(Fernando Pessoa, “A Democracia”, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 22, pp. 126–127)
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15 setembro 2011
Dia Internacional da Democracia
Contra a democracia invoca-se, em primeiro lugar, o argumento da ignorância das classes cujo voto predomina, porque seja maior o seu número. Mas como os sábios divergem tanto como essas classes, não parece haver vantagens na ciência para elucidação dos problemas. Onde há, sem dúvida, vantagens para a ciência é na escolha dos homens que devem governar; ora é precisamente isso que o voto escolhe. O povo não é apto a saber qual a direcção que a política pátria deve tomar em tal período; mas os homens cultos também não o sabem, pois que divergem em tal ponto. Mas o que os homens cultos sabem, e o povo não sabe, é avaliar de competências para certos cargos. Propriamente, só financeiros é que sabem avaliar qual o indivíduo que melhor geriria as finanças de um povo; só militares, qual o melhor indivíduo para ministro da Guerra.
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20 maio 2011
29 dezembro 2010
Acordo Ortográfico (III)
É um imperialismo de gramáticos? O imperialismo dos gramáticos dura mais e vai mais fundo que o dos generais. [...]
(Fernando Pessoa, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 90, p. 240)
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08 setembro 2010
2489 anos do início da Batalha de Termópilas (480 AC)*
Nem viúva nem filho lhe pôs na boca o óbolo, com que pagasse a Caronte. [...]
Morreu pela Pátria [...]. Deu a vida com toda a inteireza da alma: [...] por amor à Pátria, não por consciência dela. Defendeu-a como quem defende uma mãe, de quem somos filhos não por lógica, senão por nascimento. Fiel ao segredo primevo, não pensou nem quis, mas viveu a sua morte instintivamente, como havia vivido a sua vida. A sombra que usa agora se irmana com as que caíram em Termópilas, fiéis na carne ao juramento em que haviam nascido.
* Data conjectural
Morreu pela Pátria [...]. Deu a vida com toda a inteireza da alma: [...] por amor à Pátria, não por consciência dela. Defendeu-a como quem defende uma mãe, de quem somos filhos não por lógica, senão por nascimento. Fiel ao segredo primevo, não pensou nem quis, mas viveu a sua morte instintivamente, como havia vivido a sua vida. A sombra que usa agora se irmana com as que caíram em Termópilas, fiéis na carne ao juramento em que haviam nascido.
(Bernardo Soares, “Cenotáfio”, Livro do Desassossego, pp. 423–424)
* Data conjectural
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20 maio 2009
Dia da Marinha
MAR PORTUGUÊS
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
(Fernando Pessoa, Mensagem, Segunda Parte, X, p. 147)
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