17 setembro 2012

74 anos da inauguração do Porto de Leixões (1938)

«Ode Marítima no Porto de Matosinhos»
Fotografia de Adelaide Almeida


(Álvaro de Campos, “Ode Marítima”, Poesia, 18, pp. 119 e 107)

14 setembro 2012

691 anos da morte de Dante Alighieri (1321)

Epics fundamentally dealing with religion can attain a full splendour only when that religion ceases to be of importance (loses its own importance). We delight in Athene because we are (perhaps precipitately) convinced that she did not exist. Paradise Lost is different. No one believes in Adam and Eve, but there are matters of controversy about the Trinity.

Dante has stood greatness better, for in the Protestant countries he is mere fable, and in the Catholic countries there is no religion.


(Fernando Pessoa, “Erostratus”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, VIII, 38, p. 211;
em inglês no original)



[ As epopeias que se prendem fundamentalmente com a religião só podem atingir pleno esplendor quando essa religião deixa de ser importante (perde a sua própria importância). Deleitamo-nos em Atena por (talvez precipitadamente) estarmos convencidos de que ela não existiu. O Paraíso Perdido é diferente. Ninguém acredita em Adão e Eva, mas existem pontos controversos acerca da Trindade.

Dante resistiu melhor à grandeza, pois nos países protestantes é mera fábula, e nos países católicos não há religião. ]


(idem, p. 260; trad. Jorge Rosa)

11 setembro 2012

Dia Nacional da Catalunha

Dos problemas que hoje agitam e perturbam a indisciplinada vida da Europa, o problema do separatismo catalão é talvez o que mais flagrantemente foca o conflito fundamental que se trava hoje no mundo, e, portanto, aquele que mais curiosos ensinamentos contém.

No pleito, que o Destino faz que se digladie entre a Espanha e a Catalunha, há o facto essencial de todos os dramas. Como em todos os dramas, um momento criado pelo Destino, mas segundo inevitáveis resultados de um passado surdamente se acumulou, faz entrar em conflito forças e ideias que é absurdo que entrem em conflito, que é doloroso que se encontrem em guerra Como em todos os dramas, não há solução satisfatória para problema, porque a única arbitragem certa, e por isso injusta, é a do Destino. E como em todos os dramas, ambas as partes têm igual razão.


O conflito entre a Catalunha e a Espanha é o conflito entre o conceito nacional de país, e o conceito civilizacional de país. Um conceito é geográfico, supõe-se ser étnico, e afirma-se como linguístico. O outro conceito é histórico, supõe-se ser imperialista e afirma-se como cultural.

Do ponto de vista nacional, e exclusivamente nacional, a Catalunha é uma nação, um país, com índole própria, tendências especiais, com um idioma à parte, que as define, e uma aspiração, que as deseja.

(Fernando Pessoa, “Catalunha”, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 19, pp. 183–184)

121 anos do suicídio de Antero de Quental (1891)

Um grande artista (literário) nota-se aplicando-lhe a seguinte pergunta crítica: tem paixão ou imaginação ou pensamento? [...] Os sonetos de Antero têm sempre pensamento, às vezes imaginação, paixão nunca [...].

(Fernando Pessoa, “Estética”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, VI, 6, p. 122)

09 setembro 2012

Iconografia pessoana

«Heteronímias»
Pintura de Victor Alexandre

08 setembro 2012

O «cidadão e pai» Pedro Passos Coelho diz aos «amigos» contribuintes o quanto lhe custou anunciar mais medidas de austeridade

Cuidado com as lágrimas, quando são estadistas os que as choram.

(Fernando Pessoa, “O Segredo de Roma”, Pessoa Inédito, 266, p. 422)

06 setembro 2012

51 anos da concessão da plena cidadania portuguesa a todos os habitantes das colónias, com a abolição do Estatuto dos Indígenas Portugueses (1961)

Há três imperialismos: de domínio, de expansão e de cultura.
[...]

IMPERIALISMO DE CULTURA
[...]
(3) O que procura dominar ou colonizar para civilizar ou modificar as raças indígenas, sejam inferiores, decadentes ou apenas menos civilizadas.
[...]

(Fernando Pessoa, “Império”, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 74, pp. 221–222)

05 setembro 2012

157 anos da morte de Auguste Comte (1857)

[...] o infeliz chamado Augusto Comte, toda a vida sofreu de alienação mental.

(Fernando Pessoa, “O Preconceito da Ordem”, Da República (1910–1935), 89, p. 220)

03 setembro 2012

253 anos da ordem de expulsão dos Jesuítas de Portugal (1759)

Tudo daqui para fora! Tudo daqui para fora!

(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 280)

01 setembro 2012

Pessoa, sempre — todos os dias: Setembro de 2012

Calendário pessoano: Setembro de 2012

Os ícones de cada dia foram adaptados dos do Labirinto do site MultiPessoa.

31 agosto 2012

145 anos da morte de Charles Baudelaire (1867)

[...] Quem não pode fazer versos como Baudelaire pode, porém, tingir os cabelos de verde. [...]

(Fernando Pessoa, “A Imoralidade das Biografias”,
Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, VI, 12, p. 132)

28 agosto 2012

263 anos do nascimento de Johann Wolfgang von Goethe (1749)

Há três tipos de cultura — a que resulta da erudição, a que resulta da experiência translata, e a que resulta da multiplicidade de interesses intelectuais. A primeira é produzida pelo estudo paciente e aturado, pela assimilação sistematizada dos resultados desse estudo. A segunda é produzida pela rapidez e profundeza naturais do aproveitamento do que se lê ou vê e ouve. A terceira é produzida, como se disse, pela multiplicidade de interesses intelectuais: nenhum será profundo, nenhum será dominante, mas a variedade alargará o espírito. [...] Vemos a terceira em Goethe, que nem tinha a erudição de Milton nem a ultra-assimilação de Shakespeare, mas cuja variedade de interesses, abrangendo todas as artes e quase todas as ciências, compensava na universalidade o que perdia em profundeza ou absorção.

(Fernando Pessoa, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, VI, 9, p. 128)

26 agosto 2012

Final da Volta a Portugal em Bicicleta 2012

Fernando Pessoa a andar de triciclo
Fernando Pessoa aos 6 anos


(Fotobiografias do Século XX: Fernando Pessoa, p. 28)

23 agosto 2012

Dia Internacional de Recordação do Tráfico de Escravos e sua Abolição

[...] A escravatura é lógica e legítima; um zulu ou um landim não representa coisa alguma de útil neste mundo. Civilizá-lo, quer religiosamente, quer de outra forma qualquer, é querer-lhe dar aquilo que ele não pode ter. O legítimo é obrigá-lo, visto que não é gente, a servir os fins da civilização. Escravizá-lo é que é lógico, o degenerado conceito igualitário, com que o cristianismo envenenou os nossos conceitos sociais, prejudicou, porém, esta lógica atitude. [...]

(Fernando Pessoa, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 72, p. 217)

21 agosto 2012

72 anos do assassinato de Leon Trotsky por agentes de Estaline (1940)

Dos Trotskys de qualquer colónia
Grega ou romana já passada,
O nome é morto, inda que escrito.

(Álvaro de Campos, “Gazetilha”, Poesia, 77, p. 328)

20 agosto 2012

20 Ago. 1905: Fernando Pessoa regressava definitivamente de Durban

«Cheguei a Lisboa, mas não a uma conclusão»*
Pintura de Norberto Nunes


* (Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 16, p. 57)

19 agosto 2012

Dia Mundial da Fotografia

Painting will sink. Photography has deprived it of many of its attractions. Futility of silliness has deprived it of almost all the rest. [...]

(Fernando Pessoa, “Erostratus”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, VIII, 37, p. 210;
em inglês no original)




[ A pintura afundar-se-á. A fotografia tirou-lhe muitos dos seus atractivos. A futilidade da idiotice tirou-lhe quase tudo o mais. [...] ]

(idem, p. 259; trad. Jorge Rosa)

16 agosto 2012

145 anos do nascimento de António Nobre (1867)

Quando ele nasceu, nascemos todos nós. A tristeza que cada um de nós traz consigo, mesmo no sentido da sua alegria é ele ainda, e a vida dele, nunca perfeitamente real nem com certeza vivida, é, afinal, a súmula da vida que vivemos — órfãos de pai e de mãe, perdidos de Deus, no meio da floresta, e chorando, chorando inutilmente, sem outra consolação do que essa, infantil, de sabermos que é inutilmente que choramos.

(Fernando Pessoa, “Para a memória de António Nobre”, Crítica, p. 101)

14 agosto 2012

Iconografia pessoana

Pintura de Bottelho

13 agosto 2012

51 anos do início da construção do Muro de Berlim (1961)

O olhar não atravessa os muros da sombra,

(Álvaro de Campos, Poesia, 25, p. 190)