(Fernando Pessoa, “Estética”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, VI, 6, p. 122)
10 junho 2012
... de Camões ...
Um grande artista (literário) nota-se aplicando-lhe a seguinte pergunta critica: tem paixão ou imaginação ou pensamento? Por ex. os Lusíadas de Camões têm paixão (o patriotismo), imaginação (o Adamastor, a Ilha dos Amores), mas são falhos de pensamento. [...]
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... e das Comunidades Portuguesas
E emigram para voltar, ou para não voltar,
Em navios que os transportam simplesmente.
Em navios que os transportam simplesmente.
(Álvaro de Campos, “Nuvens”, Poesia, 88, p. 346)
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09 junho 2012
143 anos da morte de Charles Dickens (1870)
To read Dickens is to obtain a mystic vision — but, though he claims so often to be Christian, it has nothing to do with the Christian vision of the world. [...]
[ Ler Dickens é ter uma visão mística — mas, embora ele se intitule tão frequentemente cristão, essa visão nada tem que ver com a visão cristã do mundo. [...] ]
(Fernando Pessoa, “Charles Dickens”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias,
IX, 8, p. 308; em inglês no original)
IX, 8, p. 308; em inglês no original)
[ Ler Dickens é ter uma visão mística — mas, embora ele se intitule tão frequentemente cristão, essa visão nada tem que ver com a visão cristã do mundo. [...] ]
(idem, p. 310; trad. Jorge Rosa)
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08 junho 2012
Fernando(s) Pessoa(s) e Deus

Cartoon de Ricardo Campos
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 22, p. 60
Fernando Pessoa, Aforismos e afins, p. 12
Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 21, p. 59)
Fernando Pessoa, Aforismos e afins, p. 12
Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 21, p. 59)
07 junho 2012
Procissão do Corpo de Deus
Gado vestido dos currais dos Deuses,
Deixá-lo passar engrinaldado [...]
Deixá-lo passar engrinaldado [...]
(Álvaro de Campos, Poesia, 88, pp. 346–347)
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05 junho 2012
569 anos da morte do “Infante Santo” (1443)
D. FERNANDO, INFANTE DE PORTUGAL
Deu-me Deus o seu gládio, por que eu faça
A sua santa guerra.
Sagrou-me seu em honra e em desgraça,
Às horas em que um frio vento passa
Por sobre a fria terra.
Pôs-me as mãos sobre os ombros e doirou-me
A fronte com o olhar;
E esta febre de Além, que me consome,
E este querer grandeza são Seu nome
Dentro em mim a vibrar.
E eu vou, e a luz do gládio erguido dá
Em minha face calma.
Cheio de Deus, não temo o que virá,
Pois, venha o que vier, nunca será
Maior do que a minha alma.
(Fernando Pessoa, Mensagem, Primeira Parte, III, p. 103)
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03 junho 2012
Deuses
Os Deuses são a encarnação do que nunca poderemos ser.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 375, p. 340)
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01 junho 2012
Dia Internacional da Criança
[...] Ser adulto é esquecer-se de que se foi criança. [...]
(Álvaro de Campos, Pessoa por Conhecer, vol. II, 379, p. 428)
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Infância
31 maio 2012
Dia Mundial sem Tabaco
A vida sabe-me a tabaco louro.
Nunca fiz mais do que fumar a vida.
Nunca fiz mais do que fumar a vida.
(Álvaro de Campos, “Opiário”, Poesia, 5, p. 66)
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28 maio 2012
Produtividade nacional
[...] We move very quickly from one point where nothing is being done to another point where there is nothing to do, and we call this the feverish haste of modern life. It is not the fever of hurry, but the hurry of fever.
[ [...] Movemo-nos rapidamente de um ponto onde nada se faz para outro ponto onde nada há que fazer, e chamamos a isto a pressa febril da vida moderna. Não é a febre da pressa, mas a pressa da febre. ]
(Fernando Pessoa, “Erostratus”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias,
VIII, 35, p. 207; em inglês no original)
VIII, 35, p. 207; em inglês no original)
[ [...] Movemo-nos rapidamente de um ponto onde nada se faz para outro ponto onde nada há que fazer, e chamamos a isto a pressa febril da vida moderna. Não é a febre da pressa, mas a pressa da febre. ]
(idem, p. 256; trad. Jorge Rosa)
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26 maio 2012
Final do Festival Eurovisão da Canção 2012
Desfile das nações para o meu Desprezo!
(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 280)
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24 maio 2012
22 maio 2012
127 anos da morte de Victor Hugo (1885)
A poesia de V. Hugo é apenas a glorificação de lugares-comuns.
(Fernando Pessoa, “Victor Hugo”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, IX, 13, p. 319)
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21 maio 2012
Chegada do espólio de José Saramago à Casa dos Bicos, sede da sua Fundação
«Lisbon Revisited»
Colagem de Cruzeiro Seixas (1969)
Colagem de Cruzeiro Seixas (1969)
(Álvaro de Campos, “Lisbon Revisited” (1923), Poesia, 47, pp. 271–272;
“Lisbon Revisited” (1926), Poesia, 65, pp. 300–302)
“Lisbon Revisited” (1926), Poesia, 65, pp. 300–302)
20 maio 2012
514 anos da chegada de Vasco da Gama a Calecute (1498)
Enoja-me o Oriente. É uma esteira
Que a gente enrola e deixa de ser bela.
Que a gente enrola e deixa de ser bela.
(Álvaro de Campos, “Opiário”, Poesia, 5, p. 63)
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18 maio 2012
Dia Internacional dos Museus
[...] A great painting means a thing which a rich American wants to buy because other people would like to buy it if they could. Thus paintings are set on a parallel, not with poems or novels, but with the first editions of certain poems and novels. The museum becomes a thing parallel, not to the library, but to the bibliophile’s library. The appreciation of painting becomes, not a parallel to the appreciation of literature, but to the appreciation of editions. Art criticism falls gradually into the hands of dealers in antiques.
[...]
A walk through a museum becomes, not a contribution to culture, but a stimulus to envy, like looking from our own tired feet on a rich man’s automobile.
[ [...] Um grande quadro significa uma coisa que um americano rico quer comprar porque outras pessoas gostariam também de o fazer, se pudessem. Assim, um quadro é posto em paralelo, não com um poema ou um romance, mas com as primeiras edições de certos poemas e romances. O museu equipara-se, não à biblioteca, mas à biblioteca de um bibliófilo. O apreço pela pintura torna-se paralelo, não do apreço pela literatura, mas do apreço pelas edições. A crítica de arte cai gradualmente nas mãos dos antiquários.
[...]
Percorrer um museu transforma-se, não numa contribuição para a cultura, mas num estímulo para a inveja, como erguer o olhar dos nossos pés cansados para o automóvel de um ricaço. ]
[...]
A walk through a museum becomes, not a contribution to culture, but a stimulus to envy, like looking from our own tired feet on a rich man’s automobile.
(Fernando Pessoa, “Erostratus”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias,
VIII, 37, p. 210; em inglês no original)
VIII, 37, p. 210; em inglês no original)
[ [...] Um grande quadro significa uma coisa que um americano rico quer comprar porque outras pessoas gostariam também de o fazer, se pudessem. Assim, um quadro é posto em paralelo, não com um poema ou um romance, mas com as primeiras edições de certos poemas e romances. O museu equipara-se, não à biblioteca, mas à biblioteca de um bibliófilo. O apreço pela pintura torna-se paralelo, não do apreço pela literatura, mas do apreço pelas edições. A crítica de arte cai gradualmente nas mãos dos antiquários.
[...]
Percorrer um museu transforma-se, não numa contribuição para a cultura, mas num estímulo para a inveja, como erguer o olhar dos nossos pés cansados para o automóvel de um ricaço. ]
(idem, pp. 259–260; trad. Jorge Rosa)
15 maio 2012
Dia Internacional das Famílias

Fernando Pessoa, com 16 anos,
com a família em Durban
com a família em Durban
Da esquerda para a direita:
Mãe, João Maria*, Fernando Pessoa,
Henriqueta Madalena*, Luís Miguel*,
João Miguel Rosa (padrasto)
* meios-irmãos
Mãe, João Maria*, Fernando Pessoa,
Henriqueta Madalena*, Luís Miguel*,
João Miguel Rosa (padrasto)
* meios-irmãos
(Fotobiografias do Século XX: Fernando Pessoa, p. 46)
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12 maio 2012
Dia Internacional dos Enfermeiros
Vem, cuidadosa,
Vem, maternal,
Pé ante pé enfermeira [...]
Vem, maternal,
Pé ante pé enfermeira [...]
(Álvaro de Campos, “Dois excertos de odes (fins de duas odes, naturalmente)”, Poesia, 9.I, p. 94)
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10 maio 2012
79 anos do Bücherverbrennung, queima pública de livros «pouco alemães» pelo regime nazi (1933)
«Burn the book well, hangman,
Burn it to the last leaf,
[...]
«His works, his books, his poems
To fire’s oblivion fling;
Let ashes remain of all this.
Remains there anything?»
[ «Queima esse livro, carrasco,
Queima-o até à última folha,
[...]
«Seus livros, obras, poemas,
Lança ao fogo, ao esquecimento!
Que deles só fiquem cinzas.
Algo sobra de momento? ]
Burn it to the last leaf,
[...]
«His works, his books, his poems
To fire’s oblivion fling;
Let ashes remain of all this.
Remains there anything?»
(Alexander Search, “Priest and Hangman”, Poesia, 88, pp. 192/194; em inglês no original)
[ «Queima esse livro, carrasco,
Queima-o até à última folha,
[...]
«Seus livros, obras, poemas,
Lança ao fogo, ao esquecimento!
Que deles só fiquem cinzas.
Algo sobra de momento? ]
(“O Padre e o Carrasco”, pp. 193/195; trad. Luísa Freire, com alterações)
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