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17 abril 2012

222 anos da morte de Benjamin Franklin (1790)

[...] bateu-me no olhar da alma, como um relâmpago batera no do corpo [...]

(Barão de Teive, Pessoa por Conhecer, vol. II, 200, p. 245)

08 março 2012

98 anos do «dia triunfal» da vida de Fernando Pessoa (1914)

Começo pela parte psiquiátrica. A origem dos meus heterónimos é o fundo traço de histeria que existe em mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histero-neurasténico. Tendo para esta segunda hipótese, porque há em mim fenómenos de abulia que a histeria, propriamente dita, não enquadra no registo dos seus sintomas. Seja como for, a origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação. [...]

[...]

Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. (Não sei, bem entendido, se realmente não existiram, ou se sou eu que não existo. Nestas coisas, como em todas, não devemos ser dogmáticos). Desde que me conheço como sendo aquilo a que chamo eu, me lembro de precisar mentalmente, em figura, movimentos, carácter e história, várias figuras irreais que eram para mim tão visíveis e minhas como as coisas daquilo a que chamamos, porventura abusivamente, a vida real. Esta tendência, que me vem desde que me lembro de ser um eu, tem-me acompanhado sempre, mudando um pouco o tipo de música com que me encanta, mas não alterando nunca a sua maneira de encantar.

(Fernando Pessoa, Correspondência (1923–1935), 162, pp. 340–341)



Diversos heterónimos e personagens pessoanas
Cartoon de Rui Pimentel (1988)


Notas:
  1. Teresa Rita Lopes (Pessoa por Conhecer, vol. I, pp. 167–169) lista 72 dramatis personae pessoanas, isto é, personagens do «romance-drama-em-gente» criado por aquele «que brincava a ser muitos». Dois dos nomes (truncados) apresentados por Rui Pimentel não constam dessa lista: “César Augusto” e “Hermínia”, este último com muitas reservas da nossa parte, pois as letras são pouco mais do que vestigiais (sendo esta a única possibilidade que nos ocorre como compatível com o pouco que se lê).

  2. Teresa Rita Lopes (op. cit., p. 172) refere o facto de 72 ser o número de discípulos de Cristo (Lucas 10:1; algumas versões referem 70 e não 72, indefinição numérica habitual na mística judaica); a autora faz ainda inúmeras referências (por ex., pp. 83, 160, 163) à aspiração de Pessoa a ser «toda a gente» e à relação disto com Deus («Deus é toda a gente»), no fundo, a aspiração a ser Deus («Quanto mais personalidades eu tiver [...] Mais análogo serei a Deus»). No entanto, parece escapar a esta autora um facto importante: na tradição cabalística, 72 são precisamente os Nomes de Deus.

  3. A lista de Teresa Rita Lopes inclui personagens correspondentes a diferentes níveis de despersonalização: os heterónimos aceites por Pessoa como rigorosamente tal (Caeiro, Reis e Campos) e semi-heterónimos (Soares, Mora); tradutores e divulgadores estrangeiros da cultura portuguesa em geral e da obra de heterónimos pessoanos em particular (Search, Crosse); autores diversos (ensaístas, críticos literários, poetas, contistas, jornalistas...), de quem existe alguma obra, ainda que fragmentária; colaboradores dos “jornais” da infância e juventude; autores fictícios referidos nesses jornais; poetas revelados em comunicações mediúnicas... Teresa Rita Lopes não incluiu na lista Fernando Pessoa ortónimo nem «conhecidos inexistentes» como, por exemplo, o capitão Thibeaut ou o Chevalier de Pas, adoptando o critério de apenas listar aqueles em que «o brincar a ser muitos atingiu o nível da escrita» (p. 173). No entanto, alguns autores fictícios do tempo dos jornais de infância apenas são referidos enquanto tal (incluindo título das supostas obras), não havendo provas de que Pessoa chegou de facto a escrever em nome deles; por outro lado, Pessoa afirma ter escrito cartas a si mesmo em nome de Chevalier de Pas (ainda que essas alegadas cartas não sejam conhecidas).

11 setembro 2011

120 anos do suicídio de Antero de Quental (1891)

O conflito que nos queima a alma, deu-o Antero mais que outro poeta, porque tinha a igual altura do sentimento e da inteligência. É o conflito entre a necessidade emotiva da crença e a impossibilidade intelectual de crer.

(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 32)

30 setembro 2010

72 anos do Acordo de Munique, que entregou a região checa dos Sudetas à Alemanha Nazi (1938)

Sempre que, em qualquer coisa, tive um rival ou a possibilidade de um rival, desde logo abdiquei sem hesitar.

(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 20)

26 setembro 2010

Dia Mundial do Coração

Sinto o coração como um peso inorgânico.

(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 28)

06 setembro 2010

Fé, cepticismo, religião e irreligião

Pertenço a uma geração — suponho que essa geração seja mais pessoas que eu — que perdeu por igual a fé nos deuses das religiões antigas e a fé nos deuses das irreligiões modernas.

(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 26)

04 setembro 2010

Egocentrismo

Há qualquer coisa de sórdido, e de tanto mais sórdido quanto é ridículo, neste uso, que têm os fracos, de erigir em tragédias do universo as comédias tristes das tragédias próprias.

(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 52)

20 maio 2010

1685 anos do início do I Concílio de Niceia, que adoptaria os primeiros dogmas do Cristianismo (325 DC)

Princípios absolutos, e por isso falsos; ridículos e por isso inestéticos

(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 55)

14 fevereiro 2010

Dia dos Namorados

[...] decidi abdicar do amor como de um problema insolúvel.

(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 22)


Pessoa com coração no colarinho
Aguarela de Hermenegildo Sábat
(Fonte: Público)

21 novembro 2009

Dia Mundial da Televisão

Não ensines nada, pois ainda tens tudo que aprender.

(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 42)

19 novembro 2009

Dia Mundial da Filosofia

Contra a maioria das doutrinas filosóficas tenho a queixa de que são simples; o facto de quererem explicar é prova bastante de tal, pois explicar é simplificar.

(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 33)



Para cada filósofo, Deus é da sua opinião.

(Bernardo Soares, Aforismos e afins, p. 67)

26 agosto 2009

(I)moralidade e intelecto

Para que um homem possa ser distintivamente e absolutamente moral, tem que ser um pouco estúpido. Para que um homem possa ser absolutamente intelectual, tem que ser um pouco imoral.

(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 20)

11 julho 2009

11 Jul 1947: o Exodus zarpava para a Terra Santa

Estou liberto e decidido

(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 18)

10 maio 2009

Egocentrismo

Há qualquer coisa de vil, de degradante, nesta transposição das nossas mágoas para o universo inteiro;

(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 31)

Astrologia

[...] o sermos tristes nada prova sobre o estado moral dos astros,

(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 56)



Carta astral de Fernando Pessoa, feita pelo próprio

01 maio 2009

Dia do Trabalhador

Tudo, quanto penso ou sinto, inevitavelmente se me volve em modos de inércia.

(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 36)