(Fernando Pessoa, “Reincidindo...”, Crítica, p. 34)
19 janeiro 2013
94 anos do início da “Monarquia do Norte” (1919)
[...] Fixemos isto: ser monárquico é, hoje, em Portugal, ser traidor à alma nacional e ao futuro da Pátria Portuguesa. [...]
18 janeiro 2013
142 anos da proclamação do II Reich Alemão (1871)
[...] a tradição do velho império alemão alimentou aqueles românticos alemães modernos por quem o orgulho alemão, renascendo, veio, nas mãos de Bismarck, a criar o grande império actual; [...]
(Fernando Pessoa, “Ibéria”, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 25, p. 192)
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16 janeiro 2013
67 anos da declaração de “Santo” António de Lisboa como Doutor da Igreja (1946)
Santo António de Lisboa
Era um grande pregador,
Mas é por ser Santo António
Que as moças lhe têm amor.
Era um grande pregador,
Mas é por ser Santo António
Que as moças lhe têm amor.
(Fernando Pessoa, Quadras, II, 201, p. 105)
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14 janeiro 2013
13 janeiro 2013
254 anos da execução dos condenados no Processo dos Távoras (1759)
[...] Oh, how I dream of that Marquis of Tavora who should come and redeem the nation — a saviour, a true man, great and hold that would put us right. But no suffering can equal that when I bring myself to understand that this is no more than a dream.
[ [...] Oh, como eu sonho com aquele Marquês de Távora que poderia vir redimir a nação — um salvador, um verdadeiro homem, grande e dominador que nos endireitaria. Mas nenhum sofrimento pode igualar aquele que me leva a perceber que isto não é mais do que um sonho. ]
(Fernando Pessoa, Pessoa por Conhecer, vol. II, 49, p. 76; em inglês no original)
[ [...] Oh, como eu sonho com aquele Marquês de Távora que poderia vir redimir a nação — um salvador, um verdadeiro homem, grande e dominador que nos endireitaria. Mas nenhum sofrimento pode igualar aquele que me leva a perceber que isto não é mais do que um sonho. ]
(idem, p. 77)
11 janeiro 2013
127 anos do início do primeiro campeonato mundial de xadrez (1886)
XADREZ
Peões, saem na noite sossegada,
Cansados, cheios de emoções postiças,
Vão para casa, conversando em nada,
Sob peles, e casacos, e peliças.
Peões a que o destino não concede
Mais que uma casa por avanço e sorte,
Salvo se a diagonal lhes outra cede,
Ganhando o novo, com a alheia morte.
Súbditos sempre da maior mudança
Das nobres peças que ou o Bispo ou a Torre
Subitamente a sorte lhes alcança
E no isolado avanço o peão morre.
Um ou outro, chegando ao fim, consegue
O resgate do que é outro do que ele;
E o jogo, alheio a cada peça, segue,
E a inexorável mão por junto impele.
Depois, coitados, sob peliça ou renda,
Mate! Se finda o jogo e a mão delgada
Guarda as peças sem nexo da contenda,
Que, como tudo é jogo, o fim é nada.
(Fernando Pessoa, Poesia (1918–1930), pp. 279–280)
5 anos da morte de Edmund Hillary (2008)
[...] Nas faldas do Himalaia o Himalaia é só as faldas do Himalaia. É na distância, ou na memória, ou na imaginação que o Himalaia é da sua altura, ou talvez um pouco mais alto. [...]
(Fernando Pessoa, “Entrevista sobre a Arte e a Literatura Portuguesas”, Crítica, p. 198)
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09 janeiro 2013
07 janeiro 2013
688 anos da morte de D. Dinis (1325)
Conhece-se a poesia lírica pelo facto de ser quase desprezível a ideação ou o sentimento para existir uma boa poesia lírica. Assim o «Ai flores, ai flores do verde pino» ou o «Levantou-se a velida» de D. Dinis, rei de Portugal, são poesias líricas maravilhosas, conquanto contenham uma insignificante base ideativa ou mesmo emocional. É o lirismo puro. Claro está que, dentro deste lirismo, a poesia será tanto maior quanto mais ideia e emoção contém. [...]
(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 237, p. 383)
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05 janeiro 2013
Prazeres de Inverno...
Haja inverno na terra, não na mente,
E, amor a amor, ou livro a livro, amemos
Nossa lareira breve.
E, amor a amor, ou livro a livro, amemos
Nossa lareira breve.
(Ricardo Reis, Poesia, II, 110, p. 117)
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03 janeiro 2013
Um dia aleatório...
Every day the papers bring me news of facts that are humiliating, [] to us, the Portuguese.
[ Todos os dias os jornais me trazem notícias de factos que são humilhantes, [] para nós, Portugueses. ]
(Fernando Pessoa, Pessoa por Conhecer, vol. II, 49, p. 76; em inglês no original)
[ Todos os dias os jornais me trazem notícias de factos que são humilhantes, [] para nós, Portugueses. ]
(idem, p. 77)
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01 janeiro 2013
Ano Novo
Nada começa: tudo continua.
Onde estamos, que vemos só passar?
O dia muda, lento, no amplo ar;
Múrmura, em sombras, flui a água nua.
Vêm de longe,
Só nosso vê-las teve começar.
Em cadeias do tempo e do lugar,
É abismo o começo e ausência.
Nenhum ano começa. É Eternidade!
Agora, sempre, a mesma eterna Idade,
Precipício de Deus sobre o momento,
Na curva do amplo céu o dia esfria,
A água corre mais múrmura e sombria
E é tudo o mesmo: e verbo o pensamento.
Onde estamos, que vemos só passar?
O dia muda, lento, no amplo ar;
Múrmura, em sombras, flui a água nua.
Vêm de longe,
Só nosso vê-las teve começar.
Em cadeias do tempo e do lugar,
É abismo o começo e ausência.
Nenhum ano começa. É Eternidade!
Agora, sempre, a mesma eterna Idade,
Precipício de Deus sobre o momento,
Na curva do amplo céu o dia esfria,
A água corre mais múrmura e sombria
E é tudo o mesmo: e verbo o pensamento.
(Fernando Pessoa, “Começa Hoje o Ano”, Poesia (1918–1930), p. 187)
30 dezembro 2012
28 dezembro 2012
117 anos da invenção do cinematógrafo pelos irmãos Lumière (1895)
Except the Germans and the Russians, no one has as yet been able to put anything like art into the cinema. The circle cannot be squared there.
[ À excepção dos alemães e dos russos, ninguém por enquanto conseguiu insuflar no cinema algo que se pareça com arte. Aí não há como quadrar o círculo. ]
(Fernando Pessoa, “Erostratus”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, VIII, 36, p. 209;
em inglês no original)
em inglês no original)
[ À excepção dos alemães e dos russos, ninguém por enquanto conseguiu insuflar no cinema algo que se pareça com arte. Aí não há como quadrar o círculo. ]
(idem, p. 258; trad. Jorge Rosa, com alterações)
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26 dezembro 2012
8 anos do tsunami do Oceano Índico, que matou mais de 230 mil pessoas (2004)
Puseste a crença num Deus justo e bom.
Foi esse Deus que te matou teu filho?
Foi esse Deus que te matou teu filho?
(Fernando Pessoa, Poesia (1918–1930), p. 193)
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25 dezembro 2012
24 dezembro 2012
22 dezembro 2012
136 anos do nascimento de Filippo Tommaso Marinetti (1876)
MARINETTI, ACADÉMICO
Lá chegam todos, lá chegam todos...
Qualquer dia, salvo venda, chego eu também...
Se nascem, afinal, todos para isso...
Não tenho remédio senão morrer antes,
Não tenho remédio senão escalar o Grande Muro...
Se fico cá, prendem-me para ser social...
Lá chegam todos, porque nasceram para Isso,
E só se chega ao Isso para que se nasceu...
Lá chegam todos...
Marinetti, académico...
As Musas vingaram-se com focos eléctricos, meu velho,
Puseram-te por fim na ribalta da cave velha,
E a tua dinâmica, sempre um bocado italiana, f-f-f-f-f-f-f-f......
(Álvaro de Campos, Poesia, 102, p. 368)
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