(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 107, p. 235)
22 setembro 2012
115 anos da morte de Antônio Vicente Mendes Maciel, vulgo Antônio Conselheiro, líder espiritual da revolta sertaneja de Canudos (1897)
À memória de Antônio Conselheiro, bandido, louco e santo, que, no sertão do Brasil, morreu, como um exemplo, com seus companheiros, sem se render, batendo-se todos, últimos Portugueses, pela esperança do Quinto Império e da vinda quando Deus quisesse, de El-Rei D. Sebastião, nosso Senhor, Imperador do Mundo.
Dia Europeu sem Carros
Quando surgiu a indústria automobilista, foi preciso criar a classe dos chauffeurs; ninguém, a não ser um ou outro atropelado mais plebeu, se revoltaria decerto contra a imperícia inicial dos guiadores dos carros. Estavam aprendendo o ofício — o que é natural; e ganhando a sua vida — o que é respeitável. Depois ficaram sabendo da sua arte, e, embora a maioria continue guiando mal, o facto é que são chauffeurs definitivamente.
(Fernando Pessoa, “Crónica da Vida que Passa... VI”, Crítica, p. 120)
21 setembro 2012
Dia Mundial da Doença de Alzheimer
Tudo que temos é esquecimento.
Nem eu mesmo me conheço,
E, se me conheço, esqueço,
(Fernando Pessoa, “Primeiro Fausto”, Primeiro Tema — “O Mistério do Mundo”, VI, Ficção e Teatro, p. 170)
Nem eu mesmo me conheço,
E, se me conheço, esqueço,
(Fernando Pessoa, Poesia (1931–1935 e não datada), p. 165)
19 setembro 2012
125 anos do “nascimento” de Ricardo Reis (1887)
[...] pus em Ricardo Reis toda a minha disciplina mental, vestida da música que lhe é própria, [...]
(Fernando Pessoa, Correspondência (1923–1935), 162, p. 340)
17 setembro 2012
74 anos da inauguração do Porto de Leixões (1938)
«Ode Marítima no Porto de Matosinhos»
Fotografia de Adelaide Almeida
Fotografia de Adelaide Almeida
(Álvaro de Campos, “Ode Marítima”, Poesia, 18, pp. 119 e 107)
Etiquetas:
* Álvaro de Campos,
Heterónimos e afins,
Iconografia,
Transportes
14 setembro 2012
691 anos da morte de Dante Alighieri (1321)
Epics fundamentally dealing with religion can attain a full splendour only when that religion ceases to be of importance (loses its own importance). We delight in Athene because we are (perhaps precipitately) convinced that she did not exist. Paradise Lost is different. No one believes in Adam and Eve, but there are matters of controversy about the Trinity.
Dante has stood greatness better, for in the Protestant countries he is mere fable, and in the Catholic countries there is no religion.
[ As epopeias que se prendem fundamentalmente com a religião só podem atingir pleno esplendor quando essa religião deixa de ser importante (perde a sua própria importância). Deleitamo-nos em Atena por (talvez precipitadamente) estarmos convencidos de que ela não existiu. O Paraíso Perdido é diferente. Ninguém acredita em Adão e Eva, mas existem pontos controversos acerca da Trindade.
Dante resistiu melhor à grandeza, pois nos países protestantes é mera fábula, e nos países católicos não há religião. ]
Dante has stood greatness better, for in the Protestant countries he is mere fable, and in the Catholic countries there is no religion.
(Fernando Pessoa, “Erostratus”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, VIII, 38, p. 211;
em inglês no original)
em inglês no original)
[ As epopeias que se prendem fundamentalmente com a religião só podem atingir pleno esplendor quando essa religião deixa de ser importante (perde a sua própria importância). Deleitamo-nos em Atena por (talvez precipitadamente) estarmos convencidos de que ela não existiu. O Paraíso Perdido é diferente. Ninguém acredita em Adão e Eva, mas existem pontos controversos acerca da Trindade.
Dante resistiu melhor à grandeza, pois nos países protestantes é mera fábula, e nos países católicos não há religião. ]
(idem, p. 260; trad. Jorge Rosa)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Falecimento,
Literatura,
Mitos/Mitologia,
Religião
11 setembro 2012
Dia Nacional da Catalunha
Dos problemas que hoje agitam e perturbam a indisciplinada vida da Europa, o problema do separatismo catalão é talvez o que mais flagrantemente foca o conflito fundamental que se trava hoje no mundo, e, portanto, aquele que mais curiosos ensinamentos contém.
No pleito, que o Destino faz que se digladie entre a Espanha e a Catalunha, há o facto essencial de todos os dramas. Como em todos os dramas, um momento criado pelo Destino, mas segundo inevitáveis resultados de um passado surdamente se acumulou, faz entrar em conflito forças e ideias que é absurdo que entrem em conflito, que é doloroso que se encontrem em guerra Como em todos os dramas, não há solução satisfatória para problema, porque a única arbitragem certa, e por isso injusta, é a do Destino. E como em todos os dramas, ambas as partes têm igual razão.
O conflito entre a Catalunha e a Espanha é o conflito entre o conceito nacional de país, e o conceito civilizacional de país. Um conceito é geográfico, supõe-se ser étnico, e afirma-se como linguístico. O outro conceito é histórico, supõe-se ser imperialista e afirma-se como cultural.
Do ponto de vista nacional, e exclusivamente nacional, a Catalunha é uma nação, um país, com índole própria, tendências especiais, com um idioma à parte, que as define, e uma aspiração, que as deseja.
No pleito, que o Destino faz que se digladie entre a Espanha e a Catalunha, há o facto essencial de todos os dramas. Como em todos os dramas, um momento criado pelo Destino, mas segundo inevitáveis resultados de um passado surdamente se acumulou, faz entrar em conflito forças e ideias que é absurdo que entrem em conflito, que é doloroso que se encontrem em guerra Como em todos os dramas, não há solução satisfatória para problema, porque a única arbitragem certa, e por isso injusta, é a do Destino. E como em todos os dramas, ambas as partes têm igual razão.
O conflito entre a Catalunha e a Espanha é o conflito entre o conceito nacional de país, e o conceito civilizacional de país. Um conceito é geográfico, supõe-se ser étnico, e afirma-se como linguístico. O outro conceito é histórico, supõe-se ser imperialista e afirma-se como cultural.
Do ponto de vista nacional, e exclusivamente nacional, a Catalunha é uma nação, um país, com índole própria, tendências especiais, com um idioma à parte, que as define, e uma aspiração, que as deseja.
(Fernando Pessoa, “Catalunha”, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 19, pp. 183–184)
121 anos do suicídio de Antero de Quental (1891)
Um grande artista (literário) nota-se aplicando-lhe a seguinte pergunta crítica: tem paixão ou imaginação ou pensamento? [...] Os sonetos de Antero têm sempre pensamento, às vezes imaginação, paixão nunca [...].
(Fernando Pessoa, “Estética”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, VI, 6, p. 122)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Falecimento,
Literatura,
Suicídio
09 setembro 2012
08 setembro 2012
O «cidadão e pai» Pedro Passos Coelho diz aos «amigos» contribuintes o quanto lhe custou anunciar mais medidas de austeridade
Cuidado com as lágrimas, quando são estadistas os que as choram.
(Fernando Pessoa, “O Segredo de Roma”, Pessoa Inédito, 266, p. 422)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Amizade,
Economia/Finanças,
Governo,
Política,
Tristeza
06 setembro 2012
51 anos da concessão da plena cidadania portuguesa a todos os habitantes das colónias, com a abolição do Estatuto dos Indígenas Portugueses (1961)
Há três imperialismos: de domínio, de expansão e de cultura.
[...]
IMPERIALISMO DE CULTURA
[...]
(3) O que procura dominar ou colonizar para civilizar ou modificar as raças indígenas, sejam inferiores, decadentes ou apenas menos civilizadas.
[...]
[...]
IMPERIALISMO DE CULTURA
[...]
(3) O que procura dominar ou colonizar para civilizar ou modificar as raças indígenas, sejam inferiores, decadentes ou apenas menos civilizadas.
[...]
(Fernando Pessoa, “Império”, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 74, pp. 221–222)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Colonialismo,
História de Portugal,
Império,
Racismo,
Salazar
05 setembro 2012
157 anos da morte de Auguste Comte (1857)
[...] o infeliz chamado Augusto Comte, toda a vida sofreu de alienação mental.
(Fernando Pessoa, “O Preconceito da Ordem”, Da República (1910–1935), 89, p. 220)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Falecimento,
Filosofia,
Loucura
03 setembro 2012
253 anos da ordem de expulsão dos Jesuítas de Portugal (1759)
Tudo daqui para fora! Tudo daqui para fora!
(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 280)
01 setembro 2012
31 agosto 2012
145 anos da morte de Charles Baudelaire (1867)
[...] Quem não pode fazer versos como Baudelaire pode, porém, tingir os cabelos de verde. [...]
(Fernando Pessoa, “A Imoralidade das Biografias”,
Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, VI, 12, p. 132)
Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, VI, 12, p. 132)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Falecimento,
Poesia
28 agosto 2012
263 anos do nascimento de Johann Wolfgang von Goethe (1749)
Há três tipos de cultura — a que resulta da erudição, a que resulta da experiência translata, e a que resulta da multiplicidade de interesses intelectuais. A primeira é produzida pelo estudo paciente e aturado, pela assimilação sistematizada dos resultados desse estudo. A segunda é produzida pela rapidez e profundeza naturais do aproveitamento do que se lê ou vê e ouve. A terceira é produzida, como se disse, pela multiplicidade de interesses intelectuais: nenhum será profundo, nenhum será dominante, mas a variedade alargará o espírito. [...] Vemos a terceira em Goethe, que nem tinha a erudição de Milton nem a ultra-assimilação de Shakespeare, mas cuja variedade de interesses, abrangendo todas as artes e quase todas as ciências, compensava na universalidade o que perdia em profundeza ou absorção.
(Fernando Pessoa, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, VI, 9, p. 128)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Cultura,
Nascimento
26 agosto 2012
23 agosto 2012
Dia Internacional de Recordação do Tráfico de Escravos e sua Abolição
[...] A escravatura é lógica e legítima; um zulu ou um landim não representa coisa alguma de útil neste mundo. Civilizá-lo, quer religiosamente, quer de outra forma qualquer, é querer-lhe dar aquilo que ele não pode ter. O legítimo é obrigá-lo, visto que não é gente, a servir os fins da civilização. Escravizá-lo é que é lógico, o degenerado conceito igualitário, com que o cristianismo envenenou os nossos conceitos sociais, prejudicou, porém, esta lógica atitude. [...]
(Fernando Pessoa, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, 72, p. 217)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Escravidão/Servidão,
Racismo
21 agosto 2012
72 anos do assassinato de Leon Trotsky por agentes de Estaline (1940)
Dos Trotskys de qualquer colónia
Grega ou romana já passada,
O nome é morto, inda que escrito.
Grega ou romana já passada,
O nome é morto, inda que escrito.
(Álvaro de Campos, “Gazetilha”, Poesia, 77, p. 328)
Etiquetas:
* Álvaro de Campos,
Comunismo,
Crime,
Falecimento,
Heterónimos e afins,
União Soviética
20 agosto 2012
20 Ago. 1905: Fernando Pessoa regressava definitivamente de Durban
«Cheguei a Lisboa, mas não a uma conclusão»*
Pintura de Norberto Nunes
Pintura de Norberto Nunes
* (Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 16, p. 57)
19 agosto 2012
Dia Mundial da Fotografia
Painting will sink. Photography has deprived it of many of its attractions. Futility of silliness has deprived it of almost all the rest. [...]
[ A pintura afundar-se-á. A fotografia tirou-lhe muitos dos seus atractivos. A futilidade da idiotice tirou-lhe quase tudo o mais. [...] ]
(Fernando Pessoa, “Erostratus”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, VIII, 37, p. 210;
em inglês no original)
em inglês no original)
[ A pintura afundar-se-á. A fotografia tirou-lhe muitos dos seus atractivos. A futilidade da idiotice tirou-lhe quase tudo o mais. [...] ]
(idem, p. 259; trad. Jorge Rosa)
16 agosto 2012
145 anos do nascimento de António Nobre (1867)
Quando ele nasceu, nascemos todos nós. A tristeza que cada um de nós traz consigo, mesmo no sentido da sua alegria é ele ainda, e a vida dele, nunca perfeitamente real nem com certeza vivida, é, afinal, a súmula da vida que vivemos — órfãos de pai e de mãe, perdidos de Deus, no meio da floresta, e chorando, chorando inutilmente, sem outra consolação do que essa, infantil, de sabermos que é inutilmente que choramos.
(Fernando Pessoa, “Para a memória de António Nobre”, Crítica, p. 101)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Nascimento,
Poesia
14 agosto 2012
13 agosto 2012
51 anos do início da construção do Muro de Berlim (1961)
O olhar não atravessa os muros da sombra,
(Álvaro de Campos, Poesia, 25, p. 190)
Etiquetas:
* Álvaro de Campos,
Alemanha,
Comunismo,
Heterónimos e afins,
Isolamento,
Opressão,
União Soviética
12 agosto 2012
2041 anos da morte de Cleópatra (30 AC)
Na sombra Cleópatra jaz morta
Chove.
Embandeiraram o barco de maneira errada.
Chove sempre.
Para que olhas tu a cidade longínqua?
Tua alma é a cidade longínqua.
Chove friamente.
E quanto à mãe que embala ao colo um filho morto —
Todos nós embalamos ao colo um filho morto.
Chove, chove.
O sorriso triste que sobra a teus lábios cansados,
Vejo-o no gesto com que os teus dedos não deixam os teus anéis.
Porque é que chove?
Chove.
Embandeiraram o barco de maneira errada.
Chove sempre.
Para que olhas tu a cidade longínqua?
Tua alma é a cidade longínqua.
Chove friamente.
E quanto à mãe que embala ao colo um filho morto —
Todos nós embalamos ao colo um filho morto.
Chove, chove.
O sorriso triste que sobra a teus lábios cansados,
Vejo-o no gesto com que os teus dedos não deixam os teus anéis.
Porque é que chove?
(Fernando Pessoa, “Episódios: A Múmia, II”, Poesia (1902–1917), p. 436)
Último dia dos Jogos Olímpicos Londres 2012
OLIMPÍADAS
O sport é a inteligência inútil manifestada nos movimentos do corpo. O que o paradoxo alegra no contágio das almas, o sport aligeira na demonstração dos bonecos delas. A beleza existe, verdadeiramente, só nos altos pensamentos, nas grandes emoções, nas vontades conseguidas. No sport — ludo, jogo, brincadeira — o que existe é supérfluo, como o que o gato faz antes de comer o rato que lhe há-de escapar. Ninguém pensa a sério no resultado, e, enquanto dura o que desaparece, existe o que não dura. Há uma certa beleza nisso, como no dominó, e, quando o acaso proporciona o jogo acertado, a maravilha entesoura o corpo encostado do vencedor. Fica, no fim, e sempre virado para o inútil, o inconseguido do jogo. Pueri ludunt, como no primário do latim...
Ao sol brilham, no seu breve movimento de glória espúria, os corpos juvenis que envelhecerão, os trajectos que, com o existirem, deixaram já de existir. Entardece no que vemos, como no que vimos. A Grécia antiga não nos afaga senão intelectualmente. Ditosos os que naufragam no sacrifício da posse. São comuns e verdadeiros. O sol das arenas faz suar os gestos dos outros. Os poetas cantam-nos antes que desça todo o sol. São todos peixes num aquário cuidado de além do vidro pela inteligência que lhes não toca. E a beleza deles, como a de tudo, é isto — um movimento por detrás de um vidro, um brilho de corpo dogmatizado por uma clausura.
(Álvaro de Campos, Pessoa por Conhecer, vol. II, 308, pp. 347–348)
Etiquetas:
* Álvaro de Campos,
Desporto,
Heterónimos e afins
09 agosto 2012
67 anos do lançamento da segunda bomba atómica, sobre Nagasaki (1945)
A fúria minuciosa [...] dos átomos
A fúria de todas as chamas, a raiva de todos os ventos,
A fúria de todas as chamas, a raiva de todos os ventos,
(Álvaro de Campos, Poesia, 34, p. 254)
Etiquetas:
* Álvaro de Campos,
Guerra,
Heterónimos e afins
06 agosto 2012
67 anos do lançamento da primeira bomba atómica, sobre Hiroshima (1945)
O vento levantou-se... Primeiro era como a voz de um vácuo... um soprar no espaço para dentro de um buraco, uma falta no silêncio do ar. Depois ergueu-se um soluço, um soluço do fundo do mundo, e sentiu-se que tremiam vidraças e que era realmente vento. Depois soou mais alto, urro surdo, um urrar sem ser entre um nocturno ranger de coisas, um cair de bocados, um átomo de fim do mundo.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 52, p. 85)
Etiquetas:
* Bernardo Soares,
Guerra,
Heterónimos e afins
04 agosto 2012
434 anos Batalha de Alcácer-Quibir (1578)

«Pessoa e o Quinto Império»
Desenho de H. Mourato
Desenho de H. Mourato
O DESEJADO
Onde quer que, entre sombras e dizeres,
Jazas, remoto, sente-te sonhado,
E ergue-te do fundo de não-seres
Para teu novo fado!
Vem, Galaaz com pátria, erguer de novo,
Mas já no auge da suprema prova,
A alma penitente do teu povo
À Eucaristia Nova.
Mestre da Paz, ergue teu gládio ungido,
Excalibur do Fim, em jeito tal
Que sua Luz ao mundo dividido
Revele o Santo Graal!
(Fernando Pessoa, Mensagem, Terceira Parte, I, p. 165)
01 agosto 2012
30 julho 2012
149 anos do nascimento de Henry Ford (1863)
The distance between Henry Ford and John Milton is always longer on the return train.
[ A distância entre Henry Ford e John Milton é sempre maior no comboio de regresso. ]
(Fernando Pessoa, “Erostratus”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, VIII, 33, p. 204;
em inglês no original)
em inglês no original)
[ A distância entre Henry Ford e John Milton é sempre maior no comboio de regresso. ]
(idem, p. 253; trad. Jorge Rosa)
26 julho 2012
156 anos do nascimento de George Bernard Shaw (1856)
Shaw’s capital fault — the capital fault of any man who may want to be considered an artist — is that he has no poetry in him. This means that he has no humanity in him.
Shaw is more like the founder of a religion than like a creator of literature, which, at any rate, he is not. He is not a [John Millington] Synge, nor even a Wilde. He has not the unopinions for that. [...]
[ O defeito capital de Shaw — o defeito capital de qualquer homem que pretenda ser considerado artista — é não ter poesia, o que significa que não há nele humanidade.
Shaw parece mais o fundador de uma religião do que um criador de literatura, o que, aliás, não é. Não é um [John Millington] Synge, nem sequer um Wilde. Não tem as não-opiniões para tanto. [...] ]
Shaw is more like the founder of a religion than like a creator of literature, which, at any rate, he is not. He is not a [John Millington] Synge, nor even a Wilde. He has not the unopinions for that. [...]
(Fernando Pessoa, “Erostratus”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, VIII, 24, p. 196;
em inglês no original)
em inglês no original)
[ O defeito capital de Shaw — o defeito capital de qualquer homem que pretenda ser considerado artista — é não ter poesia, o que significa que não há nele humanidade.
Shaw parece mais o fundador de uma religião do que um criador de literatura, o que, aliás, não é. Não é um [John Millington] Synge, nem sequer um Wilde. Não tem as não-opiniões para tanto. [...] ]
(idem, p. 245; trad. Jorge Rosa, com alterações)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Literatura,
Nascimento,
Prémio Nobel
24 julho 2012
22 julho 2012
Utilidade e eternidade da Arte
— Só a Arte é útil. Crenças, exércitos, impérios, atitudes — tudo isso passa. Só a arte fica, por isso só a arte vê-se, porque dura.
(Fernando Pessoa, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, I, 1, p. 3)
20 julho 2012
Terceiro dia do incêndio que consumiu 1/3 do concelho de Tavira e 1/4 do de S. Brás de Alportel
Comandante, envio junto
Para os Bombeiros de Faro,
Um carro, à falta de assunto,
Que um assunto é sempre caro.
(Pronto-socorro não é,
Mas pronto está, como vê.)
É leve e longo, e o pessoal
É firme e disciplinado,
Nem há pane ou susto tal
Que o tire de estar sentado.
(P’ra andar, meta-o na algibeira
E ande com ele: é a maneira.)
Convém advertir também,
E faço-o sem mais demora,
A vantagem que ele tem
P’ra tempos como os de agora:
Não tem consumo ou dispêndio.
(Não o use em casos de incêndio.)
O BOMBEIRO X
Para os Bombeiros de Faro,
Um carro, à falta de assunto,
Que um assunto é sempre caro.
(Pronto-socorro não é,
Mas pronto está, como vê.)
É leve e longo, e o pessoal
É firme e disciplinado,
Nem há pane ou susto tal
Que o tire de estar sentado.
(P’ra andar, meta-o na algibeira
E ande com ele: é a maneira.)
Convém advertir também,
E faço-o sem mais demora,
A vantagem que ele tem
P’ra tempos como os de agora:
Não tem consumo ou dispêndio.
(Não o use em casos de incêndio.)
O BOMBEIRO X
(Fernando Pessoa, Poesia (1931–1935 e não datada), p. 121)
19 julho 2012
126 anos da morte de Cesário Verde (1886)
Ao entardecer, debruçado pela janela,
E sabendo de soslaio que há campos em frente,
Leio até me arderem os olhos
O Livro de Cesário Verde.
Que pena que tenho dele! Ele era um camponês
Que andava preso em liberdade pela cidade.
Mas o modo como olhava para as casas,
E o modo como reparava nas ruas,
E a maneira como dava pelas coisas,
É o de quem olha para árvores,
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando
E anda a reparar nas flores que há pelos campos...
Por isso ele tinha aquela grande tristeza
Que ele nunca disse bem que tinha,
Mas andava na cidade como quem anda no campo
E triste como esmagar flores em livros
E pôr plantas em jarros...
E sabendo de soslaio que há campos em frente,
Leio até me arderem os olhos
O Livro de Cesário Verde.
Que pena que tenho dele! Ele era um camponês
Que andava preso em liberdade pela cidade.
Mas o modo como olhava para as casas,
E o modo como reparava nas ruas,
E a maneira como dava pelas coisas,
É o de quem olha para árvores,
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando
E anda a reparar nas flores que há pelos campos...
Por isso ele tinha aquela grande tristeza
Que ele nunca disse bem que tinha,
Mas andava na cidade como quem anda no campo
E triste como esmagar flores em livros
E pôr plantas em jarros...
(Alberto Caeiro, “O Guardador de Rebanhos, III”, Poemas Completos de Alberto Caeiro, p. 45)
Etiquetas:
* Alberto Caeiro,
Falecimento,
Heterónimos e afins,
Poesia
17 julho 2012
Inauguração do troço de metro entre a Estação do Oriente e o Aeroporto de Lisboa
Caricaturista António junto a duas das suas caricaturas
na nova estação de metro do Aeroporto:
Amadeo de Souza Cardoso e Fernando Pessoa.
(Fotografia de Carla Rosado/Público)
na nova estação de metro do Aeroporto:
Amadeo de Souza Cardoso e Fernando Pessoa.
(Fotografia de Carla Rosado/Público)
14 julho 2012
223 anos da Tomada da Bastilha (1789)
As revoluções, como vimos, baseiam-se num sentimento forte de injustiça, sentimento que se torna geral. Ora um sentimento geral e forte de injustiça gera por força ideias absurdas. Em 1.º lugar, um sentimento forte é uma condição negativa para a lucidez; quem estuda apaixonadamente (salvo no sentido de entusiasmo intelectual) um problema, estuda-o sempre mal. Em 2.º lugar, um sentimento de injustiça envolve sempre um ódio ou rancor a quem a pratica; e a teoria nascida, ou adaptada, por esse sentimento tenderá fatalmente a ser excessiva no sentido contrário — não só a desfazer a injustiça, como a castigá-la, isto é, a ferir e vingar-se nos que a praticam, ou se supõe que a praticam. Resultará uma teoria tão injusta como a prática a que essa teoria se contrapõe. Em 3.º lugar, os problemas que uma revolução busca resolver são sempre problemas sociais, todos, por natureza, de uma grande complexidade. Ora, uma teoria de contra-injustiça, para ser geralmente sentida, tem que ser simples; porque o geral da humanidade não pode compreender ideias complexas. A teoria tem portanto que ser inadaptável à complexidade do problema.
(Fernando Pessoa, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 48, pp. 258–259)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
França,
Justiça,
Revolução/Revolta
13 julho 2012
À atenção do Dr. Relvas
As qualidades mentais e morais necessárias para a conquista do poder político, ou tendentes a essa conquista, são inteiramente diferentes daquelas necessárias para governar o Estado. [...]
(Fernando Pessoa, Da República (1910–1935), 112)
11 julho 2012
Dia Mundial da População
O Universo da gente... a gente... as pessoas todas!...
A multiplicidade da humanidade misturada
A multiplicidade da humanidade misturada
(Álvaro de Campos, Poesia, 162, p. 460)
Etiquetas:
* Álvaro de Campos,
Geografia,
Heterónimos e afins
08 julho 2012
05 julho 2012
05 de Julho de 1932: Salazar, o “Ditador da Finanças”, assume a chefia do Governo
O prestígio de Salazar não se deriva da sua obra financeira, tanto porque, sendo essa obra uma obra de especialidade, o público não tem competência, nem pretende ter competência, para a compreender, como porque o acolhimento calorosamente favorável, que essa obra teve, denotava já um prestígio anterior. O prestígio de Salazar nasceu vagamente da sugestão do seu prestígio universitário e particular, mas firmou-se junto do público, logo desde as suas primeiras frases como ministro, e as suas primeiras acções como administrador, por um fenómeno psíquico simples de compreender.
Todo prestígio consiste na posse, pelo prestigiado, de qualidades que o prestigiador não tem e se sente incapaz de ter. O povo português é essencialmente descontínuo na vontade e retórico na expressão: não há coisa portuguesa que seja levada avante com firmeza e persistência; não há texto genuinamente português que não diga em vinte palavras o que se pode dizer em cinco, nem deixe de incoerir e romantizar a frase. Logo desde o princípio, Salazar marcou, e depois acentuou, uma firmeza de propósito e uma continuidade de execução de um plano; logo desde o princípio falou claro, sóbrio, rígido, sem retórica nem vago. O seu prestígio reside nessa formidável impressão de diferença do vulgo português.
No meio de um povo de incoerentes, de verbosos, de maledicentes por impotência e espirituosos por falta de assunto intelectual, o lente de Coimbra (Santo Deus!, de Coimbra!) marcou como se tivesse caído de uma Inglaterra astral. Depois dos Afonsos Costas, dos Cunhas Leais, de toda a eloquência parlamentar sem ontem nem amanhã na inteligência nem na vontade, a sua simplicidade dura e fria pareceu qualquer coisa de brônzeo e de fundamental. Se o é deveras, e se a obra completa o que a intenção formou, são já assuntos de especialidade, e sobre os quais nem o público, que deles nada sabe, nem eu, que sei tanto como o público, poderemos falar com razão ou proveito.
De este prestígio resulta o contraste com Afonso Costa. Quando este apresentou, em 1912 (?), o seu superavit, foi recebido à gargalhada pelo público, e os seus próprios partidários tiveram de fazer esforços sobre si mesmos para ter fé na obra, como a tinham no homem. Quando Salazar apresentou o superavit, todo o grande público imediatamente o aceitou. Não foi pois o superavit, comum aos dois que provocou o prestígio: o prestígio de um, o não prestígio de outro, eram anteriores ao espectáculo financeiro.
Todo prestígio consiste na posse, pelo prestigiado, de qualidades que o prestigiador não tem e se sente incapaz de ter. O povo português é essencialmente descontínuo na vontade e retórico na expressão: não há coisa portuguesa que seja levada avante com firmeza e persistência; não há texto genuinamente português que não diga em vinte palavras o que se pode dizer em cinco, nem deixe de incoerir e romantizar a frase. Logo desde o princípio, Salazar marcou, e depois acentuou, uma firmeza de propósito e uma continuidade de execução de um plano; logo desde o princípio falou claro, sóbrio, rígido, sem retórica nem vago. O seu prestígio reside nessa formidável impressão de diferença do vulgo português.
No meio de um povo de incoerentes, de verbosos, de maledicentes por impotência e espirituosos por falta de assunto intelectual, o lente de Coimbra (Santo Deus!, de Coimbra!) marcou como se tivesse caído de uma Inglaterra astral. Depois dos Afonsos Costas, dos Cunhas Leais, de toda a eloquência parlamentar sem ontem nem amanhã na inteligência nem na vontade, a sua simplicidade dura e fria pareceu qualquer coisa de brônzeo e de fundamental. Se o é deveras, e se a obra completa o que a intenção formou, são já assuntos de especialidade, e sobre os quais nem o público, que deles nada sabe, nem eu, que sei tanto como o público, poderemos falar com razão ou proveito.
De este prestígio resulta o contraste com Afonso Costa. Quando este apresentou, em 1912 (?), o seu superavit, foi recebido à gargalhada pelo público, e os seus próprios partidários tiveram de fazer esforços sobre si mesmos para ter fé na obra, como a tinham no homem. Quando Salazar apresentou o superavit, todo o grande público imediatamente o aceitou. Não foi pois o superavit, comum aos dois que provocou o prestígio: o prestígio de um, o não prestígio de outro, eram anteriores ao espectáculo financeiro.
(Fernando Pessoa, “Interregno”, Da República (1910–1935), 129, pp. 384–385)
04 julho 2012
236 anos da Declaração de Independência dos Estados Unidos da América (1776)
[...] Se alguma tendência têm os criadores de civilização, é a de não repararem bem na importância do que criam. O Infante D. Henrique, com ser o mais sistemático de todos os criadores de civilização, não viu contudo que prodígio estava criando — toda a civilização transoceânica moderna, embora com consequências abomináveis, como a existência dos Estados Unidos. [...]
(Fernando Pessoa, “O Provincianismo Português”, Crítica, p. 372)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Civilização,
Descobertas,
EUA
01 julho 2012
29 junho 2012
Realistas e românticos
Realists do small things, romantics great ones. A man must be a realist to be manager of a tin-tackfactory. He must be a romantic to be manager of the world.
It needs a realist to find reality; it needs a romantic to create it. Napoleon is only a poet, Cromwell an enthusiast, Caesar a rhetorician.
[ Os realistas fazem as pequenas coisas, e os românticos as grandes. Para se ser gerente de uma fábrica de tachas, tem de se ser realista. Para se gerir o mundo, tem de se ser romântico.
Só um realista pode encontrar a realidade; só um romântico a pode criar. Napoleão é apenas poeta, Cromwell um entusiasta, César um retórico. ]
It needs a realist to find reality; it needs a romantic to create it. Napoleon is only a poet, Cromwell an enthusiast, Caesar a rhetorician.
(Fernando Pessoa, “Erostratus”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias,
VIII, 33, p. 204; em inglês no original)
VIII, 33, p. 204; em inglês no original)
[ Os realistas fazem as pequenas coisas, e os românticos as grandes. Para se ser gerente de uma fábrica de tachas, tem de se ser realista. Para se gerir o mundo, tem de se ser romântico.
Só um realista pode encontrar a realidade; só um romântico a pode criar. Napoleão é apenas poeta, Cromwell um entusiasta, César um retórico. ]
(idem, p. 252; trad. Jorge Rosa)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Idealismo,
Romantismo
27 junho 2012
24 junho 2012
Dia de “São” João
Tenho a impressão de ter em casa a faca
Com que foi degolado o Precursor.
Com que foi degolado o Precursor.
(Álvaro de Campos, “Opiário”, Poesia, 5, p. 59)
Etiquetas:
* Álvaro de Campos,
Cristianismo,
Heterónimos e afins,
Santos
22 junho 2012
379 anos da condenação de Galileu Galilei pelo Tribunal do Santo Ofício (1633)
[...] a crítica da atmosfera religiosa produz maiores espíritos que aquela que se exerce no vácuo. Kant assim surgiu.
A desastrada argumentação que citaria para o caso as circunstâncias que oprimiram Galileu e Servet, esqueceria sem dúvida que estava confundindo o predomínio religioso com a falta de civilização. São dois factos que importa não confundir. Se nós víssemos que nesses tempos as penalidades criminais eram de uma suavidade enorme, que eram de uma leniência acentuada as sentenças dos juízes, e que ao mesmo tempo esses hereges aparecessem queimados, enforcados, mortos, seria então o caso de atribuir à religião uma culpa que ela efectivamente teria. Mas a religião defendia-se, como é natural, e defendia-se com as armas do tempo; com as mesmas armas com que se defendia qualquer estado. [...]
A desastrada argumentação que citaria para o caso as circunstâncias que oprimiram Galileu e Servet, esqueceria sem dúvida que estava confundindo o predomínio religioso com a falta de civilização. São dois factos que importa não confundir. Se nós víssemos que nesses tempos as penalidades criminais eram de uma suavidade enorme, que eram de uma leniência acentuada as sentenças dos juízes, e que ao mesmo tempo esses hereges aparecessem queimados, enforcados, mortos, seria então o caso de atribuir à religião uma culpa que ela efectivamente teria. Mas a religião defendia-se, como é natural, e defendia-se com as armas do tempo; com as mesmas armas com que se defendia qualquer estado. [...]
(Fernando Pessoa, Pessoa por Conhecer, vol. II, 235 , p. 282)
20 junho 2012
17 junho 2012
Certezas
Distinguirei, no fenómeno chamado certeza, a parte subjectiva e a objectiva — a certeza em si, e aquilo de que há certeza. Considerada em si, a certeza nada vale. Nenhum de nós tem mais certeza de ter diante de si esta página que tem um perseguido de estar sendo perseguido por numerosos «inimigos», ou um megalómano de ser Jesus Cristo, ou Deus, ou Imperador do Mundo. O lugar das certezas absolutas, inteiras, que não sentem dúvida nem hesitação, é o manicómio.
(Fernando Pessoa, Textos Filosóficos, vol. II, p. 246)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Certeza/Incerteza,
Cristianismo,
Deus,
Loucura
15 junho 2012
14 junho 2012
46 anos da abolição do Index Librorum Prohibitorum (Índice dos Livros Proibidos) pelo Vaticano (1966)
[...] Hoje a um livro herético responde, pela brandura dos costumes do tempo, uma proibição dum bispo de que os seus diocesanos leiam; [...]
(Fernando Pessoa, Pessoa por Conhecer, vol. II, 235 , p. 282)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Censura,
Igreja Católica,
Livros
13 junho 2012
124 anos do nascimento de Fernando Pessoa (1888)

Desenho de H. Mourato
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Iconografia,
Nascimento
10 junho 2012
Dia de Portugal ...
Que jaz no abismo sob o mar que se ergue?
Nós, Portugal, o poder ser.
Que inquietação do fundo nos soergue?
O desejar poder querer.
Nós, Portugal, o poder ser.
Que inquietação do fundo nos soergue?
O desejar poder querer.
(Fernando Pessoa, “Tormenta”, Mensagem, Terceira Parte, III, p. 185)
... de Camões ...
Um grande artista (literário) nota-se aplicando-lhe a seguinte pergunta critica: tem paixão ou imaginação ou pensamento? Por ex. os Lusíadas de Camões têm paixão (o patriotismo), imaginação (o Adamastor, a Ilha dos Amores), mas são falhos de pensamento. [...]
(Fernando Pessoa, “Estética”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, VI, 6, p. 122)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Arte,
Camões,
Iconografia,
Livros
... e das Comunidades Portuguesas
E emigram para voltar, ou para não voltar,
Em navios que os transportam simplesmente.
Em navios que os transportam simplesmente.
(Álvaro de Campos, “Nuvens”, Poesia, 88, p. 346)
Etiquetas:
* Álvaro de Campos,
Emigração,
Heterónimos e afins,
Portugal
09 junho 2012
143 anos da morte de Charles Dickens (1870)
To read Dickens is to obtain a mystic vision — but, though he claims so often to be Christian, it has nothing to do with the Christian vision of the world. [...]
[ Ler Dickens é ter uma visão mística — mas, embora ele se intitule tão frequentemente cristão, essa visão nada tem que ver com a visão cristã do mundo. [...] ]
(Fernando Pessoa, “Charles Dickens”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias,
IX, 8, p. 308; em inglês no original)
IX, 8, p. 308; em inglês no original)
[ Ler Dickens é ter uma visão mística — mas, embora ele se intitule tão frequentemente cristão, essa visão nada tem que ver com a visão cristã do mundo. [...] ]
(idem, p. 310; trad. Jorge Rosa)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Cristianismo,
Falecimento,
Literatura
08 junho 2012
Fernando(s) Pessoa(s) e Deus

Cartoon de Ricardo Campos
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 22, p. 60
Fernando Pessoa, Aforismos e afins, p. 12
Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 21, p. 59)
Fernando Pessoa, Aforismos e afins, p. 12
Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 21, p. 59)
07 junho 2012
Procissão do Corpo de Deus
Gado vestido dos currais dos Deuses,
Deixá-lo passar engrinaldado [...]
Deixá-lo passar engrinaldado [...]
(Álvaro de Campos, Poesia, 88, pp. 346–347)
Etiquetas:
* Álvaro de Campos,
Cristianismo,
Heterónimos e afins,
Igreja Católica
05 junho 2012
569 anos da morte do “Infante Santo” (1443)
D. FERNANDO, INFANTE DE PORTUGAL
Deu-me Deus o seu gládio, por que eu faça
A sua santa guerra.
Sagrou-me seu em honra e em desgraça,
Às horas em que um frio vento passa
Por sobre a fria terra.
Pôs-me as mãos sobre os ombros e doirou-me
A fronte com o olhar;
E esta febre de Além, que me consome,
E este querer grandeza são Seu nome
Dentro em mim a vibrar.
E eu vou, e a luz do gládio erguido dá
Em minha face calma.
Cheio de Deus, não temo o que virá,
Pois, venha o que vier, nunca será
Maior do que a minha alma.
(Fernando Pessoa, Mensagem, Primeira Parte, III, p. 103)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Cristianismo,
Falecimento,
Guerra,
História de Portugal,
Islão
03 junho 2012
Deuses
Os Deuses são a encarnação do que nunca poderemos ser.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 375, p. 340)
Etiquetas:
* Bernardo Soares,
Deus,
Heterónimos e afins,
Religião
01 junho 2012
Dia Internacional da Criança
[...] Ser adulto é esquecer-se de que se foi criança. [...]
(Álvaro de Campos, Pessoa por Conhecer, vol. II, 379, p. 428)
Etiquetas:
* Álvaro de Campos,
Heterónimos e afins,
Infância
31 maio 2012
Dia Mundial sem Tabaco
A vida sabe-me a tabaco louro.
Nunca fiz mais do que fumar a vida.
Nunca fiz mais do que fumar a vida.
(Álvaro de Campos, “Opiário”, Poesia, 5, p. 66)
Etiquetas:
* Álvaro de Campos,
Heterónimos e afins,
Saúde
28 maio 2012
Produtividade nacional
[...] We move very quickly from one point where nothing is being done to another point where there is nothing to do, and we call this the feverish haste of modern life. It is not the fever of hurry, but the hurry of fever.
[ [...] Movemo-nos rapidamente de um ponto onde nada se faz para outro ponto onde nada há que fazer, e chamamos a isto a pressa febril da vida moderna. Não é a febre da pressa, mas a pressa da febre. ]
(Fernando Pessoa, “Erostratus”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias,
VIII, 35, p. 207; em inglês no original)
VIII, 35, p. 207; em inglês no original)
[ [...] Movemo-nos rapidamente de um ponto onde nada se faz para outro ponto onde nada há que fazer, e chamamos a isto a pressa febril da vida moderna. Não é a febre da pressa, mas a pressa da febre. ]
(idem, p. 256; trad. Jorge Rosa)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Economia/Finanças,
Portugal
26 maio 2012
Final do Festival Eurovisão da Canção 2012
Desfile das nações para o meu Desprezo!
(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 280)
Etiquetas:
* Álvaro de Campos,
Heterónimos e afins,
Música,
Televisão
24 maio 2012
22 maio 2012
127 anos da morte de Victor Hugo (1885)
A poesia de V. Hugo é apenas a glorificação de lugares-comuns.
(Fernando Pessoa, “Victor Hugo”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, IX, 13, p. 319)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Falecimento,
Literatura
21 maio 2012
Chegada do espólio de José Saramago à Casa dos Bicos, sede da sua Fundação
«Lisbon Revisited»
Colagem de Cruzeiro Seixas (1969)
Colagem de Cruzeiro Seixas (1969)
(Álvaro de Campos, “Lisbon Revisited” (1923), Poesia, 47, pp. 271–272;
“Lisbon Revisited” (1926), Poesia, 65, pp. 300–302)
“Lisbon Revisited” (1926), Poesia, 65, pp. 300–302)
20 maio 2012
514 anos da chegada de Vasco da Gama a Calecute (1498)
Enoja-me o Oriente. É uma esteira
Que a gente enrola e deixa de ser bela.
Que a gente enrola e deixa de ser bela.
(Álvaro de Campos, “Opiário”, Poesia, 5, p. 63)
Etiquetas:
* Álvaro de Campos,
Descobertas,
Heterónimos e afins,
História de Portugal
18 maio 2012
Dia Internacional dos Museus
[...] A great painting means a thing which a rich American wants to buy because other people would like to buy it if they could. Thus paintings are set on a parallel, not with poems or novels, but with the first editions of certain poems and novels. The museum becomes a thing parallel, not to the library, but to the bibliophile’s library. The appreciation of painting becomes, not a parallel to the appreciation of literature, but to the appreciation of editions. Art criticism falls gradually into the hands of dealers in antiques.
[...]
A walk through a museum becomes, not a contribution to culture, but a stimulus to envy, like looking from our own tired feet on a rich man’s automobile.
[ [...] Um grande quadro significa uma coisa que um americano rico quer comprar porque outras pessoas gostariam também de o fazer, se pudessem. Assim, um quadro é posto em paralelo, não com um poema ou um romance, mas com as primeiras edições de certos poemas e romances. O museu equipara-se, não à biblioteca, mas à biblioteca de um bibliófilo. O apreço pela pintura torna-se paralelo, não do apreço pela literatura, mas do apreço pelas edições. A crítica de arte cai gradualmente nas mãos dos antiquários.
[...]
Percorrer um museu transforma-se, não numa contribuição para a cultura, mas num estímulo para a inveja, como erguer o olhar dos nossos pés cansados para o automóvel de um ricaço. ]
[...]
A walk through a museum becomes, not a contribution to culture, but a stimulus to envy, like looking from our own tired feet on a rich man’s automobile.
(Fernando Pessoa, “Erostratus”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias,
VIII, 37, p. 210; em inglês no original)
VIII, 37, p. 210; em inglês no original)
[ [...] Um grande quadro significa uma coisa que um americano rico quer comprar porque outras pessoas gostariam também de o fazer, se pudessem. Assim, um quadro é posto em paralelo, não com um poema ou um romance, mas com as primeiras edições de certos poemas e romances. O museu equipara-se, não à biblioteca, mas à biblioteca de um bibliófilo. O apreço pela pintura torna-se paralelo, não do apreço pela literatura, mas do apreço pelas edições. A crítica de arte cai gradualmente nas mãos dos antiquários.
[...]
Percorrer um museu transforma-se, não numa contribuição para a cultura, mas num estímulo para a inveja, como erguer o olhar dos nossos pés cansados para o automóvel de um ricaço. ]
(idem, pp. 259–260; trad. Jorge Rosa)
15 maio 2012
Dia Internacional das Famílias

Fernando Pessoa, com 16 anos,
com a família em Durban
com a família em Durban
Da esquerda para a direita:
Mãe, João Maria*, Fernando Pessoa,
Henriqueta Madalena*, Luís Miguel*,
João Miguel Rosa (padrasto)
* meios-irmãos
Mãe, João Maria*, Fernando Pessoa,
Henriqueta Madalena*, Luís Miguel*,
João Miguel Rosa (padrasto)
* meios-irmãos
(Fotobiografias do Século XX: Fernando Pessoa, p. 46)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Família,
Fotografias,
Iconografia
12 maio 2012
Dia Internacional dos Enfermeiros
Vem, cuidadosa,
Vem, maternal,
Pé ante pé enfermeira [...]
Vem, maternal,
Pé ante pé enfermeira [...]
(Álvaro de Campos, “Dois excertos de odes (fins de duas odes, naturalmente)”, Poesia, 9.I, p. 94)
Etiquetas:
* Álvaro de Campos,
Heterónimos e afins,
Saúde
10 maio 2012
79 anos do Bücherverbrennung, queima pública de livros «pouco alemães» pelo regime nazi (1933)
«Burn the book well, hangman,
Burn it to the last leaf,
[...]
«His works, his books, his poems
To fire’s oblivion fling;
Let ashes remain of all this.
Remains there anything?»
[ «Queima esse livro, carrasco,
Queima-o até à última folha,
[...]
«Seus livros, obras, poemas,
Lança ao fogo, ao esquecimento!
Que deles só fiquem cinzas.
Algo sobra de momento? ]
Burn it to the last leaf,
[...]
«His works, his books, his poems
To fire’s oblivion fling;
Let ashes remain of all this.
Remains there anything?»
(Alexander Search, “Priest and Hangman”, Poesia, 88, pp. 192/194; em inglês no original)
[ «Queima esse livro, carrasco,
Queima-o até à última folha,
[...]
«Seus livros, obras, poemas,
Lança ao fogo, ao esquecimento!
Que deles só fiquem cinzas.
Algo sobra de momento? ]
(“O Padre e o Carrasco”, pp. 193/195; trad. Luísa Freire, com alterações)
Etiquetas:
* Alexander Search,
Alemanha,
Censura,
Heterónimos e afins,
Livros,
Nazismo
08 maio 2012
230 anos da morte do Marquês de Pombal (1782)
Só da obra do Marquês de Pombal alguma coisa ficou, e isso não pela energia do homem, nem mesmo pelas suas grandes qualidades de organizador, mas pelo ponto de apoio que deu a essa obra — o desenvolvimento industrial e comercial do país. [...]
(Fernando Pessoa, “Como Organizar Portugal”, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional,
10, p. 107)
10, p. 107)
06 maio 2012
Dia da Mãe
03 maio 2012
Falar vs. escrever
A palavra falada é um fenómeno natural; a palavra escrita é um fenómeno cultural. O homem natural pode viver perfeitamente sem ler nem escrever. Não o pode o homem a que chamamos civilizado: por isso, como disse, a palavra escrita é um fenómeno cultural, não da natureza mas da civilização, da qual a cultura é a essência e o esteio.
Pertencendo, pois, a mundos (mentais) essencialmente diferentes, os dois tipos de palavra obedecem forçosamente a leis ou regras essencialmente diferentes. A palavra falada é um caso, por assim dizer, democrático. Ao falar, temos que obedecer à lei do maior número, sob pena de ou não sermos compreendidos ou sermos inutilmente ridículos. Se a maioria pronuncia mal uma palavra, temos que a pronunciar mal; diremos anedóta, embora saibamos que se deve dizer anédota. Se a maioria usa de uma construção gramatical errada, da mesma teremos que usar: diremos «hás de tu compreender», embora saibamos que «hás tu de compreender» é a fórmula verdadeira. [...]
Pertencendo, pois, a mundos (mentais) essencialmente diferentes, os dois tipos de palavra obedecem forçosamente a leis ou regras essencialmente diferentes. A palavra falada é um caso, por assim dizer, democrático. Ao falar, temos que obedecer à lei do maior número, sob pena de ou não sermos compreendidos ou sermos inutilmente ridículos. Se a maioria pronuncia mal uma palavra, temos que a pronunciar mal; diremos anedóta, embora saibamos que se deve dizer anédota. Se a maioria usa de uma construção gramatical errada, da mesma teremos que usar: diremos «hás de tu compreender», embora saibamos que «hás tu de compreender» é a fórmula verdadeira. [...]
(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 113, p. 242)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Língua Portuguesa
01 maio 2012
1 ano da beatificação de João Paulo II (2011)
O milagre é a preguiça de Deus, ou, antes, a preguiça que Lhe atribuímos, inventando o milagre.
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 375, p. 340)
Etiquetas:
* Bernardo Soares,
Deus,
Heterónimos e afins,
Igreja Católica,
Milagres,
Santos
29 abril 2012
Dia Internacional da Dança
Meia volta, toda a volta,
Muitas voltas de dançar...
Quem tem sonhos por escolta
Não é capaz de parar.
Muitas voltas de dançar...
Quem tem sonhos por escolta
Não é capaz de parar.
(Fernando Pessoa, Quadras, I, 109, p. 38)
27 abril 2012
84 anos da nomeação de Salazar como “Ditador das Finanças” (1928)
Salazar é mealheiro.
Raparigas vinde vê-lo.
Por fora barro vidrado,
Por dentro coiro e cabelo.
Raparigas vinde vê-lo.
Por fora barro vidrado,
Por dentro coiro e cabelo.
(Fernando Pessoa, Poesia (1931–1935 e não datada), p. 384)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Ditadura,
Economia/Finanças,
Estado Novo,
Salazar
26 abril 2012
Dia Mundial da Propriedade Intelectual
Exmo. Senhor Ministro do Comércio e Comunicações:
Fernando Nogueira Pessoa, português, empregado no comércio, residente em Lisboa, na Rua de S. Julião, número cinquenta e dois, primeiro andar, desejando proteger em Portugal o seu invento de um «Anuário ou Indicador sintético, por nomes e outras quaisquer classificações, consultável em qualquer língua», que é caracterizado pelas seguintes reivindicações:
«Um anuário ou indicador classificando por nomes de pessoas ou firmas, e acessoriamente por outras quaisquer classificações, no qual todas as indicações linguísticas são substituídas por sinais convencionais, sendo a obra consultável em qualquer língua por meio de uma chave explicativa redigida nessa língua»,
Pede a V. Exa. se digne ordenar que lhe seja passado o respectivo título de patente de invenção.
Lisboa, 26 de Outubro de 1925.
Fernando Nogueira Pessoa, português, empregado no comércio, residente em Lisboa, na Rua de S. Julião, número cinquenta e dois, primeiro andar, desejando proteger em Portugal o seu invento de um «Anuário ou Indicador sintético, por nomes e outras quaisquer classificações, consultável em qualquer língua», que é caracterizado pelas seguintes reivindicações:
«Um anuário ou indicador classificando por nomes de pessoas ou firmas, e acessoriamente por outras quaisquer classificações, no qual todas as indicações linguísticas são substituídas por sinais convencionais, sendo a obra consultável em qualquer língua por meio de uma chave explicativa redigida nessa língua»,
Pede a V. Exa. se digne ordenar que lhe seja passado o respectivo título de patente de invenção.
Lisboa, 26 de Outubro de 1925.
(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 36, p. 147)
25 abril 2012
Dia da Liberdade

Graffiti de Charquipunk
Etiquetas:
Estado Novo,
História de Portugal,
Iconografia,
Liberdade,
Revolução/Revolta
23 abril 2012
396 anos da morte de William Shakespeare (1616) e, talvez, 448 anos do seu nascimento (1564)*
Shakespeare was admired in his time as a wit, not as a man of genius. How could he be admired as a man of genius? It was the creator of Falstaff that could be understood; the creator of Hamlet could not be. [...]
[ Shakespeare no seu tempo era admirado por espirituoso, não como homem de génio. Como podia ele ser admirado como homem de génio? O criador de Falstaff podia ser compreendido, mas não o criador de Hamlet. [...] ]
* A data de nascimento de Shakespeare não é conhecida com exactidão, mas sabe-se que foi baptizado a 26 de Abril, sendo nessa altura habitual o baptismo ocorrer ao segundo ou terceiro dia de vida da criança; a tradição mantém que o escritor morreu no dia do seu 52.º aniversário.
Miguel de Cervantes morreu também a 23 de Abril de 1616, mas note-se que não no mesmo dia de Shakespeare: nessa altura a Inglaterra seguia ainda o calendário juliano, e não o gregoriano (adoptado no mundo católico em 1582), pelo que o autor inglês morreu 10 dias depois do espanhol (a 3 de Maio, segundo o calendário gregoriano).
A coincidência (aparente) das datas foi um forte incentivo (entre outros) para que o dia 23 de Abril fosse declarado Dia Mundial do Livro.
(Fernando Pessoa, “Erostratus”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias,
VIII, 4, p. 170; em inglês no original)
VIII, 4, p. 170; em inglês no original)
[ Shakespeare no seu tempo era admirado por espirituoso, não como homem de génio. Como podia ele ser admirado como homem de génio? O criador de Falstaff podia ser compreendido, mas não o criador de Hamlet. [...] ]
(idem, p. 217; trad. Jorge Rosa)
* A data de nascimento de Shakespeare não é conhecida com exactidão, mas sabe-se que foi baptizado a 26 de Abril, sendo nessa altura habitual o baptismo ocorrer ao segundo ou terceiro dia de vida da criança; a tradição mantém que o escritor morreu no dia do seu 52.º aniversário.
Miguel de Cervantes morreu também a 23 de Abril de 1616, mas note-se que não no mesmo dia de Shakespeare: nessa altura a Inglaterra seguia ainda o calendário juliano, e não o gregoriano (adoptado no mundo católico em 1582), pelo que o autor inglês morreu 10 dias depois do espanhol (a 3 de Maio, segundo o calendário gregoriano).
A coincidência (aparente) das datas foi um forte incentivo (entre outros) para que o dia 23 de Abril fosse declarado Dia Mundial do Livro.
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Falecimento,
Livros,
Nascimento,
Teatro
21 abril 2012
20 abril 2012
128 anos da Encíclica Humanum Genus (Leão XIII), condenando a Maçonaria (1884)
A Maçonaria compõe-se de três elementos: o elemento iniciático, pelo qual é secreta; o elemento fraternal; e o elemento a que chamarei humano — isto é, o que resulta de ela ser composta por diversas espécies de homens, de diferentes graus de inteligência e cultura, e o que resulta de ela existir em muitos países, sujeita portanto a diversas circunstâncias de meio e de momento histórico, perante as quais, de país para país e de época para época, reage, quanto a atitude social, diferentemente.
Nos primeiros dois elementos, onde reside essencialmente o espírito maçónico, a Ordem é a mesma sempre e em todo o mundo. No terceiro, a Maçonaria — como aliás qualquer instituição humana, secreta ou não — apresenta diferentes aspectos, conforme a mentalidade de maçons individuais, e conforme circunstâncias de meio e momento histórico, de que ela não tem culpa.
Neste terceiro ponto de vista, toda a Maçonaria gira, porém, em torno de uma só ideia — a tolerância; isto é, o não impor a alguém dogma nenhum, deixando-o pensar como entender. Por isso a Maçonaria não tem uma doutrina. Tudo quanto se chama «doutrina maçónica» são opiniões individuais de maçons, quer sobre a Ordem em si mesma, quer sobre as suas relações com o mundo profano. São divertidíssimas: vão desde o panteísmo naturalista de Oswald Wirth até ao misticismo cristão de Arthur Edward Waite, ambos eles tentando converter em doutrina o espírito da Ordem. As suas afirmações, porém, são simplesmente suas; a Maçonaria nada tem com elas. Ora o primeiro erro dos anti-maçons consiste em tentar definir o espírito maçónico em geral pelas afirmações de maçons particulares, escolhidas ordinariamente com grande má fé.
Nos primeiros dois elementos, onde reside essencialmente o espírito maçónico, a Ordem é a mesma sempre e em todo o mundo. No terceiro, a Maçonaria — como aliás qualquer instituição humana, secreta ou não — apresenta diferentes aspectos, conforme a mentalidade de maçons individuais, e conforme circunstâncias de meio e momento histórico, de que ela não tem culpa.
Neste terceiro ponto de vista, toda a Maçonaria gira, porém, em torno de uma só ideia — a tolerância; isto é, o não impor a alguém dogma nenhum, deixando-o pensar como entender. Por isso a Maçonaria não tem uma doutrina. Tudo quanto se chama «doutrina maçónica» são opiniões individuais de maçons, quer sobre a Ordem em si mesma, quer sobre as suas relações com o mundo profano. São divertidíssimas: vão desde o panteísmo naturalista de Oswald Wirth até ao misticismo cristão de Arthur Edward Waite, ambos eles tentando converter em doutrina o espírito da Ordem. As suas afirmações, porém, são simplesmente suas; a Maçonaria nada tem com elas. Ora o primeiro erro dos anti-maçons consiste em tentar definir o espírito maçónico em geral pelas afirmações de maçons particulares, escolhidas ordinariamente com grande má fé.
(Fernando Pessoa, “Associações Secretas”, Da República (1910–1935), 132, pp. 402–403)
19 abril 2012
18 abril 2012
61 anos do Tratado de Paris (1951), embrião da União Europeia
A Europa tem sede de que se crie, tem fome de Futuro!
(Álvaro de Campos, “Ultimatum”, Prosa Publicada em Vida, p. 285)
Etiquetas:
* Álvaro de Campos,
Europa,
Futuro,
Heterónimos e afins
17 abril 2012
222 anos da morte de Benjamin Franklin (1790)
[...] bateu-me no olhar da alma, como um relâmpago batera no do corpo [...]
(Barão de Teive, Pessoa por Conhecer, vol. II, 200, p. 245)
Etiquetas:
* Barão de Teive,
Falecimento,
Heterónimos e afins
16 abril 2012
123 anos do “nascimento” de Alberto Caeiro (1889)
[...] pus no Caeiro todo o meu poder de despersonalização dramática, [...]
(Fernando Pessoa, Correspondência (1923–1935), 162, p. 340)
Assinatura de Alberto Caeiro
15 abril 2012
100 anos do naufrágio do Titanic (1912)
Eh-lá naufrágios deliciosos dos grandes transatlânticos!
(Álvaro de Campos, “Ode Triunfal”, Poesia, 8, p. 88)
Etiquetas:
* Álvaro de Campos,
Catástrofe,
Heterónimos e afins,
Tragédia
13 abril 2012
12 abril 2012
1 ano da chegada da Troika UE–FMI–BCE a Portugal (2011)
Pedindo esmola às portas da Alegria.
(Álvaro de Campos, “Opiário”, Poesia, 5, p. 61)
Etiquetas:
* Álvaro de Campos,
Economia/Finanças,
Heterónimos e afins,
Portugal
11 abril 2012
79 anos da entrada em vigor da Constituição de 1933
[...] tenho estado velho por causa do Estado Novo. [...]
(Fernando Pessoa, Correspondência (1923–1935), 169, p. 359)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Estado Novo,
História de Portugal
09 abril 2012
94 anos da Batalha de La Lys (1918)
Puseste a crença num Deus justo e bom.
Foi esse Deus que te matou teu filho?
Foi esse Deus que te matou teu filho?
(Fernando Pessoa, Poesia (1918–1930), p. 193)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Deus,
Guerra,
História de Portugal
08 abril 2012
Páscoa
Mr. Pickwick belongs to the sacred figures of the world’s history. Do not, please, claim that he has never existed: the same thing happens to most of the world’s sacred figures, and they have been living presences to a vast number of consoled wretches. So, if a mystic can claim a personal acquaintance and clear vision of the Christ, a human man can claim personal acquaintance and a clear vision of Mr. Pickwick.
[ O Sr. Pickwick pertence às figuras sagradas da história do mundo. Por favor, não me venham dizer que nunca existiu: o mesmo sucede com a maior parte das figuras sagradas do mundo que, no entanto, têm sido presenças vivas para número enorme de míseros consolados. Assim, se um místico pode reivindicar o conhecimento pessoal e uma clara visão de Cristo, um homem humano pode reivindicar o conhecimento pessoal e uma visão clara do Sr. Pickwick. ]
(Fernando Pessoa, “Charles Dickens”, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias,
IX, 8, pp. 307–308; em inglês no original)
IX, 8, pp. 307–308; em inglês no original)
[ O Sr. Pickwick pertence às figuras sagradas da história do mundo. Por favor, não me venham dizer que nunca existiu: o mesmo sucede com a maior parte das figuras sagradas do mundo que, no entanto, têm sido presenças vivas para número enorme de míseros consolados. Assim, se um místico pode reivindicar o conhecimento pessoal e uma clara visão de Cristo, um homem humano pode reivindicar o conhecimento pessoal e uma visão clara do Sr. Pickwick. ]
(idem, p. 309; trad. Jorge Rosa)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Cristianismo,
Deus,
Fé,
Ficção,
Literatura,
Misticismo,
Religião
07 abril 2012
04 abril 2012
83 anos da morte do ex-primeiro ministro João Franco (1929)
EPITÁFIO A JOÃO FRANCO
[] na tua campa
O epitáfio solene que mereces
«Foi melhorando, desde a vida à morte.
Pois será pó, é podridão, foi trampa.»
(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 205, p. 343)
Etiquetas:
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Falecimento,
Governo,
Portugal
01 abril 2012
Dia das Mentiras
EH-LÀ!
Acaba de publicar-se o terceiro número de ORPHEU.
Esta revista é, hoje, a única ponte entre Portugal e a Europa, e, mesmo, a única razão de vulto que Portugal tem para existir como nação independente.
Ler ORPHEU é o único acto civilizado que é possível praticar hoje em Portugal, excepto o suicídio com ordem de incineração no testamento.
Comprar ORPHEU é regressar de África. Compreender ORPHEU é ter voltado de lá já há muito tempo.
Comprar ORPHEU é, enfim, ajudar a salvar Portugal da vergonha de não ter tido senão a literatura portuguesa. ORPHEU é todas as literaturas.
À venda em todas as livrarias.
Preço 50 centavos
(em português: 500 réis)
(Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, 126, p. 254)
Etiquetas:
“Orpheu”,
* Fernando Pessoa (ortónimo),
Europa,
Literatura,
Mentira,
Portugal,
Revistas,
Suicídio
Subscrever:
Mensagens (Atom)
























