(Álvaro de Campos, “Ode Triunfal”, Poesia, 8, p. 88)
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15 abril 2012
100 anos do naufrágio do Titanic (1912)
Eh-lá naufrágios deliciosos dos grandes transatlânticos!
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04 setembro 2010
Egocentrismo
Há qualquer coisa de sórdido, e de tanto mais sórdido quanto é ridículo, neste uso, que têm os fracos, de erigir em tragédias do universo as comédias tristes das tragédias próprias.
(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 52)
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27 junho 2010
105 anos da Revolta do Couraçado Potemkin (1905)*
Every reverse and disaster of the Russian army or navy is in such a way made the subject of a jest among us, that we seem to have nothing more amusing. Some of the Russian admirals, even after their death or their capture, have caused us outbursts of sniggering. The Czar himself, when dismayed by revolution and by war, and when in distress and in grief over his armies, appears to be taken by the British people as an animate joke of great value.
To us, Englishmen, of all men the most egotistic, the thought has never occurred that misery and grief ennoble, despicable and self-caused though they be. A drunken woman reeling through the streets is a pitiable sight. The same woman falling awkwardly in her drunkenness is, mayhap, an amusing spectacle. But this very same woman, drunken and awkward though she be, when weeping the death of her child is no contemptible nor ridiculous creature, but a tragic figure as great as your Hamlets and your King Lears.
[ Cada revés e cada desastre do exército ou da armada russos foram de tal modo objecto de chacota entre nós, que parece que não achamos nada mais divertido. Alguns almirantes russos, mesmo depois da sua morte ou captura, fizeram-nos explodir em apupos. O próprio Czar, quando desencorajado pela revolução e pela guerra, e quando em grande sofrimento e dor por causa dos seus exércitos, parece ser tomado pelo povo britânico como uma piada muito divertida.
A nós, ingleses, os mais egocêntricos de todos os homens, nunca ocorreu a ideia de que a infelicidade e a dor enobrecem, por mais desprezíveis e auto-infligidas que sejam. Uma mulher embriagada cambaleando pelas ruas é um espectáculo digno de pena. A mesma mulher, se cair desajeitadamente no seu estado de embriaguez, talvez seja um espectáculo divertido. Mas esta mesma mulher, por mais desajeitada e embriagada que esteja, quando chora a morte de um filho, não é uma criatura desprezível e ridícula, mas sim uma figura trágica, tão grande como os vossos Hamlets e os vossos Reis Lears. ]
* 14 de Junho, no Calendário Juliano, então em uso na Rússia.
To us, Englishmen, of all men the most egotistic, the thought has never occurred that misery and grief ennoble, despicable and self-caused though they be. A drunken woman reeling through the streets is a pitiable sight. The same woman falling awkwardly in her drunkenness is, mayhap, an amusing spectacle. But this very same woman, drunken and awkward though she be, when weeping the death of her child is no contemptible nor ridiculous creature, but a tragic figure as great as your Hamlets and your King Lears.
(Charles Robert Anon, Carta ao “Natal Mercury”, 07–07–1905,
Correspondência (1905–1922), 1, pp. 13–14; em inglês no original)
Correspondência (1905–1922), 1, pp. 13–14; em inglês no original)
[ Cada revés e cada desastre do exército ou da armada russos foram de tal modo objecto de chacota entre nós, que parece que não achamos nada mais divertido. Alguns almirantes russos, mesmo depois da sua morte ou captura, fizeram-nos explodir em apupos. O próprio Czar, quando desencorajado pela revolução e pela guerra, e quando em grande sofrimento e dor por causa dos seus exércitos, parece ser tomado pelo povo britânico como uma piada muito divertida.
A nós, ingleses, os mais egocêntricos de todos os homens, nunca ocorreu a ideia de que a infelicidade e a dor enobrecem, por mais desprezíveis e auto-infligidas que sejam. Uma mulher embriagada cambaleando pelas ruas é um espectáculo digno de pena. A mesma mulher, se cair desajeitadamente no seu estado de embriaguez, talvez seja um espectáculo divertido. Mas esta mesma mulher, por mais desajeitada e embriagada que esteja, quando chora a morte de um filho, não é uma criatura desprezível e ridícula, mas sim uma figura trágica, tão grande como os vossos Hamlets e os vossos Reis Lears. ]
(p. 15; trad. Manuela Parreira da Silva, com alterações)
* 14 de Junho, no Calendário Juliano, então em uso na Rússia.
18 dezembro 2009
131 anos do nascimento de Ioseb Besarionis dze Jughashvili, vulgo José Estaline (1878)
Boa noite e merda!
(Álvaro de Campos, Poesia, 114, p. 385)
01 outubro 2009
60 anos da fundação da República Popular da China (1949)
Quedar-nos-emos indiferentes à verdade ou mentira de todas as religiões, de todas as filosofias, de todas as hipóteses inutilmente verificáveis a que chamamos ciências. Tão-pouco nos preocupará o destino da chamada humanidade, ou o que sofra ou não sofra em seu conjunto. Caridade, sim, para com o «próximo» como no Evangelho se diz, e não com o homem, de que nele se não fala. E todos, até certo ponto assim somos: que nos pesa, ao melhor de nós, um massacre na China? Mais nos dói, ao que de nós mais imagine, a bofetada injusta que vimos dar na rua a uma criança.
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[...] senti sempre os movimentos humanos — as grandes tragédias colectivas da história ou do que dela fazem — como frisos coloridos, vazios da alma dos que passam neles. Nunca me pesou o que de trágico se passasse na China. É decoração longínqua, ainda que a sangue e peste.
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[...] senti sempre os movimentos humanos — as grandes tragédias colectivas da história ou do que dela fazem — como frisos coloridos, vazios da alma dos que passam neles. Nunca me pesou o que de trágico se passasse na China. É decoração longínqua, ainda que a sangue e peste.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 447, p. 394 & 165, p. 178)
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27 julho 2009
39 anos da morte de Salazar (1970)
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
(Álvaro de Campos, Poesia, 67, p. 305)
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15 abril 2009
97 anos do naufrágio do Titanic (1912)
It's a nice and glorious thing to have been at a shipwreck or at a battle; the worst is that you must be there to have been there.
[ É algo belo e glorioso ter estado num naufrágio ou numa batalha; o pior é que tem de se lá estar para se ter lá estado. ]
* Esta edição, e também Aforismos e afins, p. 53, apresentam traduções com que não concordo totalmente; a que aqui apresento é minha. FG
[ É algo belo e glorioso ter estado num naufrágio ou numa batalha; o pior é que tem de se lá estar para se ter lá estado. ]
(Dr. Gaudêncio Nabos, Pessoa por Conhecer, vol. II, 127, p. 172; em inglês no original)*
* Esta edição, e também Aforismos e afins, p. 53, apresentam traduções com que não concordo totalmente; a que aqui apresento é minha. FG
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