21 abril 2012
20 abril 2012
128 anos da Encíclica Humanum Genus (Leão XIII), condenando a Maçonaria (1884)
A Maçonaria compõe-se de três elementos: o elemento iniciático, pelo qual é secreta; o elemento fraternal; e o elemento a que chamarei humano — isto é, o que resulta de ela ser composta por diversas espécies de homens, de diferentes graus de inteligência e cultura, e o que resulta de ela existir em muitos países, sujeita portanto a diversas circunstâncias de meio e de momento histórico, perante as quais, de país para país e de época para época, reage, quanto a atitude social, diferentemente.
Nos primeiros dois elementos, onde reside essencialmente o espírito maçónico, a Ordem é a mesma sempre e em todo o mundo. No terceiro, a Maçonaria — como aliás qualquer instituição humana, secreta ou não — apresenta diferentes aspectos, conforme a mentalidade de maçons individuais, e conforme circunstâncias de meio e momento histórico, de que ela não tem culpa.
Neste terceiro ponto de vista, toda a Maçonaria gira, porém, em torno de uma só ideia — a tolerância; isto é, o não impor a alguém dogma nenhum, deixando-o pensar como entender. Por isso a Maçonaria não tem uma doutrina. Tudo quanto se chama «doutrina maçónica» são opiniões individuais de maçons, quer sobre a Ordem em si mesma, quer sobre as suas relações com o mundo profano. São divertidíssimas: vão desde o panteísmo naturalista de Oswald Wirth até ao misticismo cristão de Arthur Edward Waite, ambos eles tentando converter em doutrina o espírito da Ordem. As suas afirmações, porém, são simplesmente suas; a Maçonaria nada tem com elas. Ora o primeiro erro dos anti-maçons consiste em tentar definir o espírito maçónico em geral pelas afirmações de maçons particulares, escolhidas ordinariamente com grande má fé.
Nos primeiros dois elementos, onde reside essencialmente o espírito maçónico, a Ordem é a mesma sempre e em todo o mundo. No terceiro, a Maçonaria — como aliás qualquer instituição humana, secreta ou não — apresenta diferentes aspectos, conforme a mentalidade de maçons individuais, e conforme circunstâncias de meio e momento histórico, de que ela não tem culpa.
Neste terceiro ponto de vista, toda a Maçonaria gira, porém, em torno de uma só ideia — a tolerância; isto é, o não impor a alguém dogma nenhum, deixando-o pensar como entender. Por isso a Maçonaria não tem uma doutrina. Tudo quanto se chama «doutrina maçónica» são opiniões individuais de maçons, quer sobre a Ordem em si mesma, quer sobre as suas relações com o mundo profano. São divertidíssimas: vão desde o panteísmo naturalista de Oswald Wirth até ao misticismo cristão de Arthur Edward Waite, ambos eles tentando converter em doutrina o espírito da Ordem. As suas afirmações, porém, são simplesmente suas; a Maçonaria nada tem com elas. Ora o primeiro erro dos anti-maçons consiste em tentar definir o espírito maçónico em geral pelas afirmações de maçons particulares, escolhidas ordinariamente com grande má fé.
(Fernando Pessoa, “Associações Secretas”, Da República (1910–1935), 132, pp. 402–403)
19 abril 2012
18 abril 2012
61 anos do Tratado de Paris (1951), embrião da União Europeia
A Europa tem sede de que se crie, tem fome de Futuro!
(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 285)
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17 abril 2012
222 anos da morte de Benjamin Franklin (1790)
[...] bateu-me no olhar da alma, como um relâmpago batera no do corpo [...]
(Barão de Teive, Pessoa por Conhecer, vol. II, 200, p. 245)
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16 abril 2012
123 anos do “nascimento” de Alberto Caeiro (1889)
[...] pus no Caeiro todo o meu poder de despersonalização dramática, [...]
(Fernando Pessoa, Correspondência (1923–1935), 162, p. 340)
Assinatura de Alberto Caeiro
15 abril 2012
100 anos do naufrágio do Titanic (1912)
Eh-lá naufrágios deliciosos dos grandes transatlânticos!
(Álvaro de Campos, “Ode Triunfal”, Poesia, 8, p. 88)
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13 abril 2012
12 abril 2012
1 ano da chegada da Troika UE–FMI–BCE a Portugal (2011)
Pedindo esmola às portas da Alegria.
(Álvaro de Campos, “Opiário”, Poesia, 5, p. 61)
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11 abril 2012
79 anos da entrada em vigor da Constituição de 1933
[...] tenho estado velho por causa do Estado Novo. [...]
(Fernando Pessoa, Correspondência (1923–1935), 169, p. 359)
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09 abril 2012
94 anos da Batalha de La Lys (1918)
Puseste a crença num Deus justo e bom.
Foi esse Deus que te matou teu filho?
Foi esse Deus que te matou teu filho?
(Fernando Pessoa, Poesia (1918–1930), p. 193)
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08 abril 2012
Páscoa
Mr. Pickwick belongs to the sacred figures of the world’s history. Do not, please, claim that he has never existed: the same thing happens to most of the world’s sacred figures, and they have been living presences to a vast number of consoled wretches. So, if a mystic can claim a personal acquaintance and clear vision of the Christ, a human man can claim personal acquaintance and a clear vision of Mr. Pickwick.
[ O Sr. Pickwick pertence às figuras sagradas da história do mundo. Por favor, não me venham dizer que nunca existiu: o mesmo sucede com a maior parte das figuras sagradas do mundo que, no entanto, têm sido presenças vivas para número enorme de míseros consolados. Assim, se um místico pode reivindicar o conhecimento pessoal e uma clara visão de Cristo, um homem humano pode reivindicar o conhecimento pessoal e uma visão clara do Sr. Pickwick. ]
(Fernando Pessoa, “Charles Dickens”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias,
IX, 8, pp. 307–308; em inglês no original)
IX, 8, pp. 307–308; em inglês no original)
[ O Sr. Pickwick pertence às figuras sagradas da história do mundo. Por favor, não me venham dizer que nunca existiu: o mesmo sucede com a maior parte das figuras sagradas do mundo que, no entanto, têm sido presenças vivas para número enorme de míseros consolados. Assim, se um místico pode reivindicar o conhecimento pessoal e uma clara visão de Cristo, um homem humano pode reivindicar o conhecimento pessoal e uma visão clara do Sr. Pickwick. ]
(idem, p. 309; trad. Jorge Rosa)
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07 abril 2012
04 abril 2012
83 anos da morte do ex-primeiro ministro João Franco (1929)
EPITÁFIO A JOÃO FRANCO
[] na tua campa
O epitáfio solene que mereces
«Foi melhorando, desde a vida à morte.
Pois será pó, é podridão, foi trampa.»
(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 205, p. 343)
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01 abril 2012
Dia das Mentiras
EH-LÀ!
Acaba de publicar-se o terceiro número de ORPHEU.
Esta revista é, hoje, a única ponte entre Portugal e a Europa, e, mesmo, a única razão de vulto que Portugal tem para existir como nação independente.
Ler ORPHEU é o único acto civilizado que é possível praticar hoje em Portugal, excepto o suicídio com ordem de incineração no testamento.
Comprar ORPHEU é regressar de África. Compreender ORPHEU é ter voltado de lá já há muito tempo.
Comprar ORPHEU é, enfim, ajudar a salvar Portugal da vergonha de não ter tido senão a literatura portuguesa. ORPHEU é todas as literaturas.
À venda em todas as livrarias.
Preço 50 centavos
(em português: 500 réis)
(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 126, p. 254)
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31 março 2012
416 anos do nascimento de René Descartes (1596)
The true method of metaphysical examination has been indicated to us by Descartes — the method of universal doubt.
[...]
We can understand what Descartes meant, but his words are badly chosen. Let us attempt to correct them.
[ O verdadeiro método de análise metafísica foi-nos indicado por Descartes — o método da dúvida universal.
[...]
Podemos perceber o que Descartes queria dizer, mas as suas palavras foram mal escolhidas. Vamos tentar corrigi-las. ]
[...]
We can understand what Descartes meant, but his words are badly chosen. Let us attempt to correct them.
(Fernando Pessoa, Textos Filosóficos, vol. I, p. 108; em inglês no original)
[ O verdadeiro método de análise metafísica foi-nos indicado por Descartes — o método da dúvida universal.
[...]
Podemos perceber o que Descartes queria dizer, mas as suas palavras foram mal escolhidas. Vamos tentar corrigi-las. ]
(tradução nossa)
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Nascimento
3 anos!
Este blogue faz talvez precisamente hoje três anos. (É um blogue pessoano — as imprecisões cronológicas correm-nos no sangue.)

Fernando Pessoa com quase 3 anos de idade
(Fotobiografias do Século XX: Fernando Pessoa, p. 20)
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Iconografia
28 março 2012
18 anos da morte de Eugène Ionesco (1994)
Absurdemos a vida, de leste a oeste.
(Bernardo Soares, “Apoteose do absurdo”, Livro do Desassossego, 372, p. 338)
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Teatro
24 março 2012
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