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16 dezembro 2012

497 anos da morte de Afonso de Albuquerque (1515)

[...] O Infante, Albuquerque e os outros semideuses da nossa glória esperam ainda o seu cantor. Este poderá não falar deles; basta que os valha em seu canto, e falará deles. Camões estava muito perto para poder sonhá-los. [...]

(Fernando Pessoa, “Entrevista sobre a Arte e a Literatura Portuguesas”, Crítica, p. 198)

10 junho 2012

... de Camões ...

Um grande artista (literário) nota-se aplicando-lhe a seguinte pergunta critica: tem paixão ou imaginação ou pensamento? Por ex. os Lusíadas de Camões têm paixão (o patriotismo), imaginação (o Adamastor, a Ilha dos Amores), mas são falhos de pensamento. [...]

(Fernando Pessoa, “Estética”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, VI, 6, p. 122)


Luís de Camões e Fernando Pessoa
Capa de Filipa Canhestro
para a antologia Poetas de hoje e de ontem da Escrit'orio Editora (2007)

10 junho 2011

... de Camões...

Quando um poeta inferior sente, sente sempre por caderno de encargos. Pode ser sincero na emoção; que importa se o não é na poesia? Há poetas que atiram com o que sentem para o verso; nunca verificam que o não sentiram. Chora Camões a perda da alma sua gentil; e afinal quem chora é Petrarca. Se Camões tivesse tido a emoção da morte da citada alma como emoção sinceramente sua, ele teria encontrado uma forma nova, palavras novas, tudo menos o soneto e o verso de dez sílabas. Mas não: usou o soneto em verso, como usaria luto na vida.

(Álvaro de Campos, Pessoa por Conhecer, vol. II, 405, p. 467)

10 junho 2010

... de Camões...

Camões é Os Lusíadas. O lírico, em que os inferiores focam a admiração que os denota inferiores, era, como em outros épicos de sensibilidade também notável, apenas a excedência inorgânica do épico.

Não ocupa Os Lusíadas um lugar entre as primeiras epopeias do mundo; só a Ilíada, a Divina Comédia e o Paraíso Perdido ganharam essa elevação. Pertencendo, porém, à segunda ordem das epopeias, como a Jerusalém Libertada, o Orlando Furioso, a Faerie Queene — e, em certo modo, a Odisseia e a Eneida, que participam das duas ordens —, distingue-se Os Lusíadas não só destas epopeias, suas pares, senão também daquelas, suas superiores, em que é directamente uma epopeia histórica.

(Fernando Pessoa, “Luís de Camões”, Crítica, p. 215)

10 junho 2009

... de Camões...

Resta dizer, de Camões, que não chegou para o que foi. Grande como é, não passou do esboço de si próprio. [...] A epopeia que Camões escreveu pede que aguardemos a epopeia que ele não pôde escrever. A maior coisa nele é o não ser grande bastante para os semideuses que celebrou.

(Fernando Pessoa, Crítica, p. 216)