18 maio 2012

Dia Internacional dos Museus

[...] A great painting means a thing which a rich American wants to buy because other people would like to buy it if they could. Thus paintings are set on a parallel, not with poems or novels, but with the first editions of certain poems and novels. The museum becomes a thing parallel, not to the library, but to the bibliophile’s library. The appreciation of painting becomes, not a parallel to the appreciation of literature, but to the appreciation of editions. Art criticism falls gradually into the hands of dealers in antiques.
[...]
A walk through a museum becomes, not a contribution to culture, but a stimulus to envy, like looking from our own tired feet on a rich man’s automobile.


(Fernando Pessoa, “Erostratus”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias,
VIII, 37, p. 210; em inglês no original)




[ [...] Um grande quadro significa uma coisa que um americano rico quer comprar porque outras pessoas gostariam também de o fazer, se pudessem. Assim, um quadro é posto em paralelo, não com um poema ou um romance, mas com as primeiras edições de certos poemas e romances. O museu equipara-se, não à biblioteca, mas à biblioteca de um bibliófilo. O apreço pela pintura torna-se paralelo, não do apreço pela literatura, mas do apreço pelas edições. A crítica de arte cai gradualmente nas mãos dos antiquários.
[...]
Percorrer um museu transforma-se, não numa contribuição para a cultura, mas num estímulo para a inveja, como erguer o olhar dos nossos pés cansados para o automóvel de um ricaço. ]


(idem, pp. 259–260; trad. Jorge Rosa)

15 maio 2012

Dia Internacional das Famílias

Fernando Pessoa e a família sentados numa escada
Fernando Pessoa, com 16 anos,
com a família em Durban

Da esquerda para a direita:
Mãe, João Maria*, Fernando Pessoa,
Henriqueta Madalena*, Luís Miguel*,
João Miguel Rosa (padrasto)

* meios-irmãos


(Fotobiografias do Século XX: Fernando Pessoa, p. 46)

12 maio 2012

Dia Internacional dos Enfermeiros

Vem, cuidadosa,
Vem, maternal,
Pé ante pé enfermeira [...]

(Álvaro de Campos, “Dois excertos de odes (fins de duas odes, naturalmente)”, Poesia, 9.I, p. 94)

10 maio 2012

79 anos do Bücherverbrennung, queima pública de livros «pouco alemães» pelo regime nazi (1933)

«Burn the book well, hangman,
Burn it to the last leaf,
[...]

«His works, his books, his poems
To fire’s oblivion fling;
Let ashes remain of all this.
Remains there anything?»


(Alexander Search, “Priest and Hangman”, Poesia, 88, pp. 192/194; em inglês no original)




[ «Queima esse livro, carrasco,
Queima-o até à última folha,
[...]

«Seus livros, obras, poemas,
Lança ao fogo, ao esquecimento!
Que deles só fiquem cinzas.
Algo sobra de momento? ]


(“O Padre e o Carrasco”, pp. 193/195; trad. Luísa Freire, com alterações)

08 maio 2012

230 anos da morte do Marquês de Pombal (1782)

Só da obra do Marquês de Pombal alguma coisa ficou, e isso não pela energia do homem, nem mesmo pelas suas grandes qualidades de organizador, mas pelo ponto de apoio que deu a essa obra — o desenvolvimento industrial e comercial do país. [...]

(Fernando Pessoa, “Como Organizar Portugal”, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional,
10, p. 107)

06 maio 2012

Dia da Mãe

Fotografia de Maria Madalena Pinheiro Nogueira (1862–1925)


(Fotobiografias do Século XX: Fernando Pessoa, p. 18)

03 maio 2012

Falar vs. escrever

A palavra falada é um fenómeno natural; a palavra escrita é um fenómeno cultural. O homem natural pode viver perfeitamente sem ler nem escrever. Não o pode o homem a que chamamos civilizado: por isso, como disse, a palavra escrita é um fenómeno cultural, não da natureza mas da civilização, da qual a cultura é a essência e o esteio.

Pertencendo, pois, a mundos (mentais) essencialmente diferentes, os dois tipos de palavra obedecem forçosamente a leis ou regras essencialmente diferentes. A palavra falada é um caso, por assim dizer, democrático. Ao falar, temos que obedecer à lei do maior número, sob pena de ou não sermos compreendidos ou sermos inutilmente ridículos. Se a maioria pronuncia mal uma palavra, temos que a pronunciar mal; diremos anedóta, embora saibamos que se deve dizer anédota. Se a maioria usa de uma construção gramatical errada, da mesma teremos que usar: diremos «hás de tu compreender», embora saibamos que «hás tu de compreender» é a fórmula verdadeira. [...]

(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 113, p. 242)

01 maio 2012

1 ano da beatificação de João Paulo II (2011)

O milagre é a preguiça de Deus, ou, antes, a preguiça que Lhe atribuímos, inventando o milagre.

(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 375, p. 340)

Pessoa, sempre — todos os dias: Maio de 2012

Calendário pessoano: Maio de 2012
Os ícones de cada dia foram adaptados dos do Labirinto do site MultiPessoa.

29 abril 2012

Dia Internacional da Dança

Meia volta, toda a volta,
Muitas voltas de dançar...
Quem tem sonhos por escolta
Não é capaz de parar.

(Fernando Pessoa, Quadras, I, 109, p. 38)

27 abril 2012

84 anos da nomeação de Salazar como “Ditador das Finanças” (1928)

Salazar é mealheiro.
Raparigas vinde vê-lo.
Por fora barro vidrado,
Por dentro coiro e cabelo.

(Fernando Pessoa, Poesia (1931–1935 e não datada), p. 384)

26 abril 2012

Dia Mundial da Propriedade Intelectual

Exmo. Senhor Ministro do Comércio e Comunicações:

Fernando Nogueira Pessoa, português, empregado no comércio, residente em Lisboa, na Rua de S. Julião, número cinquenta e dois, primeiro andar, desejando proteger em Portugal o seu invento de um «Anuário ou Indicador sintético, por nomes e outras quaisquer classificações, consultável em qualquer língua», que é caracterizado pelas seguintes reivindicações:
«Um anuário ou indicador classificando por nomes de pessoas ou firmas, e acessoriamente por outras quaisquer classificações, no qual todas as indicações linguísticas são substituídas por sinais convencionais, sendo a obra consultável em qualquer língua por meio de uma chave explicativa redigida nessa língua»,

Pede a V. Exa. se digne ordenar que lhe seja passado o respectivo título de patente de invenção.

Lisboa, 26 de Outubro de 1925.

(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 36, p. 147)

25 abril 2012

Dia da Liberdade

Fernando Pessoa com asas
Graffiti de Charquipunk

23 abril 2012

396 anos da morte de William Shakespeare (1616) e, talvez, 448 anos do seu nascimento (1564)*

Shakespeare was admired in his time as a wit, not as a man of genius. How could he be admired as a man of genius? It was the creator of Falstaff that could be understood; the creator of Hamlet could not be. [...]

(Fernando Pessoa, “Erostratus”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias,
VIII, 4, p. 170; em inglês no original)



[ Shakespeare no seu tempo era admirado por espirituoso, não como homem de génio. Como podia ele ser admirado como homem de génio? O criador de Falstaff podia ser compreendido, mas não o criador de Hamlet. [...] ]

(idem, p. 217; trad. Jorge Rosa)



* A data de nascimento de Shakespeare não é conhecida com exactidão, mas sabe-se que foi baptizado a 26 de Abril, sendo nessa altura habitual o baptismo ocorrer ao segundo ou terceiro dia de vida da criança; a tradição mantém que o escritor morreu no dia do seu 52.º aniversário.
Miguel de Cervantes morreu também a 23 de Abril de 1616, mas note-se que não no mesmo dia de Shakespeare: nessa altura a Inglaterra seguia ainda o calendário juliano, e não o gregoriano (adoptado no mundo católico em 1582), pelo que o autor inglês morreu 10 dias depois do espanhol (a 3 de Maio, segundo o calendário gregoriano).
A coincidência (aparente) das datas foi um forte incentivo (entre outros) para que o dia 23 de Abril fosse declarado Dia Mundial do Livro.

21 abril 2012

27 de abril: "Filme do Desassossego" na FCUP

'Filme do Desassossego' na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, 27 de abril, 16 horas

20 abril 2012

128 anos da Encíclica Humanum Genus (Leão XIII), condenando a Maçonaria (1884)

A Maçonaria compõe-se de três elementos: o elemento iniciático, pelo qual é secreta; o elemento fraternal; e o elemento a que chamarei humano — isto é, o que resulta de ela ser composta por diversas espécies de homens, de diferentes graus de inteligência e cultura, e o que resulta de ela existir em muitos países, sujeita portanto a diversas circunstâncias de meio e de momento histórico, perante as quais, de país para país e de época para época, reage, quanto a atitude social, diferentemente.

Nos primeiros dois elementos, onde reside essencialmente o espírito maçónico, a Ordem é a mesma sempre e em todo o mundo. No terceiro, a Maçonaria — como aliás qualquer instituição humana, secreta ou não — apresenta diferentes aspectos, conforme a mentalidade de maçons individuais, e conforme circunstâncias de meio e momento histórico, de que ela não tem culpa.

Neste terceiro ponto de vista, toda a Maçonaria gira, porém, em torno de uma só ideia — a tolerância; isto é, o não impor a alguém dogma nenhum, deixando-o pensar como entender. Por isso a Maçonaria não tem uma doutrina. Tudo quanto se chama «doutrina maçónica» são opiniões individuais de maçons, quer sobre a Ordem em si mesma, quer sobre as suas relações com o mundo profano. São divertidíssimas: vão desde o panteísmo naturalista de Oswald Wirth até ao misticismo cristão de Arthur Edward Waite, ambos eles tentando converter em doutrina o espírito da Ordem. As suas afirmações, porém, são simplesmente suas; a Maçonaria nada tem com elas. Ora o primeiro erro dos anti-maçons consiste em tentar definir o espírito maçónico em geral pelas afirmações de maçons particulares, escolhidas ordinariamente com grande má fé.

(Fernando Pessoa, “Associações Secretas”, Da República (1910–1935), 132, pp. 402–403)

19 abril 2012

Tipografia pessoana

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno! / Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Tipografia de Bárbara Abraul

(Álvaro de Campos, “Ode Triunfal”, Poesia, 8, p. 81)

18 abril 2012

61 anos do Tratado de Paris (1951), embrião da União Europeia

A Europa tem sede de que se crie, tem fome de Futuro!

(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 285)

17 abril 2012

222 anos da morte de Benjamin Franklin (1790)

[...] bateu-me no olhar da alma, como um relâmpago batera no do corpo [...]

(Barão de Teive, Pessoa por Conhecer, vol. II, 200, p. 245)

16 abril 2012

123 anos do “nascimento” de Alberto Caeiro (1889)

[...] pus no Caeiro todo o meu poder de despersonalização dramática, [...]

(Fernando Pessoa, Correspondência (1923–1935), 162, p. 340)



Assinatura de Alberto Caeiro