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23 agosto 2011

Dia Europeu de Recordação da Vítimas dos Regimes Totalitários e Autoritários

Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé,
E ninguém sabe porquê.

(Fernando Pessoa, Poesia (1931–1935 e não datada), p. 380)

28 abril 2011

66 anos da execução de Benito Mussolini pelos Partigiani (1945)

[...] se, por exemplo, um italiano [...] algures atacar [...] Mussolini como tirano da Itália, nada faz de ilícito, em nada ataca a sua pátria, antes, a seu modo, a defende; [...]

(Fernando Pessoa, “O nacionalismo liberal”, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 83, p. 348)

26 janeiro 2011

Reunião do Fórum Económico Mundial em Davos

[...] Ora v. criou tirania. V. como açambarcador, como banqueiro, como financeiro sem escrúpulos [...] v. criou tirania. [...]

(Fernando Pessoa, O Banqueiro Anarquista, p. 59)

21 janeiro 2011

61 anos da morte de George Orwell (1950)

Que milagre nos salvará da sinistra mania de ter razão?

(Bernardo Soares, Livro do Desassossego (Presença), vol. I, p. 244)

06 janeiro 2011

82 anos da chegada de Madre Teresa a Calcutá (1929)

Que ando eu a querer de mim ou de tudo neste mundo?
«Se eu não tivesse a caridade»...
E a soberana luz manda, e do alto dos séculos,
A grande mensagem com que a alma é livre...
«Se eu não tivesse a caridade»...
Meu Deus, e eu que não tenho a caridade!...

(Álvaro de Campos, Poesia, 211, p. 531)



— É curioso, não é?... E olhe que há pontos secundários também muito curiosos... Por exemplo: a tirania do auxílio...
— A quê?
— A tirania do auxílio. Havia entre nós quem, em vez de mandar nos outros, em vez de se impor aos outros, pelo contrário os auxiliava em tudo quanto podia. Parece o contrário, não é verdade? Pois olhe que é o mesmo. É a mesma tirania nova. É do mesmo modo ir contra os princípios anarquistas.
— Essa é boa! Em quê?
— Auxiliar alguém, meu amigo, é tomar alguém por incapaz; se esse alguém não é incapaz, é ou fazê-lo tal, ou supô-lo tal, e isto é, no primeiro caso uma tirania, e no segundo um desprezo. Num caso cerceia-se a liberdade de outrem; no outro caso parte-se, pelo menos inconscientemente, do princípio de que outrem é desprezível e indigno ou incapaz de liberdade.

(Fernando Pessoa, O Banqueiro Anarquista, pp. 41–42)

07 novembro 2010

93 anos da Revolução Bolchevique (1917)*

O gado russo, aqueles animais a que se chama o povo russo... Há alguém que, a sério, julgue que a Revolução Russa transformou alguma coisa de fundamental? O Império do Czar vivia em anarquia governativa, em analfabetismo de letras e de energias; crê alguém que o bolchevismo eliminou a anarquia, crê alguém que o bolchevismo eliminou a tirania, crê alguém que o mero aparecimento de uns pobres cérebros românticos a mandar, sem a preparação científica para o pensamento ou para a acção [ ]
Os bolchevistas são cristãos sem religião; têm a mentalidade cristã, acreditam no milagre, porque julgam que uma sociedade se transforma de um dia para o outro [...].

(Fernando Pessoa, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 11, p. 114)


* 25 de Outubro, no Calendário Juliano, então em uso na Rússia.

05 novembro 2010

13 anos da morte de Isaiah Berlin (1997)

[...] Meu filho: tenho visto muita coisa neste mundo, mas não vi ainda a liberdade.

(Fernando Pessoa, “5 Diálogos sobre a Tirania”, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 72, p. 329)

07 agosto 2010

216 anos do último auto-de-fé em Lisboa (1794)

[...] A Inquisição, que queimava os infiéis e os suspeitos; as perseguições religiosas, que exterminavam os contrários — nada disso é tirania religiosa: tudo isso é tirania política. A tirania religiosa é outra, de mais subtil e depravada espécie. A tirania religiosa é de índole hereditária e pedagógica. Cada vez que, opresso pela vida e posto à prova pela amargura, me lembro, no auge da minha angústia, de rezar, de recorrer à ideia de Cristo — então sou servo da verdadeira tirania religiosa. [...] A tirania religiosa é esta, é isto. A outra, que queima infiéis e escorraça pagãos, essa, como te disse, é tirania política exercida em nome da religião. Onde a religião deixa de ter força política, essa tirania deixa de existir.

(Fernando Pessoa, “5 Diálogos”, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 75, p. 331)

28 maio 2010

84 anos da Revolução de 28 de Maio de 1926

Vindos [os republicanos] ao poder, e posta em prática a sua pseudo-reforma, viu logo o país que a abolição da Monarquia não tinha abolido a política monárquica, porque a imoralidade e o caciquismo continuaram. Era a adaptação dos recém-vindos ao meio governativo. Em um país imoral não se pode governar senão imoralmente. É de ordem biológica a razão. [...]

E vendo isto, o país, que é estúpido, virou-se contra os homens da República. É que o país tem a mentalidade dos idiotas e queria milagres. Supunham os portugueses que uma revolução traz benefícios; e supunham bem; mas supunham que os traz logo no dia seguinte [...]. Aquelas mentalidades ainda estavam no milagre. Incapazes de pensar cientificamente, não meditaram que o que se segue a uma revolução é a anarquia, anarquia tão profunda quanto o foi a tirania que a precedeu, e contra a qual reagiu essa revolução; e que só depois de ter passado o período anárquico da revolução é que lentamente chega o período das reformas, para o qual, afinal, a revolução foi instintivamente feita. [...]

(Fernando Pessoa, Da República (1910–1935), 98, p. 245)

19 março 2010

77 anos do “plebiscito” à Constituição de 1933 (Estado Novo)

Mais valia publicar um decreto-lei que rezasse assim:
Art. 1. António de Oliveira Salazar é Deus.
Art. 2. Fica revogado tudo em contrário e nomeadamente a Bíblia.

Ficava assim legalmente instituído o sistema que deveras nos governa, o autêntico Estado Novo — a Teocracia pessoal.

[...]

Miserrimam servitutem pacem appelant.*


(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 223, p. 367)


* Pedem uma paz misérrima de servidão.

18 março 2010

696 anos da execução de Jacques de Molay, Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros Templários (1314)

[...] Ter sempre na memória o mártir Jacques de Molay, Grão-Mestre dos Templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassinos — a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania.

(Fernando Pessoa, “Nota Biográfica”, Prosa Íntima e de Autoconhecimento, p. 135)