(Fernando Pessoa, “Entrevista sobre a Arte e a Literatura Portuguesas”, Crítica, p. 198)
11 janeiro 2013
5 anos da morte de Edmund Hillary (2008)
[...] Nas faldas do Himalaia o Himalaia é só as faldas do Himalaia. É na distância, ou na memória, ou na imaginação que o Himalaia é da sua altura, ou talvez um pouco mais alto. [...]
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09 janeiro 2013
07 janeiro 2013
688 anos da morte de D. Dinis (1325)
Conhece-se a poesia lírica pelo facto de ser quase desprezível a ideação ou o sentimento para existir uma boa poesia lírica. Assim o «Ai flores, ai flores do verde pino» ou o «Levantou-se a velida» de D. Dinis, rei de Portugal, são poesias líricas maravilhosas, conquanto contenham uma insignificante base ideativa ou mesmo emocional. É o lirismo puro. Claro está que, dentro deste lirismo, a poesia será tanto maior quanto mais ideia e emoção contém. [...]
(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 237, p. 383)
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05 janeiro 2013
Prazeres de Inverno...
Haja inverno na terra, não na mente,
E, amor a amor, ou livro a livro, amemos
Nossa lareira breve.
E, amor a amor, ou livro a livro, amemos
Nossa lareira breve.
(Ricardo Reis, Poesia, II, 110, p. 117)
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03 janeiro 2013
Um dia aleatório...
Every day the papers bring me news of facts that are humiliating, [] to us, the Portuguese.
[ Todos os dias os jornais me trazem notícias de factos que são humilhantes, [] para nós, Portugueses. ]
(Fernando Pessoa, Pessoa por Conhecer, vol. II, 49, p. 76; em inglês no original)
[ Todos os dias os jornais me trazem notícias de factos que são humilhantes, [] para nós, Portugueses. ]
(idem, p. 77)
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01 janeiro 2013
Ano Novo
Nada começa: tudo continua.
Onde estamos, que vemos só passar?
O dia muda, lento, no amplo ar;
Múrmura, em sombras, flui a água nua.
Vêm de longe,
Só nosso vê-las teve começar.
Em cadeias do tempo e do lugar,
É abismo o começo e ausência.
Nenhum ano começa. É Eternidade!
Agora, sempre, a mesma eterna Idade,
Precipício de Deus sobre o momento,
Na curva do amplo céu o dia esfria,
A água corre mais múrmura e sombria
E é tudo o mesmo: e verbo o pensamento.
Onde estamos, que vemos só passar?
O dia muda, lento, no amplo ar;
Múrmura, em sombras, flui a água nua.
Vêm de longe,
Só nosso vê-las teve começar.
Em cadeias do tempo e do lugar,
É abismo o começo e ausência.
Nenhum ano começa. É Eternidade!
Agora, sempre, a mesma eterna Idade,
Precipício de Deus sobre o momento,
Na curva do amplo céu o dia esfria,
A água corre mais múrmura e sombria
E é tudo o mesmo: e verbo o pensamento.
(Fernando Pessoa, “Começa Hoje o Ano”, Poesia (1918–1930), p. 187)
30 dezembro 2012
28 dezembro 2012
117 anos da invenção do cinematógrafo pelos irmãos Lumière (1895)
Except the Germans and the Russians, no one has as yet been able to put anything like art into the cinema. The circle cannot be squared there.
[ À excepção dos alemães e dos russos, ninguém por enquanto conseguiu insuflar no cinema algo que se pareça com arte. Aí não há como quadrar o círculo. ]
(Fernando Pessoa, “Erostratus”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, VIII, 36, p. 209;
em inglês no original)
em inglês no original)
[ À excepção dos alemães e dos russos, ninguém por enquanto conseguiu insuflar no cinema algo que se pareça com arte. Aí não há como quadrar o círculo. ]
(idem, p. 258; trad. Jorge Rosa, com alterações)
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26 dezembro 2012
8 anos do tsunami do Oceano Índico, que matou mais de 230 mil pessoas (2004)
Puseste a crença num Deus justo e bom.
Foi esse Deus que te matou teu filho?
Foi esse Deus que te matou teu filho?
(Fernando Pessoa, Poesia (1918–1930), p. 193)
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25 dezembro 2012
24 dezembro 2012
22 dezembro 2012
136 anos do nascimento de Filippo Tommaso Marinetti (1876)
MARINETTI, ACADÉMICO
Lá chegam todos, lá chegam todos...
Qualquer dia, salvo venda, chego eu também...
Se nascem, afinal, todos para isso...
Não tenho remédio senão morrer antes,
Não tenho remédio senão escalar o Grande Muro...
Se fico cá, prendem-me para ser social...
Lá chegam todos, porque nasceram para Isso,
E só se chega ao Isso para que se nasceu...
Lá chegam todos...
Marinetti, académico...
As Musas vingaram-se com focos eléctricos, meu velho,
Puseram-te por fim na ribalta da cave velha,
E a tua dinâmica, sempre um bocado italiana, f-f-f-f-f-f-f-f......
(Álvaro de Campos, Poesia, 102, p. 368)
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21 dezembro 2012
207 anos da morte de Manuel Maria Barbosa du Bocage (1805)
[...] the over-rated and insupportable Bocage [...]
[ [...] o exageradamente apreciado e insuportável Bocage [...] ]
(Fernando Pessoa, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, X, 4, p. 331; em inglês no original)
[ [...] o exageradamente apreciado e insuportável Bocage [...] ]
(idem, p. 333; trad. Jorge Rosa)
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20 dezembro 2012
174 anos do nascimento de Edwin A. Abbott (1838)
Como toda a geometria parte do sólido, e como o sólido perfeito é a esfera, é a geometria da esfera a que é primordial; [...]
(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 259, p. 414)
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18 dezembro 2012
17 dezembro 2012
38 anos da extinção da Comissão de Censura em Portugal (1974)
FADO DA CENSURA
Neste campo da Política
Onde a Guarda nos mantém,
Falo, responde a Censura,
Olho, mas não vejo bem.
Há um campo lamacento
Onde se dá bem o gado;
Mas, no ar mais elevado,
Na altura do pensamento,
Paira um certo pó cinzento,
Um pó que se chama Crítica.
A Ideia fica raquítica
Só de sempre o respirar.
Por isso é tão mau o ar
Neste campo da Política.
Às vezes, nesta planura,
Só o vento sopra do Norte,
O pó torna-se mais forte,
E chama-se então Censura.
É um pó de mais grossura,
Sente-se já muito bem,
E a Ideia, batida, tem
Uma impressão de pancada,
Como a que dão numa esquadra
Onde a Guarda nos mantém.
O pó parece que chove,
Paira em todos os sentidos,
Enche bocas e ouvidos,
Já ninguém fala nem ouve.
Se a minha boca se move,
Logo à primeira abertura
A enche esta areia escura.
Só trago e me oiço tragar.
É uma conversa a calar.
Falo, responde a Censura.
Vem então qualquer vizinho,
Dos que podem abrir boca;
No braço, irado, me toca,
E diz, «Não vê o caminho?
O seu dever comezinho
De patriota aí tem.
Vê o caminho e não vem?!»
Para isso, boas aos molhos!
Se este pó me entrou pròs olhos,
Olho, mas não vejo bem.
(Fernando Pessoa, Poesia (1931–1935 e não datada), pp. 470–471)
16 dezembro 2012
497 anos da morte de Afonso de Albuquerque (1515)
[...] O Infante, Albuquerque e os outros semideuses da nossa glória esperam ainda o seu cantor. Este poderá não falar deles; basta que os valha em seu canto, e falará deles. Camões estava muito perto para poder sonhá-los. [...]
(Fernando Pessoa, “Entrevista sobre a Arte e a Literatura Portuguesas”, Crítica, p. 198)
15 dezembro 2012
221 anos da aprovação da “Bill of Rights” (Carta dos Direitos), conjunto das 10 primeiras Emendas à Constituição dos Estados Unidos (1791)
Por liberalismo legitimamente se entende aquele critério das relações sociais pelo qual cada homem é considerado como livre para pensar o que quiser e para o exprimir como quiser ou pôr em acção como entender, com o único limite de que essa acção não tolha directamente os iguais direitos dos outros à mesma liberdade.
(Fernando Pessoa, Da República (1910–1935), 118, p. 363)
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