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20 janeiro 2013

71 anos da adopção da “Solução Final para o Problema Judaico” (1942)

Germany, properly speaking, is not civilized also. It has gone the wrong way, but it has gone organisedly on that wrong way.

(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 168, p. 298; em inglês no original)



[ A Alemanha, propriamente falando, também não é civilizada. Tomou o caminho errado, mas caminhou organizadamente nesse caminho errado. ]

(idem, p. 299)

09 novembro 2012

74 anos da Kristallnacht, noite de violência antijudaica por toda a Alemanha Nazi (1938)

Abram todas as portas!
Partam os vidros das janelas!

(Álvaro de Campos, “Saudação a Walt Whitman”, Poesia, 24p, p. 182)

10 maio 2012

79 anos do Bücherverbrennung, queima pública de livros «pouco alemães» pelo regime nazi (1933)

«Burn the book well, hangman,
Burn it to the last leaf,
[...]

«His works, his books, his poems
To fire’s oblivion fling;
Let ashes remain of all this.
Remains there anything?»


(Alexander Search, “Priest and Hangman”, Poesia, 88, pp. 192/194; em inglês no original)




[ «Queima esse livro, carrasco,
Queima-o até à última folha,
[...]

«Seus livros, obras, poemas,
Lança ao fogo, ao esquecimento!
Que deles só fiquem cinzas.
Algo sobra de momento? ]


(“O Padre e o Carrasco”, pp. 193/195; trad. Luísa Freire, com alterações)

21 janeiro 2012

Campanhas anti-Maçonaria: em boa companhia

De resto, têm os srs. deputados a prova prática em o que tem sucedido noutros países onde se tem pretendido suprimir as Obediências maçónicas. Ponho de parte o caso da Rússia, porque não sei concretamente o que ali se passou: sei apenas que os Sovietes, corno todo o comunismo, são violentamente anti-maçónicos e que perseguiram a Maçonaria; e também sei que pouco teriam que perseguir pois na Rússia quase não havia Maçonaria. Considerarei os casos da Itália, da Espanha e da Alemanha.

Mussolini procedeu contra a Maçonaria, isto é, contra o Grande Oriente de Itália mais ou menos nos termos pagãos do projecto do Sr. José Cabral. Não sei se perseguiu muita gente, nem me importa saber. O que sei, de ciência certa, é que o Grande Oriente de Itália é um daqueles mortos que continuam de perfeita saúde. Mantém-se, concentra-se, tem-se depurado, e lá está à espera; se tem em que esperar é outro assunto. O camartelo do Duce pode destruir o edifício do comunismo italiano; não tem força para abater colunas simbólicas, vazadas num metal que procede da Alquimia.

Primo de Rivera procedeu mais brandamente, conforme a sua índole fidalga, contra a Maçonaria Espanhola. Também sei ao certo qual foi o resultado — o grande desenvolvimento, numérico como político, da Maçonaria em Espanha. Não sei se alguns fenómenos secundários, como, por exemplo, a queda da Monarquia, teriam qualquer relação com esse facto.

Hitler, depois de se ter apoiado nas três Grandes Lojas cristãs da Prússia, procedeu segundo o seu admirável costume ariano de morder a mão que lhe dera de comer. Deixou em paz as outras Grandes Lojas — as que o não tinham apoiado nem eram cristãs e, por intermédio de um tal Goering, intimou aquelas três a dissolverem-se. Elas disseram que sim — aos Goerings diz-se sempre que sim — e continuaram a existir. Por coincidência, foi depois de se tomar essa medida que começaram a surgir cisões e outras dificuldades adentro do partido nazi. A história, como o Sr. José Cabral deve saber, tem muitas destas coincidências.

(Fernando Pessoa, “Associações Secretas”, Da República (1910–1935), 132, pp. 395–396)

23 agosto 2011

Dia Europeu de Recordação da Vítimas dos Regimes Totalitários e Autoritários

Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé,
E ninguém sabe porquê.

(Fernando Pessoa, Poesia (1931–1935 e não datada), p. 380)

30 abril 2011

66 anos do suicídio de Adolf Hitler (1945)

Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.

(Álvaro de Campos, “Lisbon Revisited” (1926), Poesia, 65, p. 300)

30 setembro 2010

72 anos do Acordo de Munique, que entregou a região checa dos Sudetas à Alemanha Nazi (1938)

Sempre que, em qualquer coisa, tive um rival ou a possibilidade de um rival, desde logo abdiquei sem hesitar.

(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 20)

22 junho 2010

70 anos da capitulação da França perante a Alemanha Nazi (1940)

Tu, «esforço francês», galo depenado com a pele pintada de penas! (Não lhe dêem muita corda senão parte-se!)

(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 280)

20 janeiro 2010

68 anos da adopção da “Solução Final para o Problema Judaico” (1942)

E se houver outros que faltem, procurem-nos aí p’ra um canto!

(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 280)

30 setembro 2009

73 anos da criação da Legião Portuguesa (1936)

Plagiamos o fascismo e o hitlerismo, plagiamos claramente, com a desvergonha da inconsciência, como a criança imita sem hesitar. Não reparamos que fascismo e hitlerismo, em sua essência, nada têm de novo, porventura nada de aproveitável, como ideias;

(Fernando Pessoa, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 8, p. 85)

01 setembro 2009

70 anos da invasão nazi da Polónia e do início da II Guerra Mundial (1939)

A guerra actual é uma guerra entre dois princípios sociológicos, entre dois critérios de civilização. [...] Um desses princípios é representado pela Alemanha; [...]

O princípio representado pela Alemanha resume-se em poucas palavras. É este: A Pátria está acima da Civilização. [...] É claro que um país em que se sustente, acima de todas, esta teoria da civilização deve mostrar características especiais. [...] um estado que ponha a Pátria acima da civilização deve, ipso facto, colocar o Estado acima do Indivíduo, deve, em tudo quanto possa ser, subordinar o indivíduo ao Estado. Assim, sem que possa contestar-se, faz a Alemanha.

É evidente, em seguida, que um critério desta ordem deve ser nitidamente militarista.

(Fernando Pessoa, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 38, pp. 227–228)

23 agosto 2009

Dia Europeu de Recordação da Vítimas dos Regimes Totalitários e Autoritários

Saudação a todos quantos querem ser felizes:
Saúde e estupidez!

Isto de ter nervos
Ou de ter inteligência
Ou até de julgar que se tem uma coisa ou outra
Há-de acabar um dia...
Há-de acabar com certeza
Se os governos autoritários continuarem.

(Álvaro de Campos, Poesia, 234, p. 574)

30 abril 2009

64 anos da morte de Adolf Hitler (1945)

E tudo isto são coisas que nem o suicídio cura.

(Álvaro de Campos, Poesia, 119, p. 394)

20 abril 2009

120 anos do nascimento de Adolf Hitler (1889)

Precisar de dominar os outros é precisar dos outros. O chefe é um dependente.

(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 237, p. 235)