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29 setembro 2011

Confidências

1. Make as few confidences as possible. Better make none, but, if you make any, make fake or indistinct ones.

(Fernando Pessoa, “Rule of Life”, Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão Pessoal, p. 348;
em inglês no original)




[ 1. Faz o menor número de confidências possível. É melhor não fazeres nenhuma, mas se fizeres algumas, fá-las falsas e imprecisas. ]

(“Regra de Vida”, p. 349; trad. Manuela Rocha)

10 junho 2011

... de Camões...

Quando um poeta inferior sente, sente sempre por caderno de encargos. Pode ser sincero na emoção; que importa se o não é na poesia? Há poetas que atiram com o que sentem para o verso; nunca verificam que o não sentiram. Chora Camões a perda da alma sua gentil; e afinal quem chora é Petrarca. Se Camões tivesse tido a emoção da morte da citada alma como emoção sinceramente sua, ele teria encontrado uma forma nova, palavras novas, tudo menos o soneto e o verso de dez sílabas. Mas não: usou o soneto em verso, como usaria luto na vida.

(Álvaro de Campos, Pessoa por Conhecer, vol. II, 405, p. 467)

21 março 2011

Dia Mundial da Poesia

O poeta superior diz o que efectivamente sente. O poeta médio diz o que decide sentir. O poeta inferior diz o que julga que deve sentir.
[...]
O meu mestre Caeiro foi o único poeta inteiramente sincero do mundo.

(Álvaro de Campos, “Notas para a Recordação do Meu Mestre Caeiro”, 31,
Poemas Completos de Alberto Caeiro, pp. 176–177)

02 novembro 2010

60 anos da morte de George Bernard Shaw (1950)

Fora tu, George Bernard Shaw, vegetariano do paradoxo, charlatão da sinceridade, tumor frio do ibsenismo, arranjista da intelectualidade inesperada, Kilkenny-Cat de ti próprio, Irish Melody calvinista com letra da Origem das Espécies!

(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 279)

13 junho 2010

Fernando Pessoa, ele mesmo

Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo. Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros).
Sinto crenças que não tenho. Enlevam-me ânsias que repudio. A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me aponta traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha, nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.

(Fernando Pessoa, Prosa Íntima e de Autoconhecimento, p. 101)

16 novembro 2009

Dia Internacional para a Tolerância

Toda a sinceridade é uma intolerância.

(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 276, p. 267)