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02 março 2013

94 anos da fundação da Terceira Internacional Comunista (1919)

[...] foram[-me] sempre origem de repugnância e asco todas as formas do internacionalismo, que são três: a Igreja de Roma, a finança internacional e o comunismo.

(Fernando Pessoa, Pessoa por Conhecer, vol. II, 67, p. 88)

21 fevereiro 2013

165 anos do Manifesto do Partido Comunista (1848)

[...] A humanidade tem-se entretido — desde a formação, na Grécia antiga, do espírito crítico — a idear sistemas políticos e sociais «definitivos» em matéria tão flutuante e incerta como a vida, em assunto ainda tão fora da ciência como a sociedade.

(Fernando Pessoa, “Régie, Monopólio, Liberdade”, Crítica, p. 281)

11 fevereiro 2013

155 anos da primeira “aparição” de Lourdes (1858)

Quais milagres de Lourdes, meu amigo!
Milagres de Rússia.
Curar paralisias!

Curar egoísmos, isso é que é milagre.
Ah Lourdes, Lourdes, quantas Lourdes há!

(Fernando Pessoa, Poesia (1918–1930), p. 198)

09 novembro 2012

23 anos da queda do Muro de Berlim (1989)

Grande libertador
Que arrasaste os muros da cadeia velha

(Álvaro de Campos, “A Partida”, Poesia, 27o, p. 233)

07 novembro 2012

95 anos da Revolução Bolchevique (1917)*

Não há correntes proletárias, não há bolchevismo (nem na Rússia), não há radicalismo em parte nenhuma. [...] Os operários são todos uns idiotas, e os seus chefes, ou idiotas também, ou loucos; [...]

(Álvaro de Campos, Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, 415)


* 25 de Outubro, no Calendário Juliano, então em uso na Rússia.

21 agosto 2012

72 anos do assassinato de Leon Trotsky por agentes de Estaline (1940)

Dos Trotskys de qualquer colónia
Grega ou romana já passada,
O nome é morto, inda que escrito.

(Álvaro de Campos, “Gazetilha”, Poesia, 77, p. 328)

13 agosto 2012

51 anos do início da construção do Muro de Berlim (1961)

O olhar não atravessa os muros da sombra,

(Álvaro de Campos, Poesia, 25, p. 190)

21 janeiro 2012

Campanhas anti-Maçonaria: em boa companhia

De resto, têm os srs. deputados a prova prática em o que tem sucedido noutros países onde se tem pretendido suprimir as Obediências maçónicas. Ponho de parte o caso da Rússia, porque não sei concretamente o que ali se passou: sei apenas que os Sovietes, corno todo o comunismo, são violentamente anti-maçónicos e que perseguiram a Maçonaria; e também sei que pouco teriam que perseguir pois na Rússia quase não havia Maçonaria. Considerarei os casos da Itália, da Espanha e da Alemanha.

Mussolini procedeu contra a Maçonaria, isto é, contra o Grande Oriente de Itália mais ou menos nos termos pagãos do projecto do Sr. José Cabral. Não sei se perseguiu muita gente, nem me importa saber. O que sei, de ciência certa, é que o Grande Oriente de Itália é um daqueles mortos que continuam de perfeita saúde. Mantém-se, concentra-se, tem-se depurado, e lá está à espera; se tem em que esperar é outro assunto. O camartelo do Duce pode destruir o edifício do comunismo italiano; não tem força para abater colunas simbólicas, vazadas num metal que procede da Alquimia.

Primo de Rivera procedeu mais brandamente, conforme a sua índole fidalga, contra a Maçonaria Espanhola. Também sei ao certo qual foi o resultado — o grande desenvolvimento, numérico como político, da Maçonaria em Espanha. Não sei se alguns fenómenos secundários, como, por exemplo, a queda da Monarquia, teriam qualquer relação com esse facto.

Hitler, depois de se ter apoiado nas três Grandes Lojas cristãs da Prússia, procedeu segundo o seu admirável costume ariano de morder a mão que lhe dera de comer. Deixou em paz as outras Grandes Lojas — as que o não tinham apoiado nem eram cristãs e, por intermédio de um tal Goering, intimou aquelas três a dissolverem-se. Elas disseram que sim — aos Goerings diz-se sempre que sim — e continuaram a existir. Por coincidência, foi depois de se tomar essa medida que começaram a surgir cisões e outras dificuldades adentro do partido nazi. A história, como o Sr. José Cabral deve saber, tem muitas destas coincidências.

(Fernando Pessoa, “Associações Secretas”, Da República (1910–1935), 132, pp. 395–396)

19 janeiro 2012

94 anos da dissolução da Assembleia Constituinte Russa, após 13 horas de existência, pelos Bolcheviques (1918)

[...] O próprio bolchevismo poderá na verdade ser interpretado pela figuras desmanchadas e reles de Lenine ou de Trotsky — esses infelizes que, em uma época científica, governam à romântica, [...]

(Fernando Pessoa, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 50, p. 262)

14 janeiro 2012

O eterno retorno da polémica anti-Maçonaria

Estreou-se a Assembleia Nacional, do ponto de vista legislativo, com a apresentação, por um deputado, de um projecto de lei sobre «associações secretas». De tal ordem é o projecto, tanto em natureza como em conteúdo, que não há que felicitar o actual Parlamento por lhe ter sido dada essa estreia. Antes que dizer-lhe Absit omen!, ou seja, em português, Longe vá o agouro!

Apresentou o projecto o Sr. José Cabral, que, se não é dominicano, deveria sê-lo, de tal modo o seu trabalho se integra, em natureza, como em conteúdo, nas melhores tradições dos Inquisidores. O projecto, que todos terão lido nos jornais, estabelece várias e fortes sanções (com excepção da pena de morte) para todos quantos pertençam ao que o seu autor chama «associações secretas, sejam quais forem os seus fins e organização».

Dada a latitude desta definição, e considerando que por «associação» se entende um agrupamento de homens, ligados por um fim comum, e que por «secreto» se entende o que, pelo menos parcialmente, se não faz à vista do público, ou, feito, se não torna inteiramente público, posso, desde já, denunciar ao Sr. José Cabral uma associação secreta — o Conselho de ministros. De resto, tudo quanto de sério ou de importante se faz em reunião neste mundo, faz-se secretamente. Se não reúnem em público os Conselhos de ministros, também não o fazem as direcções dos partidos políticos, as tenebrosas figuras que orientam os clubes desportivos ou os sinistros comunistas que tornam os conselhos de administração das companhias comerciais e industriais.

(Fernando Pessoa, “Associações Secretas”, Da República (1910–1935), 132, pp. 391–392)

25 novembro 2011

36 anos do golpe militar que pôs fim ao PREC, Processo Revolucionário em Curso (1975)

Todo o grande partido político de oposição, ou seja, todo o partido de oposição que adquire vulto bastante para subverter um regime ou parte dele, se forma com a congregação de três elementos distintos, e não está completo, nem apto para efectuar o intuito, em torno do qual se gerou, senão quando efectivamente congrega todos esses elementos.

Esses três elementos são: um pequeno grupo de idealistas cujas ideias se infiltram abstractamente por vária gente inactiva; um grupo maior de homens de acção, atraídos pelos elementos activos e combativos do partido, e já distante psiquicamente de todo o idealismo propriamente dito; um grupo máximo de indivíduos violentos e indisciplinados, uns sinceros, outros meio sinceros, outros ainda pseudo-sinceros, que, por sua própria natureza de indisciplinados e violentos, ou desadaptados do meio, naturalmente se agregam a toda a fórmula Política que está numa oposição extrema.

Quando o regime ou fórmula, que assim formou partido, conquista o poder, desaparecem os idealistas, pelo menos na sua acção, que acabou historicamente com a realização; assumem o poder os homens práticos, os anónimos derivados dos idealistas e os mais elementos. Agregam-se, formando com estes últimos um pacto instintivo, os que querem comer do regime real. Tal é a história de todas as revoluções; por alto que seja o ideal de onde se despenharam, vêm sempre ter ao mesmo vale da sordidez humana.

Forma-se uma ditadura de inferiores. Um período revolucionário é sempre uma ditadura de inferiores.

(Fernando Pessoa, “Interregno”, Da República (1910–1935), 128, p. 383)

07 novembro 2011

94 anos da Revolução Bolchevique (1917)*

Tu, escravatura russa, Europa de malaios, libertação de mola desoprimida porque se partiu!

(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 281)


* 25 de Outubro, no Calendário Juliano, então em uso na Rússia.

04 outubro 2011

54 anos do lançamento do Sputnik 1, primeiro satélite artificial da Terra (1957)

«O chapéu do poeta Fernando Pessoa»
Pintura de Costa Pinheiro (1979)

14 setembro 2011

144 anos da publicação do volume I de O Capital, de Karl Marx (1867)

[...] Uma pedra não tem na ponta da língua (que aliás não possui) tudo o que afinal Karl Marx nunca disse ou quis dizer.

(Fernando Pessoa, Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão Pessoal, p. 373)

23 agosto 2011

Dia Europeu de Recordação da Vítimas dos Regimes Totalitários e Autoritários

Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé,
E ninguém sabe porquê.

(Fernando Pessoa, Poesia (1931–1935 e não datada), p. 380)

01 maio 2011

125 anos do Massacre de Haymarket (Chicago) e da luta pelo dia de trabalho de 8 horas (1886)

Henry Ford acaba de criar em suas fábricas a semana de cinco dias. E acaba de propor à consideração do mundo, como exemplo a seguir, esta redução filantrópica do trabalho dos seus operários. Sucede, porém, que já se sabe que os fabricantes de outros carros baratos americanos estão entrando pelas vendas dos automóveis Ford; que, ao passo que durante anos Ford produzia mais de metade dos automóveis fabricados nos Estados Unidos, produz agora [1926] apenas cerca de trinta e cinco por cento do total; que as fábricas Ford se vêem portanto confrontadas com o problema da sobre-produção, forçadas a produzir apenas sessenta e cinco por cento da sua capacidade, e obrigadas pois a trabalhar só quarenta horas por semana.

De sorte que, ao proclamar ao mundo como novo lema económico e moral a semana dos cinco dias, Henry Ford, sem ter que inventar para si um novo preceito prático, se limitou a seguir aquele, que é admirável, do mestre Macchiavelli: O que fazemos por necessidade, devemos fazer parecer que foi por vontade nossa que o fizemos.

(Fernando Pessoa, “Os preceitos práticos em geral e os de Henry Ford em particular”,
Crítica, pp. 341–342)

21 fevereiro 2011

163 anos do Manifesto do Partido Comunista (1848)

A aristocracia tem por norma a arte; a classe média tem por norma a vida social; o povo tem por norma a religião. Pela palavra religião entende-se a crença numa coisa absolutamente indemonstrável — e em geral impossível — que se crê ser a essência e o fim principal da vida. São religiões, não só as religiões assim chamadas, mas também as doutrinas radicais todas, e as crenças sinceras na igualdade humana, na justiça, na fraternidade, e em outros mitos igualmente vazios de realidade e de realização. Para que sejam religiões é preciso, porém, acreditar que são realizáveis. Desde que um homem use desses mitos para ganhar a vida, ou para intrujar o povo — como fazem grande número de chefes operários — deixa de ser da plebe, e passa a ser da classe superior. Faz muito bem.

(Fernando Pessoa, Pessoa por Conhecer, vol. II, 63, pp. 85–86)

21 janeiro 2011

61 anos da morte de George Orwell (1950)

Que milagre nos salvará da sinistra mania de ter razão?

(Bernardo Soares, Livro do Desassossego (Presença), vol. I, p. 244)

25 novembro 2010

Golpe militar põe fim ao PREC, Processo Revolucionário Em Curso (1975)

A única utilidade das revoluções é serem destrutivas, e tornar patente a necessidade da construção; é serem anárquicas, e tornarem patente a necessidade da ordem; é serem sempre estrangeiras, e estimularem, por reacção, a acção contra-revolucionária, sempre nacional.

(Fernando Pessoa, “O Preconceito Revolucionário”, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 46, p. 254)

07 novembro 2010

93 anos da Revolução Bolchevique (1917)*

O gado russo, aqueles animais a que se chama o povo russo... Há alguém que, a sério, julgue que a Revolução Russa transformou alguma coisa de fundamental? O Império do Czar vivia em anarquia governativa, em analfabetismo de letras e de energias; crê alguém que o bolchevismo eliminou a anarquia, crê alguém que o bolchevismo eliminou a tirania, crê alguém que o mero aparecimento de uns pobres cérebros românticos a mandar, sem a preparação científica para o pensamento ou para a acção [ ]
Os bolchevistas são cristãos sem religião; têm a mentalidade cristã, acreditam no milagre, porque julgam que uma sociedade se transforma de um dia para o outro [...].

(Fernando Pessoa, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 11, p. 114)


* 25 de Outubro, no Calendário Juliano, então em uso na Rússia.