(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 282)
02 dezembro 2010
205 anos da Batalha de Austerlitz (1805)
Nem um impulso militar que tenha sequer o vago cheiro de um Austerlitz!
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01 dezembro 2010
30 novembro 2010
75 anos da morte de Fernando Pessoa (1935)
Late F A N Pessoa who is thought to have committed suicide: at least he blew up a country-house in which he was, dying he and several other people. [...]
[ O falecido F A N Pessoa que se supõe ter-se suicidado: pelo menos fez explodir uma casa de campo em que estava, morrendo ele e várias outras pessoas. [...] ]
[ O falecido F A N Pessoa que se supõe ter-se suicidado: pelo menos fez explodir uma casa de campo em que estava, morrendo ele e várias outras pessoas. [...] ]
(Faustino Antunes, Pessoa por Conhecer, vol. II, 22, p. 32;
em inglês no original; tradução com alterações)
em inglês no original; tradução com alterações)
110 anos da morte de Oscar Wilde (1900)
Falar é ter demasiada consideração pelos outros. Pela boca morrem o peixe e Oscar Wilde.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 470, p. 413)
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29 novembro 2010
203 anos da fuga da família real portuguesa para o Brasil (1807)
Quando nos iremos, ah quando iremos de aqui?
Quando, [...]
Do meio destas vontades involuntariamente
Tão contrárias à minha, tão contrárias a mim?!
Ah, navio que partes, que tens por fim partir,
Navio com velas, [...] navio com remos,
Navio com qualquer coisa com que nos afastemos,
Navio de qualquer modo deixando atrás esta costa,
Quando, [...]
Do meio destas vontades involuntariamente
Tão contrárias à minha, tão contrárias a mim?!
Ah, navio que partes, que tens por fim partir,
Navio com velas, [...] navio com remos,
Navio com qualquer coisa com que nos afastemos,
Navio de qualquer modo deixando atrás esta costa,
(Álvaro de Campos, Poesia, 61, p. 292)
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136 anos do nascimento de António Egas Moniz, Prémio Nobel da Medicina (1874)
[...] Se o que há de lixo moral e mental em todos os cérebros pudesse ser varrido [...]
(Fernando Pessoa, Textos Filosóficos, vol. I, IV, 50, p. 141)
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25 novembro 2010
Golpe militar põe fim ao PREC, Processo Revolucionário Em Curso (1975)
A única utilidade das revoluções é serem destrutivas, e tornar patente a necessidade da construção; é serem anárquicas, e tornarem patente a necessidade da ordem; é serem sempre estrangeiras, e estimularem, por reacção, a acção contra-revolucionária, sempre nacional.
(Fernando Pessoa, “O Preconceito Revolucionário”, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 46, p. 254)
24 novembro 2010
378 anos do nascimento de Baruch Espinosa (1632)
Spinoza. Here at last the genius appears, true genius, having that which Descartes had not, the fearlessness and the lack of respect for the established. Honours to the master-thinker who, prosecuted, hated, accurst, stood by truth, lived for truth, suffered for (the sake of) truth!
[ Espinosa. Aqui finalmente surge o génio, verdadeiro génio, tendo aquilo que Descartes não tinha, a temeridade e a falta de respeito pelo estabelecido. Honras ao mestre-pensador que, perseguido, odiado, maldito, manteve-se com a verdade, viveu para a verdade, sofreu em prol da verdade! ]
(Fernando Pessoa, Textos Filosóficos, vol. II, p. 203; em inglês no original)
[ Espinosa. Aqui finalmente surge o génio, verdadeiro génio, tendo aquilo que Descartes não tinha, a temeridade e a falta de respeito pelo estabelecido. Honras ao mestre-pensador que, perseguido, odiado, maldito, manteve-se com a verdade, viveu para a verdade, sofreu em prol da verdade! ]
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22 novembro 2010
21 novembro 2010
316 anos do nascimento de François-Marie Arouet, dito Voltaire (1694)
Nós realizamos, modernamente, o sentido preciso daquela frase de Voltaire, onde diz que, se os mundos são habitados, a Terra é o manicómio do Universo.
(António Mora, Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, 299)
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18 novembro 2010
Portugal 4 – Espanha 0
E para isto se fundou Portugal!
(Álvaro de Campos, Poesia, 20, p. 144)
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286 anos da morte de Bartolomeu de Gusmão (1724)
Numa viagem oblíqua do meu leito de moribundo
Viagem em diagonal às dimensões dos objectos
Para o canto do tecto mais longe, a cama erguer-se-á do chão,
Erguer-se-á como um balão ridículo e seguirá
Viagem em diagonal às dimensões dos objectos
Para o canto do tecto mais longe, a cama erguer-se-á do chão,
Erguer-se-á como um balão ridículo e seguirá
(Álvaro de Campos, “A Partida”, Poesia, 27b, p. 219)
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17 novembro 2010
Reunião dos Ministros da Economia e das Finanças (Ecofin) da União Europeia
Homens-altos de Lilliput-Europa, passai por baixo do meu Desprezo!
(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 282)
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16 novembro 2010
Dia Nacional do Mar
O mar é a religião da Natureza.
(Fernando Pessoa, Aforismos e afins, p. 30)
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14 novembro 2010
A religião e a plebe
A religião é um mal necessário. Nenhum país pode viver sem religião, pela simples razão que a religião é a vida superior [...] da plebe, e nenhum país pode viver sem plebe.
(Fernando Pessoa, Pessoa por Conhecer, vol. II, 64, p. 86)
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11 novembro 2010
Dia de “São” Martinho

«Fernando Pessoa, em flagrante delitro.»* (1929)
* Comentário manuscrito pelo próprio no verso da fotografia
(Fotobiografias do Século XX: Fernando Pessoa, pp. 156–157)
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10 novembro 2010
3 anos do «¿Por qué no te callas?» (2007)
[...] quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Cala-te aí, sendeiro! Deixa ouvir.
[...]
A besta não se calará?!
(Álvaro de Campos, “Poema em linha recta”, Poesia, 41, p. 262)
Cala-te aí, sendeiro! Deixa ouvir.
[...]
A besta não se calará?!
(Fernando Pessoa, Fausto — Tragédia Subjectiva, p. 142)
08 novembro 2010
336 anos da morte de John Milton (1674)
Milton foi o maior dos poetas modernos porque se serviu da mitologia cristã, em que acreditava, mas alterando-a a seu modo, como um grego à sua.
(António Mora, Pessoa Inédito, 149, p. 272)
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07 novembro 2010
93 anos da Revolução Bolchevique (1917)*
O gado russo, aqueles animais a que se chama o povo russo... Há alguém que, a sério, julgue que a Revolução Russa transformou alguma coisa de fundamental? O Império do Czar vivia em anarquia governativa, em analfabetismo de letras e de energias; crê alguém que o bolchevismo eliminou a anarquia, crê alguém que o bolchevismo eliminou a tirania, crê alguém que o mero aparecimento de uns pobres cérebros românticos a mandar, sem a preparação científica para o pensamento ou para a acção [ ]
Os bolchevistas são cristãos sem religião; têm a mentalidade cristã, acreditam no milagre, porque julgam que uma sociedade se transforma de um dia para o outro [...].
* 25 de Outubro, no Calendário Juliano, então em uso na Rússia.
Os bolchevistas são cristãos sem religião; têm a mentalidade cristã, acreditam no milagre, porque julgam que uma sociedade se transforma de um dia para o outro [...].
(Fernando Pessoa, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 11, p. 114)
* 25 de Outubro, no Calendário Juliano, então em uso na Rússia.
05 novembro 2010
13 anos da morte de Isaiah Berlin (1997)
[...] Meu filho: tenho visto muita coisa neste mundo, mas não vi ainda a liberdade.
(Fernando Pessoa, “5 Diálogos sobre a Tirania”, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 72, p. 329)
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02 novembro 2010
60 anos da morte de George Bernard Shaw (1950)
Fora tu, George Bernard Shaw, vegetariano do paradoxo, charlatão da sinceridade, tumor frio do ibsenismo, arranjista da intelectualidade inesperada, Kilkenny-Cat de ti próprio, Irish Melody calvinista com letra da Origem das Espécies!
(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 279)
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01 novembro 2010
532 anos da instauração da Inquisição em Espanha (1478)
I am sorry to say that I feel in myself the indication that if I had been born in Spain some [] centuries ago, I might have made a very good inquisitor.
[ Lamento dizer que detecto em mim a indicação de que se tivesse nascido em Espanha há uns [] séculos, poderia ter dado um excelente inquisidor. ]
[ Lamento dizer que detecto em mim a indicação de que se tivesse nascido em Espanha há uns [] séculos, poderia ter dado um excelente inquisidor. ]
(Fernando Pessoa, Pessoa por Conhecer, vol. II, 8, p. 22; em inglês no original)
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30 outubro 2010
27 outubro 2010
História
O historiador é um homem que põe os factos nos seus devidos lugares. Não é como foi; é assim mesmo.
(Álvaro de Campos, Aforismos e afins, p. 41)
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História
24 outubro 2010
Discussão do Orçamento de Estado 2011
[...] esta fúnebre marcha de títeres tristes que é o deslizar diário da nossa vida nacional.
(António Mora, Pessoa por Conhecer, vol. II, 231, p. 273)
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21 outubro 2010
Fernando Pessoa em Nova Iorque
Vídeo de Ricardo Cobra.
Poema de João Pedro Pais cantado por Ana Moura
http://www.youtube.com/watch?v=kc7iJQFPmaw
Poema de João Pedro Pais cantado por Ana Moura
http://www.youtube.com/watch?v=kc7iJQFPmaw
18 outubro 2010
476 anos do “Affaire des Placards”, afixação de cartazes críticos da doutrina católica nas ruas de Paris (1534)
[...] O cristismo é a inversão dos valores humanos. Não submergiu a sociedade, porque a sociedade tem, na sua própria constituição como tal, a maior defesa contra o cristismo. Não matou a vida humana. porque, para ser vida, ela tem que não deixar-se morrer. O cristismo nasceu na época da decadência romana. Ainda, na sua forma católica — a mais abjecta de todas, porque o protestantismo de certo modo impôs uma disciplina por via do seu latente paganismo nórdico — a religião cristã é uma religião da decadência romana. Quem vive dentro do cristianismo, vive ainda no império romano em decadência. Da sua origem o cristismo guarda os seus característicos. O que o berço dá a tumba o leva.
(António Mora, Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, 249)
17 outubro 2010
Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza
Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa
Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara
Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele;
E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha
(Excepto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro:
Não sou parvo nem romancista russo, aplicado,
E romantismo, sim, mas devagar...).
Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara
Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele;
E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha
(Excepto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro:
Não sou parvo nem romancista russo, aplicado,
E romantismo, sim, mas devagar...).
(Álvaro de Campos, Poesia, 64, p. 297)
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16 outubro 2010
156 anos do nascimento de Oscar Wilde (1854)
[...] Wilde, que nunca foi uma figura de destaque na literatura inglesa, mas apenas na sociedade inglesa e no meio literário londrino — o que não é a mesma coisa. A sua prosa pesada cai ou manca na civilização inglesa; [...]
(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 244, p. 390)
13 outubro 2010
120 anos do “nascimento” de Álvaro de Campos (1890)

Assinatura de Álvaro de Campos

Carta astral de Álvaro de Campos,
manuscrita por Fernando Pessoa*
manuscrita por Fernando Pessoa*
* Em carta a Adolfo Casais Monteiro, datada de 13 de Janeiro de 1935, Fernando Pessoa apresenta uma cronologia ligeiramente diferente: Álvaro de Campos teria nascido à 1h30 da tarde do dia 15 de Outubro. (Fernando Pessoa, Correspondência (1923–1935), 162, pp. 344–345)
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10 outubro 2010
Dia Mundial da Saúde Mental
A alma humana é um manicómio de caricaturas.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 242, p. 238)
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07 outubro 2010
Prémio Nobel da Literatura
[...] Estou agora completando uma versão inteiramente remodelada do Banqueiro Anarquista; essa deve estar pronta em breve e conto, desde que esteja pronta, publicá-la imediatamente. Se assim fizer, traduzo imediatamente esse escrito para inglês, e vou ver se o posso publicar em Inglaterra. Tal qual deve ficar, tem probabilidades europeias. (Não tome esta frase no sentido de Prémio Nobel imanente.) [...]
Referi-me, como viu, ao Fernando Pessoa só. Não penso nada do Caeiro, do Ricardo Reis ou do Álvaro de Campos. Nada disso poderei fazer, no sentido de publicar, excepto quando (ver mais acima) me for dado o Prémio Nobel. [...]
Referi-me, como viu, ao Fernando Pessoa só. Não penso nada do Caeiro, do Ricardo Reis ou do Álvaro de Campos. Nada disso poderei fazer, no sentido de publicar, excepto quando (ver mais acima) me for dado o Prémio Nobel. [...]
(Fernando Pessoa, Correspondência (1923–1935), 162, pp. 339–340)
05 outubro 2010
100 anos da Implantação da República (1910)
Num mar de mijo havia um penico sem tampa
Mesmo tapado tinha o que contém: só trampa.
Dum malídoro vento ele boia ao sabor
Que em si tem incerteza;
Eis o símbolo (deixo o detalhe ao leitor)
Da monarquia portuguesa.

Mesmo tapado tinha o que contém: só trampa.
Dum malídoro vento ele boia ao sabor
Que em si tem incerteza;
Eis o símbolo (deixo o detalhe ao leitor)
Da monarquia portuguesa.
(Joaquim Moura Costa, Pessoa Inédito, 202, p. 341)

Ilustração de Fernando Carvall
Monarquia Portuguesa vs. Primeira República: descubra as diferenças
[...] A República Velha falhou mesmo como fenómeno destrutivo: destruiu mal e destruiu por maus processos.
Destruiu mal porque destruiu pouco. Destruir a Monarquia não é só tirar o Rei: é também, é sobretudo substituir os tipos de mentalidade governantes por outros tipos de mentalidade. [...]
A República Velha nada alterou das tradições desonrosas da Monarquia. Mudou apenas a maneira de cometer os erros; os erros continuaram sendo os mesmos. Em vez de um regime católico, um regime anticatólico, isto é, um regime que logo arregimentava como inimigos os católicos. Em vez de uma República portuguesa, de um regime nacional, uma república francesa em Portugal. E assim como a Monarquia Constitucional havia sido um sistema inglês (ou anglo-francês) sobreposto à realidade da Pátria Portuguesa, a República Velha foi um sistema francês sobreposto à mesma realidade pátria. No que respeita aos erros de administração — a incompetência, a imoralidade, o caciquismo — ficámos na mesma, mudando apenas os homens que faziam asneiras, que praticavam roubos e que escamoteavam “eleições”. De sorte que a República Velha era a Monarquia sem Rei. [...]
Destruiu mal porque destruiu pouco. Destruir a Monarquia não é só tirar o Rei: é também, é sobretudo substituir os tipos de mentalidade governantes por outros tipos de mentalidade. [...]
(Fernando Pessoa, Da República (1910–1935), 98, p. 243)
A República Velha nada alterou das tradições desonrosas da Monarquia. Mudou apenas a maneira de cometer os erros; os erros continuaram sendo os mesmos. Em vez de um regime católico, um regime anticatólico, isto é, um regime que logo arregimentava como inimigos os católicos. Em vez de uma República portuguesa, de um regime nacional, uma república francesa em Portugal. E assim como a Monarquia Constitucional havia sido um sistema inglês (ou anglo-francês) sobreposto à realidade da Pátria Portuguesa, a República Velha foi um sistema francês sobreposto à mesma realidade pátria. No que respeita aos erros de administração — a incompetência, a imoralidade, o caciquismo — ficámos na mesma, mudando apenas os homens que faziam asneiras, que praticavam roubos e que escamoteavam “eleições”. De sorte que a República Velha era a Monarquia sem Rei. [...]
(Fernando Pessoa, Da República (1910–1935), 101, p. 249)
03 outubro 2010
100 anos da morte de Miguel Bombarda (1910)
[...] The Portuguese Monarchy was overthrown by two regiments, two cruisers and a handful of civilians. The Portuguese Revolution, which no one expected, was caused by the shooting of a Republican leader, Prof. Bombarda, director of the Lisbon Lunatic Asylum, by a madman — an act which no one connected, or thought of connecting, with politics. Out of such minorities, and of such absurdities, does triumph emerge. [...]
[ [...] A Monarquia Portuguesa foi derrubada por dois regimentos, dois cruzadores e uma mão-cheia de civis. A Revolução Portuguesa, que ninguém esperava, foi causada pelo assassinato de um líder republicano, o Prof. Bombarda, director do Hospital Psiquiátrico de Lisboa, por um louco — um acto que ninguém ligou, ou pensou ligar, à política. De tais minorias, e de tais absurdos, é que o triunfo emerge. [...] ]
(Fernando Pessoa, Da República (1910–1935), 120, pp. 367–368; em inglês no original)
[ [...] A Monarquia Portuguesa foi derrubada por dois regimentos, dois cruzadores e uma mão-cheia de civis. A Revolução Portuguesa, que ninguém esperava, foi causada pelo assassinato de um líder republicano, o Prof. Bombarda, director do Hospital Psiquiátrico de Lisboa, por um louco — um acto que ninguém ligou, ou pensou ligar, à política. De tais minorias, e de tais absurdos, é que o triunfo emerge. [...] ]
(p. 372; tradução com alterações)
01 outubro 2010
30 setembro 2010
72 anos do Acordo de Munique, que entregou a região checa dos Sudetas à Alemanha Nazi (1938)
Sempre que, em qualquer coisa, tive um rival ou a possibilidade de um rival, desde logo abdiquei sem hesitar.
(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 20)
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27 setembro 2010
Dia Mundial do Turismo
Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Viajar! Perder países!
(Álvaro de Campos, Poesia, 34, p. 251)
Viajar! Perder países!
(Fernando Pessoa, Poesia (1931–1935 e não datada), p. 168)
26 setembro 2010
Dia Mundial do Coração
Sinto o coração como um peso inorgânico.
(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 28)
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Dia Europeu das Línguas
Now, taking not only the present but immediate future, in so far as it may be considered as developing on the embryo conditions of our time, there are only three languages with a popular future — English (which has already a widespread hold), Spanish and Portuguese. They are the languages spoken in America, and in so far as Europe means European civilization, Europe is becoming more and more settled in the Western continent. Such languages as French, German and Italian are never anything but European: they have no imperial power. So long as Europe was the world, they held their own, and even triumphed over the other three, for English was insular and Spanish and Portuguese right at the end. But when the world became the earth, the scene shifted.
It is therefore among these three languages that the future of the future will lie.
It is therefore among these three languages that the future of the future will lie.
(Thomas Crosse, Pessoa Inédito, 108, p. 236; em inglês no original)
[ Ora, falando não só do presente mas também do futuro imediato, na medida em que este possa ser considerado como desenvolvendo-se a partir das condições embrionárias do nosso tempo, só há três línguas com um futuro popular — o Inglês (que já tem uma larga difusão), o Espanhol e o Português. São as línguas faladas na América, e na medida em que Europa significa civilização europeia, a Europa tem-se radicado cada vez mais no continente ocidental. Línguas como o Francês, o Alemão e o Italiano nunca serão senão europeias: não têm poder imperial. Enquanto a Europa foi o mundo, elas mantiveram a sua posição, e triunfaram mesmo sobre as outras três, pois o Inglês era insular e o Espanhol e o Português encontravam-se no seu extremo. Mas quando o mundo passou a ser o globo terrestre, este cenário alterou-se.
Será portanto entre estas três línguas que o futuro do futuro assentará. ]
Será portanto entre estas três línguas que o futuro do futuro assentará. ]
(p. 237; tradução com alterações)
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24 setembro 2010
22 setembro 2010
Dia Europeu sem Carros
E só os carros passam, passam — cessam depois para nós mesmos
(Álvaro de Campos, “Ode Marcial”, Poesia, 23d, p. 154)
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21 setembro 2010
Dia Internacional da Paz
E ficou tudo na mesma [...]
(Álvaro de Campos, Poesia, 20, p. 144)
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Paz/Pacifismo
19 setembro 2010
16 setembro 2010
14 setembro 2010
143 anos da publicação do volume I de O Capital, de Karl Marx (1867)
A liberdade individual não pode existir senão depois de conquistada a liberdade social, e, principalmente, a económica. [...]
Ora a liberdade económica existe pela existência do capital. É impossível universalmente; e o socialismo, em vez de ser uma libertação económica, é uma ausência completa de liberdade. O socialismo torna extensivo a toda a gente o servismo da maioria. Não são os escravos que querem libertar-se: são os escravos que querem escravizar tudo. Se eu sou corcunda, sejam todos corcundas.
Ora a liberdade económica existe pela existência do capital. É impossível universalmente; e o socialismo, em vez de ser uma libertação económica, é uma ausência completa de liberdade. O socialismo torna extensivo a toda a gente o servismo da maioria. Não são os escravos que querem libertar-se: são os escravos que querem escravizar tudo. Se eu sou corcunda, sejam todos corcundas.
(Fernando Pessoa, “Diálogos sobre a Tirania”, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 77, p. 333)
11 setembro 2010
A intolerância de todas as fés
A tolerância é impossível ao crente verdadeiro de qualquer fé [...]. Quem tem a sua religião por verdadeira, e por certa só dentro dela a salvação das almas, não pode senão considerar como um crime de tal vulto, que excede todos os crimes deste mundo, o pregar outra religião, que não essa, ou o desviar dela aqueles que só nela terão sua salvação. Nada há pois que pasmar do espírito perseguidor dos inquisidores, dos puritanos, e de todos quantos têm deveras uma fé que supõem universal. [...]
(Fernando Pessoa, “Bandarra”, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 86, p. 236)
10 setembro 2010
Dia Mundial para a Prevenção do Suicídio
Cansa tanto viver! Se houvesse outro modo de vida!...
(Fernando Pessoa, Aforismos e afins, p. 19)
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08 setembro 2010
2489 anos do início da Batalha de Termópilas (480 AC)*
Nem viúva nem filho lhe pôs na boca o óbolo, com que pagasse a Caronte. [...]
Morreu pela Pátria [...]. Deu a vida com toda a inteireza da alma: [...] por amor à Pátria, não por consciência dela. Defendeu-a como quem defende uma mãe, de quem somos filhos não por lógica, senão por nascimento. Fiel ao segredo primevo, não pensou nem quis, mas viveu a sua morte instintivamente, como havia vivido a sua vida. A sombra que usa agora se irmana com as que caíram em Termópilas, fiéis na carne ao juramento em que haviam nascido.
* Data conjectural
Morreu pela Pátria [...]. Deu a vida com toda a inteireza da alma: [...] por amor à Pátria, não por consciência dela. Defendeu-a como quem defende uma mãe, de quem somos filhos não por lógica, senão por nascimento. Fiel ao segredo primevo, não pensou nem quis, mas viveu a sua morte instintivamente, como havia vivido a sua vida. A sombra que usa agora se irmana com as que caíram em Termópilas, fiéis na carne ao juramento em que haviam nascido.
(Bernardo Soares, “Cenotáfio”, Livro do Desassossego, pp. 423–424)
* Data conjectural
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06 setembro 2010
Fé, cepticismo, religião e irreligião
Pertenço a uma geração — suponho que essa geração seja mais pessoas que eu — que perdeu por igual a fé nos deuses das religiões antigas e a fé nos deuses das irreligiões modernas.
(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 26)
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04 setembro 2010
Egocentrismo
Há qualquer coisa de sórdido, e de tanto mais sórdido quanto é ridículo, neste uso, que têm os fracos, de erigir em tragédias do universo as comédias tristes das tragédias próprias.
(Barão de Teive, A Educação do Estóico, p. 52)
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Tristeza
01 setembro 2010
29 agosto 2010
185 anos do reconhecimento da independência do Brasil por Portugal (1825)
A «águia imperial», no primeiro caso é Napoleão, pois que A às avessas e com a perna do meio tirada e posta atrás dá N, inicial daquele nome. No segundo caso é D. Pedro IV, que fundou o Império do Brasil, e o A às avessas dá V, e pondo atrás a perna do meio dá IV.
(Fernando Pessoa, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 48, p. 171)
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27 agosto 2010
Liberdade e solidão
A liberdade é a possibilidade do isolamento. [...] Se te é impossível viver só, nasceste escravo.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 283, pp. 272–273)
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Solidão
25 agosto 2010
110 anos da morte de Friedrich Nietzsche (1900)
São inúmeros, em todo o mundo, os discípulos de Nietzsche, havendo alguns deles que leram a obra do mestre.
(Fernando Pessoa, Textos Filosóficos, vol. I, IV, 46, p. 135)
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Filosofia
22 agosto 2010
Crédito malparado
[...] tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
(Álvaro de Campos, “Poema em linha recta”, Poesia, 41, p. 262)
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20 agosto 2010
18 agosto 2010
783 anos da morte de Gengis Khan (1227)
[...] uma heterogeneidade extraordinária de raças, extremamente diversas entre si, as quais não consistiam em meras hordas de meros bárbaros [...]
(Fernando Pessoa, “German War etc.”, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 35, p. 222)
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15 agosto 2010
241 anos do nascimento de Napoleão Bonaparte (1769)
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...

E não do tamanho da minha altura...
(Alberto Caeiro, “O Guardador de Rebanhos, VII”, Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 51)

Capa do livro O tamanho da minha altura (entre outras coisas)
Texto de Suzana Ramos, ilustrações de Marta Neto
(Assírio & Alvim, 2009)
Texto de Suzana Ramos, ilustrações de Marta Neto
(Assírio & Alvim, 2009)
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Nascimento
13 agosto 2010
49 anos do início da construção do Muro de Berlim (1961)
Mais terrível de que qualquer [outro] muro, pus grades altíssimas a demarcar o jardim do meu ser, de modo que, vendo perfeitamente os outros, perfeitissimamente eu os excluo e mantenho outros.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 120, p. 142)
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12 agosto 2010
103 anos do nascimento de Adolfo Rocha, futuro Miguel Torga (1907)
[...] Recebi, como v. me disse que receberia, o livro Rampa, de Adolfo Rocha. Passados uns dias — mais do que deveria ser — escrevi-lhe uma carta agradecendo o livro e dando, resumidamente, uma opinião. Como escrevi à pressa, para não demorar mais a resposta e o agradecimento, transferi a redacção para o sr. Eng. Álvaro de Campos, cujo talento para a concisão em muito sobreleva ao meu. O resumo da minha opinião, de cuja expressão o citado engenheiro se encarregou, é de que o livro é interessante (é, realmente, muito interessante) como sensibilidade, mas imperfeito e incompleto como uso dela; e é o uso da sensibilidade, e não a própria sensibilidade, que vale em arte. Não deixei de ser elogioso, até onde pude sê-lo; para além de onde podia sê-lo, confesso que o não fui.
Recebi, pouco depois, uma carta do Adolfo Rocha, que me deixou, durante um quarto de hora, perplexo sobre se deveria ou não responder. A carta é de alguém que se ofendeu na quarta dimensão. Não é bem áspera, nem é propriamente insolente, mas (a) intima-me a explicar a minha carta anterior, (b) diz que a minha opinião é a mais desinteressante que ele recebeu a respeito do livro dele, (c) explica, em diversos ângulos obtusos, que os intelectuais são ridículos e que a era dos Mestres já passou.
A carta não tinha, realmente, resposta necessária; achei pois melhor não responder. Que diabo responderia? Em primeiro lugar, é indecente aceitar intimações em matéria extrajudicial. Em segundo lugar, eu não pretendera entrar num concurso de opiniões interessantes. Em terceiro lugar, eu só poderia responder desdobrando em raciocínios as imagens de que, na minha pressa, o sr. Eng. Álvaro de Campos se servira em meu nome; e isso me colocaria numa situação de prosa ainda mais intelectual e ainda mais de Mestre (com maiúscula) do que a anterior. Desisti. Patere et abstine, recomendavam os Estóicos.
Recebi, pouco depois, uma carta do Adolfo Rocha, que me deixou, durante um quarto de hora, perplexo sobre se deveria ou não responder. A carta é de alguém que se ofendeu na quarta dimensão. Não é bem áspera, nem é propriamente insolente, mas (a) intima-me a explicar a minha carta anterior, (b) diz que a minha opinião é a mais desinteressante que ele recebeu a respeito do livro dele, (c) explica, em diversos ângulos obtusos, que os intelectuais são ridículos e que a era dos Mestres já passou.
A carta não tinha, realmente, resposta necessária; achei pois melhor não responder. Que diabo responderia? Em primeiro lugar, é indecente aceitar intimações em matéria extrajudicial. Em segundo lugar, eu não pretendera entrar num concurso de opiniões interessantes. Em terceiro lugar, eu só poderia responder desdobrando em raciocínios as imagens de que, na minha pressa, o sr. Eng. Álvaro de Campos se servira em meu nome; e isso me colocaria numa situação de prosa ainda mais intelectual e ainda mais de Mestre (com maiúscula) do que a anterior. Desisti. Patere et abstine, recomendavam os Estóicos.
(Fernando Pessoa, Correspondência (1923–1935), 102, pp. 212–213)
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10 agosto 2010
10 Ago. 610: Laylat al-Qadr, início da “revelação” do Corão a Maomé
Vejo que delirei.
(Fernando Pessoa, Fausto — Tragédia Subjectiva, p. 179)
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Loucura,
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07 agosto 2010
216 anos do último auto-de-fé em Lisboa (1794)
[...] A Inquisição, que queimava os infiéis e os suspeitos; as perseguições religiosas, que exterminavam os contrários — nada disso é tirania religiosa: tudo isso é tirania política. A tirania religiosa é outra, de mais subtil e depravada espécie. A tirania religiosa é de índole hereditária e pedagógica. Cada vez que, opresso pela vida e posto à prova pela amargura, me lembro, no auge da minha angústia, de rezar, de recorrer à ideia de Cristo — então sou servo da verdadeira tirania religiosa. [...] A tirania religiosa é esta, é isto. A outra, que queima infiéis e escorraça pagãos, essa, como te disse, é tirania política exercida em nome da religião. Onde a religião deixa de ter força política, essa tirania deixa de existir.
(Fernando Pessoa, “5 Diálogos”, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 75, p. 331)
04 agosto 2010
432 anos da Batalha de Alcácer-Quibir (1578)
D. SEBASTIÃO, REI DE PORTUGAL
Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.
Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?
(Fernando Pessoa, Mensagem, Primeira Parte, III, p. 109)
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01 agosto 2010
30 julho 2010
112 anos da morte de Otto von Bismarck (1898)
Os estadistas de primeira ordem, como Bismarck ou Cromwell, governaram sempre contra a opinião pública. Os estadistas de segunda ordem, como Napoleão, governaram sempre com ela.
(Fernando Pessoa, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 58, p. 286)
28 julho 2010
27 julho 2010
40 anos da morte de Salazar (1970)
Salazar
Um cadáver emotivo, artificialmente galvanizado por uma propaganda...
Duas qualidades lhe faltam — a imaginação e o entusiasmo. Para ele o país não é a gente que nele vive, mas a estatística dessa gente.
Soma, e não segue.
Um cadáver emotivo, artificialmente galvanizado por uma propaganda...
Duas qualidades lhe faltam — a imaginação e o entusiasmo. Para ele o país não é a gente que nele vive, mas a estatística dessa gente.
Soma, e não segue.
(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 221, p. 365)
25 julho 2010
Proxeneta
Ganhando o pão da sua noite com o suor da fronte dos outros
(Álvaro de Campos, Poesia, 106, p. 373)
22 julho 2010
19 julho 2010
595 anos da morte de D. Filipa de Lencastre (1415)
D. FILIPA DE LENCASTRE
Que enigma havia em teu seio
Que só génios concebia?
Que arcanjo teus sonhos veio
Velar, maternos, um dia?
Volve a nós teu rosto sério,
Princesa do Santo Graal,
Humano ventre do Império,
Madrinha de Portugal!
(Fernando Pessoa, Mensagem, Primeira Parte, II, p. 97)
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18 julho 2010
Igreja Católica atribui a mesma gravidade à pedofilia e à ordenação de mulheres como padres
Maldita seja em toda a parte
A Igreja Católica
Maldita seja, com arte ou sem arte,
A Igreja Católica
E quando alguém por apanhar ar
Tiver uma cólica
E sinta preciso aliviar
Lembre-se sempre de bem cagar
Para a Igreja Católica.
Maldita seja, de rabo à vela,
A Igreja Católica
De toda retrete que seja capela
A Igreja Católica
Há só duas coisas a fazer para aquela
Igreja Católica
Cagar p’ra ela e mijar p’ra ela
Para a Igreja Católica.
Caguemos pois e tudo junto
Para a Igreja Católica
Até que o caso dê assunto
À Igreja Católica
Cagar também, também por cólica
Então ver-se-á e será ouvido
O que tem comido, e o que tem bebido,
O que tem sorvido e engolido
A Igreja Católica.
Notícia relacionada:
«Ordenamento de mulheres é crime a par da pedofilia para o Vaticano» (Público, 16/07/2010)
A Igreja Católica
Maldita seja, com arte ou sem arte,
A Igreja Católica
E quando alguém por apanhar ar
Tiver uma cólica
E sinta preciso aliviar
Lembre-se sempre de bem cagar
Para a Igreja Católica.
Maldita seja, de rabo à vela,
A Igreja Católica
De toda retrete que seja capela
A Igreja Católica
Há só duas coisas a fazer para aquela
Igreja Católica
Cagar p’ra ela e mijar p’ra ela
Para a Igreja Católica.
Caguemos pois e tudo junto
Para a Igreja Católica
Até que o caso dê assunto
À Igreja Católica
Cagar também, também por cólica
Então ver-se-á e será ouvido
O que tem comido, e o que tem bebido,
O que tem sorvido e engolido
A Igreja Católica.
(Joaquim Moura Costa, Pessoa por Conhecer, vol. II, 177, pp. 221–222.)
Notícia relacionada:
«Ordenamento de mulheres é crime a par da pedofilia para o Vaticano» (Público, 16/07/2010)
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16 julho 2010
16 Jul. 622: Fuga de Maomé de Meca para Medina (Hégira, início do Calendário Islâmico)
[...] dada a ingenuidade da sua visão, era natural que caísse[] no erro egocêntrico comum a todos os profetas que profetizam com intenção.
(Fernando Pessoa, “Bandarra”, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 41, p. 147)
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Profecias
A existência do dom de profecia é afirmada por muitos e negada por muitos. Na maioria dos casos, ou a linguagem profética é tão obscura que dela se pode fazer aplicação a qualquer facto, ou a abundância de pormenores é tão grande que dificilmente se encontrará um facto a que um ou outro dos pormenores se não possa ajustar. De sorte que o problema fundamental fica na mesma. Os que afirmam a existência do dom profético apontam o facto justificativo; os que lhe negam a existência apontam que qualquer facto, ainda que fosse contrário do que se deu, serviria igualmente, e portanto com igual inutilidade, de justificação.
(Fernando Pessoa, Crítica, p. 530)
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14 julho 2010
221 anos da Revolução Francesa (1789)
Nenhuma nação se pode transformar senão em várias gerações. As revoluções nada transformam, apenas trazem a transformação. A Revolução Francesa atrasou o povo francês perto de cinquenta anos; o seu único produto visível mais próximo foi (curiosa ironia) meramente literário, e, ainda assim, o romantismo francês, primeira obra positiva da Revolução, surgiu, antes de mais nada e apesar de sofrendo da indisciplina mental que essa revolução causou, como reacção contra essa Revolução.
(Fernando Pessoa, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 11, pp. 113–114)
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11 julho 2010
08 julho 2010
8 Jul. 1099: 15 000 Cruzados marcham em procissão em redor de Jerusalém para obter ajuda divina na conquista da cidade.
Apossar-te-ás do Império; dominarás em todo o Orbe e os muros de Jerusalém cairão debaixo dos teus ceptros.
(Fernando Pessoa, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 31, p. 141)
05 julho 2010
05 de Julho de 1932: Salazar, o “Ditador da Finanças”, assume a chefia do Governo
O Prof. Salazar tem, em altíssimo grau, as qualidades secundárias da inteligência e da vontade. É o tipo do perfeito executor das ordens de quem tenha as primárias.
O chefe do Governo tem uma inteligência lúcida e precisa; não tem uma inteligência criadora ou dominadora. Tem uma vontade firme e concentrada, não a tem irradiante e segura. É um tímido quando ousa, e um incerto quando afirma. Tudo quanto faz se ressente dessa penumbra dos Reis malogrados.
Quando muito, na escala da governação pública, poderia ser o mordomo do país.
[...]
O Chefe do Governo não é um estadista: é um arrumador. Para ele o país não se compõe de homens, mas de gavetas. Os problemas do trabalho e da miséria, como há ele de entendê-los, se os pretende resolver por fichas soltas e folhas móveis?
A alma humana é irredutível a um sistema de deve e haver. É-o, acentuadamente, a alma portuguesa.
Às vezes aproxima-se do povo, de onde saiu. E traz-lhe uma ternura de guarda-livros em férias, que sente que preferiria afinal estar no escritório.
É sempre e em tudo um contabilista, mas só um contabilista. Quando vê que o país sofre, troca as rubricas e abre novas contas. Quando sente que o país se queixa, faz um estorno. A conta fica certa.
O Prof. Salazar é um contabilista. A profissão é eminentemente necessária e digna. Não é, porém, profissão que tenha implícitas directivas. Um país tem que governar-se com contabilidade, não deve governar-se por contabilidade.
Assistimos à cesarização de um contabilista.
O chefe do Governo tem uma inteligência lúcida e precisa; não tem uma inteligência criadora ou dominadora. Tem uma vontade firme e concentrada, não a tem irradiante e segura. É um tímido quando ousa, e um incerto quando afirma. Tudo quanto faz se ressente dessa penumbra dos Reis malogrados.
Quando muito, na escala da governação pública, poderia ser o mordomo do país.
[...]
O Chefe do Governo não é um estadista: é um arrumador. Para ele o país não se compõe de homens, mas de gavetas. Os problemas do trabalho e da miséria, como há ele de entendê-los, se os pretende resolver por fichas soltas e folhas móveis?
A alma humana é irredutível a um sistema de deve e haver. É-o, acentuadamente, a alma portuguesa.
Às vezes aproxima-se do povo, de onde saiu. E traz-lhe uma ternura de guarda-livros em férias, que sente que preferiria afinal estar no escritório.
É sempre e em tudo um contabilista, mas só um contabilista. Quando vê que o país sofre, troca as rubricas e abre novas contas. Quando sente que o país se queixa, faz um estorno. A conta fica certa.
O Prof. Salazar é um contabilista. A profissão é eminentemente necessária e digna. Não é, porém, profissão que tenha implícitas directivas. Um país tem que governar-se com contabilidade, não deve governar-se por contabilidade.
Assistimos à cesarização de um contabilista.
(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 222, p. 366)
30 junho 2010
105 anos da publicação do artigo “On the Electrodynamics of Moving Bodies”, de Albert Einstein (1905)
[...] Convém ainda avisar esses mesmos leigos que a expressão «relatividade» é aqui empregada no seu sentido tradicional e lógico, e não no sentido, aliás infeliz e absurdo, em que se chama «da relatividade» à teoria de Einstein, que é simplesmente uma teoria, primeiro restrita, depois generalizada, do movimento relativo.
(Álvaro de Campos, “O que é a Metafísica?”, Crítica, p. 232)
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27 junho 2010
105 anos da Revolta do Couraçado Potemkin (1905)*
Every reverse and disaster of the Russian army or navy is in such a way made the subject of a jest among us, that we seem to have nothing more amusing. Some of the Russian admirals, even after their death or their capture, have caused us outbursts of sniggering. The Czar himself, when dismayed by revolution and by war, and when in distress and in grief over his armies, appears to be taken by the British people as an animate joke of great value.
To us, Englishmen, of all men the most egotistic, the thought has never occurred that misery and grief ennoble, despicable and self-caused though they be. A drunken woman reeling through the streets is a pitiable sight. The same woman falling awkwardly in her drunkenness is, mayhap, an amusing spectacle. But this very same woman, drunken and awkward though she be, when weeping the death of her child is no contemptible nor ridiculous creature, but a tragic figure as great as your Hamlets and your King Lears.
[ Cada revés e cada desastre do exército ou da armada russos foram de tal modo objecto de chacota entre nós, que parece que não achamos nada mais divertido. Alguns almirantes russos, mesmo depois da sua morte ou captura, fizeram-nos explodir em apupos. O próprio Czar, quando desencorajado pela revolução e pela guerra, e quando em grande sofrimento e dor por causa dos seus exércitos, parece ser tomado pelo povo britânico como uma piada muito divertida.
A nós, ingleses, os mais egocêntricos de todos os homens, nunca ocorreu a ideia de que a infelicidade e a dor enobrecem, por mais desprezíveis e auto-infligidas que sejam. Uma mulher embriagada cambaleando pelas ruas é um espectáculo digno de pena. A mesma mulher, se cair desajeitadamente no seu estado de embriaguez, talvez seja um espectáculo divertido. Mas esta mesma mulher, por mais desajeitada e embriagada que esteja, quando chora a morte de um filho, não é uma criatura desprezível e ridícula, mas sim uma figura trágica, tão grande como os vossos Hamlets e os vossos Reis Lears. ]
* 14 de Junho, no Calendário Juliano, então em uso na Rússia.
To us, Englishmen, of all men the most egotistic, the thought has never occurred that misery and grief ennoble, despicable and self-caused though they be. A drunken woman reeling through the streets is a pitiable sight. The same woman falling awkwardly in her drunkenness is, mayhap, an amusing spectacle. But this very same woman, drunken and awkward though she be, when weeping the death of her child is no contemptible nor ridiculous creature, but a tragic figure as great as your Hamlets and your King Lears.
(Charles Robert Anon, Carta ao “Natal Mercury”, 07–07–1905,
Correspondência (1905–1922), 1, pp. 13–14; em inglês no original)
Correspondência (1905–1922), 1, pp. 13–14; em inglês no original)
[ Cada revés e cada desastre do exército ou da armada russos foram de tal modo objecto de chacota entre nós, que parece que não achamos nada mais divertido. Alguns almirantes russos, mesmo depois da sua morte ou captura, fizeram-nos explodir em apupos. O próprio Czar, quando desencorajado pela revolução e pela guerra, e quando em grande sofrimento e dor por causa dos seus exércitos, parece ser tomado pelo povo britânico como uma piada muito divertida.
A nós, ingleses, os mais egocêntricos de todos os homens, nunca ocorreu a ideia de que a infelicidade e a dor enobrecem, por mais desprezíveis e auto-infligidas que sejam. Uma mulher embriagada cambaleando pelas ruas é um espectáculo digno de pena. A mesma mulher, se cair desajeitadamente no seu estado de embriaguez, talvez seja um espectáculo divertido. Mas esta mesma mulher, por mais desajeitada e embriagada que esteja, quando chora a morte de um filho, não é uma criatura desprezível e ridícula, mas sim uma figura trágica, tão grande como os vossos Hamlets e os vossos Reis Lears. ]
(p. 15; trad. Manuela Parreira da Silva, com alterações)
* 14 de Junho, no Calendário Juliano, então em uso na Rússia.
24 junho 2010
882 anos da Batalha de São Mamede (1128)
D. TAREJA
As nações todas são mistérios.
Cada uma é todo o mundo a sós.
Ó mãe de reis e avó de impérios,
Vela por nós!
Teu seio augusto amamentou
Com bruta e natural certeza
O que, imprevisto, Deus fadou.
Por ele reza!
Dê tua prece outro destino
A quem fadou o instinto teu!
O homem que foi o teu menino
Envelheceu.
Mas todo vivo é eterno infante
Onde estás e não há o dia.
No antigo seio, vigilante,
De novo o cria!
(Fernando Pessoa, Mensagem, Primeira Parte, II, p. 89)
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22 junho 2010
70 anos da capitulação da França perante a Alemanha Nazi (1940)
Tu, «esforço francês», galo depenado com a pele pintada de penas! (Não lhe dêem muita corda senão parte-se!)
(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 280)
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Nazismo
19 junho 2010
Vuvuzelas
Aquilo que vem torturar a calma
(Álvaro de Campos, Poesia, 192, p. 501)
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Tortura
18 junho 2010
16 junho 2010
106 anos da Odisseia de um dia de Leopold Bloom (1904)
ULISSES
O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo —
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.
Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.
Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.
(Fernando Pessoa, Mensagem, Primeira Parte, II, p. 83)
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13 junho 2010
122 anos do nascimento de Fernando Pessoa (1888)
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste;
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.


Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste;
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
(Álvaro de Campos, Poesia, 67, p. 305)

Assinatura de Fernando Pessoa

Carta astral de Fernando Pessoa,
feita pelo próprio
feita pelo próprio
Fernando Pessoa, ele mesmo
Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo. Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros).
Sinto crenças que não tenho. Enlevam-me ânsias que repudio. A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me aponta traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha, nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo. Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros).
Sinto crenças que não tenho. Enlevam-me ânsias que repudio. A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me aponta traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha, nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
(Fernando Pessoa, Prosa Íntima e de Autoconhecimento, p. 101)
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Heterónimos e afins,
Sinceridade
10 junho 2010
Dia de Portugal...
O POVO PORTUGUÊS
Talvez que seu coração
Dorme na passividade
De viver só na saudade
Numa saudosa ilusão.
(Fernando Pessoa, Poesia (1902–1917), p. 49)
... de Camões...
Camões é Os Lusíadas. O lírico, em que os inferiores focam a admiração que os denota inferiores, era, como em outros épicos de sensibilidade também notável, apenas a excedência inorgânica do épico.
Não ocupa Os Lusíadas um lugar entre as primeiras epopeias do mundo; só a Ilíada, a Divina Comédia e o Paraíso Perdido ganharam essa elevação. Pertencendo, porém, à segunda ordem das epopeias, como a Jerusalém Libertada, o Orlando Furioso, a Faerie Queene — e, em certo modo, a Odisseia e a Eneida, que participam das duas ordens —, distingue-se Os Lusíadas não só destas epopeias, suas pares, senão também daquelas, suas superiores, em que é directamente uma epopeia histórica.
Não ocupa Os Lusíadas um lugar entre as primeiras epopeias do mundo; só a Ilíada, a Divina Comédia e o Paraíso Perdido ganharam essa elevação. Pertencendo, porém, à segunda ordem das epopeias, como a Jerusalém Libertada, o Orlando Furioso, a Faerie Queene — e, em certo modo, a Odisseia e a Eneida, que participam das duas ordens —, distingue-se Os Lusíadas não só destas epopeias, suas pares, senão também daquelas, suas superiores, em que é directamente uma epopeia histórica.
(Fernando Pessoa, “Luís de Camões”, Crítica, p. 215)
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Poesia
... e das Comunidades Portuguesas

Cartoon de Ricardo Campos
(Fernando Pessoa, “Entrevista sobre a Arte e a Literatura Portuguesas”, Crítica, p. 195)
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O passado mitificado
Ah, não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram!
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 92, p. 121)
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Pátria
Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
(Ricardo Reis, Poesia, II, 32, p. 64)
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Nevoeiro
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
[...]
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
Que é Portugal a entristecer —
[...]
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
(Fernando Pessoa, “Nevoeiro”, Mensagem, Terceira Parte, III, p. 191)
07 junho 2010
O endividamento pessoal numa só lição
[...] Dirigi-me para a repartição de João Correia de Oliveira para lhe pedir 5000 réis para devolver ao Mayer os 1500 reis para pequenas despesas. [...]
(Fernando Pessoa, Diário de 18–02–1913,
Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão Pessoal, p. 110)
Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão Pessoal, p. 110)
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* Fernando Pessoa (ortónimo),
Dinheiro,
Economia/Finanças
04 junho 2010
4 de Junho de 1940: Fim da retirada de Dunquerque
Olhemos bem para estes inimigos. Mas há quem tenha coragem de os combater? Duvido. [...]
(Fernando Pessoa, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 38, p. 231)
01 junho 2010
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