(Fernando Pessoa, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 88, p. 238)
12 novembro 2012
Visita-relâmpago de Angela Merkel a Portugal
Essa elefantíase da civilização que é a Alemanha, [...]
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11 novembro 2012
Dia de “São” Martinho
Boa é a vida, mas melhor é o vinho.
(Fernando Pessoa, Poesias Inéditas (1930–1935), 53)
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151 anos da morte de D. Pedro V (1861)
D. PEDRO V
Quando Deus viu que o rei D. Pedro Quinto
Longe de má pessoa, com acinto
Ao bem e à verdade se cingia
Assobiou e resmungou «errei
Lá vai este destoar, por ser bom rei,
Daquela estuporada dinastia
Que eu destinara a exemplificar
Perante o mundo o mal da monarquia
Nada, volva a infâmia ao seu lugar
Se não com este era a obra desfeita
Da infâmia completa de governar
Que nos Bragança ia tão perfeita.»
Matou-o novo pois para não destoar.
(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 203, p. 341)
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10 novembro 2012
121 anos da morte de Arthur Rimbaud (1891)
Invejo a tua vida arremessada,
Atirada p’ra longe, p’ra perder-se...
Vida que abre as velas, e ei-la a encher-se
De si sem pensar em ter uma chegada,
E de estar longe sem pensar em ver-se.
Invejo a tua vida e tenho dela
Que não foi minha, como que saudades,
Descem em mim obscuras ansiedades
Um mar em mim tormentas em capela
Feitas das minhas ocas saciedades.
Possuidor do Longe que sonhaste,
Torturado por tua imperfeição...
Não sei porque tu não viveste são
Flor que tanto soube ser alta na haste
Que em vício e sombra... mas desabrochaste
E a tua vida foi o teu perdão.
Atirada p’ra longe, p’ra perder-se...
Vida que abre as velas, e ei-la a encher-se
De si sem pensar em ter uma chegada,
E de estar longe sem pensar em ver-se.
Invejo a tua vida e tenho dela
Que não foi minha, como que saudades,
Descem em mim obscuras ansiedades
Um mar em mim tormentas em capela
Feitas das minhas ocas saciedades.
Possuidor do Longe que sonhaste,
Torturado por tua imperfeição...
Não sei porque tu não viveste são
Flor que tanto soube ser alta na haste
Que em vício e sombra... mas desabrochaste
E a tua vida foi o teu perdão.
(Fernando Pessoa, “A Vida de Arthur Rimbaud”, Poesia (1902–1917), pp. 141–142)
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09 novembro 2012
74 anos da Kristallnacht, noite de violência antijudaica por toda a Alemanha Nazi (1938)
Abram todas as portas!
Partam os vidros das janelas!
Partam os vidros das janelas!
(Álvaro de Campos, “Saudação a Walt Whitman”, Poesia, 24p, p. 182)
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23 anos da queda do Muro de Berlim (1989)
Grande libertador
Que arrasaste os muros da cadeia velha
Que arrasaste os muros da cadeia velha
(Álvaro de Campos, “A Partida”, Poesia, 27o, p. 233)
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08 novembro 2012
Iconografia pessoana
«Pessoa Revisited»
Banda-desenhada de Rafa Infantes
Banda-desenhada de Rafa Infantes
(Álvaro de Campos, “Lisbon Revisited” (1923), Poesia, 47, pp. 271–272;
“Lisbon Revisited” (1926), Poesia, 65, pp. 300–302)
“Lisbon Revisited” (1926), Poesia, 65, pp. 300–302)
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Iconografia
07 novembro 2012
95 anos da Revolução Bolchevique (1917)*
Não há correntes proletárias, não há bolchevismo (nem na Rússia), não há radicalismo em parte nenhuma. [...] Os operários são todos uns idiotas, e os seus chefes, ou idiotas também, ou loucos; [...]
* 25 de Outubro, no Calendário Juliano, então em uso na Rússia.
(Álvaro de Campos, Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, 415)
* 25 de Outubro, no Calendário Juliano, então em uso na Rússia.
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06 novembro 2012
Eleições americanas
[...] As próprias eleições, dada a complexidade e o custo do maquinismo eleitoral, nunca podem ser vencidas senão por partidos eleitoralmente organizados. O eleitor não escolhe o que quer; escolhe entre isto e aquilo que lhe dão, o que é diferente. Tudo é oligárquico na vida das sociedades. [...]
(Álvaro de Campos, Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, 415)
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04 novembro 2012
Clássicos e românticos
A classic is a man who expresses himself; a romantic a man who has a lot of self to express and expresses that but no more. [...]
[ Um clássico é um homem que se exprime; um romântico, um homem que tem muito de si para exprimir e que o exprime, mas daí não passa. [...] ]
(Fernando Pessoa, “Erostratus”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, VIII, 31, p. 203;
em inglês no original)
em inglês no original)
[ Um clássico é um homem que se exprime; um romântico, um homem que tem muito de si para exprimir e que o exprime, mas daí não passa. [...] ]
(idem, p. 252; trad. Jorge Rosa, com alterações)
02 novembro 2012
1 ano do atentado contra a redacção do semanário satírico francês Charlie Hebdo (2011)
Torturador obscuro, tomo ódio
A esta ridente humanidade toda,
Folgo de lhes pensar torturas na alma,
Com que perdessem esse riso e até
As lágrimas na dor e no pavor.
A esta ridente humanidade toda,
Folgo de lhes pensar torturas na alma,
Com que perdessem esse riso e até
As lágrimas na dor e no pavor.
(Fernando Pessoa, Fausto — Tragédia Subjectiva, 17)
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01 novembro 2012
31 outubro 2012
217 anos do nascimento de John Keats (1795)
I cannot think badly of the man who wrote the Ode to a Nightingale, nor of him who, in that «to the Grecian Urn», expresses so human an idea as the heart-rending untimeness of beauty. We all have felt that tearful sensation. [...]
[ Não posso pensar mal do homem que escreveu Ode a um Rouxinol nem daquele que, em «a uma Urna Grega», exprime uma ideia tão humana como a dilacerante intemporalidade da beleza. Todos nós tivemos já essa lacrimosa sensação. [...] ]
(Fernando Pessoa, “Keats”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, IX, 10, p. 312;
em inglês no original)
em inglês no original)
[ Não posso pensar mal do homem que escreveu Ode a um Rouxinol nem daquele que, em «a uma Urna Grega», exprime uma ideia tão humana como a dilacerante intemporalidade da beleza. Todos nós tivemos já essa lacrimosa sensação. [...] ]
(idem, p. 313; trad. Jorge Rosa, com alterações)
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30 outubro 2012
74 anos da adaptação radiofónica de A Guerra dos Mundos por Orson Welles, que causou o pânico nos Estados Unidos (1938)
«Há Pessoas em Marte»
Fotomontagem de José Sousa
Fotomontagem de José Sousa
28 outubro 2012
156 anos da inauguração da primeira linha férrea em Portugal (1856)
No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada,
Uns por verem rir os outros
E os outros sem ser por nada —
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...
No comboio descendente
Vinham todos à janela,
Uns calados para os outros
E os outros a dar-lhes trela —
No comboio descendente
Da Cruz Quebrada a Palmela...
No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E os outros nem sim nem não —
No comboio descendente
De Palmela a Portimão...
Vinha tudo à gargalhada,
Uns por verem rir os outros
E os outros sem ser por nada —
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...
No comboio descendente
Vinham todos à janela,
Uns calados para os outros
E os outros a dar-lhes trela —
No comboio descendente
Da Cruz Quebrada a Palmela...
No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E os outros nem sim nem não —
No comboio descendente
De Palmela a Portimão...
(Fernando Pessoa, “Canções para acordar crianças, III”, O Melhor do Mundo São as Crianças, p. 13)
25 outubro 2012
Tipografia pessoana

Tipografia de autor não identificado
(Alberto Caeiro, “O Guardador de Rebanhos, XLV”, Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 95)
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Tipografia
22 outubro 2012
67 anos da criação da PIDE, sucedendo à PVDE (1945)
Ah, a opressão de tudo isto!
(Álvaro de Campos, “Vilegiatura”, Poesia, 199, p. 511)
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21 outubro 2012
207 anos da Batalha de Trafalgar (1805)
[...] Também no terceiro período a Inglaterra nada criou de civilizacional; criou a sua própria grandeza e nada mais — visto que a hegemonia europeia tem sido mais sua do que de outra nação no século XIX, conforme o vincaram para a história Nelson, em Trafalgar, e Wellington, em Waterloo.
(Fernando Pessoa, “A Nova Poesia Portuguesa sociologicamente considerada”, Crítica, p. 11)
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18 outubro 2012
Escrita: supérfluo vs. necessário
Quem escreve para obter o supérfluo como se escrevesse para obter o necessário, escreve ainda pior do que se para obter apenas o necessário escrevesse.
(Fernando Pessoa, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, VI, 8, p. 126)
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15 outubro 2012
122 anos do “nascimento” de Álvaro de Campos (1890) — take 2*
[...] pus em Álvaro de Campos toda a emoção que não dou nem a mim nem à vida. [...]
* Um horóscopo de Álvaro de Campos, manuscrito pelo próprio Fernando Pessoa, coloca o “nascimento” do heterónimo à 1h17 da tarde de 13 de Outubro de 1890. Em carta a Adolfo Casais Monteiro, datada de 13 de Janeiro de 1935, Fernando Pessoa apresenta uma cronologia ligeiramente diferente: Álvaro de Campos teria nascido à 1h30 da tarde do dia 15 de Outubro. (Fernando Pessoa, Correspondência (1923–1935), 162, pp. 344–345)
(Fernando Pessoa, Correspondência (1923–1935), 162, p. 340)
* Um horóscopo de Álvaro de Campos, manuscrito pelo próprio Fernando Pessoa, coloca o “nascimento” do heterónimo à 1h17 da tarde de 13 de Outubro de 1890. Em carta a Adolfo Casais Monteiro, datada de 13 de Janeiro de 1935, Fernando Pessoa apresenta uma cronologia ligeiramente diferente: Álvaro de Campos teria nascido à 1h30 da tarde do dia 15 de Outubro. (Fernando Pessoa, Correspondência (1923–1935), 162, pp. 344–345)
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