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16 janeiro 2013

67 anos da declaração de “Santo” António de Lisboa como Doutor da Igreja (1946)

Santo António de Lisboa
Era um grande pregador,
Mas é por ser Santo António
Que as moças lhe têm amor.

(Fernando Pessoa, Quadras, II, 201, p. 105)

11 novembro 2012

Dia de “São” Martinho

Boa é a vida, mas melhor é o vinho.

(Fernando Pessoa, Poesias Inéditas (1930–1935), 53)

03 outubro 2012

786 anos da morte de “São” Francisco de Assis (1226)

[...] S. Francisco de Assis, um dos mais venenosos e traiçoeiros inimigos da mentalidade ocidental.

(Fernando Pessoa, “Nós os de Orpheu”, Crítica, p. 523)

24 junho 2012

Dia de “São” João

Tenho a impressão de ter em casa a faca
Com que foi degolado o Precursor.

(Álvaro de Campos, “Opiário”, Poesia, 5, p. 59)

01 maio 2012

1 ano da beatificação de João Paulo II (2011)

O milagre é a preguiça de Deus, ou, antes, a preguiça que Lhe atribuímos, inventando o milagre.

(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 375, p. 340)

03 fevereiro 2012

Dia de “São” Brás

Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.

E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho.
Soas-me na alma distante.

A cada pancada tua
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.

(Fernando Pessoa, Poesia (1918–1930), p. 223)


(Homenagem às tradições populares vila-realenses.)

05 julho 2011

829 anos do nascimento de “São” Francisco de Assis (1182)

[...] São Francisco de Assis: o abominável fundador de uma seita abominável.

(Ricardo Reis, Prosa, 39, p. 146)

22 janeiro 2011

Dia de “São” Vicente, padroeiro de Lisboa

Fernando Pessoa com corvo na cabeça
Ilustração de Ricardo P. M.

01 janeiro 2011

Dia de “Santa” Maria

Quanto à Virgem Maria, Ísis sem o Véu, não direi nada.

(Fernando Pessoa, “Marcha sobre Roma”, Fernando Pessoa: O Guardador de Papéis, p. 265)

13 dezembro 2010

Dia de “Santa” Luzia

Postal de Mário Alberto (2000)


(Homenagem à doçaria vila-realense e suas tradições.)

11 novembro 2010

Dia de “São” Martinho

foto
«Fernando Pessoa, em flagrante delitro.»* (1929)

* Comentário manuscrito pelo próprio no verso da fotografia


(Fotobiografias do Século XX: Fernando Pessoa, pp. 156–157)

13 maio 2010

93 anos da primeira “aparição” de Fátima (1917)

Fátima é o nome de uma taberna de Lisboa onde às vezes... eu bebia aguardente.

Um momento... Não é nada disso... Fui levado pela emoção mais que pelo pensamento, e é com o pensamento que desejo escrever.

Fátima é o nome de um lugar da província, não sei onde ao certo, perto de um outro lugar do qual tenho a mesma ignorância geográfica mas que se chama Cova de qualquer santa. Nesse lugar — em um ou no outro — ou perto de qualquer deles, ou de ambos, viram um dia umas crianças aparecer Nossa Senhora, o que é, como toda a gente sabe, um dos privilégios infinitos a que se não parte a corda. Assim diz a voz do povo da província e A Voz sem povo de Lisboa. Deve portanto ser verdade, visto que é sabido que a voz das aldeias e A Voz da cidade de há muito substituíram aquelas velharias democráticas que se chamam, ou chamavam, a demonstração científica e o pensamento raciocinado. Depois de terem passado os últimos rastros do a que o sr. Léon Daudet chamou «o estúpido século dezanove» — embora seu pai houvesse florescido e o mesmo Léon nascido em plena estupidez —, as normas do pensamento e da verificação voltaram à sua normalidade medieval; e assim como passou a haver «liberdades» em vez de «liberdade», assim também passou a haver crenças em vez de crença, fés em vez de fé, e vários outros plurais ainda mais singulares.

O deplorável facto de que uma menina chamada Bernadette Soubirous se antecipara — e no estúpido etc! — a esta notável visão do celestial terrestrizado, despe-nos um pouco o manto, e um pouco nos entorta a coroa, da novidade. Enfim sempre era mesmo de uma Nossa Senhora geograficamente (e cronologicamente) diferente. Já o Chevalier de Cailly perguntava, no século ante-estúpido (o dezoito), dado que sempre que escrevia qualquer coisa, descobria que a Antiguidade a já havia dito, por que não teria essa tal Antiguidade vindo depois dele, pois então teria ele escrito primeiro.

Seja como for, o facto é que há em Portugal um lugar que pode concorrer e vantajosamente com Lourdes. Há curas maravilhosas, a preços mais em conta; há peregrinações que dispensam o comboio (criação do estúpido etc!), e quando, de vez em quando essa reminiscência da Idade Média — a camionete — se volta e alguém morre, há sempre o Diabo a quem acusar — diabolis ex machina —, quando se não queira, por um critério mais objectivo e científico (vide Alfredo Pimenta) reconhecer verdadeiros culpados a magos e bruxos que, como toda a gente sabe, formam o grosso da Maçonaria e da Associação do Registo Civil.

O negócio da religião a retalho, no que diz respeito à Loja de Fátima, tem tomado grande incremento, com manifesto êxtase místico da parte de hotéis, estalagens e outro comércio desses jeitos — o que, aliás, está plenamente de acordo com o Evangelho, embora os católicos não usem lê-lo — não vão eles lembrar-se de o seguir! Com efeito diz-se no Evangelho [de Mateus 6:31–33], cuidando-se de bens materiais, «Buscai-vos o Reino de Deus e todas essas coisas vos serão acrescentadas».

É certo que quem vai a Fátima não vai lá buscar o Reino de Deus, mas o da Nossa Senhora da região — aquela em que está aberto vinho novo. Deus, como se sabe, foi já substituído, sendo o Céu agora governado em regime soviético. Nossa Senhora — a de Lourdes e (ou) a de Fátima — é (place aux femmes!) Comissária do Povo da Saúde Pública. Daí as curas na policlínica da Cova da Iria.

(Fernando Pessoa, “Fátima”, Fernando Pessoa: O Guardador de Papéis, pp. 274–277)

11 fevereiro 2010

152 anos da primeira “aparição” de Lourdes (1858)

O deplorável facto de que uma menina chamada Bernadette Soubirous se antecipara [...] a esta notável visão do celestial terrestrizado, despe-nos um pouco o manto, e um pouco nos entorta a coroa, da novidade. Enfim sempre era mesmo de uma Nossa Senhora geograficamente (e cronologicamente) diferente. Já o Chevalier de Cailly perguntava, no século [dezoito], dado que sempre que escrevia qualquer coisa, descobria que a Antiguidade a já havia dito, por que não teria essa tal Antiguidade vindo depois dele, pois então teria ele escrito primeiro.

(Fernando Pessoa, “Fátima”, Fernando Pessoa: O Guardador de Papéis, p. 275)

01 novembro 2009

Dia de Todos os “Santos”

O cristismo apresenta-se-nos composto de três elementos — o sentimento cristista propriamente tal, o elemento pagão contido na presença daqueles santos que todos hoje sabemos serem apenas sucessores deformados dos deuses, e aquele elemento propriamente religioso que todas as religiões contêm.

(António Mora, Obra em Prosa, p. 181)



Uma diferença idêntica separa o politeísmo grego do politeísmo da Igreja Católica, representado por os seus santos, que, para a maioria das populações nas nações católicas, têm, na devoção e no culto, um lugar acima de Deus.

(Ricardo Reis, Prosa, 15, pp. 83–84)

13 outubro 2009

“Milagre do Sol”

Por que não estará essa gente toda doida, ou iludida? Por serem vários? Mas há alucinações colectivas.

(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 256, p. 252)

Fátima ou Lenine, tanto dá

O ódio à ciência, às leis naturais, é o que caracteriza a mentalidade popular. O milagre é o que o povo quer, é o que o povo compreende. Que o faça Nossa Senhora de Lourdes ou de Fátima, ou que o faça Lenine — nisso só está a diferença.

(Fernando Pessoa, Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão Pessoal, p. 375)

24 junho 2009

Dia de “São” João

No dia de S. João
Há fogueiras e folias.
Gozam uns e outros não,
Tal qual como os outros dias.

(Fernando Pessoa, Quadras, II, 200, p. 104)

13 maio 2009

Fé e virtudes dos reaccionários portugueses

Uma coisa, e uma só, me preocupa: que com este artigo eu contribua, em qualquer grau, para estorvar os reaccionários portugueses em um dos seus maiores e mais justos prazeres — o de dizer asneiras. Confio, porém, na solidez pétrea das suas cabeças e nas virtudes imanentes naquela fé firme e totalitária que dividem, em partes iguais, entre Nossa Senhora de Fátima e o senhor D. Duarte Nuno de Bragança.

(Fernando Pessoa, Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão Pessoal, pp. 201–202)

14 fevereiro 2009

Dia de “São” Valentim

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

(Álvaro de Campos, Poesia, 225, p. 550)


Aguarela de Hermenegildo Sábat
(Fonte: Público)


Não o amor, mas os arredores é que vale a pena...

(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 271, p. 265)