coluna da audácia, que tendes a impotência por esteio das neo-teorias!
Passai, gigantes de formigueiro, [...]
Passai, esterco epileptóide sem grandezas, histerialixo dos espectáculos, [...]
Passai, bolor do Novo, mercadoria em mau estado desde o cérebro de origem!
Passai à esquerda do meu Desdém virado à direita, [...]
[...]
Passai, «finas sensibilidades» pela falta de espinha dorsal; [...]
[...]
Eu, ao menos, sou uma grande Ânsia, do tamanho exacto do Possível!
Eu, ao menos sou da estatura da Ambição Imperfeita, mas da Ambição para Senhores, não para escravos!
Ergo-me, ante o sol que desce, e a sombra do meu Desprezo anoitece em vós!

(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, pp. 282, 283 e 286)

27 dezembro 2011

Não me lembra nada nem ninguém...

OLIGARQUIA DAS BESTAS


Lama de portugueses, esterco de gente, sem uma ideia grande nem um sentimento generoso, [...]

(Fernando Pessoa, Da República (1910–1935), 75, p. 181)

25 dezembro 2011

«Chove. É dia de Natal.»


Canal do YouTube: Ode a Pessoa


(Fernando Pessoa, Poesia (1918–1930), p. 423)

23 dezembro 2011

De presentes, sim...

Quem tem as flores não precisa de Deus.

(Alberto Caeiro, Aforismos e afins, p. 68)

20 dezembro 2011

Iconografia pessoana

Fernando Pessoa sentado numa escada
Fernando Pessoa, com 16 anos, em Durban
(pormenor)


(Fotobiografias do Século XX: Fernando Pessoa, p. 46)

18 dezembro 2011

1 ano da auto-imolação do tunisino Mohamed Bouazizi, início de uma série de protestos e revoluções pelo Médio Oriente e Norte de África (2010)

Eh-lá-hô revoluções aqui, ali, acolá,

(Álvaro de Campos, “Ode Triunfal”, Poesia, 8, p. 88)

17 dezembro 2011

108 anos da realização do primeiro voo de um dispositivo mais pesado do que o ar, pelos irmãos Orville e Wilbur Wright (1903)

Dispam-me o peso do meu corpo!
Troquem a alma por asas abstractas, ligadas a nada!
Nem asas, mas a Asa enorme de Voar!
Nem Voar mas o que fica de veloz quando cessar é voar
E não há corpo que pese na alma de ir!

(Álvaro de Campos, “Saudação a Walt Whitman”, Poesia, 24p, pp. 182–183)

14 dezembro 2011

59 anos da morte de Teixeira de Pascoaes (1952)

[...] Quando leio Pascoaes farto-me de rir. Nunca fui capaz de ler uma coisa dele até ao fim. Um homem que descobre sentidos ocultos nas pedras, sentimentos humanos nas árvores, que faz gente dos poentes e das madrugadas [].

(Alberto Caeiro entrevistado por Alexander Search, Poemas Completos de Alberto Caeiro, pp. 213–214)

11 dezembro 2011

Iconografia pessoana

Ilustração de Rodrigo Prazeres Saias
para a revista Egoísta (fevereiro 2008)

09 dezembro 2011

Alemanha, França e Reino Unido mantêm o impasse na resolução da situação europeia

O que é preciso ter é [...] uma noção do meio internacional, de não ter a alma (ainda que obscuramente) limitada pela nacionalidade. [...] É preciso ter a alma na Europa.

(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 180, p. 314)

08 dezembro 2011

147 anos da publicação do “Syllabus Errorum” do Papa Pio IX (1864)

Partem de 4 grandes classes os erros cometidos pelos homens do séc. XIX e XX em face da ciência:
(1) Reacção contra a ciência e o espírito científico por incapacidade de a compreender e de se adaptar a ela.
[...]
(1) Certos espíritos continuaram pensando e agindo como se a ciência não existisse e não contasse, resistindo-lhe, perseguindo-a. O Syllabus do desgraçado Pio IX é o mais flagrante documento desta impotência.

(Ricardo Reis, Prosa, 76, p. 245)

06 dezembro 2011

243 anos da publicação da primeira edição da Enciclopédia Britânica (1768)

Há mais de meia hora
Que estou sentado à secretária
Com o único intuito
De olhar para ela.

(Estes versos estão fora do meu ritmo.
Eu também estou fora do meu ritmo.)

Tinteiro (grande) à frente.
Canetas com aparos novos à frente.
Mais para cá papel muito limpo.
Ao lado esquerdo um volume da Enciclopédia Britânica.
Ao lado direito —
Ah, ao lado direito! —
A faca de papel com que ontem
Não tive paciência para abrir completamente
O livro que me interessava e não lerei.

Quem pudesse sintonizar tudo isto!

(Álvaro de Campos, Poesia, 214, p. 534)

05 dezembro 2011

Petição «Find the Trunk»

Petição para que a mítica Arca de Fernando Pessoa (vendida em leilão em 2008...) seja encontrada e, se possível, recuperada pelo Estado português.

petiçãowww.findthetrunk.com

03 dezembro 2011

Dia Internacional da Pessoa com Deficiência

Happy the maimed, the halt, the mad, the blind —
All who, stamped separate by curtailing birth,
Owe no duty’s allegiance to mankind
Nor stand a valuing in their scheme of worth!


(Fernando Pessoa, “35 Sonnets, XXXIV”, Poesia Inglesa I, I, 1, p. 76)




[ Feliz o cego, o louco, o mutilado —
Todo o que, por um nascer diferente,
Aos homens nada deve, por marcado,
Nem à lei do valor obediente! ]


(p. 77; trad. Luísa Freire)

01 dezembro 2011

371 anos da Restauração da Independência (1640)

[...] Portugal não quer ser espanhol, nem de uma forma, nem de outra. Dos ódios que a história semeia, o ódio do português ao espanhol imperialista é o único que ficou, porque o contra os franceses que nos invadiram sob Napoleão, e o contra os ingleses que nos lançaram o Ultimatum célebre, já passaram ambos e se desradicaram de nós.

(Fernando Pessoa, “Problema Ibérico”, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 17, p. 181)

Pessoa, sempre — todos os dias: Dezembro de 2011

Calendário pessoano: Dezembro de 2011
Os ícones de cada dia foram adaptados dos do Labirinto do site MultiPessoa.

29 novembro 2011

137 anos do nascimento de António Egas Moniz, Prémio Nobel da Medicina (1874)

Desfeito o meu cérebro,
Em coisa abstracta, impessoal, sem forma,
Já não sente o eu que eu tenho,
Já não pensa com o meu cérebro os pensamentos que eu sinto meus,
Já não move pela minha vontade as minhas mãos que eu movo.

(Alberto Caeiro, “Poemas Inconjuntos”, 14, Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 120)

27 novembro 2011

Iconografia pessoana

Praça Cidade do Luso (Lisboa)
Escultura de José João Brito

25 novembro 2011

36 anos do golpe militar que pôs fim ao PREC, Processo Revolucionário em Curso (1975)

Todo o grande partido político de oposição, ou seja, todo o partido de oposição que adquire vulto bastante para subverter um regime ou parte dele, se forma com a congregação de três elementos distintos, e não está completo, nem apto para efectuar o intuito, em torno do qual se gerou, senão quando efectivamente congrega todos esses elementos.

Esses três elementos são: um pequeno grupo de idealistas cujas ideias se infiltram abstractamente por vária gente inactiva; um grupo maior de homens de acção, atraídos pelos elementos activos e combativos do partido, e já distante psiquicamente de todo o idealismo propriamente dito; um grupo máximo de indivíduos violentos e indisciplinados, uns sinceros, outros meio sinceros, outros ainda pseudo-sinceros, que, por sua própria natureza de indisciplinados e violentos, ou desadaptados do meio, naturalmente se agregam a toda a fórmula Política que está numa oposição extrema.

Quando o regime ou fórmula, que assim formou partido, conquista o poder, desaparecem os idealistas, pelo menos na sua acção, que acabou historicamente com a realização; assumem o poder os homens práticos, os anónimos derivados dos idealistas e os mais elementos. Agregam-se, formando com estes últimos um pacto instintivo, os que querem comer do regime real. Tal é a história de todas as revoluções; por alto que seja o ideal de onde se despenharam, vêm sempre ter ao mesmo vale da sordidez humana.

Forma-se uma ditadura de inferiores. Um período revolucionário é sempre uma ditadura de inferiores.

(Fernando Pessoa, “Interregno”, Da República (1910–1935), 128, p. 383)

24 novembro 2011

Iconografia pessoana

Caricatura de Gustavo Duarte

22 novembro 2011

Piada

God is God’s best joke.

[ Deus é a melhor piada de Deus. ]

(Fernando Pessoa, Aforismos e afins, p. 28; em inglês no original; a tradução é nossa)

20 novembro 2011

204 anos da entrada de Junot em Portugal, início da Primeira Invasão Francesa (1807)

[...] O «mal-francês» é o mal produzido pelos franceses, isto é, as invasões francesas. Depois delas ficou Portugal em subordinação da Inglaterra, a «leoa», em cujo poder receia o Bandarra que Portugal fique. [...]

(Fernando Pessoa, “Trovas do Bandarra”,
Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 43, p. 153)

17 novembro 2011

Dia Mundial da Filosofia

«Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...»
«A. Caeiro»
Ilustração de Neuza Monteiro


(Alberto Caeiro, “O Guardador de Rebanhos, II”, Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 44)

15 novembro 2011

97 anos da morte de Sacadura Cabral (1924)

SACADURA CABRAL


No frio mar do alheio Norte,
Morto, quedou,
Servo da Sorte infiel que a sorte
Deu e tirou.

Brilha alto a chama que se apaga.
A noite o encheu.
De estranho mar que estranha plaga,
Nosso, o acolheu?

Floriu, murchou na extrema haste;
Jóia do ousar,
Que teve por eterno engaste
O céu e o mar.

(Fernando Pessoa, Poesia (1918–1930), pp. 222–223)

14 novembro 2011

163 anos da inauguração do Hospital de Rilhafoles, actual Hospital Miguel Bombarda (1848)

Peace! let the sane be set on that side and the mad on this side.

(Alexander Search, Poesia, 70, p. 144; em inglês no original)




[ Silêncio! Que os sãos fiquem daí e os loucos deste lado. ]

(p. 145; trad. Luísa Freire)

11 novembro 2011

93 anos do fim da I Guerra Mundial (1918)

[...] o conflito entre a Brutalidade, representada pelos Alemães, e a Estupidez, que os Aliados encarnavam. [...]

(Fernando Pessoa, “Cinco Diálogos”, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 65, p. 317)

09 novembro 2011

Iconografia pessoana

Mulher de costas, vestida com túnica feita de páginas de um livro A mesma mulher afasta-se, subindo uma duna
Série «Pegadas do Desassossego»
Fotografias de Mar Caldas

07 novembro 2011

94 anos da Revolução Bolchevique (1917)*

Tu, escravatura russa, Europa de malaios, libertação de mola desoprimida porque se partiu!

(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 281)


* 25 de Outubro, no Calendário Juliano, então em uso na Rússia.

05 novembro 2011

Desemprego

[...] Os governos têm sido de uma notável incapacidade na solução dos principais problemas com que têm sido confrontados — o problema industrial propriamente dito, o problema do desemprego, o próprio problema do alojamento. [...]

(Álvaro de Campos, Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, 415)

02 novembro 2011

Dia dos “Fiéis Defuntos”

Os mortos! Que prodigiosamente
E com que horrível reminiscência
Vivem na nossa recordação deles!

(Álvaro de Campos, Poesia, 14, p. 102)

01 novembro 2011

Pessoa, sempre — todos os dias: Novembro de 2011

Calendário pessoano: Novembro de 2011
Os ícones de cada dia foram adaptados dos do Labirinto do site MultiPessoa.

31 outubro 2011

494 anos da afixação das “95 Teses” de Martinho Lutero na porta da igreja do castelo de Wittenberg (1517)

Desde que se separou, na Renascença e depois da Reforma, do cristianismo católico, o espírito cristão tem caminhado lentamente num determinado sentido. Esse sentido é o de afastar cada vez mais o dogma, a «letra», como diz o Evangelho, e de se dedicar cada vez mais ao «espírito». O protestantismo mais não é do que a subordinação do dogma à doutrina, a substituição gradual da autoridade pela consciência no cristianismo.

(Fernando Pessoa, “Alemanha e a Guerra”, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 40, p. 234)

29 outubro 2011

1 ano da morte de João Paulo Seara Cardoso (2010)

Fernando Pessoa com marioneta de Fernando Pessoa
Aguarela de Hermenegildo Sábat
(Fonte: Público)

28 outubro 2011

307 anos da morte de John Locke (1704)

[...] Deu-se o caso em Inglaterra, no conflito, em grande parte nacional e especial, entre a monarquia dos Stuarts, conscientemente «de direito divino», e a oposição a ela, que assumiu episodicamente, e em contrário do sentimento da maioria, a forma republicana. Nasceu por fim, depois de pesados anos de perturbações, o chamado constitucionalismo, fórmula de equilíbrio espontâneo, provinda de antigas tradições nacionais em que o fermento de todas as doutrinas anti-monárquicas diversamente se infiltrava. O principal teorista do sistema, tal qual finalmente veio a aparecer, foi Locke, em seu Ensaio sobre o Governo Civil.

(Fernando Pessoa, “O Interregno — Defesa e justificação da ditadura militar em Portugal, III”,
Crítica, pp. 382–383)

25 outubro 2011

93 anos da morte de Amadeo de Souza-Cardoso (1918)

Orpheu 3 trará, também, quatro hors-textes do mais célebre pintor avançado português — Amadeu de Sousa Cardoso.
A revista deve sair por fins do mês presente. Para a mala que vem já lhe poderei dar notícias mais detalhadas.

(Fernando Pessoa, Correspondência (1905–1922), 93, pp. 220–221)


Nota: Na fonte usada consta a grafia «Amadeu de Sousa Cardoso», sendo talvez uma actualização feita pela organizadora do volume. No título deste post optou-se pela grafia «Amadeo de Souza-Cardoso» por ser a mais consagrada, sendo inclusivamente a do museu que lhe é dedicado em Amarante, embora nada justifique que não se tenha actualizado a grafia do nome deste autor, tal como, de resto, aconteceu a Luís de Camões, Eça de Queirós ou o próprio Fernando Pessoa.